A banda de rock que Robert Smith odeia muito: "Eu desprezo tudo o que eles já fizeram"
Por Gustavo Maiato
Postado em 04 de janeiro de 2026
Segundo o jornalista Tim Coffman, em matéria publicada no site Far Out, nem sempre o sucesso comercial anda de mãos dadas com a admiração artística - e Robert Smith é um exemplo claro disso. O vocalista do The Cure nunca escondeu seu desprezo por uma das maiores bandas de hard rock dos anos 1980: o Def Leppard.
De acordo com Coffman, a relação entre estética, sucesso e música ficou ainda mais evidente nos anos 1980, quando a MTV passou a ditar regras. "A nova era não era apenas sobre soar bem, mas sobre parecer bem", observa o jornalista. Enquanto muitas bandas abraçaram o visual extravagante, o The Cure sempre se colocou como um grupo focado na música, ainda que a figura de Robert Smith acabasse se tornando icônica.

Mesmo vindo da cena punk, o The Cure levou uma melancolia gótica ao rock que raramente dominava as paradas. Ainda assim, no fim dos anos 1980, a banda ajudou a pavimentar o caminho para o rock alternativo dos anos 1990, com sucessos como "Boys Don't Cry" e "Just Like Heaven". Mas nem isso impediu Smith de se irritar profundamente quando perdeu o topo das paradas.
Segundo Tim Coffman, o estopim do ataque verbal veio no início dos anos 1990, quando o álbum do The Cure foi barrado no primeiro lugar das paradas pelo Adrenalize, do Def Leppard. Em uma coletiva de imprensa, Smith foi direto e sem rodeios: "Fiquei irritado por não termos ficado em primeiro lugar. E essa é a minha forma de dizer que eu desprezo o Def Leppard e tudo o que eles já fizeram", disparou o músico.
O vocalista foi além e atacou a imagem da banda rival: "Não consigo acreditar no quanto o Def Leppard é popular. Me dá enjoo ver todos eles sentados lá com bandeiras do Reino Unido enquanto o Joe Elliott adota aquele sotaque americano de rock falso e horrível", afirmou, em declaração resgatada pelo jornalista.
Em outra entrevista, citada por Coffman, Smith reforçou o incômodo ao comentar a sonoridade do grupo: "Para o ouvinte casual, eles soam exatamente como o disco anterior. Eu tento desesperadamente evitar ouvir, mas às vezes, parado no semáforo, com o vidro do carro aberto, você acaba escutando", completou, admitindo que sabia que aquilo poderia afastar parte do público fã de heavy metal.
Curiosamente, apesar das farpas públicas, The Cure e Def Leppard acabaram cruzando caminhos anos depois, quando foram introduzidos na mesma cerimônia do Rock and Roll Hall of Fame, em 2018. O tom, dessa vez, foi bem mais diplomático. Ainda assim, como conclui Tim Coffman, pode até existir respeito institucional hoje em dia - mas não espere ver Robert Smith tocando "Photograph" em um show do The Cure tão cedo.
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