O clássico do rock britânico inspirado por Bob Dylan e Frank Sinatra: "Período estranho"
Por Gustavo Maiato
Postado em 04 de janeiro de 2026
Nem sempre as grandes canções surgem de influências óbvias. No caso de The Kinks, um de seus maiores clássicos nasceu da combinação improvável entre Bob Dylan e Frank Sinatra. A história foi resgatada pelo jornalista Joe Taysom, da Far Out, que relembrou como Ray Davies atravessava um momento pessoal delicado quando compôs "Sunny Afternoon".
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Segundo Taysom, há quem compare Ray Davies a Dylan pelo domínio das palavras e pela capacidade de observar a sociedade com ironia e precisão. Ainda assim, o compositor britânico raramente aparece nas listas canônicas de maiores letristas da história do rock, algo que o jornalista considera uma injustiça. Para ele, Davies pertence ao mesmo patamar dos grandes nomes da composição do século 20.
Na época da criação de "Sunny Afternoon", Ray Davies vivia um período de afastamento forçado da rotina habitual. Doente e isolado, ele havia acabado de comprar um piano vertical branco e passava os dias em casa, cercado por um ambiente que refletia plenamente a estética dos anos 1960. Foi nesse contexto que o embrião da música surgiu. "Eu tinha comprado um piano vertical branco. Não escrevia havia algum tempo. Eu estava doente", contou Davies em entrevista citada por Taysom "Morava numa casa bem anos 60, com paredes laranja e móveis verdes. Minha filha de um ano engatinhava pelo chão quando escrevi o riff de abertura."
Do ponto de vista musical, Ray Davies afirmou que naquele momento praticamente não conseguia ouvir nada além de alguns poucos discos. Segundo ele, sua escuta estava restrita a Frank Sinatra e ao álbum Bringing It All Back Home, especialmente a faixa "Maggie's Farm". O compositor também mencionou que alternava essas audições com gravações de Glenn Miller e até peças de Bach. "Na época em que escrevi 'Sunny Afternoon', eu não conseguia escutar muita coisa", explicou "Eu só ouvia os maiores sucessos do Frank Sinatra e 'Maggie's Farm', do Bob Dylan. Era um período estranho."
Joe Taysom observa que, embora essas referências sejam fundamentais para o estado emocional de Davies, elas não aparecem de forma clara na estrutura final da música. Não há elementos evidentes do folk elétrico de Dylan nem da interpretação clássica de Sinatra na gravação, o que reforça a ideia de que a influência foi mais conceitual e emocional do que sonora.
Para o jornalista, Sinatra serviu como modelo de interpretação e presença, alguém capaz de transformar letras simples em algo grandioso, mesmo sem ser compositor. Dylan, por outro lado, representava liberdade criativa e ruptura de convenções. Esses dois polos ajudaram Davies a sair de um bloqueio criativo e a reorganizar suas ideias.
No fim das contas, Sunny Afternoon acabou se tornando um retrato sofisticado da música pop britânica: aparentemente leve, mas carregada de ironia social e precisão lírica. Como destaca Taysom, a canção mostra que a inspiração nem sempre precisa ser audível para ser determinante - às vezes, ela atua apenas como catalisadora de um momento criativo.
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