O guitarrista que recusou os Rolling Stones e trabalhou com os Sex Pistols
Por Bruce William
Postado em 04 de janeiro de 2026
A história começa do jeito mais improvável: o telefone toca, a namorada atende e solta a frase que muda o clima da sala. "Ela atendeu e disse: 'Mick quer falar com você'... era Mick Jagger perguntando se eu estava livre para sair em turnê com os Stones em agosto."
A resposta, porém, não foi "sim". Conforme relata a Classic Rock, ele conta que já tinha se comprometido com Roy Harper e recusou a viagem. Não é todo dia que alguém diz não para uma turnê dos Rolling Stones - e é justamente por isso que o caso ficou sendo repetido como uma dessas cenas de bastidor que explicam como o rock também é feito de escolhas e compromissos práticos.
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O cara em questão é Chris Spedding, guitarrista e cantor que passou décadas circulando entre estúdios e turnês, com um currículo que vai de nomes gigantes a gente bem cult. No meio disso, ainda teve um hit solo em 1975, "Motorbikin'", e até uma passagem inusitada pelo The Wombles ("Parecia uma diversão boa… eu não tenho vergonha nenhuma de ter sido um Womble").
Em 1976, outra coincidência empurra Spedding para um lugar bem diferente do circuito de estúdio: ele vai ao 100 Club com uma amiga americana e encontra um show praticamente vazio. "Eles tinham algo que estava faltando no rock naquela época", ele diz sobre a banda. Resultado: ele foi até a sala de ensaio na Denmark Street, levou o grupo para o Majestic Studios e gravou três músicas em cinco horas. "Esse foi o fim do meu envolvimento com os Pistols... há muitos boatos de que eu toquei em 'Never Mind The Bollocks', mas não é verdade. Eu dei a demo para o Chris Thomas e com isso ele acabou produzindo eles."
O contato com a turma também rendeu uma frase que explica o tipo de ambiente: "No estúdio, o Steve Jones ficou olhando minhas guitarras e o Johnny Rotten ficou olhando minha namorada." Spedding conta isso rindo, como quem está descrevendo um dia normal de trabalho - o que, naquela fase, talvez fosse mesmo.
Depois, ele evita virar "padrinho do punk" e vai para Nova York, onde passa a frequentar o CBGB e acaba produzindo o primeiro demo do The Cramps. "Muitos dos meus amigos de NYC consideravam eles caipiras porque não eram de Nova York... mas eu amei o som deles e disse para irem para a Inglaterra, onde encontrariam público."
Nos anos seguintes, a vida segue mais na linha de músico de estúdio e turnês pontuais: sessões com Tom Waits e outros nomes, trabalhos regulares com Bryan Ferry/Roxy Music, e um retorno à Inglaterra em 2006 quando a cena de estúdios em Los Angeles já não estava no mesmo ritmo.
E tem um detalhe que o texto deixa no ar: com "impressões digitais" em tanta gravação e tanta história boa para contar, ele ainda é lembrado por pouca gente fora dos círculos mais atentos. Em um show recente no 100 Club, a casa estava só pela metade - e ele não parece comprar briga com isso. "Eu nunca sinto que fiz o meu melhor trabalho. Se algum dia eu sentir isso sobre um dos meus álbuns, talvez aí eu esteja pronto para me aposentar."
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