"Aprendam uma profissão, porque é difícil ganhar a vida", diz Gary Holt
Por Bruce William
Postado em 04 de janeiro de 2026
Gary Holt tem um currículo que muita gente olha de longe e imagina "vida feita": o cara está no Exodus há décadas e, desde 2013, também toca com o Slayer. Só que, quando ele fala da própria trajetória, a conversa vai para um lugar bem menos bonito do que a fantasia do "rockstar rico".
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Numa entrevista de 20 de dezembro à Sweetwater, replicada pela Metal Injection, Holt comentou como o Exodus chegou perto de desmoronar no começo dos anos 1990. Ele disse que aprendeu a não tratar nada como garantido - até porque, mesmo quando a banda estava na estrada, dinheiro não era exatamente o assunto do dia. "Eu fui de ter uma carreira boa, mas eu nunca ganhei dinheiro. A gestão só nos dava um salarinho, e a gente ficava feliz desde que desse pra comprar videogame e maconha e pagar meu aluguel."
O mais curioso é que ele admite que, naquela época, nem passava pela cabeça perguntar onde a grana estava indo. "Isso era tudo que me importava. Nunca perguntei pra onde o dinheiro ia. Nunca soube, sabe?" É o tipo de frase que bate diferente em quem está começando hoje e já entra no jogo achando que vai entender tudo no caminho.
Holt também lembrou que, por um período, o Exodus estava indo bem, até que o cenário mudou e a maré virou. "A gente estava indo muito bem, e aí o grunge aconteceu. E aí tudo simplesmente sumiu." Ele ainda cita conflitos internos e músicas que ele mesmo não coloca como o melhor momento da banda, como parte do pacote que foi empurrando o grupo para o buraco.
A queda não ficou só na teoria. Holt já tinha contado no livro "A Fabulous Disaster: From the Garage to Madison Square Garden, the Hard Way" que saiu de turnês pelo mundo para trabalhos bem mais modestos: "Eu estava limpando cocô de cachorro num estacionamento de trailers." Talvez por isso ele faça questão de deixar um aviso para quem romantiza a estrada. "Não sigam os meus passos. Às vezes esses passos na areia... não sigam. Eles vão te levar para areia movediça." E ele encaixa o contexto de hoje, com tudo mais apertado para músico: "Os tempos são diferentes. Pra mim e pra você, a gente não tinha download e essas coisas. Eu sempre digo pras pessoas: aprendam uma profissão, porque é difícil ganhar a vida."
E, quando a pergunta sai da "vida" e vai para guitarra, ele não complica nada: "Se eu vou dar um conselho sério, ouça Angus Young. Angus sabe tudo. Você não precisa de mais nada. Pegue uma base simples e aprenda a deslizar as notas."
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