Em 05/11/2005 | Resenha - Angra (Via Funchal, São Paulo, 05/11/05)

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Resenha - Angra (Via Funchal, São Paulo, 05/11/05)


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Uma grande expectativa tomou conta dos fãs paulistanos quando o Angra confirmou na cidade o show especial em comemoração aos 14 anos de banda há alguns meses. Mesmo com uma divulgação mais discreta, o evento prometia, afinal, o release oficial prometia surpresas. Quem subiria ao palco com a banda para as participações especiais tão anunciadas? Será que teríamos o tão sonhado dueto ao vivo entre Edu Falaschi e Milton Nascimento em "Late Redemption"?

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Matéria escrita para o site DELFOS – www.delfos.art.br

Até a véspera, tudo o que se sabia é que o mestre Kai Hansen (atual Gamma Ray, Ex-Helloween e um dos fundadores do Power Metal) subiria ao palco para uma participação mais do que especial na música "Temple of Hate". Todas as demais perguntas também seriam respondidas na noite do último sábado, 5 de novembro.

O local escolhido para a festa foi o Via Funchal, a casa de shows preferida do Angra já que quase todos os shows paulistanos das últimas turnês foram marcados lá. Em minha opinião, a escolha não poderia ter sido melhor já que apesar da casa não ficar perto do metrô, pelo menos tem diversos estacionamentos ao redor, sem contar as várias linhas de ônibus que passam nas avenidas por perto.

A casa recebeu um bom público mas não estava lotada como nos shows anteriores. Para falar a verdade, por ser um show especial, até me decepcionei com o número de pessoas presentes, esperava bem mais. De qualquer forma a fila para entrar dobrava a esquina, o que é preocupante e mostra um certo descaso com o público que tem de esperar um bom tempo até conseguir adentrar as dependências. Para a sorte dos fãs, dessa vez não tivemos banda de abertura, era só o Angra mesmo, então quem perdeu tempo na fila pelo menos não perdeu uma apresentação como ocorreu ano passado.

Logo ao entrar no Via Funchal, encontrei alguns amigos e os boatos começaram a pipocar por todos os lados: primeiro disseram que o show teria 3 horas de duração e cerca de 30 músicas no setlist, depois um outro colega garantiu que Hansi Kürsch, vocalista do Blind Guardian, estava no Brasil e participaria também do show ao lado de Kai Hansen e, por fim, a presença de Milton Nascimento também já era “quase” confirmada por todos. Do jeito que as coisas caminhavam, pensei que assistiria ao melhor show da minha vida, mas infelizmente as coisas não foram bem assim.

Pontualmente às 22 hs, as luzes se apagaram e a introdução "Deus Le Volt" começa a sair dos PAs e logo tivemos a primeira grande surpresa da noite: o Angra se tocou e reduziu a introdução sem aquela combinação de quase 10 minutos com a também instrumental "Gate XIII". Pelo menos a apresentação começou com o pé direito.

A decoração do palco era exatamente a mesma dos outros shows com o belíssimo Sol gigante em néon ao fundo e símbolos da capa do Temple of Shadows. Na seqüência óbvia, o Angra subiu ao palco com a ótima "Spread Your Fire" (infelizmente sem a participação especial da vocalista do Edenbridge, Sabine Edelsbacher, nem em playback) e já emendaram sem enrolação "Angels And Demons" e "Waiting Silence", sendo essa a melhor música da banda em muitos anos, na minha opinião. O som estava muito bom e os paulistanos pareciam bem empolgados, em especial o guitarrista Kiko Loureiro, todo sorridente e brincando com o público sem parar.

Para os mais distantes do palco, as brincadeiras de Kiko foram praticamente ignoradas já que os telões do Via Funchal deram pau e distorciam as imagens, problema que, infelizmente, não foi solucionado.

Edu Falaschi dá as boas vindas e anuncia a próxima música, a balada "Wishing Well". Mas espera aí, "Deus Le Volt", "Spread Your Fire", "Angels And Demons", "Waiting Silence" e agora "Wishing Well", era exatamente a ordem das músicas no CD e mais um segredo da apresentação estava sendo desvendado: o Angra tocaria o álbum "Temple of Shadows" na íntegra e na ordem.

Nesse começo, o público agitou sem parar e posso dizer que a banda tinha o show nas mãos. Na seqüência, como esperado, Edu chamou o primeiro convidado especial da noite, o Deus do Metal, Kai Hansen, para cantarem juntos a ótima "Temple of Hate" e Kai mandou muito bem como sempre. Os dois vocalistas até fizeram aquela brincadeira de dividir o público e ver que lado agita mais. Essa versão ao vivo de "Temple" foi um dos grandes destaques do show.

A execução do "Temple of Shadows" continuou com a ótima e progressiva "The Shadow Hunter" mas a partir daí era visível uma certa monotonia no ar por parte dos bangers, exatamente o mesmo efeito que ocorre quando se ouve o CD na íntegra. Não que o álbum seja ruim, longe disse, como você já leu na minha resenha, mas digamos que perde um pouco o ritmo a partir da metade e isso refletiu claramente no show, onde os bocejos começaram a se manifestar e a agitação deu uma bela diminuída.

A balada "No Pain For The Dead" apareceu já sem muito entusiasmo mas gerou um fato curioso quando a banda se retirou do palco do nada na metade da música e as luzes se apagaram. Daí, cerca de um minuto depois, eles voltaram com uma vocalista (não era a Sabine) para cantar os backing vocals. Infelizmente o microfone da artista não funcionou e ficamos sem ouvir sua voz e essa foi a participação mais obscura da noite. Isso que a moça sequer foi anunciada ou apresentada, então fico devendo aos delfonautas o seu nome.

A pesada "Winds of Destination" veio a seguir e novamente um dos boatos foi por água abaixo, já que Hansi Kürsch não deu as caras. Honestamente, não me preocupei, pois acho essa música bem fraquinha.

Em seguida tivemos a dobradinha insossa "Sprouts of Time" e "Morning Star", faixas até interessantes no CD, mas enroladas demais para um show. A essa altura, todos já esperavam com enorme expectativa pela ótima "Late Redemption" onde teríamos a participação absolutamente histórica do Miltão subindo ao palco com uma banda de Heavy Metal pela primeira vez. Pois é, teríamos, porque para a frustração de 100% dos presentes, nosso querido Milton Nascimento deu o cano e não apareceu no Via Funchal. Ok, sua presença não foi anunciada, mas todo mundo dava ela como certa. Mesmo com o público ensaiando um coro de “Milton, Milton”, Edu Falaschi teve de levar a música sozinho e chamando a participação dos fãs nas linhas em português. Neste momento, o Corrales olhou para minha cara e disse “ainda bem que é você que vai escrever essa resenha porque eu não tenho palavras para descrever minha frustração”. Mas para o desespero de nosso tremendão supremo, eu também estava tão decepcionado quanto ele e não parava de pensar que, se a banda conseguiu trazer até o Kai Hansen da Alemanha, por que não o Milton Nascimento, de Belo Horizonte? Será que o cantor tem algum tipo de preconceito contra o público de Heavy Metal ou já tinha outro compromisso agendado? Tire suas próprias conclusões, mas o fato é que foi um dos maiores baldes de água fria da história e olha que vou a shows de Metal há mais de 10 anos. A decepção era geral, mesmo entre os jornalistas.

Para piorar a história, o Angra mandou o playback de "Gate XIII", uma música instrumental de 5 minutos, bem no meio do show. Tudo bem que faz parte da execução do álbum, mas essa faixa só serviu para esfriar ainda mais um show já cansativo.

Com o "Temple of Shadows" passado a limpo, a banda acordou os fãs com a dobradinha mágica do "Holy Land": "Nothing to Say" e "Carolina IV", ambas com excelentes versões ao vivo e com destaque para a voz de Edu que cada vez mais se sobressai nesses dois clássicos da era Andre Matos. Lembrando que "Carolina" ainda teve aquela famosa introdução com a batucada no palco onde todos os integrantes participaram e os fãs acompanharam nas palmas.

Depois, mais um clássico absoluto, a ótima "Angels Cry", faixa-título do primeiro álbum e mais uma que ficou bem legal na voz de Edu. O grande problema é que, a essa altura do campeonato, a voz do cara já mostrava sinais de cansaço, especialmente quando ele tentava alguma nota mais alta, coisa não muito rara nessas músicas mais antigas. A impressão é que o microfone falhava mas se você reparasse bem, o problema era mais embaixo.

Agora sim teríamos a primeira grande surpresa do show quando o Angra executou com muita competência a esquecida "Gentle Change" do "Fireworks", com uma participação na batucada que, infelizmente, também não peguei o nome. Ótima composição e mais um momento matador que acordou os fãs. Acredito que essa música nunca tenha sido tocada ao vivo antes e ganhou uma versão bem legal com os novos integrantes. A banda emendou a descartável (na minha opinião) "Heroes of Sand" do "Rebirth", novamente amornando a apresentação.

Na seqüência, aconteceu a segunda grande decepção da noite (a primeira foi o furo do Miltão), quando a banda começou a maravilhosa "Never Understand" do "Angels Cry", em minha opinião a melhor música do Angra e um dos clássicos eternos do Heavy Brazuca. Mas infelizmente, verdade seja dita, Edu se esforça pra caramba mas essa música não foi escrita para o seu tom de voz e o resultado é broxante. O cara faz várias caretas, força a voz, mas não consegue repetir o vocal de Andre Matos, uma pena mesmo e um dos momentos em que os fãs olham um pra cara do outro com aquele ar de reprovação. A música é incrível e a parte instrumental foi soberba, a não ser pela não participação de Kai Hansen no solo final. Sim, porque o alemão também toca um dos solos da música no final da versão original do CD, uma pena que ele não repetiu a dose ao vivo já que ainda estava nas dependências do Via Funchal como veremos a seguir. Simplesmente não existe uma explicação racional para essa participação não ter acontecido.

A banda mandou então uma versão bem legal de "Acid Rain" - essa música sempre fica muito boa nos shows - e segue com "Carry On", sem introduções nem nada, simplesmente dispararam a música e fiquei com a impressão que eles sentiram o pique da galera caindo e resolveram tomar alguma medida drástica para acordar todo mundo. Confesso que não tive acesso ao setlist oficial então não sei se o maior clássico da banda estava para ser tocado nessa ordem mesmo ou se eles adiantaram para acordar o povo. De qualquer forma, o resultado foi positivo e os fãs responderam à altura. Para não dizerem que sou implicante, essa é outra música que fica bem legal na voz de Falaschi.

Mais um “momento balada”, dessa vez com a já clássica "Rebirth", o símbolo, digamos assim, dessa nova geração do Angra. Todos os presentes deram um show novamente e levaram a música praticamente sozinhos, ótimo momento e era perceptível a emoção de Edu quando a voz do público encobria suas próprias linhas.

Agora o vocalista anuncia que a banda tinha uma surpresinha para os fãs em comemoração aos 14 anos da banda e mandaram um medley muito, mas muito bom mesmo, com quase uma dezena de músicas dos três primeiros álbuns oficiais e uma do "Rebirth". Eles começaram com a ótima "Stand Away" (com o guitarrista Rafael Bittencourt assumindo os vocais e dando um verdadeiro show, embora não tenha entendido porque ela não foi cantada por Edu), seguiram com "Time", o comecinho de "Wings of Reality", "Metal Icarus", "Silence and Distance", o refrão final de "Make Believe", "Petrified Eyes", "Speed" e fecharam com "Z.I.T.O" e "Running Alone". A resposta do público foi incrível e acredito que esse medley veio para ficar. Pelo menos é uma forma direta e inteligente de passar a limpo alguns dos melhores momentos da carreira do Angra. Já que não se tem tempo suficiente para tocar todos esses clássicos separadamente, então essa é uma boa solução.

Edu chamou novamente Kai Hansen aos palcos (desta vez ele voltou com a guitarra em mãos) e juntos mandaram uma versão impecável de "I Want Out", um dos maiores clássicos do Helloween e do Metal Melódico de todos os tempos. O músico alemão se despediu do público sob uma chuva de aplausos e disse que esperava todos no show do Gamma Ray em Sampa daqui a duas semanas. A introdução "In Excelsis" começa a tocar e é a deixa para o clássico "Nova Era" (com direito a Aquiles com sua máscara de polvo) fechar a apresentação com méritos.

No geral, tivemos um show interessante, porém longo e cansativo, especialmente pela primeira parte com o "Temple of Shadows" inteiro. Não me levem a mal, a idéia de tocar álbuns inteiros já funcionou com várias bandas, como por exemplo o Dream Theater, quando prestou algumas homenagens e tocou o "Master of Puppets" do Metallica inteirinho e depois gostaram da brincadeira e mandaram o "Number of The Beast" do Iron Maiden. Atualmente tocam até o "Dark Side of The Moon" do Pink Floyd. Mas aí estamos falando de clássicos indiscutíveis do Heavy e do Rock, só que este não é o caso do "Temple of Shadows": se for para tocar um CD inteiro, por que não escolheram o "Angels Cry" que pelo menos é unanimidade?

Outro fator negativo desta vez que não posso deixar passar em branco foi a voz de Edu Falaschi. Adoro a voz do Edu desde os tempos do Symbols e tudo bem que este foi um show atípico com 3 horas de duração no final de uma turnê mundial, mas mesmo assim o cara precisa cuidar da voz, pois falhou feio em várias das músicas e, finalmente, não posso me esquecer do release do show onde os produtores divulgaram que teríamos diversos convidados e efeitos especiais. Sei que o marketing é a alma do negócio mas mentir para os fãs já é sacanagem. A única participação de peso que tivemos (e com o microfone funcionando) foi a de Kai Hansen e sobre os efeitos especiais, talvez eu esteja com algum problema visual, pois não ocorreu absolutamente nada ao contrário do primeiro show da turnê onde tivemos explosões e um gêiser de fogo em "Spread Your Fire". Definitivamente não foi uma atitude legal com os fãs que esperavam uma coisa e tiveram outra. E sem nenhuma explicação dada nem para fãs, nem para a imprensa.

Para os 14 anos de banda, o Angra merecia uma bela homenagem e, mesmo com algumas pisadas feias na bola, o show foi competente em fazer um apanhado geral da carreira da banda mesmo com seus altos e baixos. Também precisamos falar que fazer um show de comemoração de 14 anos é algo completamente marketeiro, pois todo ano pode ter um “show de comemoração” para os 11, 12, 13, etc. De qualquer forma, parabéns à banda e vamos ver o que os paulistanos nos reservam no ano que vem para a comemoração dos 15 anos, aí sim uma data especial.

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Sobre Bruno Sanchez

Paulistano, 26 anos, Administrador de Empresas e amante de História. Bruno é colaborador do Whiplash! desde 2003, mas seus textos e resenhas já constavam na parte de usuários em 1998. Foi levado ao Rock e Metal pelos seus pais através de Beatles, Byrds e Animals. Com o tempo, descobriu o Metallica ainda nos anos 80 e sua vida nunca mais foi a mesma. Suas bandas preferidas são Beatles, Metallica, Iron Maiden, Judas Priest, Slayer, Venom, Cream, Blind Guardian e Gamma Ray.

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