Ex-manager diz que Axl Rose fica com 50% da renda do Guns N' Roses: "Quer controlar tudo"
Por Gustavo Maiato
Postado em 15 de abril de 2025
O ex-empresário do Guns N' Roses, Alan Niven, voltou a criticar Axl Rose publicamente. Em entrevista recente ao podcast Appetite For Distortion (via Loudersound), especializado na trajetória da banda, Niven afirmou que o vocalista atualmente abocanha metade de toda a renda do grupo. "Axl fica com 50% da receita. Cinquenta por cento, ok? Para mim, isso é um absurdo. Ele não é o Guns N' Roses", declarou.
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Segundo Niven, a essência do grupo sempre esteve na união entre os integrantes. "Eram cinco indivíduos. Era uma química. Um momento. Mas o Axl quer controlar tudo, o tempo todo. E olha onde isso levou: um disco solo entediante e um álbum de covers punk medíocre. E só."
Embora não cite diretamente os trabalhos, Niven se refere a "The Spaghetti Incident?" (1993), composto por regravações, e ao controverso "Chinese Democracy" (2008), lançado após mais de uma década de adiamentos e reformulações. Ambos receberam recepção dividida e marcaram a fase mais solitária — e centralizada — de Rose à frente da banda.
Niven gerenciou o Guns N' Roses entre 1986 e 1991, período que engloba a explosão do grupo com "Appetite for Destruction" e os dois volumes de "Use Your Illusion". Desde então, tornou-se um dos críticos mais vocais da atual configuração da banda. Em 2022, afirmou à revista Classic Rock não ter "nenhuma esperança ou interesse" em um novo disco do grupo. "As birras da juventude ficam ridículas aos 60 anos", disse à época. "É uma pena que estejam criativamente impotentes desde 1991."
As declarações de Niven ganham força no momento em que ele se prepara para lançar Sound N’ Fury: Rock N’ Roll Stories, livro de memórias sobre sua carreira no show business. A obra chega às livrarias em 24 de junho e já está em pré-venda. Até o momento, nem Axl Rose nem os demais integrantes do Guns N’ Roses comentaram as declarações.
Como Guns N’ Roses dividia a renda?
Lançado em 1987, "Appetite for Destruction" não só consolidou o Guns N’ Roses como uma das maiores bandas de rock do planeta, como também rendeu uma fortuna aos seus integrantes. Oficialmente, o álbum foi creditado a todos os membros da formação clássica. Nos bastidores, no entanto, a divisão dos lucros contou com nuances menos conhecidas — e até generosidade inesperada.
Em entrevista à revista Classic Rock, concedida em 2010 e redescoberta recentemente, o baterista Steven Adler detalhou como foram repartidos os royalties do disco. Segundo ele, a distribuição foi feita de acordo com a colaboração individual de cada músico no processo criativo.
O vocalista Axl Rose ficou com a maior fatia: 25% dos lucros gerados pela autoria do álbum. Slash, Izzy Stradlin e Duff McKagan receberam 20% cada. Adler, por sua vez, ficou com 15%. Ainda que tenha levado a menor parte, o baterista afirma que a decisão foi sua.
"As letras são do Axl, então achei apropriado ele receber um pouco mais. Sem brigas, eu ofereci. Falei: ‘cara, pode ficar com 5% da minha parte, eu fico com 15% e você com 25%’", explicou Adler. "As letras são importantes. Se você sai dirigindo ouvindo as músicas, é com elas que você canta."
A generosidade do baterista, no entanto, não impediu que ele tivesse retorno financeiro significativo. "É claro que ganhei muito dinheiro com o Appetite. Você não vende aquele tanto de discos sem ganhar dinheiro", comentou.
O sucesso do álbum justifica essa fala. Com mais de 30 milhões de cópias vendidas mundialmente, "Appetite for Destruction" é o disco de estreia mais vendido da história da música, à frente de "Hybrid Theory" (2000), do Linkin Park, que acumulou cerca de 27 milhões de unidades comercializadas.
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