
Poeira Zine: a única publicação do país a trazer só a boa música dos bons tempos, esquecendo modismos, cópias descartáveis, marketing de gravadora e todo o lixo musical. Clique aqui para saber como adquirir.
Ian Gillan no Black Sabbath – 20 anos depois, essa notícia ainda causa espanto. As opiniões ainda divergem bastante quanto a essa reunião; uns amam, outros odeiam e outros simplesmente acham graça. Passados 20 anos dessa inusitada reunião, resolvi passar a limpo esse importante período na carreira do glorioso Black Sabbath.

Toda essa tensão acabou afetando os membros da banda, que na mixagem final do disco, literalmente quebravam o pau dentro do estúdio. A verdade é que Dio aumentava sua voz na mixagem, para que ela se sobressaísse perante os instrumentos. Era só o baixinho sair do estúdio que Iommi vinha e fazia o mesmo com sua guitarra; criando uma situação constrangedora. É lógico que “a corda estourou do lado mais frágil”, pois Iommi sempre foi o “manda-chuva” do Sabbath, e acabou sobrando para Dio, que levou um belo pé na bunda. Para não deixar barato, o vocalista ainda “arrastou” consigo o batera Vinny Appice. O último show com essa formação foi realizado no Poplar Creek de Illinois, no dia 30 de agosto de 1982.
O Sabbath se via sem vocalista e sem baterista, justamente numa época em que o Heavy Metal era grande no mundo inteiro novamente – graças à explosão do Metal Britânico com a New Wave Of British Heavy Metal. Era o auge de bandas como o Iron Maiden, o Saxon e o Def Leppard. O atraente mercado norte americano também estava ávido por bandas pesadas.
O Sabbath precisaria renascer das próprias cinzas - de preferência mais pesado do que nunca - precisaria conquistar uma nova geração sedenta por Heavy Metal, e essa passou a ser a meta da banda dali em diante...
Tony Iommi e Geezer Butler andavam meio que desanimados quando sem querer acabaram encontrando com Ian Gillan num daqueles pubs enfumaçados, típicos bares ingleses.

Gillan, Iommi e Geezer perceberam de cara naquele casual encontro no boteco (oops, desculpe, Pub), que tinham algo especial em comum – os caras simplesmente viravam todas – eram bebuns nato, e depois de muito álcool surge a idéia de Gillan ser o então novo vocalista do Black Sabbath. “O bom é que se não der certo, a gente fala que foi papo de bêbado, viagem de pinguço...”(deve ter pensado os rapazes na ocasião). Anos depois, o próprio Gillan declarou que sua entrada no Sabbath foi um “acidente”, algo precipitado, fruto de uma decisão não muito pensada. (Realmente é bem difícil pensar quando se está de “cara cheia”). Ele também ressaltou que o convite de Iommi foi feito para ambos criarem um projeto “Gillan/Iommi”, e não uma volta do Black Sabbath, como veio a ocorrer.
Apesar do vocalista não ter muito o estilo do Sabbath tradicional, tudo pareceu ser uma ótima idéia para ambas as partes na época. Em entrevistas, a banda chegou até a cogitar uma mudança de nome para Deep Sabbath – o que na realidade não passou de uma brincadeira.

Gillan de início não queria se vestir de couro, nem de roupa preta. Muito menos ostentar enormes crucifixos como o restante da banda sempre fez. Com a tour se aproximando, o vocalista percebeu que tudo isso era bobagem, e que ele poderia se apresentar do seu próprio jeito, como lhe era de costume.
O disco foi lançado em 7 de agosto de 1983 e foi direto para o 4o posto da parada britânica, coisa que eles não conseguiam desde o “Sabbath Bloody Sabbath”, lançado exatos 10 anos antes. O disco tinha uma gravação bem “estranha”, o som é propositalmente abafado, com a guitarra de Iommi soando meio ”estourada” e estridente. O próprio já declarou que simplesmente odeia o disco: “Fomos obrigados a gravar o disco com os amplificadores estourados, eles foram danificados durante as gravações e ninguém percebeu!”.



O repertório trazia além de algumas faixas do então lançamento, clássicos da era Ozzy, que há muito tempo eles não faziam ao vivo – como “Supernaut” e “Rock N’ Roll Doctor”. Da era Dio somente um trecho de “Heaven and Hell” era executada (no fim da tour, eles acabaram incluindo Neon Knights também). A surpresa ficava para a “encore” dos shows, onde o Sabbath detonava “Smoke on The Water” do Deep Purple, uma banda que chegou a rivalizar com o próprio Sabbath no início dos anos 70 pela liderança do rock Pesado mundial. Ainda bem que eles decidiram não colocar nada do ELO no repertório, nada contra o supergrupo de Jeff Lynne, mas já pensou o Sabbath tocando “Living Thing” ou “Last Train to London”?

Quanto ao show do Sabbath, o palco do Reading foi um dos únicos que conseguiu abrigar o imenso palco “Stonehenge” que a banda havia preparado para aquela turnê. Em arenas e outras casas de show, ficava simplesmente inviável montar aquela geringonça toda.
O show impressionou os presentes e até virou um belo bootleg, pois foi transmitido via rádio para toda a Inglaterra.
Infelizmente, o projeto não vingou e logo tudo estava acabado, com Gillan voltando para o Deep Purple em 1984 e gravando o disco “Perfect Strangers”. Os fãs do vocalista costumam dizer que nos shows com o Sabbath ele berrou tanto, que em menos de um ano acabou com sua voz, e não sobrou quase nada do antigo Gillan nos shows da turnê do “Perfect Strangers”.
Born Again é considerado uma baixa na carreira do Sabbath por fãs e crítica do mundo inteiro. Tanto Gillan, como Iommi e Geezer, simplesmente odeiam o disco, e nunca fizeram questão de esconder isso. Já no Brasil a estória é diferente. O disco já nasceu com estatus de “cult”, pois era Sabbath com Ian Gillan nos vocais. O álbum foi cultuado por toda uma geração que cresceu ouvindo o Metal do início dos anos 80, como o pessoal do Sepultura (inclusive eles até chegaram a tocar um trecho de “Zero the Hero” em alguns shows no início de carreira, e o Andreas aparece no clip da Roots Bloody Roots com uma camiseta do Born Again).
Agora se você quiser saber minha opinião, eu simplesmente acho o Born Again o melhor disco do Sabbath. Antes que eu seja crucificado, gostaria de deixar claro que adoro também a fase Ozzy, Dio e até a fase com Glenn Hughes. Sempre curti muito também esses álbuns, mas que o Born Again é especial, isso ninguém pode negar...
Set List básico da tour de 1983
# Children of the Grave
# Hot Line
# War Pigs
# Disturbing the Priest
# Supernaut
# Drum Solo
# Rock N’ Roll Doctor
# Iron Man
# Zero the Hero
# Heaven and Hell (só a primeira parte)
# Guitar Solo
# Digital Bitch
# Black Sabbath
# Smoke on the Water
# Paranoid
Em alguns shows a banda chegou a tocar também Keep It Warm e Neon Knights.
Esta é uma matéria antiga do site Whiplash.Net. Quer saber por que destacamos matérias antigas?
Todas as matérias da seção Poeira
Todas as matérias sobre Black Sabbath
Os comentários são postados usando scripts do FACEBOOK e logins do FACEBOOK, HOTMAIL, AOL ou YAHOO, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que fizeram uso deste sistema (citados na assinatura de cada comentário). Caso você considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato. Os responsáveis pelo site podem excluir comentários que julguem inadequados e fornecer informações sobre os comentários a reclamantes se solicitados.
Pense antes de escrever. Ao comentar sobre alguém, lembre-se que este alguém é uma pessoa e merece respeito. Tenha cuidado especial ao comentar sobre colaboradores do Whiplash.Net; eles trabalham de graça para gerar o conteúdo que você está lendo. Mais chato do que uma matéria com erro, ou uma opinião com que você não concorda, são os chatos que apenas reclamam. Se acha que pode fazer melhor, clique no link ENVIAR MATERIAL no topo do site. Se achar um erro de digitação ou similar, envie pelo link de ENVIO DE CORREÇÕES; lembre-se que é falta de educação corrigir outras pessoas em público. E lembre-se de também elogiar quando encontrar bom conteúdo; isso é um bom incentivo aos colaboradores. :-)
Chatos, trolls e usuários que faltam com respeito a outras pessoas poderão ser banidos sem aviso prévio.
Bento Araújo nasceu em 1976. É jornalista profissional e adora a música dos anos 60 e 70. É o editor chefe da Poeira Zine, a única publicação do país dedicada à música dos bons tempos. Lá ele escreve os textos, faz a diagramação, cuida da arte, do visual, faz 'a social' com os anunciantes, distribui, faz correio, banco, responde os e-mails e as cartas e também limpa o banheiro da redação... Além de tudo isso, o cara ainda tira uma onda tocando contra-baixo pela noite paulistana, além de vez ou outra fazer um 'bico' em alguma loja de discos em troca de raridades vinílicas... O Editor também oferece seus serviços jornalísticos e musicais a quem se interessar... (nada que uns bons dólares não possam resolver...)
Mais matérias de Bento Araújo no Whiplash.Net.
Link que não funciona para email (ignore)
QUEM SOMOS | RSS | FACEBOOK | TWITTER | APPS | ANUNCIAR | ENVIAR MATERIAL | FALE CONOSCO
Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria. Os textos não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será retirado do site.
Em abril de 2012 Whiplash.Net teve 1.211.297 visitantes, 3.149.841 visitas e 10.113.719 pageviews. Ver stats.