Festivais Ao Ar Livre no Brasil que não aconteceram

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por Bento Araújo
Enviar correções  |  Comentários  | 

Como diz a sua avó, ‘de boas intenções o inferno está cheio’. E nos anos de chumbo da ditadura brasileira, não foram poucas as tentativas de se organizar o nosso “Woodstock”, um gigantesco nó na garganta de músicos, promotores, empresários e visionários em geral.

5000 acessosLars Ulrich: O motivo pelo qual o Big Four tocou "Am I Evil"5000 acessosIron Maiden: Nado sincronizado ao som de "The Trooper"

A primeira e grande tentativa frustrada aconteceu ainda em 1969, o mesmo ano de Woodstock. O Festival Primavera estava agendado para acontecer nos dias 15 e 16 de novembro, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo e estava sendo organizado pelo artista plástico Antonio Peticov e sua piradaça agência Lesmazul. A festança seria de graça e para cuidar da trilha sonora lisérgica estavam escalados shows de: Os Mutantes, Beat Boys, Som Beat, Gal Costa, Beatniks, Rogério Duprat, Os Leif’s, O Bando, Vikings, Pulguentos, Vermelho, Sic Sunt Res, Mustangs Atômicos, Grupo Sonda, Cleans, Equipe Mercado e Tim Maia.


Pouco antes do início do Festival, Peticov recebeu uma intimação da prefeitura, onde um assessor avisava que se aquela bagunça hippie realmente viesse a acontecer o pior poderia acontecer. O jeito foi suspender tudo em cima da hora, o que não evitou de centenas de jovens aparecerem no dia do Festival, sem ao menos saber que a festa já tinha terminado antes mesmo de começar.

Muitos jovens vinham inclusive de outros estados e o jeito mais prático foi dispersar a turma com um som acústico, feito pelo pessoal do Beatniks. Seis anos depois, em 1975 o fantasma voltava a aparecer e de forma cada vez mais ostensiva. Em São Paulo, a Secretaria da Segurança Pública proibiu, como sempre em cima da hora, o Festival Aleluia, que aconteceria no autódromo de Interlagos. O motivo alegado foi a algazarra causada pelos jovens em outro festival que tinha acontecido naquele mesmo ano, o Festival de Águas Claras, realizado em Iacanga, interior de São Paulo. Os banhos da galera a vontade, a quantidade de drogas e o número de cabeludos que ficaram perdidos na pequena cidade assustou a Secretaria, que temeu que algo semelhante acontecesse em Interlagos.

Em nota oficial, emitida três dias antes do início do festival, a Secretaria alegava que a organização do evento, a cargo do radialista e diretor artístico da rádio Difusora, Cayon Gadia, não obedecia às formalidades legais: o alvará teria supostamente sido solicitado em cima da hora e de maneira incorreta. Na verdade o que pesou na decisão da Secretaria foi o fato de semanas antes do festival, a polícia havia apreendido um traficante, munido de vários tipos de LSD’s que seriam, segundo o próprio, distribuídos durante o Festival Aleluia. Em Porto Alegre algo semelhante aconteceu em abril daquele mesmo ano. Uma nova marca de jeans havia preparado um mega-lançamento com um festival de rock no autódromo de Tarumã. Por razões semelhantes, as autoridades gaúchas vetaram o evento, autorizando-o somente para um local de menor porte, em recinto fechado e ‘organizado com todas as medidas visando prevenir a ação de marginais e traficantes’.

O maior prejuízo quem levou foi Fernando Westphalen, diretor da Rádio Continental de Porto Alegre e organizador do evento, ao lado do disc-jóquei Cascalho. O sujeito tinha até fretado um Boeing que traria as bandas do Rio de Janeiro e de São Paulo. O avião foi inclusive pintado com as cores e logotipos do tal jeans. A imprensa da época ainda noticiou o desespero do músico gaúcho Hermes Aquino, que importou um baixo Fender por uma verdadeira fortuna e sonhava em ‘incrementar o seu som’ e se tornar famoso no país inteiro com o festival que não aconteceu.

Ainda também em 1975, logo após o sucesso da primeira edição do Hollywood Rock, no RJ, a marca de cigarros que dava nome à festa resolveu patrocinar uma excursão nacional de Erasmo Carlos e sua CIA. Paulista de Rock junto com Rita Lee & Tutti Frutti. O roteiro, traçado estrategicamente por Nelson Motta, trazia apresentações em mais de 40 cidades e meses depois, seria a vez do Terço e dos Mutantes seguirem o mesmo roteiro.

Com os cancelamentos em São Paulo e em Porto Alegre, e com o rock ficando cada vez mais sujo na imprensa brasileira, a Hollywood retirou o patrocínio e deixou todo mundo na mão. Segundo Motta, muita grana foi investida em equipamentos, pesquisas mercadológicas, contratação de frotas de caminhões e kombis, ensaios e contratos com empresários.


Na metade da década de 70, os festivais ao ar livre no Brasil pareciam ter chegado ao fim. As autoridades estavam instruídas em só liberar concentrações em lugares fechados. Milhares de cabeludos soltos seria subversivo demais...

A poeira Zine está comemorando cinco anos de estrada. Para comemorar, nada melhor do que uma edição especial, toda colorida e com 84 páginas, trazendo contos da estrada protagonizados por grandes bandas do rock n’ roll. De quebra, nela você também encontra os 30 melhores discos ao vivo da história, escolhidos por você no decorrer deste segundo semestre. Para escrever sobre cada um deles, contamos com participações especiais de uma série de convidados ilustres. Adquira já a sua no www.poeirazine.com.br.

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Poeira

5000 acessosGaragens dos Anos 605000 acessosPaul Kossoff - Dor transmitida através das cordas5000 acessosGrand Funk Railroad: A Maior Potência do Hard Norte-Americano5000 acessosBlack Sabbath: a passagem de Ian Gillan pela banda5000 acessosPower-Trios: o Hard é o gênero "onde o bicho mais pega"4271 acessosBlow By Blow - a baforada certeira de Beck5000 acessosIggy and the Stooges: Raw Power, a trilha sonora do fim do mundo5000 acessosIron Maiden: versões pesadas para clássicos do Rock3948 acessosResenha - Jethro Tull (Credicard Hall, São Paulo, 20/03/2004)5000 acessosMuscle of Love5000 acessosZZ Top: os sagrados primeiros álbuns alterados em estúdio5000 acessosLynyrd Skynyrd x Neil Young - Amigos ou inimigos?5000 acessosScorpions5000 acessosTommy Bolin: Os excessos estavam acabando com aquele cara5000 acessosMountain - discografia comentada5000 acessosJerry Lee Lewis: o dia em que ele quase matou John Lennon5000 acessosThin Lizzy5000 acessosMassageie sua mente com este ácido orgasmo auditivo5000 acessosThe James Gang - A gangue encrenqueira do rock5000 acessosGeordie: A primeira banda do vocalista Brian Johnson5000 acessosDuane Allman: o auge do Derek And The Dominos5000 acessosOs 30 anos da morte de Marc Bolan5000 acessosKen Hensley: seguindo sonhos, como nos bons tempos5000 acessosLed Zeppelin no Brasil: sonho que pode se realizar5000 acessosThe Who: Quinze minutos de fama no lugar de Keith Moon5000 acessosPoeira: Rockstars e as bandas que eles sonhavam fazer parte5000 acessosBon Scott, o eterno Rocker...5000 acessosBlind Faith: uma das capas mais polêmicas da história5000 acessosA jubilosa estréia do Moby Grape5000 acessosJethro Tull: a fúria de Ian Anderson pra cima do Led Zeppelin5000 acessosAC/DC: os últimos dias do vocalista Bon Scott5000 acessosBlack Sabbath: a "era 'Mob Rules'"0 acessosTodas as matérias sobre "Poeira"

0 acessosTodas as matérias da seção Matérias0 acessosTodas as matérias sobre "Poeira"

Lars UlrichLars Ulrich
O motivo pelo qual o Big Four tocou "Am I Evil"

Iron MaidenIron Maiden
Nado sincronizado ao som de "The Trooper"

Guns N RosesGuns N' Roses
Pobreza, sexo, drogas e Rock n' Roll em nova biografia

5000 acessosAutismo: rockstars famosos autistas, ou com suspeita de autismo5000 acessosGuitarristas: 15 músicos que provavelmente você não conhece5000 acessosEm 03/02/1959: Buddy Holly, Ritchie Valens e Big Bopper morrem em acidente aéreo5000 acessosLimp Bizkit: Os visuais mais bizarros do guitarrista Wes Borland5000 acessosMustaine: por que ele perdeu seu emprego no Metallica?5000 acessosOccult Rock: dez novas ótimas bandas para você conhecer

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

Sobre Bento Araújo

Bento Araújo nasceu em 1976. É jornalista profissional e adora a música dos anos 60 e 70. É o editor chefe da Poeira Zine, a única publicação do país dedicada à música dos bons tempos. Lá ele escreve os textos, faz a diagramação, cuida da arte, do visual, faz 'a social' com os anunciantes, distribui, faz correio, banco, responde os e-mails e as cartas e também limpa o banheiro da redação... Além de tudo isso, o cara ainda tira uma onda tocando contra-baixo pela noite paulistana, além de vez ou outra fazer um 'bico' em alguma loja de discos em troca de raridades vinílicas... O Editor também oferece seus serviços jornalísticos e musicais a quem se interessar... (nada que uns bons dólares não possam resolver...)

Mais matérias de Bento Araújo no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online