Resenha - Jethro Tull (Credicard Hall, São Paulo, 20/03/2004)
Por Bento Araújo
Postado em 25 de março de 2004
Apesar de ser a quinta passagem da banda pelo país, é sempre uma ótima notícia saber que Ian Anderson, Martin Barre e os demais (não importando muito quem sejam eles) estão voltando para mostrar como é que se faz um grande show.
Desde a sua primeira visita ao país, em 1988, o grupo é tratado pela grande e acéfala mídia brasileira como apenas alguns velhos cansados que ainda insistem em fazer Rock N' Roll. "Banda Jurássica" e "bando de dinossauros" é até elogio perto do que já falaram dos caras! Em contrapartida às críticas, naquele primeiro show do grupo em São Paulo, os músicos entraram em cena de cadeira de rodas, muletas e macas, tirando uma da cara da imprensa.
Nessa atual passagem pelo país, o grupo veio promover seu último disco, Christmas Album, lançado no fim do ano passado.
Com os ingressos completamente esgotados uma semana antes do espetáculo (estava marcado um show para o dia 21, que foi cancelado), o público paulista mais uma vez recebeu o Jethro de braços abertos.
Para os fãs "das antigas", as quatro primeiras músicas do show foram o trecho mais empolgante do concerto: Living In The Past, Nothing Is Easy, Beggar's Farm (faixa extraída da estréia do grupo - This Was - de 1968) e With You There To Help Me. A tradicional simpatia de Ian Andreson, e a competência de Martin Barre já afloram nos primeiros instantes, conquistando facilmente o público, esse formado desde senhores discretos acompanhados de suas esposas, até moleques com a camiseta do Manowar e do Slayer desfilando espinhas no rosto!
Uma grata surpresa foi a inclusão de Mother Goose, aquela belezura do disco Aqualung, tocada com fidelidade ao seu formato "folk" original, com violões, percussão leve e até um acordeon.
Não precisa nem falar que quando Barre soltou o riff de Aqualung o Credicard Hall estremeceu com todos os presentes indo à loucura! Aliás, como é maravilhoso o solo de guitarra dessa música! Até hoje ele impressiona, talvez pela destreza e emoção com que Barre sempre o executou.
Tudo acabou com Locomotive Breath, que mais uma que fez todo mundo enlouquecer! É lógico que faltou muita coisa: Teacher, To Old To Rock N' Roll..., Songs From The Wood, Thick As A Brick, Cross Eyed Mary etc. Mas com mais de 35 anos de estrada, não tem como colocar tudo num repertório de cerca de duas horas!
Tomara que o grupo ainda volte mais vezes ao nosso país...
Poeira
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