O vocalista que entrou em uma banda clássica no pior momento possível para o heavy metal
Por Bruce William
Postado em 04 de julho de 2026
Tim "Ripper" Owens entrou para o Judas Priest em uma situação que parecia saída de filme - e, de certa forma, virou mesmo. Ele era vocalista de uma banda tributo ao Priest chamada British Steel quando chamou atenção do baterista Scott Travis por meio de uma fita de vídeo. Pouco depois, estava ocupando o posto que havia sido de Rob Halford em uma das bandas mais importantes da história do heavy metal.
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Só que a história de conto de fadas tinha um detalhe cruel: o momento não poderia ser pior. Owens gravou dois álbuns de estúdio com o Judas Priest, "Jugulator", de 1997, e "Demolition", de 2001, justamente em um período em que o metal tradicional vivia uma fase complicada no mercado. A explosão do Nirvana e do grunge no começo dos anos 1990 havia mudado o gosto do público quase da noite para o dia.
Em entrevista à rádio chilena Futuro, transcrita pelo Blabbermouth, Ripper resumiu a situação: "Foi uma época difícil, não foi? Uma época difícil. Eu não poderia ter entrado no Judas Priest em um momento pior para o heavy metal, poderia? Quer dizer, estava muito ruim."
A percepção dele é que o metal só começou a recuperar força justamente quando sua fase no Judas Priest estava chegando ao fim. Owens citou dois retornos decisivos: Bruce Dickinson ao Iron Maiden e Rob Halford ao próprio Judas Priest. "O Judas Priest precisava de Rob de volta naquele momento", afirmou. "Acho que isso provavelmente ajudou muito a trazer o heavy metal de volta."
Mesmo assim, Ripper defende a importância do que fez com a banda. Para ele, "Jugulator" teve valor justamente por ser um disco pesado lançado em uma fase em que esse tipo de som já não parecia tão bem-vindo. "Acho que aquele disco foi importante porque ainda fizemos um álbum de heavy metal", disse. Ele também lembrou que o Judas Priest sempre teve discos diferentes entre si e que essa disposição para experimentar foi uma das coisas que o fez se apaixonar pela banda.
Owens nunca parece tentar reescrever a história como se tivesse vivido a fase mais consagrada do grupo. Ele sabe que entrou entre dois momentos enormes: depois da era Halford clássica e antes da reunião que recolocou o Priest em grandes turnês. Ainda assim, segurou o microfone em uma fase ingrata, quando muita gente já tratava o metal tradicional como coisa fora de moda.
Hoje, Ripper está novamente ligado a esse universo com o KK's Priest, banda liderada por K.K. Downing, ex-guitarrista do Judas Priest. Ele elogiou o grupo atual, disse que os discos são muito bons e destacou Downing como um dos pioneiros da guitarra heavy metal. Também comentou uma turnê extensa com o W.A.S.P. nos Estados Unidos, com cerca de 45 shows.
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