A melhor época do U2, de acordo com o guitarrista The Edge
Por Bruce William
Postado em 03 de julho de 2026
O U2 passou boa parte da carreira tentando não parecer parado no mesmo lugar. Mesmo quando a banda encontrou uma fórmula poderosa, The Edge costumava procurar outro timbre, outro efeito, outra maneira de fazer a guitarra soar menos como guitarra tradicional. Essa inquietação ajudou o grupo a sair do pós-punk irlandês e chegar ao tamanho de uma das maiores bandas do planeta.
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Mas, quando precisou apontar o momento mais forte dessa trajetória, The Edge não escolheu apenas um disco isolado. O guitarrista destacou a fase que vai de "The Unforgettable Fire", lançado em 1984, até "The Joshua Tree", de 1987. Para ele, aquele período reuniu ambição, risco e resultado como nenhum outro na história do U2.
"Tenho muito orgulho de toda a coleção, mas, se fosse para destacar uma era, teria que dizer que de 'The Unforgettable Fire' até 'The Joshua Tree' foi o período mais criativamente satisfatório para nós", afirmou The Edge, em fala resgatada pela Far Out, onde ele explicou que, na época, a banda havia definido metas claras em composição, produção e experimentação sonora, assumindo riscos consideráveis no processo.
"The Unforgettable Fire" marcou uma virada importante. Com Brian Eno e Daniel Lanois na produção, o U2 começou a trocar parte da urgência mais direta dos primeiros discos por uma sonoridade mais aberta, atmosférica e cinematográfica. Não era uma banda abandonando a força; era uma banda tentando descobrir até onde poderia expandir seu próprio idioma.
Três anos depois, "The Joshua Tree" levou essa busca a outro patamar. O disco transformou o U2 em fenômeno mundial e reuniu canções que se tornaram praticamente inseparáveis da imagem do grupo, como "With or Without You", "I Still Haven't Found What I'm Looking For" e "Where the Streets Have No Name". Ali, a guitarra de The Edge já tinha uma assinatura reconhecível: delay, espaço, tensão e poucas notas usadas com enorme impacto.
A grandeza desse período não estava só nos hits. "Bullet the Blue Sky", por exemplo, mostrava a banda trabalhando com peso, atmosfera e comentário político sem cair no formato comum do rock de arena. Era uma época em que o U2 ainda parecia acreditar, com uma sinceridade quase perigosa, que uma música poderia carregar uma ideia enorme sem desabar sob o próprio peso.
Depois disso, o grupo ainda mudaria bastante. Nos anos 1990, mergulharia na ironia, na eletrônica, nos excessos visuais da Zoo TV e em discos mais difíceis de encaixar. Mas, para The Edge, aquela travessia dos anos 1980 continua sendo o ponto em que ambição e execução se encontraram melhor. O U2 queria crescer, queria experimentar e queria soar necessário. Por alguns anos, conseguiu as três coisas ao mesmo tempo.
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