O maior cantor de rock na opinião de Paul McCartney e Bruce Springsteen
Por Bruce William
Postado em 04 de julho de 2026
Paul McCartney e Bruce Springsteen são dois artistas que entenderam muito cedo o poder de uma voz no rock. McCartney podia soar melódico, doce, urgente ou rasgado, dependendo da música. Springsteen nunca se vendeu como cantor tecnicamente perfeito, mas transformou sua voz rouca em uma espécie de documento emocional da classe trabalhadora americana. Ainda assim, quando o assunto era a essência do rock and roll, os dois apontavam para alguém que veio antes.
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Esse nome era Little Richard. Segundo a Far Out, Springsteen definiu o cantor e pianista como dono da "voz de rock and roll mais pura de todos os tempos". A frase foi dita após a morte de Richard, em 2020, quando o Boss fez questão de lembrar que não se tratava apenas de um grande intérprete, mas de uma figura que ajudou a mudar o rumo da música popular.
"Essa é a voz de rock and roll mais pura de todos os tempos, e ela pertence ao Georgia Peach, o rei do rock and roll", disse Springsteen em seu programa de rádio. Ele ainda chamou Little Richard de "um dos pais fundadores do rock and roll" e de "um gênio vocal preeminente", daqueles poucos artistas capazes de alterar a cultura mundial.
Não era exagero de fã. Little Richard entrou nos anos 1950 como um furacão. "Tutti Frutti", "Long Tall Sally", "Good Golly, Miss Molly" e "Lucille" tinham piano acelerado, gritos, sensualidade, humor e uma energia quase indomável. Ele não apenas cantava as músicas; parecia incendiar a sala inteira. Para qualquer cantor de rock que veio depois, havia ali uma medida difícil de alcançar.
McCartney conhecia muito bem essa dívida. No início dos Beatles, parte importante do repertório mais explosivo do grupo passava pela tentativa de chegar perto daquela intensidade. "De 'Tutti Frutti' a 'Long Tall Sally', de 'Good Golly, Miss Molly' a 'Lucille', Little Richard entrou gritando na minha vida quando eu era adolescente", disse Paul. "Devo muito do que faço a Little Richard e ao estilo dele, e ele sabia disso."
A continuação da lembrança é ainda melhor. McCartney contou que Richard costumava brincar dizendo: "Eu ensinei ao Paul tudo o que ele sabe." E o Beatle admitiu: "Eu tinha que reconhecer que ele estava certo." Basta ouvir Paul berrando em "Long Tall Sally", "I'm Down" ou, anos depois, em "Helter Skelter", para perceber que aquela influência não ficou restrita à juventude.
Little Richard tinha um tipo de canto que misturava técnica, loucura e teatro. Ele podia parecer fora de controle, mas havia precisão naquela explosão. Seus gritos não eram enfeites jogados por cima da música; eram parte do motor. A voz empurrava a banda, provocava a plateia e transformava canções curtas em acontecimentos físicos.
Por isso o elogio de Springsteen e a gratidão de McCartney se encontram no mesmo ponto. Cada um seguiu um caminho completamente diferente, mas ambos sabiam que Little Richard havia aberto uma porta enorme. Antes de muita gente aprender a se comportar como astro do rock, ele já estava lá, cantando como se o mundo precisasse acordar no susto.
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