O grande ídolo com quem Brian May se arrepende de nunca ter trabalhado
Por Bruce William
Postado em 04 de julho de 2026
Brian May não parece alguém com uma carreira cheia de lacunas. O guitarrista do Queen gravou discos históricos, criou uma sonoridade própria, participou de "Under Pressure" com David Bowie, fez o projeto "Star Fleet" com Eddie Van Halen e ainda deixou sua marca em trabalhos de artistas bem diferentes entre si. Mesmo assim, existe uma colaboração que ficou faltando.
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O nome é John Lennon. May já falou mais de uma vez sobre a admiração profunda que tinha pelo ex-Beatle, tanto pela obra com os Beatles quanto pelo caminho solo. Para o guitarrista, Lennon não era apenas um compositor importante. Era alguém que parecia empurrar a música, a cultura e a própria ideia de artista para outro lugar.
May descreveu Lennon como um sujeito que partiu de uma juventude pouco glamourosa e se transformou "no cara mais cool da Terra". Ele citou a capacidade de escrever uma canção pop adolescente perfeita como "I Want to Hold Your Hand", abraçar a psicodelia, deixar os Beatles quando achou que tudo havia virado um jogo vazio e depois se dedicar à paz em sua carreira solo.
A ligação ficou ainda mais forte depois da morte de Freddie Mercury. Em entrevista à Far Out em 2021, May contou que via Lennon como um herói enorme e que percebia, nos discos solo do ex-Beatle, alguém lidando com a perda dos Beatles. Aquilo conversava com o próprio luto de May. "Eu estava sofrendo por perder minha banda e por perder Freddie", afirmou.
Essa identificação ajuda a explicar o arrependimento. Ao The Guardian, em 2023, May disse que raramente recusava uma colaboração, mas lamentava uma oportunidade que nunca apareceu: "Um arrependimento é que eu não tive a chance de trabalhar com John Lennon." Ele imaginava que os dois poderiam ter se entendido bem justamente porque Lennon não era acomodado no estúdio.
May comparou essa tensão criativa à dinâmica do Queen. "Os Beatles nem sempre concordavam entre si, estavam sempre puxando e empurrando - um pouco como nós no Queen - e acho que John seria alguém ainda mais forte nesse puxar e empurrar. Você teria que trabalhar muito para acompanhar, para acreditar nos seus instintos. Posso imaginar que nós nos daríamos bem."
Freddie Mercury também carregava admiração parecida. Ele chegou a dizer que a única pessoa que gostaria de ter conhecido era John Lennon, "porque ele é quem eu idolatrava". No caso de May e Mercury, portanto, Lennon não era apenas uma referência distante dos anos 1960. Era uma espécie de figura fundadora para dois músicos que também acabariam mudando a história do rock.
A colaboração nunca aconteceu. Nos anos 1970, Lennon chegou a trabalhar com nomes como Elton John, David Bowie e Harry Nilsson, mas o Queen ainda não estava em sua órbita mais próxima. Ficou só a hipótese: Brian May com sua guitarra orquestral diante de Lennon, um compositor que gostava de confrontar, cortar excessos e testar convicções. Às vezes, a parceria que não existiu é justamente a que mais dá vontade de imaginar.
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