Os 30 anos da morte de Marc Bolan

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Por Bento Araújo
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O ano de 2007 ficará marcado por uma triste lembrança: os 30 anos da trágica morte de um dos maiores astros do rock de todos os tempos, Mr. Marc Bolan, líder incontestável do T. Rex.

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A paixão pelo rock demonstrada pelo jovem Mark Feld, seu verdadeiro nome, assustava até mesmo seus próprios pais. Começou na música ouvindo sem parar os compactos de Gene Vincent e Chuck Berry, dois de seus ídolos máximos. Pouco antes disso, quando tinha apenas nove anos de idade, Bolan ganhou sua primeira guitarra e montou um grupelho/paródia de skiffle, baseado em Lonnie Donegan (um ícone da música inglesa do período).


Cinco anos mais tarde, Marc foi expulso do colégio pelo comportamento agressivo e suas longas madeixas. Interessante notar que desde muito cedo, o astro criou também um fascínio pelo show business, começando como ator infantil na famosa série da TV inglesa "Orlando".

Com a explosão do movimento Mod pela Inglaterra, Bolan tornou-se um deles e virou um dos mais requisitados modelos masculinos da época, utilizando o pseudônimo de Toby Tyler. Daí para ser músico em período integral foi um pulo: adotou o nome de Marc Bowland e, em 1965, gravou um compacto sem a mínima repercussão - “The Wizard”.

Tudo começa a mudar quando passa a integrar o grupo Mod/Psicodélico John’s Children. Com eles, compôs "Desdemona", um dos hinos do período, gloriosamente banido da programação da BBC londrina por conter temática alucinógena.

Com o fim do John’s Children, Bolan conheceu o ator norte-americano Riggs O'Hara e com ele se mandou para Paris, onde travou contato com um mago que lhe transmitiu muita sabedoria, além de alguns conceitos de magia negra e truques como a levitação, por exemplo. Viagens à parte, Bolan passou a pisar mais fundo em suas composições depois de sua estada em Paris. Muito desse material tomaria forma com o Tyrannosaurus Rex, um duo de Bolan ao lado do percussionista Steve Peregrine Took. A dupla nasceu praticamente de apresentações improvisadas nas ruas de Londres.

Conseguiram impressionar o lendário DJ John Peel, da BBC, que apadrinhou e forneceu exposição em massa para a nova dupla revelação da ilha. Nessa fase inicial, gravaram quatro álbuns, alguns singles de sucesso e tocaram no primeiro concerto de rock ao ar livre do Hyde Park.


Durante uma tour pela América a parceria se desfez devido às famosas ‘divergências musicais’. Bolan não perdeu tempo e substituiu Took por Mickey Finn. O jeito foi lançar mais um álbum naquele tradicional formato folk/psicodélico antes de partir para o ataque - adotando guitarras elétricas, abreviando o nome para T. Rex e formando uma banda rock de verdade.

O primeiro estrondo da nova fase é “Ride A White Swan”, agradável, mas talvez ainda um pouco tímida. Pelo menos chegou com propriedade e classe no segundo posto da parada britânica. Na seqüência vieram “Hot Love” e "Bang A Gong (Get It On)", já embebidas na crescente onda Glam que assolava a Inglaterra com nomes como David Bowie, Mott The Hoople, Sweet, Slade, etc.

Agora como uma banda de rock completa, Marc contava com Finn na percussão, Steve Currie no baixo e Bill Legend na bateria – todos famosíssimos e quase magnatas, ídolos da juventude mais antenada. A EMI saca o prenúncio da T.Rextasy, só comparada a Beatlemania, e oferece a Bolan uma estampa só dele, a T. Rex Wax Co, que levava o próprio rosto do mega astro em sua logo marca, um arraso!


No auge, hits como “Jeepster” não paravam de pipocar nas rádios e nos programas de TV. Na vitrola, Bolan e seu T.Rex são responsáveis por dois dos álbuns mais geniais dos anos 1970: "Electric Warrior" e "The Slider". Em 1972 era covardia colocar alguém para subir no ringue com o teen-idol Marc Bolan: "Telegram Sam", "Metal Guru", "Children Of The Revolution" e "Solid Gold Easy Action" – nocaute sonoro garantido, sempre no primeiro assalto.

No embalo, Ringo Starr, dando uma de cineasta, registra Born To Boogie, um longa-metragem capturando a T.Rextasy tomando conta da Inglaterra. Pra sacar o fenômeno, basta lembrar que 6 % das vendas totais de álbuns no país eram por conta da banda de Marc Bolan, que nessa altura parecia imbatível por natureza, como demonstrou seu próximo e arrasador sucesso: “20th Century Boy”. Em apenas três anos, o T.Rex emplacou 11 canções no Top 10 britânico, sendo quatro delas direto no primeiro posto.


Em 1973, o T.Rex lançou outro grande álbum ("Tanx") e foi vítima da prematura decadência da cena Glam. David Bowie foi esperto, matou Ziggy Stardust em pleno palco e saltou fora antes do barco afundar. O mesmo não aconteceu com Bolan que entrou em franca decadência, tremendamente frustrado por não conseguir traduzir seu sucesso inglês pelo norte-americano.

Ignorado na América e cada vez mais viciado em álcool e drogas, o arrogante Bolan engordou e foi ridicularizado pela imprensa britânica. Saiu do país visando fugir das pesadas críticas e dos altíssimos impostos e casou-se com a cantora Gloria Jones, com quem teve um filho chamado Rolan Bolan! Jones virou parceira, backing vocal e tecladista do T.Rex. Dessa fase são os álbuns "Zinc Alloy and the Hidden Riders of Tomorrow", "Bolan's Zip Gun" e "Futuristic Dragon".


Em 1977, a cena Punk apadrinhou Bolan e bandas como o Damned o citaram como seminal influência. "Dandy in The Underworld", seu último álbum, surge como um revigorante tônico sonoro. Tragicamente, um acidente automobilístico acabou com a trajetória de Bolan no dia 16 de setembro de 1977, duas semanas antes de nosso ídolo completar 30 anos de idade. O automóvel, guiado por uma embriagada Gloria Jones, derrapou na pista e bateu de frente com uma árvore, matando instantaneamente Bolan, que estava no banco de passageiro.

Uma mórbida curiosidade é o fato de Bolan sempre ter falado sobre automóveis em suas letras e ter também se recusado a dirigir por simples pavor de morrer como um de seus ídolos: James Dean. Chegou a comentar na imprensa sobre algumas visões, onde se via morrendo num acidente de carro (algumas evidências podem ser conferidas na letra da música “Solid Gold Easy Action").

Mais detalhes sobre a carreira de Bolan você confere na poeira Zine 17, já disponível pelo site www.poeirazine.com.br.

Além disso a versão impressa traz matérias com Bowie, Glam, West Bruce & Laing, Gong, Joelho de Porco, Ken Hensley, Blind Faith, etc.

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Sobre Bento Araújo

Bento Araújo nasceu em 1976. É jornalista profissional e adora a música dos anos 60 e 70. É o editor chefe da Poeira Zine, a única publicação do país dedicada à música dos bons tempos. Lá ele escreve os textos, faz a diagramação, cuida da arte, do visual, faz 'a social' com os anunciantes, distribui, faz correio, banco, responde os e-mails e as cartas e também limpa o banheiro da redação... Além de tudo isso, o cara ainda tira uma onda tocando contra-baixo pela noite paulistana, além de vez ou outra fazer um 'bico' em alguma loja de discos em troca de raridades vinílicas... O Editor também oferece seus serviços jornalísticos e musicais a quem se interessar... (nada que uns bons dólares não possam resolver...)

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