"Acordo toda manhã e penso: 'Meu Deus, isso ainda continua'", diz Roger Glover
Por Bruce William
Postado em 03 de julho de 2026
O Deep Purple não precisa provar muita coisa a esta altura. A banda já deixou "Hush", "Child in Time", "Highway Star", "Perfect Strangers" e, claro, "Smoke on the Water" espalhadas pela história do rock. Mesmo assim, continua gravando, tocando e tentando fazer aquilo que sempre fez: juntar músicos em uma sala e deixar o som andar.
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Roger Glover sabe muito bem que o calendário não é um detalhe. Em entrevista à Far Out, o baixista falou sobre "Splat!", 24º álbum de estúdio do Deep Purple, e reconheceu que a banda já não está no mesmo ponto físico dos anos 1970. Mas isso não significa que o impulso tenha desaparecido.
"Estávamos na casa dos 20 quando fizemos 'Deep Purple in Rock', e agora não estamos mais na casa dos 20, mas aquele desejo ainda permanece, e simplesmente sai desse jeito", disse Glover. "Nós não planejamos. Na verdade, não planejamos nada. Outros fazem os planos por nós."
A frase resume bem o Deep Purple atual. Não há ali a tentativa de fingir juventude eterna, nem de correr atrás de moda para parecer relevante. Glover fala como alguém surpreso por ainda estar no jogo, mas também grato demais para tratar essa longevidade como algo banal. "Acordo toda manhã e penso: 'Meu Deus, isso ainda continua'", afirmou. "Estamos chegando perto dos 60 anos de carreira. Como isso aconteceu?"
Para ele, parte da resposta talvez esteja na honestidade da banda. Glover citou The Doors como exemplo de música que ainda soa fresca porque não parece fabricada. Na visão dele, o Deep Purple funciona melhor quando não tenta desenhar um produto para vender, mas apenas fazer algo que agrade aos próprios integrantes.
Essa filosofia também ajuda a explicar por que "Splat!" não surge como uma reinvenção moderna. A ideia não é apresentar um Deep Purple eletrônico, domesticado ou atualizado por planilha. O disco, segundo a descrição da Far Out, carrega o espírito clássico do grupo, com aquela energia de rock setentista que a banda nunca abandonou por completo.
Glover reconheceu que o álbum foi mais difícil justamente por exigir mais energia. A idade pesa, claro. Ian Gillan, Ian Paice, Don Airey, Simon McBride e o próprio Glover não estão tentando convencer ninguém de que o tempo parou. O ponto é outro: mesmo sabendo disso, eles ainda encontram motivo para entrar no estúdio e tocar com força.
No caso do Deep Purple, envelhecer não virou desculpa para virar museu. A banda sabe que não tem mais 20 anos. O curioso é que, em certos momentos, ainda parece disposta a fazer barulho como se essa informação fosse apenas um detalhe administrativo.
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