O maior guitarrista de todos os tempos para Jeff Beck, que questionou o próprio futuro
Por Bruce William
Postado em 03 de julho de 2026
Jeff Beck era o tipo de guitarrista que outros guitarristas estudavam com a mesma mistura de admiração e desespero. Ele saiu dos Yardbirds, construiu uma carreira inquieta, passou por blues, rock, fusion, música instrumental e nunca pareceu muito interessado em tocar do jeito mais previsível. Mesmo assim, houve um músico que o fez olhar para a própria guitarra e repensar o tamanho do problema.
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Esse músico era Jimi Hendrix. Segundo a Far Out, Beck já o apontou como seu guitarrista favorito de todos os tempos, não apenas pela técnica, mas pelo choque de originalidade que ele causou quando apareceu na cena britânica dos anos 1960. Em uma época que já tinha Eric Clapton, Jimmy Page e o próprio Beck, Hendrix chegou como se viesse de outro lugar.
Beck lembrou de ter visto Hendrix ao vivo pouco antes do lançamento de "Are You Experienced?", o álbum de 1967 que consolidaria sua reputação. O show aconteceu em um clube underground, diante de um público que, segundo ele, talvez esperasse algo mais comportado. "As garotas descoladas, vestidas na moda londrina da época, provavelmente estavam esperando um cantor folk, mas ele entrou e derrubou a casa", contou.
O impacto foi imediato. Beck não falou apenas em surpresa pessoal, mas em um abalo coletivo entre os grandes guitarristas britânicos daquele momento. "Aquilo sacudiu todos nós - eu, Eric Clapton, Jimmy Page. Ele era tão bom que todos nos perguntamos o que faríamos da vida."
A frase tem peso justamente porque não vem de um músico comum assistindo a um fenômeno distante. Vem de Jeff Beck, alguém que já estava entre os nomes mais respeitados da guitarra elétrica. Clapton e Page também não eram plateia ingênua. Se aquele trio olhou para Hendrix e sentiu o chão sair do lugar, é porque havia ali algo além de velocidade, volume ou exibicionismo.
Hendrix não parecia apenas tocar bem. Ele parecia entender a guitarra elétrica como um instrumento próprio, com ruído, feedback, distorção, alavanca, ataque e textura fazendo parte da linguagem. Enquanto muitos guitarristas ainda carregavam hábitos do blues e do violão para a guitarra amplificada, ele explorava o caos como matéria-prima. O instrumento deixava de ser só veículo de notas e virava uma máquina de som.
Mas Hendrix não se via exatamente como discípulo de Beck. Quando perguntado sobre ele, disse que tinha ouvido "Shapes of Things", dos Yardbirds, e gostado bastante, mas não chegou a tratá-lo como influência decisiva. Para Hendrix, era preciso ouvir tudo e depois buscar as próprias ideias. "Cavar demais e fazer de menos vai fazer você girar em falso", afirmou.
Beck parece ter entendido essa lição melhor do que quase ninguém. Ele não virou imitador de Hendrix. Seguiu outro caminho, sempre procurando timbres, frases e espaços novos. Ainda assim, nunca deixou de reconhecer o susto original. Para um guitarrista capaz de fazer tanta gente se sentir atrasada, admitir que Hendrix o fez duvidar do próprio futuro profissional talvez seja uma das maiores homenagens possíveis.
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