Dream Theater: Uma montanha russa de sensações

Resenha - A Dramatic Turn of Events - Dream Theater

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Por Willian Blackwell
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

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O tempo passa rápido, coisas acontecem e a gente nem se dá conta: quando eu menos esperava, estava escutando “A Dramatic Turn of Events”, o novo álbum do DREAM THEATER, agora contando com o baterista Mike Mangini em sua formação, substituindo o - até então - insubstituível, Mike Portnoy, que deixou a banda há mais de 1 ano (oficialmente em 8 de setembro de 2010).
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Sem alterações em seu line-up desde 1999 (sai o tecladista Derek Sherinian, entra Jordan Rudess), a escolha do novo detentor das baquetas chacoalhou o mundo do Metal (e da música em geral), sendo realizada através de audições com músicos pré selecionados (incluindo o brasileiro Aquiles Priester/HANGAR entre feras como o australiano Virgil Donati/PLANET X, Marco Minnemann/JOE SATRIANI e outros) e que puderam ser acompanhadas na forma de websodes (episódios on-line) transmitidos, na época, pelo site oficial da banda - atitude um tanto quanto exagerada, adotando ares dramáticos e dispensáveis de reality show, que estará disponível na edição especial CD/DVD do novo álbum. O resultado final foi a escolha do americano Michael Mangini (ou Mike para os íntimos) para o posto.

O “baterista mais rápido do mundo” possui um experiente currículo, em trabalhos com nomes do calibre de: ANNIHILATOR, EXTREME, STEVE VAI e inclusive, já era velho conhecido de James LaBrie (a voz do DREAM THEATER) tendo trabalhado também em “Elements of Persuasion”, disco solo do vocalista, lançado em 2005, e em seu projeto paralelo, o MULLMUZZLER, nos álbuns “Keep It to Yourself”, de 1999, e “Mullmuzzler 2”, lançado em 2001 - fatos que podem ter dado um empurrãozinho na escolha.

”(…) foi o cara que nos apresentou todos os ingredientes que buscávamos”. (…) “Temos um novo baterista, Mike Mangini, e este é o Dream Theater” - John Petrucci

Em entrevista recente (publicada na revista Roadie Crew/Setembro de 2011), LaBrie afirmou que o direcionamento musical adotado para "A Dramatic Turn Of Events" seria o de soar exclusivamente no estilo clássico do DREAM THEATER: “isso significa algo que combine progressividade e Metal, mas de forma balanceada e complementar, sem que uma dessas características seja dominante e se sobressaia à outra”, segundo o próprio.

”(…) A Dramatic Turn Of Events é muito progressivo, técnico e, ao mesmo tempo, extremamente melódico. Sempre buscamos fazer isso, colocando muita emoção e paixão nas músicas”. (…) Tudo o que queriamos era ser simplesmente Dream Theater. (…) Não buscamos reinventar nada, nem mudarmos direções; apenas fomos nós mesmos”. - John Petrucci

E isso é prontamente confirmado em “On The Backs Of Angels”, faixa de abertura deste, que é o décimo primeiro registro de estúdio da banda. Podemos conferir tudo aquilo que a fez tornar-se “queridinha” do Rock/Metal progressivo das duas últimas décadas: peso, melódia, técnica, variações rítmicas, música em crescimento constante - elementos condensados de forma equilibrada durante sua execução.

Depois deste promissor início, elevando a expectativa para a música seguinte lá em cima, vem o primeiro balde de água fria, com a repetitiva e até certo ponto chata, “Build Me Up, Break Me Down”. Talvez seja o caso daquela composição mais pop, pronta para virar um hit acessível, “a música comercial do álbum”, de fácil assimilação; fato que particularmente me desagrada e vem acontecendo com frequência, no que eu costumo chamar de “a maldição da música #2”, tendo como exemplos, além desta, “Forsaken” em Systematic Chaos (2007) e “A Rite Of Passage” do ótimo Black Clouds And Silver Linings (2009). Mas, tudo volta ao “normal” com a “pro(a)gressividade” de “Lost Not Forgotten”. A faixa, terceira do álbum, possui um clima à lá SYMPHONY X, com seu começo clássico e estiloso no piano, ascendendo para um belíssimo e marcante riff cavalar de guitarra, ótimas passagens instrumentais e um refrão veloz, cercado de linhas vocais mais harmônicas e melodiosas - puro metal progressivo.

O primeiro tempo fecha com a simpática “This Is The Life”, que me faz recordar, pelo menos em sua estrutura inicial, “Another Day”, do famosíssimo Images And Words (1992).

Se o disco tivesse Lado A e Lado B, certamente, a abertura do segunto ato seria com a shamanica “Bridges In The Sky” (a melhor composição do álbum e uma das melhores músicas de toda a carreira do quinteto). Os vocais de James LaBrie nos guiam através de uma delirante jornada de transformação, por caminhos musicalmente arquitetados, culminando em um clímax instrumental altamente virtuoso. Momentos de pura genialidade criativa. Acerto total!

E a peteca não cai com a épica “Outcry”, que tem, em seus quase cinco minutos de pura vertigem rítmica e variantes passagens instrumentais, o terreno perfeito para que os integrantes da banda mostrem todo o seu arsenal.

“Far From Heaven” seria um “respiro”, como se subissemos até a superfície em busca de ar depois da avalanche sonora conferida nas duas músicas anteriores, mas, por pouco, não acaba se tornando um “soluço”. Fica-se com a impressão de que ela tarda à acabar, se alongando em demasia (a segunda refugada do álbum), freando o início daquela que, certamente, é o melhor exemplo das intenções do grupo neste novo trabalho: “Breaking All Illusions”. Nesta, que é a única composta pelo baixista John Myung, sentimos os ares de Images And Words (1992), Awake (1994), Falling Into Infinity (1997) e da obra prima Metropolis Part 2: Scenes From a Memory (1999). Resumindo: o bom e velho DREAM THEATER.

A belíssima e sentimental “Beneath the Surface” fecha as cortinas de mais este teatro dos sonhos com classe, sendo a prima rica de “Far From Heaven” e deixando um gostinho de quero mais.

”(…) Fizemos um esforço muito consciente de rodearmos alguns momentos clássicos de nossa trajetória que ficaram marcados para nós. Durante a composição, era como se pensássemos: ‘Foi legal quando fizemos algo desse tipo e quando tivemos tal pegada e direcionamento musical’. E isso que precisamos recriar, mas fazendo soar atual”. - James LaBrie

Discorrer sobre as habilidades musicais do quinteto é chover no molhado. O nível técnico não caiu neste novo trabalho e a escolha de Mangini se mostrou acertada até então. Porém, é notável como o álbum possui uma montanha russa de sensações em seu track list (equivocado e anti-climático), indo do “8 ao 80” com muita facilidade e permeando ótimas canções com algumas, de certo modo, desnecessárias.

Confesso que senti a ausência de Mike Portnoy em determinados e minuciosos momentos, mas, se ele vai fazer realmente falta depois de toda essa dramática reviravolta (A Dramatic Turn Of Events), só poderemos constatar claramente no futuro.

Então, só nos resta, mais uma vez aproveitar o tempo, pegar os pedaços, pois o tempo das mudanças já começou …

“Take the time, reevaluate, It’s time to pick up the pieces, Go back to square one, I think it’s time for a change” - trecho de Take The Time, Dream Theater

Dream Theater: A Dramatic Turn Of Events (2011)*

1. On the Backs of Angels
2. Build Me Up, Break Me Down
3. Lost Not Forgotten
4. This is the Life
5. Bridges in the Sky
6. Outcry
7. Far From Heaven
8. Breaking All Illusions
9. Beneath The Surface

*The special edition CD/DVD set includes “The Spirit Carries On” - a 60-minute movie documenting Dream Theater’s much-discussed drummer auditions.

Formação: James LaBrie (vocal), John Petrucci (guitar), John Myung (bass), Mike Mangini (drum) e Jordan Rudess (keyboard)

Site Oficial e Myspace
http://www.dreamtheater.net
http://www.myspace.com/dreamtheater

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Sobre Willian Blackwell

Leitor/colecionador de HQs e livros. Apreciador de cinema e boa música. Autodidata. Um espírito livre. Adepto de um perspectivismo experimentalista com tendência a gostos bizarros e atividades grosseiras. Boa gente.

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