Dream Theater: O que importa é a música, palmas para eles!

Resenha - A Dramatic Turn of Events - Dream Theater

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Por Rodrigo "Rroio" Carvalho, Fonte: Progcast
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Dream Theater. Dentro do mundo Progressivo, basta proclamar o nome da banda para que milhares de demonstrações de amor e gritos de ódio surjam de todos os lados. E isso se catalisou quando Mike Portnoy, fundados e basicamente o capitão da banda, foi literalmente “saído” em 2010, por questões que todo mundo já sabe.
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O patético reality show que se sucedeu, com a escolha do novo baterista através de um “concurso” transmitido pelo youtube atraiu ainda mais a atenção para a banda. Não na mesma proporção, mas foi basicamente a mesma coisa que aconteceu quando Bruce Dickinson saiu do Iron Maiden e eles fizeram o concurso que escolheu Blaze Bayley no fim das contas e o resultado não foi exatamente bem sucedido. Aliás, apesar de ninguém admitir (e até terem criado uma abobrinha por cima), o próprio nome do disco não poderia ser referência mais clara a saída de Portnoy, certo?

Mas enfim, palhaçadas a parte (toda essa novela não pode ser melhor definida), vamos ao conteúdo de “A Dramatic Turn Of Events”, décimo primeiro disco de estúdio dos caras. Produzido por John Petrucci e mixado por Andy Wallace, o disco traz 77 minutos do estilo que eles mesmos ajudaram a criar, embalados por essa que provavelmente é a pior capa da discografia deles (rivalizando com “A Change Of Seasons”, talvez).

A já liberada previamente (junto com a horrenda capa), “On The Back Of Angels” é a faixa de abertura do disco, com o seu começo que mais parece saído de um disco que mistura Iron Maiden e Megadeth (em suas fases pós-90). Apesar de gostar muito de Jordan Rudess e achar que é um dos melhores músicos no seu instrumentos, achei que os efeitos e samples escolhidos nessa faixa deixaram em muito a desejar. Além disso, todos os outros timbres estão demasiadamente leves (mesmo a bateria), o que não contribui muito para pegar quem ouve logo de cara, já que nem o refrão tem o catchy necessário. Ou seja, uma escolha que talvez poderia ter sido repensada, já que os seus oito minutos de duração não são exatamente atrativos. Apesar dos começos eletrônicos e incomodamente semelhantes ao que o Linkin Park fez no disco “Hybrid Theory”, a segunda faixa “Build Me Up, Break Me Down” tem o equilíbrio entre o Prog Rock e o Metal que eles sempre buscam fazer. Mesmo com os efeitos ofuscando a ótima performance de James LaBrie (arrisco me a dizer, a melhor da sua carreira em um álbum do Dream Theater), tem um feeling na simplicidade dos arranjos que contribui em muito para a música começar a embalar o disco. “Lost Not Forgotten”, em seguida, mostram que após a saída de Portnoy, quem realmente tomou as rédeas da banda não foi Petrucci, mas sim Jordan Rudess: os vários samples que rodam ao mesmo tempo, acompanhado das ótimas linhas de piano tomam a frente não apenas nessa música, mas em todo o álbum. Apesar de quase 3 minutos de puro show-off técnico, a música é um Prog Metal de respeito, lembrando os momentos mais inspirados da discografia deles. Afinal de contas, é uma música de 10 minutos, mas que passam quase que imperceptivelmente.

A bonitinha balada “This Is The Life” começa com um lance meio anos 80 e depois se transforma em uma das melhores canções desse estilo que eles já comporam, agora sim, com solos e melodias otimamente encaixados, uma letra perfeita para a proposta e James LaBrie cantando como nunca. Depois, como toda banda da Roadrunner lançando disco esse ano (a exemplo dos novos do Trivium e Opeth), pelo menos uma música ou passagem do disco tem que ter algo tribal/com batucadas, “Bridges In The Sky” é a contribuição do Dream Theater nisso, com fortes influências de algo que pode ter vindo dos índios norte-americanos, principalmente a vibração vocal no começo. Porém, tirando a letra (que tem exatamente essa temática xamanista) e o refrão legalzinho (podia jurar que era Michael Kiske fazendo uma participação), é uma música um tanto quanto cansativa e sem nada de muito atrativo até depois da sua metade, quando o crescendo é bem interessante. Mas de qualquer forma, ela fica milhares de anos-luz atrás de “Outcry”, com a sua épica introdução bem européia/cósmica/stratovariana e, de longe, a melhor música do álbum, mais heterogênea, mais bem construída, e candidata instantânea a nova clássica da banda. Poderia ser muito mais legal ainda se eles tivessem dado uma maneirada nas partes instrumentais, que depois do 4º minuto soam um tanto quanto forçadas e exibicionistas.

“Far From Heaven” é mais uma balada, conduzida apenas pelo piano e um bonito som de cordas ao fundo que rivaliza fácil com “This Is The Life”, apesar de bem diferentes entre si. São belos momentos do disco, para limpar um pouco a mente das maluquices megalomaníacas das outras faixas. Em seguida, mais vibe anos 80 com a tecladeira infernal de “Breaking All Illusions” (tente não imaginar neons coloridos girando em meio a gelo seco nessa introdução), a primeira música com letra do grande John Myung desde o álbum “Scenes From A Memory”. E nada mais conveniente do que o baixo ser o personagem principal da música, criando uma linha ao fundo que conduz toda a música que mais parece saída de um disco do Porcupine Tree ou do Riverside, com mudanças de andamento inesperadíssimas, sem cair para o marasmo. E aparentemente as influencias dessas supracitadas estão fortíssimas, já que as partes instrumentais são também incomodamente parecidas com o que eles costumam fazer. Em todo caso, e talvez por isso, é mais uma das músicas que fica fácil como um dos destaques do disco. O disco encerra com mais uma balada “Beneath The Surface”, desta vez basicamente no esquema violão e voz, a prova final de como a voz de LaBrie melhorou EXPONENCIALMENTE não em relação ao início da carreira, mas até mesmo aos últimos lançamentos do Dream Theater e sua carreira solo.

Talvez seja difícil para algumas pessoas darem o braço a torcer, mas o Dream Theater fez um belíssimo trabalho em “A Dramatic Turn Of Events”, buscando uma sonoridade mais melódica, mais equilibrada com o Prog Rock em si. Repensar a ordem das músicas talvez tivesse facilitado alguns momentos mais exagerados, como a abertura apática com “On The Back Of Angels” e a cansativa “Bridges In The Sky”, os únicos “aquéms” do álbum. Jordan Rudess e John Petrucci tomando basicamente o controle da banda (ou talvez mais soltos agora?) aparentemente estão tentando levar os rumos da banda para algo que não preza pelo peso em si, mas infelizmente ainda comete os mesmos erros de sempre: os exageros de demonstração técnica e passagens instrumentais intermináveis e que não acrescentam em nada a música. Mike Mangini em sua estréia em um posto aparentemente dificílimo, mostra que tocar Dream Theater não é coisa do outro mundo e cumpre bem o seu papel ao executar as músicas corretamente. Algumas viúvas de Portnoy podem falar que ele não tem a mesma classe e que o DT não é o mesmo. Na minha opinião um papo sem o menor sentido, afinal, os dois estão no mesmo patamar técnico. Agora, de longe, a maior surpresa fica a cargo de James LaBrie, e como ele parece estar confortável investindo em vocais mais limpos e melódicos, sem tentar abusar de falsetes, já que a própria estrutura das músicas não exige isso com freqüência.

O Dream Theater provou na prática como superar uma perda considerável em seu line-up e como não deixou toda essa patética novelinha influenciar no principal, que é a música. Palmas para eles.

01. On The Back Of Angels
02. Build Me Up, Break Me Down
03. Lost Not Forgotten
04. This Is The Life
05. Bridges In The Sky
06. Outcry
07. Far From Heaven
08. Breaking All Illusions
09. Beneath The Surface

Originalmente publicado em Progcast - A sua dose semanal de Rock Progressivo (http://www.progcast.com.br)

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Sobre Rodrigo "Rroio" Carvalho

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