Resenha - A Dramatic Turn Of Events - Dream Theater

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Por Tiago Meneses
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Antes de qualquer coisa, falar sobre esse álbum sem colocar um foco maior no desempenho da bateria é tapar o sol com peneira. Mais do que a ansiedade e curiosidade em saber como está esse registro da banda, muitos dos que acompanham o DREAM THEATER querem saber se a escolha do MIKE MANGINI como novo membro do grupo foi a mais correta. Confesso que desde algum tempo, estava tendo um problema com o próprio MIKE PORTNOY dentro do DREAM THEATER, estava vendo ele mais como um baterista bem hibrido, que como músico o que lhe sobra em técnica, estava lhe faltando em criatividade, em originalidade. Com a grande capacidade que o MIKE PORTNOY tem, ele consegue imitar o baterista que ele quiser, mas criar um estilo, nisso ele estava pecando demais em certos momentos dentro na sua agora ex-banda. Creio que agora totalmente solto do DREAM THEATER, ele consiga mostrar-se um baterista mais singular na sua nova fase da carreira. Quanto ao álbum, se algum fã do grupo estava preocupado quanto aos trabalhos nas baquetas em "A Dramatic Turn Of Events", podem ficar tranqüilos, MIKE MANGINI aqui só mostra que a escolha foi mais do que certa com trabalhos de bateria bastante criativos como inclusive não se via na banda há um bom tempo.
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Escutei o álbum pelo menos umas 5 vezes antes de poder dar a minha primeira opinião sobre o mesmo, o trabalho que se encontra aqui não vai fazer mudar em nada a opinião de ninguém, seja dos adoradores, seja dos execradores de plantão do grupo, mas ainda assim, embora não seja algo surpreendente, "A Dramatic Turn Of Events" apresenta uma sonoridade mais agradável do que seus dois últimos trabalhos, "Systematic Chãos" e "Black Clouds & Silver Linings". A banda vinha soando mais com o lado Metal da vertente a qual o grupo costuma ser encaixado que e o Metal Progressivo, e aqui eles novamente voltam a mostrar-se uma banda de caráter mais Progressivo.

A primeira faixa do álbum é “On The Back Of Angels”, tem seu início através de uma melodia que mostra uma espécie de regresso do grupo aos seus tempos de sonoridades mais melódicas, começa através de uma guitarra acústica sobre uma cama produzida pelas teclas de JORDAN RUDESS, é então que pela primeira vez surge a novo integrante do grupo tocando algumas notas sincopadas na bateria em um ar que nos pode fazer inclusive lembrar um pouco de “Pull Me Under”, tudo feito como quem prepara o terreno pra entrada do riff de JOHN PETRUCCI que vem logo em seguida e agora junto de uma bateria mais enérgica. A banda segue com a introdução da música até mais de 2:30 quando JAMES LABRIE canta os primeiros versos do álbum. Sobre o seu vocal creio que não se tem muito a dizer, continua a ser um vocalista que a cada ano que passa parece ter aprendido bem até onde pode ir com a sua voz, continua a cantar sempre dentro da sua área de conforto, não comete erros e muito menos faz alguma performance fora de série, simplesmente faz o seu papel durante todo o álbum e logo nessa primeira faixa mostra isso. “On The Back Of Angels” segue com uma ótima interatividade entre os instrumentos, principalmente no que diz respeito ao “casamento” guitarra/teclado em que o grupo mostra. A faixa também contém um ótimo solo, algo que acho importante logo na primeira faixa, um começo bem animador pra qualquer fã do grupo.

A faixa de número dois desse mais novo capítulo da história da banda chama-se “Build Me Up, Break Me Down”. Confesso que essa é a faixa do álbum que menos gostei, mas nunca se sabe se algum dia mude de idéia sobre ela após mais audições de “A Dramatic Turn Of Events". Trata-se de uma faixa bastante marcante e que gruda fácil na cabeça de qualquer um principalmente por conta do seu refrão simples. “Build Me Up, Break Me Down” começa com umas batidas de bateria elétrica antes que a faixa ganhe mais corpo com o início do riff de guitarra, como dito que a faixa um tinha um ar meio de “Pull Me Under” no seu início, essa aqui me lembrou um pouco de “Caught In A Web”, mas deixo claro que em nenhum dos casos essa semelhança seja algo tão grande assim. No geral uma música tocada de forma bastante redonda, bateria e baixo em uma cozinha bastante segura, riffs interessantes porem bem simples, teclados com partes sinfônicas que dão um corpo melódico à faixa e um vocal novamente fazendo a sua parte sem inventar muito, mas ainda assim, mesmo não considerando uma faixa ruim, pra mim, é sem dúvida o momento de menos inspiração do álbum.

O que temos agora é “Lost Not Forgotten”, a primeira das quatro faixas do álbum que ultrapassam 10:00 de duração. Tem seu início através de um lindo piano tocado solitariamente por cerca de 30 segundo até que o mesmo recebe a companhia dos outros instrumentos em uma introdução que soa bastante épica. A faixa que começa de forma extremamente simples, vai ganhando passagens mais complexas na sua introdução porem executadas com a enorme competência que sempre se espera de músicos do nível dos da banda. A faixa como um todo é muito boa, mas há um destaque a fazer aos solos que JOHN PETRUCCI e JORDAN RUDESS conduzem na parte final da faixa antes da entrada da ultima parte vocal de JAMES LABRIE, tudo começa por volta de 7:25, primeiro o solo de guitarra e depois um de teclado, ambos tocados de forma magistral sobre uma cama de ritmos quebrados e de grande inspiração por parte de todos os músicos do grupo.

Seguindo com o barco, é hora de ancorar em “This is the Life”, quarta faixa de “A Dramatic Turn Of Events". Confesso que nunca fui muito com a cara das baladas do DREAM THEATER, mas tenho mudado um pouco esse meu jeito de pensar e com certeza que “This is the Life” só me mostra que faço muito bem em fazer isso, uma canção de melodias extremamente belas, uma interpretação vocal ímpar que só fortalece o que sempre disse mesmo quando não curtia nada as baladas da banda que é a de que nesse tipo de música que o JAMES LABRIE parece se sair melhor como vocalista. A faixa ainda conta com um solo de guitarra absolutamente inspirado e refrões extremamente emotivos e belos, sem sombra de dúvidas, uma das melhores baladas que a banda já produziu.

“Bridges in the Sky”, que na verdade inicialmente era pra ser chamada de “The Shaman's Trance” mas desconheço o motivo da troca de nome é a faixa cinco do álbum. Tem um início meio estranho em seus primeiros segundos, me fez remeter um pouco a um ritual de curandeiro e um som que mais parece de um arroto, depois com a entrada do coro gregoriano a banda já transporta o ouvinte pra algo mais parecido com uma igreja. Passado essa introdução de calmaria e estranheza, a faixa tem seu início com um bom riff de guitarra e uma levada musical muito boa, novamente é uma faixa em que apesar de ter um certo peso, um dos destaques fica por conta de um ótimo vocal melodioso sobre tudo nos seus refrões. Mais uma vez a banda apresenta passagens instrumentais de muito bom gosto e bastante técnica recheando a música.

Chega à vez de “Outcry” mostrar a sua cara no álbum. A faixa logo no seu início já mostra uma enorme beleza, riff bastante criativo de guitarra sobre uma ótima melodia encabeçada por uns teclados sinfônicos que fazem um excelente coro em um clima meio “dark”. A banda nessa faixa faz uma fusão perfeita entre momentos mais pesados e outros mais melódicos sempre de bom grado com extrema técnica e velocidades instrumentais que em certos pontos chegam a ser vertiginosas. Todos tocam de forma extremamente impressionante, mas alem dos duelos entre guitarra e teclado, também não posso deixar de citar as performances na bateria de MIKE MANGINI e também as linhas de baixo executadas por JOHN MYUNG com direito a uma bela “brincadeira” por volta de 7:00 de música. Uma verdadeira aula instrumental bem característica da banda.

Sobre a faixa sete do álbum, “Far From Heaven”, não acho que tem muito a dizer, trata-se de uma linda melodia muito bem executada por piano e cordas e cantada mais uma vez de forma bastante emotiva por JAMES LABRIE, diria que serve inclusive pra recuperar o fôlego após tantas reviravoltas da música anterior e, também como uma ponte que prepara pra o que viria logo em seguida.

A faixa de número oito do álbum é a incrível “Breaking All Illusion”, sem dúvida alguma feita pra entrar no rol das melhores músicas compostas pelo grupo até hoje, e pelo que pude notar entre os comentários de pessoas que já ouviu o álbum é que isso realmente vai acontecer, tem sido disparada a música mais citada como a melhor faixa do álbum, fato inclusive reforçado por esse que vos escreve. Outro aspecto interessante é que depois de mais de 11 anos, JOHN MYUNG volta a assinar uma canção da banda, e seu regresso não poderia ter sido melhor. A música já começa de forma muito técnica e criativa através de um brilhante riff de guitarra que logo ganha companhia dos outros instrumentos sobre uma levada continua que se segue até que a faixa ganha um ar mais sereno, momento em que JAMES LABRIE começa a cantar os primeiros versos da música. Mas a música ganha mais energia novamente após a execução do primeiro refrão e assim segue até que os ritmos técnicos e velozes são quebrados por Petrucci através de um solo que “esfria” a faixa a deixando mais tranquila. Falando em solo, sem dúvida alguma que aqui JOHN PETRUCCI produziu um dos mais belos solos que ele já fez na carreira. O fim da faixa é algo que já pode ser mencionado como uma marca registrada do grupo, através de ressonância épicas. Pra mim, sem dúvidas a melhor faixa do álbum.

A derradeira faixa do álbum fica por conta de mais uma bela balada, “Beneath The Surface”, tem seu início através de apenas barulhos algumas gotas antes que entre uma melodia acústica e o vocal bastante sereno que segue durante toda a música. “Beneath The Surface” também merece destaque pelos arranjos de fundo criados por JORDAN RUDESS durante toda a canção, uma verdadeira cama sonora de extrema sensibilidade onde a combinação com vocal de JAMES LABRIE existe de forma bem correta. Um final bem tranqüilo pro álbum.

Bom, “A Dramatic Turn Of Events" é um álbum que serviu principalmente pra mostrar que apesar do turbilhão de situações que o grupo passou nos últimos tempos, ainda assim conseguem seguir firme com o barco mesmo que agora sem um dos seus principais tripulantes. É apenas o primeiro passo de uma nova era do grupo.

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