Um novo disco do IRON MAIDEN sempre gera expectativas enormes. Mesmo antes de seu lançamento os fãs já estão afoitos com as notícias sobre as gravações, nomes de músicas e trechos das mesmas, disponibilizados pela banda em seu site oficial. Logo que o álbum chega ao mercado, começam a chover em fóruns de discussão comentários extasiados de pessoas idolatrando o novo CD e outras malhando sem dó nem piedade. É sempre a mesma coisa. Ninguém fica em cima do muro quando se trata de um novo disco da Donzela e sempre as reações produzidas vão nos extremos opostos.
O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

A grosso modo, pode-se dizer que o novo disco do MAIDEN dá continuidade a aquilo que a banda vem fazendo desde “Brave New World”, quando Bruce Dickinson retomou ao posto de vocalista. Ou seja, músicas, muitas vezes, longas demais, ritmos cadenciados e uma fórmula que já está mais do que manjada. Aquela velha estrutura de começar de forma calma, muitas vezes com um batido riff de baixo, e depois ir numa crescente até se tornar uma música de Heavy Metal propriamente dita.
Porém, resumir “The Final Frontier” somente a isso seria injusto. Independente da aparente falta de criatividade da banda nos últimos anos, o novo disco possui alguns lampejos de inovação e, algumas vezes, mesmo nas fórmulas batidas, consegue demonstrar talento e empolgar. Já em outras não tem o mesmo êxito.
Logo na primeira faixa “Satellite 15... The Final Frontier”, podemos perceber algumas nuances de rock progressivo na parte inicial, com um instrumental diferenciado e um vocal que também foge, e muito, do costumeiro. Para falar a verdade, cheguei até a estranhar os primeiros minutos da música, ainda que tenha gostado. Pois é bem diferente daquilo que estamos acostumados. Entretanto, se o começo da faixa era inovador, a parte seguinte não daria continuidade a isso. Depois dos quatro minutos (ela tem mais de oito), ela desemboca num hard/heavy vigoroso, terreno conhecido do grupo, que se não é novidade, é muito bem feito e garante lugar de destaque no disco.
A música seguinte, “El Dorado”, é uma das minhas preferidas no álbum. Pesada na medida certa. Possui um baixo potente e boas linhas vocais. Se os últimos discos da banda tivessem mais músicas desse naipe, mais metalizadas e menos pomposas, obteriam resultados muito melhores. Outro caso que comprova essa tese é a faixa “The Alchemist”. A canção mais curta do disco tem boa velocidade e vai direto ao ponto, sendo certeira em soar como um autêntico Heavy Metal.
“Mother of Mercy” e “Coming Home” lembram bastante o trabalho da banda no disco “A Matter of Life and Death”. Tanto na velha fórmula, lento-rápido, como no próprio clima criado pelas músicas. Se não são músicas ruins, também estão longe de serem das melhores.
Aqui acabamos a seção de músicas com menos de sete minutos de duração. Das 10 faixas deste “The Final Frontier”, seis passam dos oito minutos. O que, você deve concordar, é um exagero. Ainda mais se lembrarmos que em grandes clássicos da banda, como “The Number of the Beast” (1982), “Piece of Mind” (1983) e “Powerslave” (1984), a média de duração não passa de cinco minutos.
Daí pra frente é que é aquela receita: começo lento, vocal baixo, que depois ganha corpo e peso, começa a reinar nas composições. Mas, independente do script ser o mesmo, é necessário notar que cada música se diferencia da outra. Afinal, cada uma tem seus riffs, solos, linha vocal, melodia e letra.
Por exemplo, “Isle of Avalon”, é bastante interessante e conta com um instrumental que alterna durante toda a canção, entre cadência, alguma velocidade e peso. Já “Starblind” tinha tudo para ser uma grande música, mas pecou por ser uma música grande. Ela tem uma levada pesada e linha vocal bem trabalhada, porém se torna cansativa e repetitiva. Típico caso em que alguns minutos a menos só faria bem. “The Talisman” alterna bons e maus momentos, assim como “The Man Who Would Be King”, que possui partes mais inspiradas e criativas e outras descartáveis. Se ambas fossem mais compactas poderiam alcançar um resultado final bem melhor.
Fechando o álbum, “When the Wild Wind Blows” tem uma levada que nos remete ao desenho POCAHONTAS da Disney. É sério, não sei não se mister Steve Harris não andou ouvindo as músicas dessa animação antes de compor essa música. Independente de qualquer coisa, na minha opinião, essa é uma das faixas que mais me agrada neste “The Final Frontier”. Seu tom quase épico é muito interessante, assim como as linhas vocais e variações rítmicas bem encaixadas.
Este “The Final Frontier” é um bom álbum no final das contas. Lógico que alguns ajustes poderiam ser feitos. Algumas músicas poderiam ser mais curtas, assim como poderiam existir canções mais velozes. Mas, pelo jeito, a banda gosta mesmo é de utilizar a supracitada fórmula. De qualquer forma, se o disco não faz frente aos grandes clássicos dos anos 80, também passa longe de fazer feio na discografia da banda. Acredito até que seja o melhor disco da banda em muitos anos, ao lado de seu antecessor, “A Matter of Life and Death”.
Iron Maiden – The Final Frontier (EMI, 2010)
Produzido por Kevin Shirley
Faixas:
1 – Satellite 15... The Final Frontier
2- Eldorado
3- Mother of Mercy
4- Coming Home
5- The Alchemist
6- Isle of Avalon
7- Starblind
8- The Talisman
9- The Man Who Would Be King
10- When the Wild Wind Blows
Todas as matérias da seção Resenhas de CDs
Todas as matérias sobre Iron Maiden
Os comentários são postados usando scripts do FACEBOOK e logins do FACEBOOK, HOTMAIL, AOL ou YAHOO, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que fizeram uso deste sistema (citados na assinatura de cada comentário). Caso você considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato. Os responsáveis pelo site podem excluir comentários que julguem inadequados e fornecer informações sobre os comentários a reclamantes se solicitados.
Pense antes de escrever. Ao comentar sobre alguém, lembre-se que este alguém é uma pessoa e merece respeito. Tenha cuidado especial ao comentar sobre colaboradores do Whiplash.Net; eles trabalham de graça para gerar o conteúdo que você está lendo. Mais chato do que uma matéria com erro, ou uma opinião com que você não concorda, são os chatos que apenas reclamam. Se acha que pode fazer melhor, clique no link ENVIAR MATERIAL no topo do site. Se achar um erro de digitação ou similar, envie pelo link de ENVIO DE CORREÇÕES; lembre-se que é falta de educação corrigir outras pessoas em público. E lembre-se de também elogiar quando encontrar bom conteúdo; isso é um bom incentivo aos colaboradores. :-)
Chatos, trolls e usuários que faltam com respeito a outras pessoas poderão ser banidos sem aviso prévio.
Jornalista formado. Descobriu o Heavy Metal aos 15 anos de idade e desde então, não vive mais sem esse estilo de música. Suas bandas preferidas são Metallica, Iron Maiden, Savatage, Angra, Blind Guardian, dentre muitas outras. Através do jornalismo conseguiu unir suas duas paixões: escrita e música. Além de colaborar com o Whiplash, mantém o blog ociocomcafe.blogspot.com.
Mais matérias de Carlos Eduardo Garrido no Whiplash.Net.
Link que não funciona para email (ignore)
QUEM SOMOS | RSS | FACEBOOK | TWITTER | APPS | ANUNCIAR | ENVIAR MATERIAL | FALE CONOSCO
Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria. Os textos não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será retirado do site.
Em abril de 2012 Whiplash.Net teve 1.211.297 visitantes, 3.149.841 visitas e 10.113.719 pageviews. Ver stats.