Iron Maiden: não há como ficar indiferente ao novo álbum

Resenha - Final Frontier - Iron Maiden

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Por Paulo Finatto Jr.
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Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Não há como permanecer indiferente diante de um novo álbum do IRON MAIDEN. Envolvido em uma áurea de excitação e expectativa, chega às lojas do mundo inteiro o 15º disco da banda inglesa que ajudou a consolidar o heavy metal nos anos oitenta com a NWOBHM e que se firmou como o maior expoente do gênero na década seguinte. Depois de quatro anos sem apresentar nenhuma música inédita – o maior período longe dos estúdios em trinta anos de carreira – eis que surge o aguardado “The Final Frontier”.
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Embora tenha alcançado números expressivos de vendas durante a primeira semana – sobretudo na América do Norte e em países específicos da Europa – “The Final Frontier” é um álbum bastante controverso. Enquanto que muitos destacam a excepcionalidade do novo material da banda, outros fãs mais exigentes não enxergam com bons olhos o momento criativo atual do IRON MAIDEN. Não há uma verdade absoluta sobre o novo (e talvez último) álbum do sexteto inglês. De qualquer forma, a sensação que fica é de um disco mais fraco e menos inspirado se comparado aos seus três antecessores – e o resultado final é avaliado faixa a faixa:

01. Satellite 15... The Final Frontier (Smith/Harris) 8:40

Diferente dos três discos antecessores, “The Final Frontier” não inicia com uma música de rápida assimilação. A primeira é tão transgressora como foi “Caught Somewhere in Time” (pela utilização de sintetizadores) ou “Sign of the Cross” (pela característica épica mais acentuada). As influências progressivas, que passearam por “Dance of the Death” (2003) e “A Matter of Life and Death” (2006), se encontram de maneira marcante em “Satellite 15... The Final Frontier”: a complexidade instrumental dos quatro primeiros minutos não remete a nenhum outro ponto da carreira do IRON MAIDEN. Embora soe estranha ao primeiro momento, a abertura do álbum ganha melodia e peso de maneira eficaz – inclusive com violões sobrepostos a guitarras – sem abrir mão do que há de mais tradicional na musicalidade da banda.

02. El Dorado (Smith/Harris/Dickinson) 6:49

Embora tenha dividido a opinião de muitos fãs quando foi divulgada na internet – mais de um mês antes de o disco chegar às lojas –, “El Dorado” merece ser citada entre as melhores composições de “The Final Frontier”. A música, uma das mais agressivas de todo o material, repete a velha fórmula das composições diretas da banda: peso constante, intensidade rítmica e refrão marcante. É verdade que “El Dorado” não traz nenhuma proposta inovadora ao trabalho do IRON MAIDEN – o principal motivo das críticas precocemente recebidas –, mas é inegável que as maiores qualidades sonoras da banda permanecem intactas. Diferentes de outras faixas do álbum, essa deverá empolgar até mesmo os admiradores mais analíticos do sexteto inglês.

03. Mother of Mercy (Smith/Harris) 5:20

Com as típicas referências musicais da banda, “Mother of Mercy” pode ser encarada como uma composição verdadeiramente tradicional dentro do repertório do IRON MAIDEN. O andamento mais intenso é precedido por uma introdução bastante cadenciada, além de conduzir a faixa para um refrão construído para ser o ápice da faixa. Embora mantenha uma boa estrutura, não há elementos concretos para tornar “Mother of Mercy” uma das faixas destacáveis do álbum. De sólido, apenas a sensação de que a voz de Bruce Dickinson não responde mais do mesmo modo. É verdade que o cantor continua sendo o maior frontman do metal (e de todos os tempos), mas é inegável o seu esforço – praticamente sobre-humano – para atingir as notas mais altas do refrão.

04. Coming Home (Smith/Harris/Dickinson) 5:52

Em “A Matter of Life and Death”, o IRON MAIDEN incluiu uma música mais cadenciada em seu repertório. Embora tenha um início mais próximo a músicas densas como “These Colours Don’t Run” – a nova “Coming Home” possui as mesmas referências que a aproximam de “Out of the Shadows” – ou até mesmo do último álbum solo de Bruce Dickinson (“Tyranny of Souls”). Com um andamento bastante retilíneo e um instrumental de pouca variação rítmica, a quarta faixa de “The Final Frontier” dificilmente será citada em uma hipotética lista dos melhores momentos do CD. No entanto, apenas a intenção de reproduzir mais uma música lenta – algo incomum na carreira do IRON MAIDEN – ficará registrado para a posteridade.

05. The Alchemist (Gers/Harris/Dickinson) 4:29

Com um arranjo mais simples, “The Alchemist” é aquela típica música que costuma abrir os discos do IRON MAIDEN. Embora não tenha sido essa a escolha da banda, muitas das referências melódicas encontradas nessa faixa remetem ao trabalho executado em “The Wickerman” e “Different World” – mesmo que não inclua características mais velozes ou agressivas. Entretanto, o resultado final não ultrapassa um nível razoável e mediano. É verdade que “The Alchemist” apresenta qualidades em sua estrutura, mas ela não possui nenhuma característica suficientemente forte para se tornar uma das composições mais marcantes de “The Final Frontier”. Os fãs mais exigentes não irão se impressionar com essa faixa.

06. Isle of Avalon (Smith/Harris) 9:06

Com mais de nove minutos de duração, “Isle of Avalon” é a típica música que o IRON MAIDEN vem inserindo paulatinamente em todos os seus discos desde a volta de Bruce Dickinson em “Brave New World” (2000). Embora não tenha qualidade suficiente para ser incluída ao lado das ótimas “Dance of Death” e “For the Greater Good of God” – dois exemplos bem sucedidos do formato em questão – essa faixa consegue superar o resultado final (e muito razoável) de “Dream of Mirrors” e de “The Nomad”. As variações entre três momentos melódicos distintos são extremamente agradáveis e bem pensadas para não cair na monotonia. No entanto, o instrumental deve um pouco, sobretudo no quesito complexidade – apresenta características simples demais. De qualquer modo, o resultado final é verdadeiramente satisfatório.

07. Starblind (Smith/Harris/Dickinson) 7:48

Entre as composições de maior impacto, “Starblind” certamente sobrará frente ao primeiro plano. Injustamente. É possível fazer um paralelo entre essa faixa com as ótimas músicas que também acabaram ofuscadas em seus discos: “Looking for the Truth” (do álbum “The X Factor”, 1995) e “The Educated Fool” (do disco “Virtual XI”, 1998). Bruce Dickinson é exigido mais uma vez em um nível claramente próximo ao limite da sua voz – e o resultado acaba sendo extremamente satisfatório em comparação com “Mother of Mercy”. Diferente da maioria das músicas do CD, essa faixa conta com uma carga emotiva bastante acentuada – característica que só volta a aparecer com força no encerramento do disco. As variações rítmicas (a música começa devagar e ganha peso/velocidade) são muito bem arquitetadas ao longo de praticamente oito minutos.

08. The Talisman (Gers/Harris) 9:03

Dentro da tendência de apresentar músicas longas e bem trabalhadas “The Talisman” é a que aparece com menos brilho entre as novas composições desse formato. Embora esteja repleta de boas intenções, falta à oitava faixa de “The Final Frontier” algum tipo de transgressão musical para afastá-la do que o IRON MAIDEN executou de mais comum (e de mais óbvio) em trinta anos de carreira. Entre os melhores momentos da música, o curto refrão parece ser o que mais se destaca. Certamente, os fãs mais exigentes da banda inglesa ainda sentirão falta de um instrumental mais bem construído e tão reproduzido entre as composições assinadas por Steve Harris.

09. The Man Who Would Be King (Murray/Harris) 8:28

Em contraponto à faixa anterior, “The Man Who Would Be King” não merece ser descartada em um primeiro momento. É verdade que a música possui uma estrutura similar a “The Talisman” – início cadenciado e andamento que vai ganhando peso e velocidade. Entretanto, o instrumental mais bem pensado faz toda a diferença para um resultado acima da média. De qualquer forma, “The Man Who Would Be King” não é uma composição ideal para os shows do IRON MAIDEN – possui um caráter mais contemplativo e menos vibrante. A faixa não chega a impressionar e a se sobressair diante dos melhores momentos do material – mas merece ser acompanhada com atenção.

10. When the Wild Wind Blows (Harris) 10:59

Não há dúvidas: “When the Wild Wind Blows” é a composição mais marcante de todo o disco. “The Final Frontier” será lembrado – em um futuro próximo – por essa música, curiosamente a única criada unicamente por Steve Harris. O nível de refinamento musical, que iniciou em “Blood Brothers” e passou por “Dance of Death” e “Paschendale”, encontrou o seu ápice em “For the Greater Good of God” – a melhor criação assinada pelo IRON MAIDEN desde 1995. Embora não consiga superá-la, “When the Wild Wind Blows” possui grandeza suficiente para figurar entre o que banda fez honradamente nos últimos dez anos. Em “When the Wild Wind Blows”, as melodias – que iniciam cadenciadas – vão ganhando corpo ao longo do tempo, no melhor desempenho de Bruce Dickinson em todo o álbum. Além disso, há por trás da faixa uma carga emotiva – o que sempre funcionou muitíssimo bem nas mãos do sexteto inglês. Destaque insuperável.

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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