Iron Maiden: Deixar de enxergar certos fatos soa absurdo
Resenha - Final Frontier - Iron Maiden
Por André Prado
Postado em 27 de maio de 2012
O Iron Maiden é o tipo daquelas bandas de "manual" para quem passa a curtir heavy metal. Então eu, com meus 15, 16 anos de idade, passando a curtir heavy metal de fato desde ali, comecei pelo básico, me encantava por ele. Metallica e Iron Maiden. Só que aqui no Brasil há uma característica muito particular. Somos um país apaixonado, seja pelo que for, música - executando-a ou idolatrando-a, futebol, religião... etc. E tão quanto o nosso público é fervoroso e faz de nós uma rota única e inesquecível para as bandas que fazem shows aqui, a nossa horda de fãs de heavy metal, em sua maioria, é um bando de cabeças-duras xiitas.
O esquema aqui são as bandas de sempre, e se você duvida, é só fazer uma observação rápida a respeito disso. Mais especialmente o Iron Maiden ganha uma idolatração que por uma lado é merecida, mas por outro é desmedida. Exemplo: como todos os anos, o site Whiplash.net faz votações de quais foram as melhores bandas do ano, e mesmo o Iron Maiden não lançando absolutamente nada no ano de 2011, ganhou em várias das categorias, revelando o absurdo e a falta de critério. Ou quando abrem-se votações pra qualquer festival que seja, sobre "quais bandas você gostaria de ver no festival?", o Iron Maiden (assim como o Metallica e Guns n' Roses) estará no cast sempre, o que revela a idolatração religiosa, e subestimação de bandas ótimas que estão por aí, que são renegadas por um nicho de Galeria do Rock preso nos anos 80, os tr00.
E falamos aqui de uma banda que não varia de forma nenhuma seu setlist há muitos anos, dando enjôo mesmo a fãs, e tem estruturações de músicas pobres atualmente; convenhamos, "A Matter Of Life And Death" foi sofrível.
Fãs são fãs, claro, e também não vou aqui ser moralista e cobrar que eles tenham o mesmo discernimento que o meu. Mas é desanimador ver pessoas que preferem estar em um altar de adoração em detrimento da música, renegando bandas da nossa terra e um orgulho como o Sepultura, só porque seu vocalista predileto saiu e a banda incorporou novas ideias em seu som thrash. Falta de discernimento que explica muitas vezes porque bandas de metal brasileiras preferem tocar fora do país em busca de um reconhecimento maior, além da famosa falta de apoio claro - o que convenhamos, hoje em dia diminuiu muito e nem é tão mais desculpa.
Mas voltando a falar especificamente do Iron Maiden, essa repetição que os cerca, pessoalmente, me fez desinteressar da banda como um todo. A falta de criatividade de muitas músicas atuais, e a repetição e idolatração das mesmas velhas músicas como "Fear Of The Dark", "The Trooper" e "The Evil That Men Do" que fazem parte da tracklist tornam as músicas insuportáveis.
As músicas não são ruins, nunca serão e curto quando elas tocam em um bar. Mas há bandas dez vezes melhores por aí, sinceramente. O Iron Maiden pode ter uma estruturação musical por muitas vezes rica, mas músicas que são basicamente normais, e uma babação de ovo que há em cima do vocalista Bruce Dickinson que exagera cruelmente em muitas das canções da banda. Música é subjetiva, mas deixar de enxergar certos fatos soa absurdo.
Bom, finalmente falando do álbum, a falta de brilho nos olhos que o Iron Maiden deixou de me causar há uns anos, aqui nesse disco renasceu de certa forma.
Lançado em 2010 e 15º álbum da carreira, com a produção e mixagem feita de forma magistral mais uma vez por Kevin Shirley, "The Final Frontier" tem um bom entrosamento entre as três guitarras, tendo faixas mais curtas e trabalhadas, e tendo um Bruce Dickinson por muitas vezes contido (felizmente), não gritando em cada refrão de forma exagerada. Finalmente aqui, o Iron Maiden conseguiu chamar atenção (minha atenção) de forma agradável, além de firmar e saber fazer uma pegada mais progressiva. A banda sempre teve isso, mas nos últimos álbuns acabou intensificando demais, e por muitas vezes isso se tornou insuportável com uma linha "introdução lenta, vocal, refrão, riffs, solo, refrão e final lento" e só. Em "The Final Frontier" abrandou um pouco, continua evidentemente sendo feito, mas com essa pegada um pouco mais direta, acabou se tornando um trabalho mais agradável de ouvir.
Quando começa o álbum com "Satellite 15... The Final Frontier", sabemos que algo diferente está por vir. Claramente dividida em duas partes, soa caótica e comum, dispensável no meu ponto de vista. Seguindo, no esquema de outros álbuns, a faixa dois é dedicada ao single, e é assim com "El Dorado". Com os famosos riffs cavalgantes, a faixa conseguiu ser boa no que se propõe; vai agradar aos fãs mais radicais.
Já de resto, um lado progressivo acaba se aflorando, até mesmo algo mais hard rock, e aqui temos bons resultados. Como a mais simples e calcada no hard rock "Mother Of Mercy", as de pegada mais progressiva, muito bem trabalhadas em geral como (a minha predileta) "The Talisman" e The Man Who Would Be King", e a "Starblind" com as guitarras se destacando tanto nos riffs como nos solos. Pontos baixos também existem no álbum, como a forçada, mas que agradará mais os fãs antigos "The Alchemist", a pouco inspirada "Coming Home", e a cansativa "Isle Of Avalon" - apesar de ter alguns pontos altos quando a música realmente começa.
O Iron Maiden como banda, acredito que seja a exemplificação do "ame ou odeie". Inquestionavelmente a banda mexe com qualquer fã de heavy metal, seja para qual lado seja sua opinião. Essa resenha mostra isso. É uma banda que sempre tem-se algo a dizer, e talvez o grande mérito deles seja marcar a história dessa forma.
Tracklist:
1. "Satellite 15... The Final Frontier" 8:40
2. "El Dorado" 6:49
3. "Mother of Mercy" 5:20
4. "Coming Home" 5:52
5. "The Alchemist" 4:29
6. "Isle of Avalon" 9:06
7. "Starblind" 7:48
8. "The Talisman" 9:03
9. "The Man Who Would Be King" 8:28
10. "When the Wild Wind Blows" 10:59
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