Iron Maiden: "The Final Frontier" entre os 9 melhores da donzela
Resenha - Final Frontier - Iron Maiden
Por Ricardo Mazzo
Postado em 09 de julho de 2013
Para você, leitor, saber o terreno em que está pisando: sim, eu acho o IRON MAIDEN a maior banda de Heavy Metal de todos os tempos. Isso posto, também gostaria de deixar claro que uso esse fanatismo contra a Donzela de Ferro no momento de criticar seus álbuns, o que não tem sido difícil nos últimos anos com os medianos "Dance Of Death" (2003) e "A Matter Of Life And Death" (2006).
Mas, para a minha grata surpresa, "The Final Frontier" é um álbum muito bom, longe da falta de empolgação e de criatividade que seus irmãos de década apresentaram. Por outro lado, 76 minutos de CD para apenas 10 faixas é um pouco exagerado, o que pode levar algumas músicas a soarem repetitivas demais.
"Satellite 15... The Final Frontier" é uma música boa e estranha ao mesmo tempo. Os primeiros 4 minutos e meio são completamente desnecessários e chegam a irritar. No entanto, a outra metade da música vem para tentar corrigir esse deslize inovador da banda. Mais para Hard Rock que para Heavy Metal, cumpre bem a missão de colocar um sorriso no rosto do headbanger. Com um refrão no melhor estilo IRON MAIDEN, certamente será sucesso nos shows.
E que venha o Heavy Metal! "El Dorado", a música de trabalho do álbum, me pareceu melhor quando inserida no contexto do trabalho todo que quando apenas um single. A famosa palhetada cavalgada está presente, o que dá peso e corpo à música. E, para a alegria geral da nação, Bruce Dickinson dá uma aula de canto e solta a voz. Na seqüência, a dupla "Mother Of Mercy" e "Coming Home" não me empolgaram muito. São faixas um pouco mais lentas e menos em linha com o que eu estava esperando após "El Dorado".
E esse é o primeiro obrigado que deixo para Janick Gers nessa resenha. "The Alchemist", a única faixa com menos de 5 minutos e uma das duas compostas pelo guitarrista, é a melhor da banda em 10 anos. Rápida e sem muitas delongas, essa brilhante composição vai direto ao ponto, feita para tremer qualquer estádio ao redor do mundo. Obrigado, Mr. Gers!
Ouvi muitas vezes a "Isle of Avalon", mas eu realmente não consigo gostar dessa música. São mais de 9 minutos de tortura, a música não se desenvolve e, quando parece que vai, volta. Já a 7ª faixa do álbum, "Starblind", apesar dos quase 8 minutos de duração, é bastante interessante. Alterna altos e baixos com solos bem elaborados e Bruce Dickinson mostrando porque é uma das maiores vozes da música mundial.
E aqui deixo meu segundo obrigado a Janick Gers. "The Talisman", a segunda música composta com participação dele, é a prova de que se pode fazer uma música fantástica com mais de 9 minutos. Por quase 3 deles, Bruce Dickinson nos conta uma história lenta e contagiante. Daí em diante, é um show do mestre Steve Harris e das guitarras alinhadíssimas do trio Murray/Smith/Gers. E o que mais me impressiona é que a história que Bruce Dickinson nos conta parece ter começo, meio e fim. Obrigado de novo, Mr. Gers!
"The Man Who Would Be King" é mais lenta do que eu gostaria, não empolga e tem talvez o refrão mais fraco de todo o CD. A última e mais longa música do álbum é "When The Wild Wind Blows". São mais de 11 minutos compostos exclusivamente por Steve Harris e, claro, não deixam a desejar. Essa faixa é o exemplo perfeito de música mais lenta que em estúdio é bastante interessante, mas ao vivo não me agradará.
Dos 15 álbuns lançados até hoje, eu me arrisco a colocar o "The Final Frontier" entre os 9 melhores. Não consigo ainda dizer exatamente em qual posição, mas já acho isso um grande feito, tendo em vista as obras-primas compostas pela banda na década de 80. Apesar de conter algumas músicas menos contagiantes, o diferencial do álbum é que ele te faz ouvi-lo inúmeras vezes sem parar, quase um vício. UP THE IRONS!
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