Iron Maiden: certeza de que a história está longe de acabar

Resenha - Final Frontier - Iron Maiden

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Por Ricardo Seelig
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


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No heavy metal, poucas bandas tiveram – e ainda tem – impacto similar ao Iron Maiden. O grupo liderado pelo baixista Steve Harris influenciou profundamente o gênero. Sua carreira foi marcada desde sempre pelo lançamento de grandes álbuns que definiram os caminhos que a música pesada iria seguir. Ouvindo "The Final Frontier", décimo-quinto trabalho do grupo, fica a certeza de que essa história está longe de acabar.

"The Final Frontier" é um disco primoroso do começo ao fim. Suas dez faixas mostram uma banda inspirada, coesa e extremamente consciente. É nítido o esforço do grupo em procurar caminhos que fujam do lugar comum em que algumas passagens de seus últimos álbuns adentraram. Ouvindo as composições, não são raros os momentos em que imaginamos que a canção irá para um lado e ela nos surpreende trilhando outros rumos. Esse fator, principalmente, faz com que "The Final Frontier" seja um disco surpreendente.

Outro aspecto claríssimo no trabalho é a divisão visível entre suas faixas iniciais e finais. Enquanto a primeira parte do disco é composta por canções mais diretas e influenciadas pelo hard rock, da metade em diante as composições ficam mais complexas e longas, mostrando em todo o seu explendor a faceta progressiva que o Iron Maiden sempre teve em sua música.

“Satellite 15 … The Final Frontier” inicia o CD de maneira inesperada. A impressão ao dar play é que não estamos ouvindo um disco do Iron Maiden. O que sai dos alto-falantes é uma introdução atmosférica e crescente, onde os instrumentos entram com harmonias desconexas, causando estranheza ao ouvinte. Ainda que sirva para contextualizar a canção, essa intro acaba sendo longa demais, se arrastando por quase cinco minutos. Quando a música finalmente começa, temos um hard rock com linhas vocais grudentas de Bruce Dickinson e um ótimo refrão, que fica de imediato na cabeça. Um bom começo, que ficaria melhor ainda se a parte atmosférica fosse menor ou colocada em uma faixa separada do CD.

O clima se mantém lá em cima com “El Dorado”, já conhecida dos fãs por ter sido disponibilizada antes do lançamento do disco no site da banda. Outra vez o hard rock marca presença, em uma composição vigorosa e que agrada de imediato.

“Mother of Mercy” vem a seguir, com boas guitarras e grandes melodias embalando uma das músicas mais fortes do disco. “Coming Home” soa como as ótimas baladas da carreira solo de Bruce Dickinson, e parece saída de discos como "The Chemical Wedding" e "Tyranny of Souls". Aqui merecem destaque a interpretação de Bruce e os solos de guitarra, curtos porém excelentes.

Já “The Alchemist”, a canção mais curta de "The Final Frontier", também é a mais direta do play, e nos remete ao Iron Maiden dos anos oitenta, de clássicos como "Piece of Mind" e "Powerslave". Um ataque primoroso de guitarras gêmeas carregadas de melodia, baixo galopante, bateria intricada e grande performance vocal. Ou seja, Iron Maiden clássico, na veia, empolgante!

É a partir de sua metade que "The Final Frontier" se transforma, passando da condição de um bom disco em um trabalho excelente. “Isle of Avalon” é uma jornada épica de mais de nove minutos repleta de passagens instrumentais arrepiantes. O solo no meio da faixa, não menos que sublime, mostra o quanto Adrian Smith faz a diferença no Iron Maiden. Sua classe, seu talento e seu extremo bom gosto levam a música a caminhos inesperados, surpreendendo o ouvinte e mostrando que a arte de tocar guitarra, quando bem feita, é similar ao trabalho de um exímio artesão.

“Starblind” vem na sequência, e sua alternância entre momentos mais calmos com outros mais agressivos é digna de nota, assim como as guitarras, repletas de melodia na melhor escola da longa tradição de faixas complexas do Iron Maiden, como “Still Life” e “Infinite Dreams”. “The Talisman” segue na mesma linha, com ótimos trechos instrumentais apimentados por um muito bem-vindo tempero celta. “Isle of Avalon”, “Starblind” e “The Talisman” formam uma espécia de trilogia, conduzindo o ouvinte por uma jornada profunda repleta de passagens instrumentais hipnotizantes e arranjos complexos, uma verdadeira viagem sonora que é um dos melhores momentos de "The Final Frontier".

Acertando a mão mais uma vez, o Iron Maiden mostra em “The Man Who Would Be King” que inspiração foi o que não faltou no processo de composição e gravação de seu novo disco. Dona de uma linda introdução e de um arranjo épico que lhe dá um clima todo especial, “The Man Who Would Be King” abre caminho para aquela que é a mais longa, e melhor, faixa de "The Final Frontier".

Com mais de onze minutos de duração, “When the Wild Wind Blows” nos remete de imediato aos tempos de "Somewhere in Time", mais precisamente da faixa de encerramento daquele álbum, a igualmente excepcional “Alexander The Great”. Única composta somente por Steve Harris, “When the Wild Wind Blows” é daquelas músicas que, sozinhas, justificam a compra de um disco. Harmonias construídas sobre melodias celtas belíssimas arrepiam o ouvinte já nos primeiros segundos da canção, que se desenvolve gradativamente em uma verdadeira aula de como se deve compor uma faixa de heavy metal. Seus onze minutos parecem durar um terço disso, e nada em seu arranjo soa desnecessário ou fora do lugar. Uma música espetacular, que reafirmou a minha fé no Iron Maiden, a banda que mais ouvi na vida, que me acompanha há mais de 25 anos e que estará ao meu lado até o final dos meus dias.

O Iron Maiden está envelhecendo, isto é um fato, mas está conseguindo passar por esse processo de maneira exemplar. "The Final Frontier" é a prova disso. Um disco excelente, inovador, de uma banda que não precisa provar nada para ninguém e poderia muito bem gravar o mesmo álbum todos os anos, mas, por sua natureza inquieta, insiste em se renovar e trilhar novos caminhos a cada novo trabalho. "The Final Frontier" bate "Brave New World" como o melhor álbum do Iron Maiden desde que Bruce Dickinson e Adrian Smith voltaram à banda em fevereiro de 1999, e é, fácil, o melhor disco do grupo desde o clássico "Seventh Son of a Seventh Son", de 1988.

Faça um favor a si mesmo: compre, ouça e coloque um sorriso no rosto!

Faixas:
1 Satellite 15... The Final Frontier 8:40
2 El Dorado 6:49
3 Mother of Mercy 5:20
4 Coming Home 5:52
5 The Alchemist 4:29
6 Isle of Avalon 9:06
7 Starblind 7:48
8 The Talisman 9:03
9 The Man Who Would Be King 8:28
10 When the Wild Wind Blows 10:59

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Sobre Ricardo Seelig

Ricardo Seelig é editor da Collectors Room - www.collectorsroom.com.br - e colabora com o Whiplash.Net desde 2004.

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