O que Raul Seixas diz em "chuva voltando para terra traz coisas do ar" em "Medo da Chuva"
Por Gustavo Maiato
Postado em 03 de abril de 2025
No clássico "Medo da Chuva", lançado por Raul Seixas em 1973 no disco "Krig-Há, Bandolo!", o cantor baiano traça um paralelo entre os ciclos da natureza e as transformações internas do ser humano. A frase enigmática — "pois a chuva voltando pra terra traz coisas do ar" — se tornou objeto de múltiplas interpretações ao longo dos anos, mas o que ela quer dizer?
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Hoje, na era dos streamings e das análises online, a canção ganha novas leituras que reforçam sua atualidade. A seguir, reunimos reflexões de diferentes fontes que ajudam a decifrar os sentidos contidos nessa obra profunda e sensível. No site Letras.mus.br, a interpretação é de que Raul fala sobre aceitar as mudanças e se deixar guiar pelo ritmo natural da existência.
"Ao declarar que perdeu o medo da chuva, ele quer dizer que está pronto para caminhar com o fluxo natural. Ele não teme mais as mudanças, aprendeu que, assim como o ciclo da água, que cai na terra e depois volta em novas versões, a vida também se transforma."

Essa leitura coloca o artista como alguém que supera o medo do novo, das perdas e dos recomeços — passando a ver a vida como um constante movimento. Em outra análise, do site Hélio Pere, o foco está em um aspecto mais crítico e social da letra. A chuva, neste caso, representa uma ruptura: "Aqui, aparentemente, ele expressa que não tem medo da ‘chuva’. Não se importa com as consequências de sua decisão de pôr fim ao seu relacionamento."
A análise sugere que Raul estaria questionando o modelo tradicional de casamento, o que, para o autor do texto, pode ser visto como influência negativa às relações familiares: "Ao que tudo indica, não é uma boa música que incentiva o amor entre os casais."

No site Universo de Raul Seixas, a abordagem é mais filosófica. A "chuva que volta à terra" seria símbolo de renovação e liberdade interior: "A água que vem com a chuva um dia esteve na terra, evaporou, trouxe coisas do ar e volta para a terra para iniciar um novo ciclo. A água que passa por um ciclo é a mesma? Definitivamente não!"
A reflexão é estendida à crítica sobre buscar segurança em instituições rígidas como o casamento: "Raul utilizou toda a sua genialidade para nos mostrar que, se buscarmos segurança em algo que não existe como o sacramento do casamento, podemos nos arrepender. O amor profundo deve sempre brotar dos corações livres e conscientes."

Já no portal Interpretação Pessoal é explicado que a figura do "eu lírico" é de um homem que, inicialmente paralisado, enfrenta o medo do novo ao entender que resistir à mudança é um erro:
"O marido, então inerte por medo do desconhecido, perde o medo do novo (‘eu perdi o meu medo da chuva’), pois assim reencontrará aquilo que deixou para trás (‘pois a chuva voltando pra terra traz coisas do ar’)."

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