A vergonha que impediu Raul Seixas de regravar o maior hit brega de todos os tempos
Por Gustavo Maiato
Postado em 29 de julho de 2025
Durante muito tempo, Raul Seixas foi visto como um artista subversivo e roqueiro por excelência. Mas nem todo mundo sabe que ele também teve uma fase fortemente ligada à música brega, com dezenas de composições populares gravadas por outros intérpretes. Segundo Isaac Soares, fundador do fã clube Novo Aeon, Raul chegou a compor até cem músicas desse estilo — muitas delas enquanto ainda atuava como produtor de discos, no início dos anos 1970.
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Em entrevista ao livro "O Raul que me Contaram", de Tiago Bittencourt, Isaac revelou que Raul produzia essas músicas em ritmo quase industrial. "Ele sentava no banheiro pra defecar e criava 10, 11, 12 composições populares, tamanha era a facilidade", conta. "Isso não desmerecendo os cantores populares, porque existe o brega que é uma verdadeira negação musical e existe o brega genial."
Apesar de reconhecer o valor da música brega e de ter grande admiração por artistas como Waldick Soriano, Raul tinha suas reservas. "O sonho do Raul era gravar ‘Eu Não Sou Cachorro Não’, só que ele tinha vergonha de gravar essa música do Waldick", diz Isaac. O motivo da hesitação de gravar essa que é uma das maiores composições bregas de todos os tempos? A própria imagem pública de Raul, que já cultivava a figura do roqueiro filosófico, poderia colidir com um sucesso abertamente cafona.
O gosto de Raul pelo brega, no entanto, não foi totalmente escondido. Em parceria com Paulo Coelho, ele compôs a sátira "Tu És o MDC da Minha Vida", uma homenagem debochada ao gênero que ajudou a torná-lo conhecido nos rincões do país. A música, segundo o pesquisador Júlio Ettore, foi inspirada em artistas como Odair José e em papos entre Raul e Coelho sobre o universo da música popular mais romântica e simples.
"É quase uma peça teatral, bem divertida. Também pesou algo que o Raul insistia, que era fazer letras mais simples", explica Júlio, em vídeo publicado no YouTube. Com rimas fáceis, clichês e sotaque interiorano proposital, "Tu És o MDC da Minha Vida" é tanto um pastiche quanto uma crítica bem-humorada ao amor tradicional e à estética do brega.
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