O maior álbum conceitual de todos os tempos, segundo Iggy Pop
Por Gustavo Maiato
Postado em 17 de agosto de 2025
Ícone do punk e voz inquieta do rock experimental, Iggy Pop nunca escondeu seu gosto musical variado — algo que se intensificou desde que passou a apresentar seu programa na BBC Radio 6 Music. Lá, ele circula com naturalidade entre jazz, eletrônico, folk, country e novidades do cenário contemporâneo, muito além das fronteiras do punk e do art rock, onde iniciou sua trajetória.
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Fã declarado de David Bowie e Lou Reed, Iggy admira a forma como ambos dominavam diferentes estilos com profundidade e autenticidade. Ele próprio compartilha desse espírito e, por vezes, surpreende com suas escolhas favoritas. Em uma entrevista de 2005 à Entertainment Weekly (via Far Out), ele citou Marty Robbins ("o mais próximo que chego do country") e Louis Armstrong ("assustador, irônico, com um jeito muito legal de tocar") como dois dos artistas que mais admira.
Mas entre suas indicações, uma escolha se destaca: "In The Wee Small Hours", de Frank Sinatra, lançado em 1955, que Iggy considera o maior álbum conceitual de todos os tempos.
O disco, o nono da carreira de Sinatra, é frequentemente citado como um dos primeiros álbuns conceituais da história. Em vez de uma simples coletânea de canções, o repertório foi cuidadosamente selecionado para explorar um único eixo temático: solidão, melancolia e o fim de relacionamentos. Com interpretações de Cole Porter, Duke Ellington e Hoagy Carmichael, o que impressiona é a coesão emocional do álbum.
"Esse é bom", comentou Iggy, destacando o período conhecido pelos fãs como a fase do pathos de Sinatra — quando o cantor abraçou, com intimismo, canções de perda e introspecção. "Existe quase um culto em torno disso... Ele se destaca nesse estilo."
Iggy Pop e Frank Sinatra
Mesmo conhecido por sua entrega visceral e sua voz rasgada no punk rock, Iggy Pop guarda um lado sensível e introspectivo — revelado em um texto pessoal publicado no site Vinylwriters. Ali, o cantor mergulha em memórias de infância e conta como a música de Frank Sinatra, especialmente o álbum "Only the Lonely" (1958), o influenciou profundamente.
"Frank Sinatra era um dos cantores favoritos da minha tia quando eu era pequeno", escreve Iggy. "Ela morava no trailer ao lado do nosso, estava doente, e minha mãe cuidava dela. Seu único consolo era sentar ao lado daquele toca-discos enorme e ouvir Frank."
A conexão com a música de Sinatra, porém, não veio só da tia. O pai também influenciou. "Ele sempre cantava Young at Heart no carro. Amava essa música." Quando os pais lhe perguntaram o que queria ser quando crescesse, a resposta veio sem hesitação: "Quero ser cantor! Foi culpa do Frank."
Curiosamente, Iggy só descobriu o álbum "Only the Lonely" nos anos 1980, ao encontrá-lo em um sebo. Desde então, se tornou um de seus discos de cabeceira. "Minhas músicas favoritas ali são "Only the Lonely" e "One for My Baby". A primeira eu regravei no meu álbum "Après" (2012), e a segunda canto no disco ao vivo "Roadkill Rising" (2011), para um público barulhento em Detroit que não parava de falar. Em certo momento, gritei: ‘Cala a boca, tô tentando cantar essa droga de música aqui, ok?’"
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