O megahit de Raul Seixas e Paulo Coelho que é um manifesto contra a monogamia
Por Gustavo Maiato
Postado em 02 de julho de 2023
O hit "Medo da Chuva" foi fruto de parceria entre Raul Seixas e Paulo Coelho. Em sua letra, há uma espécie de manifesto contra a monogamia, como explica Júlio Ettore em vídeo no seu canal no YouTube.
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"O fato é que os laços entre Raul e a Edith já estavam bem frágeis, tanto que Raul decidiu incluir no disco "Gita" a canção "Medo da Chuva", uma composição do Paulo Coelho, tanto na letra quanto na melodia. Aliás, é a única melodia que o Paulo compôs na vida, o que é algo notável já que ele não toca instrumento nenhum. "Medo da Chuva" é um manifesto contra a monogamia, é o Raul declarando que não quer ficar apenas com uma mulher.
O Paulo fez essa música num dia em que ele pegou muita chuva voltando para casa, aí ele pensou nesse verso: "Eu perdi o meu medo da chuva". Ficou cantarolando para passar a história de como ele criou essa música. Tá nesse livro aqui, "A Canção do Mago", escrita pela Érica Marmo. Ele começou a pensar num assunto que o afligia especialmente naquele momento, em que viveu uma crise com Adalgisa. A fidelidade misturou um pouco dos livros carnavalescos, como "O Casamento do Céu e do Inferno" de William Blake, que o fazia desconstruir alguns mitos criados pela Igreja Católica, e também a liberdade de atos pregada por Crowley.
Crowley, cara que defendia magia sexual através de experiências com diversas pessoas, o que Paulo e Raul entendiam como uma defesa da poligamia. Então, olha como as ideias com as quais o Raul teve contato nessa época de parceria com Paulo Coelho influenciaram até no casamento dele, fazendo com que ele acreditasse que deveria ter várias mulheres, quando no fundo não era isso que o Raul achava.
Enfim, se a Edith entendeu ou não o recado que o Raul passou com a canção "Medo da Chuva", talvez nem o Raul deve ter visto, porque ela pegou a Simone e se mandou certo dia, quando o Raul tinha dado mais uma de suas sumidas e, após alguns flagrantes de aventuras extraconjugais, Edith pegou a filha Simone Andréia, vendeu o apartamento do Leblon por 40 mil cruzeiros e se mudou para a casa dos pais em Salvador."
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