Helloween & Stratovarius: noite grandiosa em POA

Resenha - Helloween & Stratovarius (Pepsi on Stage, POA, 03/05/2011)

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Por Paulo Finatto Jr.
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Depois de criar o interessante “7 Sinners” (2010), o HELLOWEEN se concentrou em mais uma incansável turnê mundial. Os fãs brasileiros, que aguardavam por mais uma passagem da banda por nosso país, se surpreenderam quando o grupo confirmou uma série de shows junto com os finlandeses do STRATOVARIUS. Em uma oportunidade verdadeiramente única, os gaúchos puderam conferir os dois principais nomes do power/metal melódico no início de maio. O espetáculo, que não contou com a casa cheia, comprovou mesmo assim que a retomada do gênero é capaz de proporcionar uma noite grandiosa para os headbangers.

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Fotos: Karina Kohl (www.karinakohl.com)

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O público porto-alegrense, que esteve distante de ocupar plenamente as dependências do Pepsi on Stage, aguardava com certa expectativa o início do show do STRATOVARIUS agendado para às 20h. Com uma pontualidade que precisa ser destacada, Timo Kotipelto (vocal), Matias Kupiainen (guitarra), Lauri Porra (baixo), Jens Johansson (teclado) e Jorg Michael (bateria) entraram em cena na hora marcada para mostrar muitos dos seus clássicos e algumas novidades do bem-recebido (e elogiado) “Elysium” (2010). De certo modo, a abertura do espetáculo com “Infernal Maze” comprovou que o metal melódico do grupo finlandês funciona eficientemente bem ao vivo (ou até mesmo melhor do que em estúdio). Os fãs, sobretudo os que estavam na pista comum, cantaram e agitaram muito com o carismático cantor do grupo.

Na sequência, “Eagleheart” manteve o pique da apresentação para uma plateia que nitidamente conhecia cada detalhe da carreira da banda. As vozes unidas – da pista comum e da área vip (que não estava cheia) – chegaram a entoar sozinhas o refrão da faixa retirada do razoável e interessante “Elements Part I” (2003). O quinteto finlandês, que foi ovacionado pela primeira vez após essa performance, emendou o show com a rápida “Phoenix”. Embora aparente muito mais peso ao vivo do em sua versão de estúdio, a música evidenciou ainda as características mais marcantes do gênero – melodia e velocidade concomitantes – como uma meta para os shows do grupo. Como não poderia de ser diferente, “The Kiss of Judas” – outro clássico do grupo – manteve o público empolgado e na mão do STRATOVARIUS.

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Depois de conversar um pouco com os fãs, Kotipelto anunciou que a próxima música seria retirada do controverso “Polaris” (2009). Embora tenha contado com as palmas da plateia durante a sua introdução no piano de Jens Johansson, “Winter Skies” comprovou – com a fraca resposta do público na sua continuidade – que o disco anterior do STRATOVARIUS não conseguiu emplacar nenhum sucesso. Em contrapartida, “Under Flaming Skies” (outra retirada do novo “Elysium”, 2010) mostrou que os fãs adotaram o recente álbum do grupo com todo o carinho possível. Os mais fanáticos souberam cantar com Kotipelto (que já despontava como o maior destaque do show) do início ao fim. O frontman finlandês claramente possui uma das vozes mais incríveis do metal melódico. Por outro lado, o novo guitarrista – Matias Kupiainen – mandou muito bem e não deixou (quase) nenhuma saudade de Timo Tolkki.

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Em seguida, o riff inicial de “Paradise” foi mais do que suficiente para que o público, que já se distribuía mais uniformemente pelas dependências do Pepsi on Stage, reconhecesse mais um dos clássicos da banda. Embora nenhum fã tenha mostrado uma empolgação acima da média, muitos cantaram junto com o grupo o refrão desse hit. Na sequência, a nova “Darkest Hours” – um dos principais destaques de “Elysium” (2010) – soou um pouco estranha ao vivo. Por mais que evidencie as características necessárias, inclusive para abrir os shows dessa recente turnê, a faixa poderia ser repensada dentro do repertório do STRATOVARIUS. Por outro lado, “Speed of Light” determinou o retorno das composições velozes – conforme anunciou Kotipelto – e contou (pela primeira vez) com o apoio absoluto e irrestrito do público. No entanto, os dois melhores momentos ficaram para o fim do espetáculo.

Do mesmo modo que “Paradise”, “Hunting High and Low” precisou apenas dos seus primeiros acordes para ser reconhecida (e ovacionada) pela plateia gaúcha. A música, que foi cantada do seu início ao fim, foi estendida para que Timo Kotipelto pudesse interagir – e até mesmo brincar um pouco – com os fãs. O frontman provocou e pediu para que o público cantasse o mais alto que conseguisse, inclusive comparando a performance da plateia com os curitibanos que gritaram muito duas noites atrás. De qualquer forma, os gaúchos mandaram bem e ainda viram a banda retornar para o palco para a derradeira “Black Diamond”, que novamente contou com as vozes de apoio que vieram da pista.

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Não há dúvidas de essa é a música mais imponente da carreira do STRATOVARIUS. Como esperado, o público cantou junto com Kotipelto todos os versos, inclusive assumindo as vozes principais para o espanto do frontman. Em apenas uma hora de show, o quinteto finlandês encerrou o espetáculo com um curtíssimo solo de bateria. A banda, que possui um desempenho extremamente qualificado ao vivo (inclusive superior ao trabalho em estúdio), conseguiu (mais uma vez) surpreender com o contorno verdadeiramente pesado que deu às suas músicas em cima do palco. Na despedida, garrafinhas de água foram jogadas para plateia e o irreverente Jog Michael virou um pouco de cerveja para dentro de suas calças – o que proporcionou muitas risadas. Para quem esperava um show apenas morno, a surpresa certamente foi enorme.

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Em pouco menos de trinta minutos, o cenário já estava montado para receber o HELLOWEEN. A estrutura de palco montada pela banda, um pouco maior do que a que trouxe o STRATOVARIUS para o nosso país, contava com muita iluminação própria e uma passarela para os guitarristas em frente a imensa bateria (com quatro bumbos). Depois de uma pequena introdução, Andi Deris (vocal), Sascha Gerstner (guitarra), Michael Weikath (guitarra), Markus Grosskopf (baixo) e Dani Loble (bateria) abriram o show com o maior petardo de “7 Sinners” (2010), a pesadíssima “Are You Metal?”. O público, extremamente ansioso para o início do espetáculo, cantou junto com Deris cada verso da música e comprovou o impacto extremamente positivo do disco novo. O som, um pouco embolado no início, beirou à perfeição já na faixa seguinte. A clássica “Eagle Fly Free” evidenciou o carisma imensurável dos músicos alemães e ainda fez um fã mais fanático, que estava na grade da pista comum, chorar de emoção (!).

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Embora composta por muitos adolescentes (que certamente não acompanharam boa parte da trajetória da banda), a plateia recebeu muitíssimo bem “Steel Tormentor”, música retirada do ótimo “The Time of the Oath” (1996). De certo modo, o repertório do HELLOWEEN pode ser classificado como imprevisível. O grupo costuma variar bastante o set-list a cada nova turnê. A execução de “Steel Tormentor”, que ficou ainda mais agressiva ao vivo, é uma das provas dessa teoria.

Por dentro do novo álbum, os gaúchos ainda acompanharam – verdadeiramente empolgados – a sequência de novidades “Where the Sinners Go” e “World of Fantasy”. De um lado, a primeira música pode ser apontada como um dos grandes destaques de “7 Sinners” (2010) e que ganhou ao vivo uma clima excelente. De outro, a segunda faixa espantosamente mostrou como o público aceitou de braços abertos o repertório do novo álbum. Os fãs – além de cantarem junto com Andi Deris – acompanharam com palmas a performance do HELLOWEEN aqui. No entanto, o solo de Sacha Gerstner – que não chega a ser um músico virtuoso como Roland Grapow – soou aparentemente desnecessário para o contexto da apresentação.

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De modo oposto, o solo de Dani Loble – que veio na sequência – empolgou muito mais a plateia. O curioso de se reparar é que Weikath, provavelmente o integrante mais influente do HELLOWEEN, se comporta como um mero coadjuvante durante o show do grupo. Embora fique com a cara amarrada boa parte do tempo, o senso de humor do guitarrista é visível nas suas caretas e “malabarismos” durante os solos. Em seguida, “I’m Alive” serviu maravilhosamente bem para comprovar que o público – nitidamente jovem se comparado com a idade da banda – não domina o que existe de mais obscuro no passado do grupo, como as faixas menos conhecidas de “Keeper of the Seven Keys Part I” (1987). Do mesmo modo, o HELLOWEEN ainda executou “You Stupid Mankind”, provavelmente a música mais desconhecida do repertório de “7 Sinners” (2010) ao vivo. A versão – ainda mais pesada do que em estúdio – foi apresentada por Andi Deris como uma “música malvada sobre nós mesmos”.

Depois da agressividade de “You Stupid Mankind” – que comprovou definitivamente que Sascha Gerstner é melhor compositor do que guitarrista – Deris anunciou uma música “para relaxar”. Com apenas o vocalista e Gerstner no palco, a dupla mandou uma versão acústica para “Forever and One (Neverland)”, que além de ser dedicada para as garotas presentes ainda contou com isqueiros levantados em meio ao público. Em seguida, foi apresentada outra surpresa. A faixa “A Handful of Pain”, uma das mais interessantes do disco “Better than Raw” (1998), serviu para comprovar que as modificações promovidas pelo HELLOWEEN em seu set-list costumam ser bem-vindas a cada turnê. A faixa, que é considerada uma das preciosidades corriqueiramente esquecidas pelo grupo, deveria aparecer mais vezes durante os próximos shows do quinteto germânico.

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Na sequência, o HELLOWEEN encontrou uma saída extremamente eficiente para o que foi o maior problema da sua última turnê. O medley de “The Keeper of the Seven Keys”, “The King for a 1000 Years” e “Halloween” poupou tempo – mais de trinta minutos – em suas versões reduzidas. Não há dúvidas de que estamos diante de duas excelentes composições da banda (“The King for a 1000 Years” é apenas mediana), mas a execução na íntegra das três faixas seria extremamente desgastante para os fãs, sobretudo para os mais sedentos por um apanhado mais completo sobre a carreira do grupo.

Na reta final da primeira parte do espetáculo, “I Want Out” pode ser apontada como o ápice do show. A música – que é um dos clássicos absolutos do HELLOWEEN – ainda abriu margem para brincadeiras e piadas conduzidas por Andi Deris. Entre elas, o cantor se aproveitou de Dani Loble (que não ouvia nada por causa dos fones de ouvido) para chamá-lo de “motherfucker” e de “maricón”, enquanto que o baterista acenava positivamente para os elogios. O público ainda se divertiu com a história contada pelo vocalista: na recente passagem da banda pelo Japão, Loble roubas duas garrafas de um caríssimo whisky de Deris para beber com refrigerante. O bom humor imperou e a banda deixou o palco logo após o fim de “I Want Out”.

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Em cerca de apenas dois minutos, o HELLOWEEN estava de volta para o bis. Embora não possua o mesmo apelo que os demais sucessos da banda, “Ride the Sky”, do debut “Walls of Jericho” (1985), retomou o peso que contornou o primeiro disco (e boa parte do novo álbum – e do show). O público, que parecia não conhecer muito sobre o início da carreira do grupo, acompanhou Deris apenas durante o simples refrão. Para encerrar, o grupo ainda apresentou o hino “Future World” (que chegou a ser cantado unicamente pelos gaúchos em diversos momentos) e “Dr. Stein”, uma das composições mais divertidas do HELLOWEEN. Em sua performance, mais de dez fãs vestidos como o médico maluco (que dá nome à faixa) subiram ao palco para brincar junto com o quinteto germânico, que esbanjou simpatia em exata 1h50 de show. Perfeito.

Por mais que o HELLOWEEN possa ter perdido o rumo da sua carreira entre “Rabbits Don’t Come Easy” (2003) e “Gambling with the Devil” (2007) – não é por acaso que nenhuma música desses dois discos foi executada – o grupo nitidamente conseguiu dar a volta por cima com “7 Sinners” (2010). Na sua quarta passagem pela capital gaúcha, o quinteto gaúcho mostrou muito bom humor e uma sintonia extrema que bateu com extrema facilidade o apresentado em 2008 na mesma cidade. Não só Weikath & Cia. que deixaram o Pepsi on Stage satisfeitos. O público, que ainda viu um ótimo show do STRATOVARIUS na abertura, voltou para a casa contente pela ótima noite. A produção do espetáculo, assinada pela Free Pass e pela Abstratti, foi – mais uma vez – impecável em todos os quesitos.

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Set-list:

Stratovarius:
01. Infernal Maze
02. Eagleheart
03. Phoenix
04. The Kiss of Judas
05. Winter Skies
06. Under Flaming Skies
07. Paradise
08. Darkest Hours
09. Speed of Light
10. Hunting High and Low
11. Black Diamond

Helloween:
01. Are You Metal?
02. Eagle Fly Free
03. Steel Tormentor
04. Where the Sinners Go
05. World of Fantasy
06. I’m Alive
07. You Stupid Mankind
08. Forever and Ove (Neverland)
09. A Handful of Pain
10. Keeper of the Seven Keys/The King for a 1000 Years/Halloween
11. I Want Out
12. Ride the Sky
13. Future World
14. Dr. Stein

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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