No AC/DC todos recebiam instruções do que devia fazer, ninguém criava nada
Por Bruce William
Postado em 03 de agosto de 2022
Andrew Daly, da Ultimate-Guitar, bateu um papo com Chris Slade, tendo como tema a passagem do baterista pelo AC/DC.
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Em um ponto da conversa, Andrew comenta que Malcolm e Angus sempre tiveram em mãos um controle total sobre a banda, a ponto de Simon Wright ter deixado o posto por se sentir restringido como baterista, e pergunta se Chris passou por algo assim. "Não. Honestamente, não, nunca me senti assim. Eu simplesmente me encaixo na música, e descobri muito rapidamente que o objetivo era justamente fazer tudo de forma bem direta e simples, nada de ficar enfeitando e fazendo firulas", explica o baterista. "Eu sempre soube disso, então foi o que entreguei pra eles. No AC/DC não há espaço para nenhum tipo de improviso e, se acontecer, é o mínimo possível. No AC/DC, o que importa é manter o andamento, o ritmo, e não é algo tão fácil quanto parece. Honestamente, não é mesmo".
Em seguida, Chris conta se escrevia as linhas de bateria ou já vinha tudo pronto para ele simplesmente tocar: "Todos recebemos demos como rascunho, até mesmo Brian (Johnson, vocalista) e Cliff (Williams, baixista)", revela. "Antes do início das sessões de gravação Angus e Mal registravam demos e entregavam para o resto da banda. Com elas, a gente sabia o que tocar, e daí a gente ensaiava aquilo até a exaustão, era assim que funcionava. Aquelas mesmas demos eram as bases dos discos, e tudo estava pré-concebido por Angus e Mal. Não havia espaço para eu fazer algo diferente, e nunca nem tentei fazer".
Daí Andrew diz que, independente de quem escreveu as músicas, ele sente que há uma energia nova que foi trazida ao AC/DC por Chris, que comenta: "Dizem que eu aumentei o ritmo ou acelerei o andamento do AC/DC. Não é verdade, e vou dizer o motivo: todos os andamentos foram definidos por Angus e Mal. Eu nunca estive em posição de fazer algo assim e, tenha certeza que se eu fizesse, eles viriam tirar satisfações (risos)", explica Chris, revelando ainda que existia até uma luz vermelha para ajudá-lo a tocar no tempo definido durante os shows, mas que ele nem usava pois se acostumou a manter o ritmo como devia ser. "No AC/DC, os andamentos eram todos definidos pelos irmãos Young, e se eles fossem mais rápidos, era porque eles queriam que fosse assim. Eles definiram os tempos, eu apenas seguia o que eles queriam".
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