Em 05/11/2008 | Resenha - Nightwish (Curitiba Master Hall, Curitiba, 05/11/08)

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Resenha - Nightwish (Curitiba Master Hall, Curitiba, 05/11/08)


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Caso Tuomas Holopainen e Anette Olson tenham lido os recados escritos na bandeira brasileira jogada ao palco no primeiro show da turnê do NIGHTWISH no Brasil em Curitiba, perceberão quanto carinho os fãs tem por eles e pelo restante da banda. A vocalista e o tecladista líder da banda devem ter ficado encantados com a quantidade de presentes recebidos nesta apresentação.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Fotos: Makila Crowley

E não foram poucos os mimos. Ursinhos de pelúcia, cartazes, recados e beijos, foram jogados ao ar logo que o quinteto subiu ao palco curitibano para dar início a “South American Kumbayah 2008”, nome dado pela banda para essa nova passagem pelo Brasil, Argentina e Chile, em 12 datas pré-agendadas. Alguns dos presentes entregues pelas fãs (e pelos, não podemos esquecer), quase acertaram em cheio os ídolos, mas nenhum deles reclamou da receptividade calorosa que tiveram na noite de quarta-feira (5), no Curitiba Master Hall.

A venda de ingressos não foi grande, já que pouco mais de metade da casa estava ocupada, muito diferente do que ocorreu em shows passados do NIGHTWISH em terras paranaenses. Mas o público que se via era realmente fã da banda. Cantava a todo instante as músicas, ou apoiava a banda através de aplausos e gritos. Meninos e meninas de todas as idades se amontoaram rápido em frente ao palco, ávidos por cada centímetro quadrado possível e capaz de mantê-los mais perto dos ídolos. A apresentação tinha tudo para ser uma festa.

A banda de abertura foi a SEMBLANT, um sexteto jovem de Curitiba que faz um metal cheio de opções, já que os vocais em dueto dão probabilidade para sacadas hipnóticas, com os vocais guturais de Sérgio Mazul (MAELSTRÖM), e a impostação doce, mas ao mesmo tempo emotiva de Kátia Shakath, estilo grupos como TRISTANIA ou SIRENIA. A banda teve ao longo de cerca de 30 minutos, a oportunidade de trazer sete músicas próprias, três das quais fazem parte do EP “Behold The Real Semblant”, que já está no mercado. A banda faz uma agradável mistura entre o gótico, com linhas um pouco progressiva, mas sem deixar de ser direta e voraz, sempre com ênfase na dupla de vocalistas e no excelente trabalho de guitarra e teclado. Apesar dos problemas de som que o grupo enfrentou em cima do palco, a apresentação foi muito bem recebida pela platéia, e com satisfação, deixa expectativa para as novidades que devem pintar no ano que vem.

Foi necessário quase uma hora de espera após o SEMBLANT para toda a estrutura do NIGHTWISH estivesse pronta. Enquanto os fãs criavam ainda mais expectativa para o primeiro show de Anette a frente dos vocais do NIGHTWISH em terras brasileiras, havia um misto de emoção com euforia no ar, principalmente quando foram revelados o teclado de Tuomas Holopainen, e a bateria de Jukka Nevalainen, até então escondidas sob panos escuros. A decoração de palco era simples, com apenas a imagem do último disco do grupo “Dark Passion Play”, em uma grande cortina, a mesma que vem sendo utilizada ao longo da turnê européia.

Já se esperava que o show fosse iniciado com a balançante “Bye Bye Beautiful”, assim como alguns dos últimos shows realizados pelo grupo na passagem pela América do Norte, no mês de setembro. A música veio cheia de graça, junto com o bom humor de cada um dos integrantes da banda, um a um subindo ao palco. Muito respeitosos com o público desde o início, cada um deu belas demonstrações de gratidão pelo carinho recebido em cada música executada. O som era limpo e na medida certa, assim como a iluminação, muito focada no azul, vermelho e brilhante.

As surpresas do set ficaram por conta da escolha de músicas da fase antiga da banda, como a explosiva “Dead To The World”, e a até então inesperada “Sacrament of Wilderness”, uma das mais antigas e que exigiram grande zelo de Anette nos refrãos. Por falar em cuidado, parece que a cantora sueca está cada vez mais entrosada com o grupo e descobrindo uma maneira natural de cantar ao vivo. Há quem ainda torça o nariz para ela, mas é possível notar uma evolução no jeito de interpretar as canções, inclusive na postura de palco. Sempre sorridente e animada com os companheiros, ela não hesitou ao bagunçar no cabelo do baixista e companheiro de vocal Marco Hientala ou de enxugar o rosto encharcado de suor de Tuomas, causando, claro, furor entre o público feminino. E o guitarrista Emppu Vuorinen fazia um show praticamente paralelo, correndo de um lado ao outro, saltitando ou simplesmente mexendo com os brilhos dos apaixonados por riffs e solos.

Mas as ausências no set também foram percebidas. É estranho que “7 Days To The Wolves”, que vinha sendo executada em diversos shows da turnê, ficou de fora, mesmo estando escrita no set-list ao chão do palco. Outra nova canção, “While Your Lips are Still Red”, presente no single “Amaranth”, também ficou de fora. Mais estranho ainda foi “Symphony of Destruction”, cover do MEGADETH, ser executada, à exemplo do que já acontecia insistentemente na turnê de “Once”.

Logo após a monstruosa “The Poet and The Pendulum”, e seu refrão bombástico, veio uma das canções mais consagradas do NIGHTWISH. “Wishmaster”, seria a prova de que, mesmo com toda a alegria, disposição e carisma, Anette precisa der uma forcinha da banda, reduzindo o tom das músicas. Ela tem um estilo de voz muito bonito, mas a música ficou comprometida, mesmo com a parceria quase que total de Marco Hientala dividindo os vocais.

Nunca havia visto o NIGHTWISH com a formação antiga, e muito menos estive no show solo da ex-vocalista Tarja Turunem realizado há poucos meses no Brasil. Por isso, não posso avaliar a fase antiga da banda nos palcos, assim como seria inoportuno comparar as duas vocalistas. Cada qual com seu estilo marca forte presença ao redor do mundo, cativando legiões de fãs. E Anette Olson tem todo o tempo do mundo para conquistar a simpatia daqueles que ainda não engoliram os acontecimentos da banda lá por outubro de 2005.

Ao final de “Whish I Had An Angel”, última canção do show, toda a banda vem agradecer o carinho recebido em Curitiba. Talvez as fãs que jogaram a bandeira brasileira ao palco no início da apresentação, tenham a certeza de que Anette e os companheiros de banda leiam cada recado deixado na bandeira. E que isto dê mais motivos ainda para um rápido retorno do grupo a Curitiba, cada vez mais alegres e com uma apresentação ainda melhor.

Agradecimentos: Makila Crowley, Roger e Mahrceco Produções, Ana Paula Flores e Grupo Jam, Banda Semblant e todos e todas as estridentes fãs que estiveram no show!

Set-list

1- Intro
2- Bye Bye Beautiful
3- Whoever Brings The Night
4- The Siren
5- Dead To The World
6- Amaranth
7- Sacrament of Wilderness
8- The Islander
9- The Poet and The Pendulum
10- Wishmaster
11- Symphony Of Destruction (cover Megadeth)
12- Sahara
13- Dark Chest Of Wonders

Bis:
14- Wish I Had An Angel

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Sobre Clóvis Eduardo

Clóvis Eduardo Cuco é catarinense, jornalista e metaleiro.

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