Este texto tem por intenção mostrar um apanhado de informações vindas de fontes diversas englobadas em uma só narrativa. Não pretende oferecer a verdade absoluta, pois acredito que a verdade absoluta seja algo inatingível. Mas pretende, sim, reportar fatos e curiosidades pouco divulgadas até mesmo por falta de interesse dos envolvidos. Acredito que essa é a primeira vez que várias histórias contidas aqui estão sendo relatadas em português. Os capítulos serão publicadas periodicamente. Então, pela primeira vez, somente para você leitor da Whiplash!...
Leia no link abaixo a segunda parte desta biografia.
Biografia - A História Impopular dos Rolling Stones - Livro 2 - Mick Jones
Os Rolling Stones são vistos, principalmente pelo público americano, como a maior banda de rock 'n' roll do mundo. Realmente, quando eles tocam puro rock 'n' roll, não há banda igual. Existem bandas mais pesadas, mais habilidosas, até mais criativas. Porém nenhuma toca o ponto nevrálgico do rock 'n' roll como os Rolling Stones.
Na década de sessenta, mais do que uma geração hippie e uma revolução musical, dois termos a tempos já tornados clichês para a indústria vender discos e quinquilharias, houve de fato uma revolução jovem, cortando uma linha bem definida entre a velha geração da Segunda Guerra e seus valores, e uma nova geração que buscava libertação dos traumatizados pós-guerras. Os pilares desse "movimento", mesmo que inconsciente para alguns dos seus "ativistas", foram Bob Dylan, os Beatles e os Rolling Stones. Por isso, falar de qualquer um desses três obriga também a falar em influencias em um contexto social. Muitos intelectuais agiriam para que a contracultura deslanchasse politicamente. Nomes como Abbie Hoffman, Jerry Rubin, Bobby Steale, e Angela Davis, são apenas alguns que fizeram as pessoas pararem para pensar diferente. Mas foram os Beatles, os Rolling Stones e Bob Dylan, através da música, que refletiram todas as tendências que repercutiriam entre a grande maioria dos jovens do primeiro mundo e em seguida, no resto do planeta.
Essa revolução se fez presente não só através da música, mas através da arte, dos cabelos, das roupas e principalmente da atitude. Os jovens intelectuais, inflamados pela música e motivados pela literatura de poetas Beatnicks, viam os recentes acontecimentos como um sinal positivo. Até então, depois da fase escolar, você não tinha muitas opções. Em geral, os homens trabalhavam, preferencialmente seguindo a profissão do pai, onde, como ele, se endividavam até a aposentadoria. O papel da mulher, na maioria dos casos, era restrito ao lar, e sua felicidade se resumia a uma cozinha nova e aparelhos domésticos, modernidades rapidamente assimilada pelas classes graças ao "boom" industrial. Com a necessidade de usar mão-de-obra feminina em função da ausência de homens no mercado, quase todos lutando na guerra, a mulher começa a tomar noção da extensão de suas aptidões. Quando a guerra acaba, nem todas voltam felizes para os fogões. A Segunda Guerra oferece uma contagem de corpos sem precedentes, gerando um desequilíbrio na quantidade de crianças em relação à de adultos masculinos. Tal desequilíbrio intitularia o período como "a era do baby boom". Olhando para trás, com a guerra acabando em uma nuvem de fumaça em formato de um cogumelo, é compreensível que a geração seguinte não tivesse uma maior preocupação com o futuro. A infância durante essa guerra transformara o conceito de segurança e futuro em concepções abstratas.
Revolução de Costumes
Ao atingir a adolescência, eles se embalavam ao som do rock n' roll com uma noção, em maior ou menor consciência, de que o mundo poderia acabar no apertar de um botão. Dito isso talvez fique mais claro porque tanta coisa aconteceu na década de sessenta, quando essas crianças entraram na maior idade. O movimento feminino, o movimento pacifista, a revolução sexual, um questionamento irrestrito sobre todos os padrões de comportamento e algumas repostas postas em pratica através de diferentes tipos de comunidades alternativas. Evidentemente criou-se uma maior distância entre as gerações, e atritos foram a tônica da década. Essa distância ou atrito ganhou o nome de "generation gap", ou seja, o vácuo entre a mentalidade da geração velha e a nova. Os jovens agora tinham uma música distintamente à parte da música dos adultos, surgia a arte pop, que através do humor e critica, agredia visões tradicionais, vestuários que, com o surgimento da mini-saia e do bikini, trouxeram à tona roupas que chocavam em concepção, cor e sex-appeal. Viver em Londres em '65, a "Swinging London", outro clichê hoje em dia, era ter a convicção absoluta de que a nova mentalidade certamente iria derrubar a velha e decadente civilização ocidental para que uma nova fosse criada no seu lugar. Porém, sem uma real filosofia mais bem definida e pouca noção de limite, moral ou substância, a subversão social em alguns anos seria totalmente tragada e absorvida pelo sistema, em parte através das boutiques e da violenta dependência química.
Afora a lucidez de uma pequena parcela de hippies, nome que deriva da gíria beatnick "hip" para determinar alguém consciente ou "por dentro das coisas", a grande nação hippie, na prática, era bastante alienada, apesar do seu discurso sobre "uma consciência universal". Como confirmaria John Lennon no final daquela década, com iluminada precisão, "O sonho acabou." Quanto ao quinhão dos Rolling Stones, qual a sua parte e como é que tudo iniciou?
Afora a lucidez de uma pequena parcela de hippies, nome que deriva da gíria beatnick "hip" para determinar alguém consciente ou "por dentro das coisas", a grande nação hippie, na prática, era bastante alienada, apesar do seu discurso sobre "uma consciência universal". Como confirmaria John Lennon no final daquela década, com iluminada precisão, "O sonho acabou." Quanto ao quinhão dos Rolling Stones, qual a sua parte e como é que tudo iniciou?
A História do Trem

A dupla Jagger e Richards começou em uma manhã de Outubro no ano de 1960, quando Keith Richards reparou um garoto na estação de trem em Dartford com discos debaixo do braço. Em uma época em que a industria fonográfica sobrevivia basicamente por causa dos compactos, pois LP's eram raros de se achar e caros para se comprar, fica então fácil entender porque Keith foi atraído pelos discos como que metal por um imã. Ele imediatamente reconheceu que o rapaz que segurava os álbuns The Best of Muddy Waters e One Dozen Berries de Chuck Berry, entre outros, era ninguém menos que Michael, seu velho amigo dos tempos de jardim de infância. Não fossem os discos, ele provavelmente teria dito no máximo um "olá" de longe. Mas por causa dos LP's, Keith não titubeou, "Bom vê-lo, Mick. Onde você arrumou os discos"? Se tornariam praticamente inseparáveis a partir daí.
Praticamente todas as crianças da sua idade no Reino Unido sofreram um choque com o filme Rock Around The Clock. Michael Phillip Jagger, filho de um instrutor de ginástica e uma imigrante Australiana, foi afetado por aquela música. Pouco depois, aos 13 anos de idade, quando skiffle se tornou uma mania entre os adolescentes, Mick começou a andar com Dick Taylor, um colega de classe que tocava violão e, como ele, gostava de rhythm n' blues. Tocavam skiffle, rock n' roll e o que estivesse nas paradas de sucesso daquela semana. Mick, que então ainda era apenas Michael ou Mike, era bom aluno, querido pelo seus professores, e não tinha um pingo de rebeldia dentro dele. Pelo contrario, era extremamente passivo às exigências dos mais velhos, como Taylor bem recorda. Ele era igual a qualquer outro menino, fora o fato de ser irrequieto e ter uma incrível capacidade de observar e imitar praticamente qualquer pessoa. Essa habilidade foi mais tarde direcionada aos cantores nos discos que ele ouvia. Assim, com duas ou três audições, Michael era capaz de cantar uma canção com toda letra correta e as entonações idênticas ao artista que ele acabara de ouvir. Outro dom que demonstrava ter, e que causava admiração nos colegas, era sua capacidade de convencer as meninas a irem com ele para o matinho, para as usuais descobertas de adolescentes.
Dick Taylor, por outro lado, não tinha um maior compromisso com os estudos e por causa disso acabou tendo que mudar de escola, indo para a Sidcup Art School, um antro de alunos problemáticos. A instituição tinha como maior preocupação manter os adolescentes fora das ruas. No ano seguinte, ele conheceria o novato da turma, de nome Keith Richards, chamado por todos de Ricky.
Keith Richards é cinco meses mais novo que Mick. Em Fevereiro de 1951, aos seis anos de idade, os dois se conheceram no jardim de infância, sendo amigos, além de vizinhos. Mick, comentando sobre essa época, recorda que Keith já falava claramente que queria ser um cowboy como Roy Rogers e tocar um violão. Depois a família Jagger se mudou para outra parte de Dartford e o contato se perdeu. Seu pai era um engenheiro, e queria que seu filho seguisse a sua carreira. Mas Keith nunca quis nada com escola. Em 1957 foi escoteiro, mas não aceitou a disciplina e logo saiu. Sempre foi lembrado como um garoto perigoso, daqueles que as mães mandam evitar. Foi expulso de duas escolas antes de parar na Sidcup Art School.
Nunca se interessou por nada até assistir Rock Around The Clock. De novo, é a música que impulsiona seu interesse, e logo percebe que poderia tocar aquele tipo de música se tentasse. Aos quinze anos ganhou seu primeiro violão. Seu avô nos anos trinta era membro de uma Big Band, portanto Keith foi direto a ele implorar aulas. Uma vez entendendo os fundamentos mais rudimentares do instrumento sentou e malhou o violão até aprender a dominá-lo. Em pouco tempo estava tocando Chuck Berry, nota por nota. Era fã incondicional também de Elvis Presley e Little Richard. Na escola nova, andava sempre vestido de camisa púrpura de mangas compridas e jeans, sapatos pontiagudos e uma jaqueta jeans. Tudo sempre desarrumado. Gostava de furtar coisas das lojas e arrumar brigas. Outro detalhe é que vez por outra tomava comprimidos de Midol, um relaxante, só de onda. Foi na escola, especificamente no banheiro, que conheceu Dick Taylor, que ia às aulas levando seu violão para tocar no pátio. Dick e Keith se tornaram grandes amigos e começaram a tocar juntos. Depois, com mais outro colega, Michael Ross, decidiram formar uma banda de country & western.
Após a abordagem no trem, Keith foi convidado por Mick a visitá-lo em casa para ouvir toda sua coleção de discos. Depois deste encontro, Keith procurou Dick para falar dos discos que ouvira na casa deste velho amigo e descobre que todos se conhecem a anos. Resolveram então tocar juntos, ora na casa do Mick, ora de Dick. Em tempo juntou-se ao trio Bob Beckwith e Allen Etherington. Keith começou a fazer a cabeça das pessoas para seus heróis, Chuck Berry e Bo Diddley, como também da possibilidade de ganhar dinheiro no futuro, tocando essas músicas. Ninguém levou a hipótese do colega muito a sério.
Os Blues Boys
Mick acabou batizando o grupo de Little Boy Blue and The Blue Boys. Não havia muitas pessoas que ouvissem blues na Inglaterra nesta época, e foi uma surpresa e tanto quando, no final de Março de 1962, Keith Richards e Dick Taylor abriram o jornal Melody Makers e acharam o anúncio de uma banda de blues que tocava todo sábado à noite em um clube em Ealing. Allen pediu o carro emprestado ao seu pai e levou a tropa para assistir Alexis Korner & the Blues Incorporated, talvez a primeira banda de blues inglês de qualidade a se destacar. Anos mais tarde, em retrospecto, Alexis Korner, seria chamado de "o grande pai do blues branco inglês", definição e glória que ele nega. Ficaram extasiados com o show e poucos dias depois estavam gravando uma fita demo para mandar para Alexis. Foram gravadas as canções "Around And Around", "La Bamba", "Reelin' And Rockin' " e "Bright Lights, Big City". Um detalhe é que a versão de Mick de "La Bamba" estava repleta de palavras em pseudo-espanhol, palavras que soavam espanhol sem serem palavras de verdade. Fizeram um embrulho e mandaram a fita pelo correio.
Naquela mesma semana, no dia 07 de Abril, antes da fita chegar ao seu destino, voltaram ao clube como passariam a fazer todos os sábados. Mas aos poucos, eles se mostravam mais críticos em relação ao blues que estava sendo tocado ali. O Blues Incorporated apresentava blues pelo seu lado mais jazzístico e a cada vez que o saxofone solava, todos na mesa ficavam deprimidos. "Parece coisa de Big Band" resmunga Keith. Mas foi quando Cyril Davis anuncia Paul Jones para cantar "Dust My Broom", uma música de Elmore James, que o mundo passou a girar diferente. Não que Paul Jones tivesse cantado assim tão espetacularmente. Mick prestou muita atenção pois este número era um dos seus favoritos, e achou a versão de Paul um pouco mais comercial do que a sua com os Blues Boys. Mas o acompanhamento de slide guitar foi como ninguém nunca ouvira antes. Lá estava um loiro, da idade deles, tocando igualzinho a Elmore James. Keith, que nunca vira alguém tocando slide antes, ficou tão atordoado com a execução que logo que a música acabou, subiu no palco e trouxe o loirinho para beber com eles à sua mesa. Assim conhecem Brian Jones.
Lá estava um loiro, da idade deles, tocando igualzinho a Elmore James. Keith, que nunca vira alguém tocando slide antes, ficou tão atordoado com a execução que logo que a música acabou, subiu no palco e trouxe o loirinho para beber com eles à sua mesa. Assim conhecem Brian Jones.
Crescendo em Cheltenham
Lewis Brian Hopkin-Jones herdou sua veia musical da família. A sua mãe era professora de piano, e ele logo mostrou desenvolvimento tocando extremamente bem já aos 10 anos de idade. Estudou o clarinete aos doze, sendo capaz de executar com maestria, "Concerto para Clarinete" de Werber, enquanto sua mãe o acompanha ao piano. Se tornou o clarinetista principal da orquestra da escola em apenas dois anos. Quando conheceu jazz em 1955, ele se tornou um fanático e praticamente abandonou o clássico. O jazz também foi a causa de seu interesse por musica experimental. Ao ouvir Charlie Parker, imediatamente passou a implorar ao seus pais que lhe comprassem um sax alto. Portador de um QI de 137, Brian tinha um dom natural para entender qualquer instrumento musical. Em semanas já dominava bem seu sax, embora, para sua frustração, não conseguisse soar nada como seu ídolo. Com 15 anos Brian estava fazendo dinheiro, tocando todo fim de semana em uma banda de jazz.
No ano seguinte, ele engravidou sua namorada Valerie, de apenas 14 anos de idade. Dentro de uma pequena cidade do interior como Cheltenham, a notícia se espalhou rapidamente e alienou Brian de seus colegas de escola. Ao mesmo tempo, a menina imatura não quis mais saber dele. Brian, apesar das boas notas, era um rebelde na escola, não aceitando os padrões estabelecidos, e após completar o segundo grau resolveu não seguir para a faculdade, para a tristeza dos seus pais, que passaram a ver o jazz como uma influência negativa. Tomado por um pavor perante a responsabilidade e peso da paternidade, Brian juntou dinheiro, seu sax, e fugiu para a Escandinávia, enquanto ela entrava no nono mês. Nasceu um menino que foi chamado de Mark, o primeiro dentre cinco filhos que ele teria, cada um com uma mãe diferente. Brian permaneceu na Escandinávia por alguns meses, tocando e morando nas ruas. Ele recordaria esse período como o mais feliz de toda sua vida. Depois retornou à Inglaterra, e novamente para o circuito de jazz, que era a única música disponível para se trabalhar. Ao assistir uma banda no Wooden Bridge Hotel em Guildford, conheceu uma mulher casada de 23 anos que acabou levando para cama. Nasceria no dia 4 de Agosto de 1960 uma menina, fruto desta noitada.
O Beatnick de Cheltenham
Freqüentador dos cafés universitários locais, vivendo a vida de um Beatnick, Brian conheceu Pat Andrews, de 16 anos, que logo percebeu esse rapaz como sendo diferente. Eles iniciariam um romance que duraria, entre rompimentos e voltas, três anos. Uma de suas colegas de sala era Valery, mãe de seu primeiro filho, e Pat via Brian em sua romântica fantasia, como um Romeu Shakesperiano local. Além de diversos empregos que ia perdendo ou por furtar algo ou por puro desinteresse pelo que fazia, Brian tocava em basicamente duas bandas de jazz, John Keen's Traditional Band e Bill Nile's Delta Jazzband. Meninas viviam dependuradas ao redor dos músicos, e Brian, enquanto namorava Pat, iniciava e dispensava diversos romances. Sua rotina sexual era vista pelos amigos como animalesca, um apetite somente igualado pelo seu interesse por música.

No início de 1961, Brian juntou-se a outro amante de jazz e blues, o amigo Dick Hattrell, além de mais dois universitários, dividindo um apartamento. Pat passou a dormir regularmente com ele e acabou engravidando. Para quem acabara de conquistar sua independência dos pais, a vinda de uma criança não era noticia boa, mas Pat recusou abortar. Para selar a paz, ele a levou para o cinema para assistirem "Rebel Without A Cause", rindo do paralelo entre o personagem de James Dean e sua própria vida. No final de 1961, Brian e Hattrell foram novamente assistir The Chris Barber Jazz Band. Entre os músicos da banda de Barber desta vez estavam Alexis Korner e Cyril Davies. Os quatro conversaram sobre jazz e blues e Alexis ofereceu seu telefone para que os meninos o procurassem quando estivessem em Londres.
Brian perdera o interesse por Pat e começou a namorar várias outras meninas, enquanto ela tentava ignorar os avisos das amigas. Morando com os pais, Pat apareceu um dia inesperadamente no apartamento dos rapazes e encontrou Brian com outra menina. Entrou em crise e na semana seguinte deu a luz a um menino, à meia noite do dia 22 de Outubro de 1961. Pat estava certa de que nunca mais o veria de novo, mas Brian romanticamente vendeu alguns discos de sua amada coleção e comprou um bouquet de flores para ela, passando o dia no hospital a seu lado. Batizaram o menino de Julian Mark. Brian escolheu Julian em homenagem ao saxofonista Julian "Cannonball" Adderley.
Brian então seguiu seu caminho, viajando a Londres para procurar Alexis, e lá se apaixonou imediatamente por sua coleção de discos, sendo especialmente comovido pela música de Elmore James. Tanto, que quando voltou para Cheltenham, comprou logo uma guitarra elétrica e aprendeu a tocá-la, inclusive com a técnica de slide à la Elmore, quase da noite pro dia. Brian eventualmente procurava seu amigo Gordon Harper. Mostrou-lhe um disco de Muddy Waters e contou que queria formar uma banda para tocar este tipo de música. Depois convidou-o a entrar na banda, mas Gordon recusou. Brian voltaria a convida-lo mais algumas vezes, todas recusadas. Não encontrando músicos dispostos a tocar o blues em Cheltenham, mudou-se para Londres, sendo seguido por uma nova namorada de 14 anos que arrumara. Lá conheceu e fez amizade com Paul Pond, que mudaria seu nome para Paul Jones e muito mais tarde ajudaria a formar The Manfred Mann.
Paul & Elmo

Brian ficou surpreso e feliz em descobrir que existiam outros caras da sua idade que gostavam e conheciam tanto de blues. Tanto Mick quanto Keith estavam encantados com ele. Os dois, embora na faixa de 18 a 19 anos, se faziam de vividos, mas ainda moravam com seus pais, enquanto Brian, apenas um ano mais velho, se virava sozinho a tempos, custeados por empregos diversos e suas noites tocando com algumas bandas de jazz, além do seu gig com o Blues Inc. Na cabeça dos dois, Brian passou a simbolizar a síntese do que deveria ser um verdadeiro músico barra pesada vivendo a vida selvagem. Keith tenta impressionar contando sobre as brigas em que ele havia se metido ou como roubara inutilidades de alguma loja. Mas até Keith ficou chocado quando Brian casualmente mencionou sobre seus dois filhos (não sabendo ainda da existência de sua filha) sem estar casado com nenhuma das mães. Mick e Keith estavam tomados por admiração e em muitas maneiras, eles queriam ser como Brian.
A Estreia na Ribalta

Aos primeiros acordes da guitarra, as pessoas fazem cara feia. O público era de blues e não conhecia, nem se interessava em conhecer a música de Chuck Berry. Pelo contrario, rock n' roll ali, era palavrão. Mas quando Mick começa a cantar, a sua voz, com um quê de negro, agrada. Sua entonação lembrava mais Big Bill Broonzy e Muddy Waters do que Chuck Berry. Todo duro na frente do palco, Mick cantava segurando seu microfone na mão, e só sua cabeça grande se mexendo, fazendo seus cabelos compridos balançarem freneticamente. Alexis, que até então nunca havia reparado nesses garotos, se aproxima do palco para observar. Mick Jagger estava causando uma tremenda boa impressão, mas ao terminar, só algumas pessoas aplaudem educadamente. "Boa voz garoto" falou Cyril ao descer do palco, ignorando Keith. Mais tarde Cyril e Alexis convidam Mick para um set regular com os Blues Inc., que passaria a cantar três números: Bad Boy, Ride 'Em On Down e Don't Stay Out All Night.
Enquanto isso, Pat em Cheltenham descobre que Brian está morando com outra menina e resolve fazer suas malas, arrumar o Julian e procurá-lo em Londres. Embora com pouco dinheiro, no dia 21 de Abril, pega um ônibus e acaba por bater à sua porta, Brian quase desmaiando de susto ao vê-la. Passam a morar juntos, porém o relacionamento dos dois volta a estagnar rapidamente. Brian quer novidade e Pat lhe parece excessivamente simplória como as típicas meninas do interior. Ela acabava por representar tudo aquilo de que ele tentava fugir quando saiu de Cheltenham. Para piorar o engodo, Pat também não compartilhava do seu interesse pela música, o que acabava por transforma-la em alguém para cuidar da casa, fazer a comida e oferecer sexo caseiro. Por causa dos choros de Julian, acabaram sendo solicitados a entregar o apartamento pelo senhorio, se mudando então para Notting Hill Gate.
Procura-se Músicos
Em Maio, Brian colocou um anuncio no Melody Maker convocando pessoas que queiram se juntar a ele e formar uma banda de rhythm & blues. O primeiro a aparecer foi um pianista chamado Ian Stewart. Stewart era um Escocês criado em Surrey, na Inglaterra. Durante o dia trabalhava como vendedor de uma firma de exportações. Nunca ouvira falar de Elmore James, Jimmy Reed ou Blind Lemon Fuller mas tocava boogie-woogie como poucos na Grã Bretanha, o que impressionou Brian. Outro que entrou na banda foi Andy Wren, um pianista que queria ser cantor. Experimentaram várias formações e conforme foram aparecendo pessoas melhores para o som que Brian queria, ele ia descartando os demais. Depois de Ian Stewart, somente Geoff Bradford realmente faria algum tipo de impressão. Geoff Bradford era um excelente guitarrista que já se apresentara ao lado de Alexis Korner. Ele era um purista, só permitindo-se a tocar blues de negro, e o que não fosse, ele se recusava terminantemente a tocar. Esse tipo de seriedade e compromisso com sua música serviu de modelo para Brian, e se tornaria a principal política dentro dos Stones.
Com Geoff veio Brian Knight, seu amigo para tocar a gaita. Brian então passou a tentar convencer Paul Jones a cantar para a banda mas este recusou. Paul estava dividido entre o Blues Incorporated e os estudos, e a banda de Brian exigiria uma dedicação que ele não estava em condições de oferecer naquele momento. Brian, depois de sucessivas recusas de Paul, convida então Mick Jagger que só aceita participar se Keith Richards puder tocar também. Logo Dick Taylor também estaria ensaiando com eles. A banda fica então com sua primeira estrutura montada com Brian Jones, Ian Stewart, Geoff Bradford, Brian Knight, Mick Jagger, Keith Richards, Dick Taylor e Bob Beckwith, outro ex-Blues Boy que inicialmente tocava guitarra enquanto Taylor tocava bateria.

Keith e Brian se tornaram grandes amigos e passaram algumas noites tocando juntos, fora ensaios. Brian não respeitava muito gente como Chuck Berry ou Bo Diddley e Keith fez questão de fazer sua cabeça para aqueles que ele acreditava serem músicos fenomenais. Uma vez entrando na onda, Brian aprendeu rápido diversos números. Mick Jagger, por sua vez, ensaiava com a turma mas se mantinha envolvido com o Blues Inc. Com o tempo, suas apresentações em Ealing e depois no Marquee Club, começavam a chamar mais a atenção do público para sí, do que para a música, atraindo assim, a inveja de alguns membros da banda. Com esse clima ruim que começava a surgir, Mick larga o Blues Inc. perto do final de Junho, e passa a se dedicar a banda nova do Brian em tempo integral. Keith se impressionou com Ian Stewart que vinha para os ensaios de bicicleta. Em função disso, tocava sempre ao lado da janela para vigiar seu meio de transporte. Comentava as coisas que via passando pela rua, enquanto tocava, sem nunca errar uma nota sequer.
Porque Rollin' Stones?
Geoff começava a se irritar com a banda, pois na sua opinião, gente como Chuck Berry e Bo Diddley eram oportunistas fazendo música comercial. Ele queria tocar apenas Muddy Waters, Sonny Boy Williamson, Howlin' Wolf e Elmore James. Brigou com Mick e Keith diversas vezes, mas quando Brian começou a gostar e defender o material que Keith insistia em introduzir, ele preferiu sair da banda, Knight saindo com ele. Beckwith, mais preocupado com seus estudos também saiu. Algum tempo depois, Brian batiza sua banda de The Rollin' Stones em homenagem à canção Rollin' Stone de Muddy Waters. "Por que Rollin' Stones?" alguém perguntou. "Por que uma pedra que rola não cria limo" foi a resposta, repetindo as palavras sábias do mestre Muddy Waters ("A rollin' stone gathers no moss").

A banda passa a ter então sua primeira formação oficial depois de batizada, com Brian Jones e Keith Richards nas guitarras, Dick Taylor agora definitivamente no baixo, Ian Stewart no piano, Tony Chapman na bateria e Mick Jagger nos vocais.
Sendo os ensaios no fim da tarde, nem sempre Chapman conseguia marcar presença, faltando por estar em outra parte da cidade tentando fechar uma venda. Assim Steve Harris passou a preencher a lacuna na suas ausências, mas nunca ameaçando tomar o posto, uma vez que ele tinha problemas em assimilar o "feeling" necessário para se tocar rhythm & blues. As constantes ausências de Chapman possibilitou a outro baterista adicionar os Rolling Stones ao seu currículo. Mick Avory foi o baterista na estréia da banda ao vivo, no dia 12 de Julho, uma quinta-feira, tocando para um salão com menos de dez curiosos no Marquee Club, enquanto a atração normal das quintas, The Blues Incorporated, estava em outra parte da cidade tocando para um programa da rádio BBC. Quando Avory saiu, Chapman estava lá para reassumir seu posto. Mais tarde, Mick Avory teria uma longa carreira no rock como baterista dos Kinks. Tocaram nesta noite, "Kansas City", "Honey What's Wrong", "Confessin' The Blues", "Bright Lights, Big City", "Dust my Broom", "Down The Road Apiece", "I Want To Love You", "Bad Boy", "I Ain't Got You", "Hush, Hush", "Ride 'Em On Down", "Back In The USA", "Up All Night", "Tell Me That You Love Me" e "Happy Home". Um belo contraste em relação com o hit parade da época que continha músicas de Frank Ifield, Pat Boone, Helen Shapiro, Bobby Fury, Neil Sedaka e Bobby Darin.
Mudanças
Conta-se uma historia, que certo dia Mick fora procurar Brian em sua casa. Brian não estava e Mick, bêbado, força uma relação sexual com Pat que depois disso volta a Cheltenham para morar com os pais. O incidente cria problemas com o senhorio e Brian acaba expulso do apartamento passando a morar em Beckenham, em um lugar que Mick lhe arruma. Pouco depois Keith terminaria seu segundo grau em Sidcup e não voltaria a estudar nem procuraria emprego. Passa a morar não oficialmente com Brian que já arrumara uma nova namorada.
Antes do final do mês, os Stones fazem seu segundo show, desta vez no Ealing Jazz Club, lugar onde Mick, Dick e Keith conheceram Brian. Na bateria, estava lá Tony Chapman. Em Agosto, Mick aluga um apartamento em Edith Grove e convida Brian e Keith a morarem lá também, dividindo as despesas. Dick Hattrell de Cheltenham, amigo de Brian, também passa a morar com eles a partir de Setembro.
Embora todos os relatos tratem Dick Hattrell como um amigo bondoso e sincero, Brian o tratava cruelmente. Sua insegurança de parecer caipira e provinciano perante Mick e Keith, fez com que ele abusasse e destratasse Hattrell durante toda sua estada em Edith Grove. Brian obrigaria Hattrell a pagar comida para todos, comprar-lhe cordas novas para a guitarra e, depois, uma guitarra nova. Hattrell pagaria o concerto de um amplificador e compraria diversas gaitas de afinações variadas, tudo para agradar Brian, que tomaria seu casaco, deixando o amigo sentindo frio no seu lugar. Hattrell aceitava tudo sem criar maiores atritos.
Havia poucos clubes para se tocar, pois o circuito de jazz não aceitava a música dos Stones, sendo eles mal vestidos, cabeludos e mal vistos de maneira geral. Os três moradores de Edith Grove tentavam juntar dinheiro e guarda-lo em uma lata, mas Brian vivia roubando da tal latinha. Quando Brian conseguia um emprego, acabava demitido por furto, e por pouco não foi processado por roubo. Os Stones, nesta época, conseguiam tocar apenas uma ou duas vezes por mês, geralmente no Ealing.

Os Rollin' Stones arrumaram um baixista chamado Ricky Fensen, que mais tarde passaria a atuar com o nome artistico de Ricky Brown, e outro baterista para as eventuais ausências de Chapman chamado Carlo Little, ambos membros dos Savages. No outono, Stu compra um velho Rover fabricado antes da guerra, que passou a levar o equipamento e a banda para as poucas gigs que arrumavam.
Dick Taylor resolveu que era hora de fazer uma escolha. Estava dividido entre os estudos no Royal College of Art e sua música. Concluiu que se pretendia continuar a estudar, precisaria dedicar mais tempo para os estudos imediatamente. Saiu então da banda e continuou afastado da música por um ano. Em 1963 voltaria ao rock formando uma banda de rhythm & blues sua, chamado Pretty Things, homenagem a canção do Bo Diddley, "Pretty Thing" e com eles, conseguindo uma razoável notoriedade.
Os Rollin' Stones arrumaram um baixista chamado Ricky Brown, também conhecido como Ricky Fensen, e outro baterista para as eventuais ausências de Chapman chamado Carlo Little, ambos membros dos Savages. No outono, Stu compra um velho Rover fabricado antes da guerra, que passou a levar o equipamento e a banda para as poucas gigs que arrumavam.
Sem Potencial Comercial

Mick tentava a tempos aprender a tocar a gaita e estava tendo muita dificuldade. Brian certo dia pegou o instrumento largado sobre a mesa e quase que instantaneamente começou a fazer música. Sorriu ao ver Mick boquiaberto e se ofereceu a ensiná-lo. Keith comenta que lembra chegar em casa no fim do dia e Brian estava arrebentando na gaita, instrumento que nunca tocara antes. A partir daí, Brian começou a procurar Cyril Davies para aprender mais sobre a gaita. Passavam horas tocando juntos e ouvindo discos, Brian estudando e apurando a técnica de torcer ou achatar uma nota. Ele que havia começado a tocar o piano, trocando para o clarinete, depois o saxofone, para finalmente ir a guitarra, estava agora em plena metamorfose passando a se interessar apenas pela gaita, que carregava consigo para onde quer que fosse.
No dia 27 de Outubro a banda, Mick, Brian, Keith, Stu e Tony, se junta no Curley Clayton Studio, perto do campo de futebol do Arsenal, para gravar um demo, naquela época, um disco de acetato. Com apenas um microfone, a equalização era feita mantendo os instrumentos em distancias estratégicas. O piano que era pregado no chão ficou praticamente inaudível. Gravaram em quatro horas "You Can't Judge A Book By It's Cover" de Bo Diddley, "Soon Forgotton" de Muddy Waters e "Close Together" de Jimmy Reed. Mandaram uma copia para a EMI, que rejeitou, e outra para Decca, que respondeu positivamente dizendo "A banda é ótima, mas livrem-se do cantor."
Com poucos shows ou "gigs", como passaram a ser chamados, no geral o inverno foi frio e a fome era negra. Brian e Mick passaram a ocasionalmente dormir com Judy, do andar de baixo, uma farmacêutica não muito vistosa, que arrumava algumas compras e café para ajudar os rapazes. De vez em quando Judy subia e arrumava um pouco a casa. Algumas vezes roubavam batatas para ajudar a aliviar a fome. Mick chegou a dizer que se algum dia tivesse dinheiro, nunca mais comeria uma batata enquanto estivesse vivo. Brian vendeu vários de seus discos para Carlo Little, usando o dinheiro para poder comer. Stu dava seus tickets de refeição que recebia da firma para ajudar os rapazes, que estavam de fato passando fome e frio. Dick Hattrell acaba tendo uma crise de apêndice e volta para Cheltenham. Keith também fica bastante debilitado com febre e suspeita de amigdalite. Volta para a casa dos pais, mas, doente ou não, toca com a banda no Piccadilly Jazz Club no dia 30 de Novembro.
Nanker Pheldge
Como as despesas ficavam pesadas divididas por três, o pessoal não agüentou a barra e logo Mick passou a anunciar em uma das apresentações, a disponibilidade do espaço. Após um show, um rapaz chamado Jimmy Pheldge, topou entrar no racha. De manhã na cozinha, enquanto engraxava os sapatos, Brian e Keith entram e começam as provocações: "Para que engraxar os sapatos se logo estarão sujos novamente?" perguntava Keith. "Tem que engraxar os sapatos e limpar as cuecas, senão o patrão briga." goza Brian. Phelge percebe que precisa rapidamente ganhar o respeito desses dois ou não terá sossego. "Você já trabalhou alguma vez Keith?" perguntou. "Já, uma manhã nos correios. Achei um saco, saí para almoçar e nunca mais voltei." Com isso Brian está às gargalhadas. "Antes eu estudava em Sidcup Art School" Keith conclui. Pheldge responde "É mesmo?" vira pro lado, mira e escarra à meia altura na parede. Vira novamente para Keith como se nada tivesse acontecido e continua, "E como foi lá?" Os dois congelaram em espanto. "Você viu o que ele fez!?" caindo na gargalhada em seguida. Mick entra na cozinha e recebe a noticia, "Esse cara escarrou no meio da parede". Jimmy responde "É, mas este vai pro teto" e manda outro. Mick olha aquilo enojado, "Putz, esse cara serve para ser nosso agente." Pheldge em seguida pega um lapis, circula os escarros e batiza, "esse é Humphrey Amarelo e este Jenkins Scarlat."

Final do Pior Ano
Com apenas uma gig nas terças em Ealing e uma ou outra ocasional durante o fim de semana, somados ao frio do inverno e à falta de dinheiro, a banda começa a ficar realmente deprimida. Para piorar, Brian tem que lidar com a eterna instabilidade da cozinha de sua banda. Sem ter um baixista que assuma ficar com a banda, desde a saída de Dick Taylor, e sem um baterista em que se possa confiar que vá aparecer em todos os ensaios ou shows, tudo parece conspirar contra.

William Perks
William George Perks, nascido no dia 24 de Outubro de 1936, tem o orgulho de nascer no mesmo ano que Elvis Presley, Buddy Holly e Jerry Lee Lewis. Sete anos mais velho do que os demais Stones, Bill lembra claramente da Segunda Guerra Mundial, tendo que correr para casa da escola enquanto aviões metralhavam as ruas e depois com as outras crianças, passando a catar as balas espalhadas pelo chão. Ou de se esconder no porão com sua avó, com quem morou, quando soava a sirene de ataque aéreo. Ouviam os bombardeios e depois descobriam metade da vizinhança em escombros. Tudo era uma grande aventura. Só entenderia a magnitude dos eventos quando na escola soube que duas colegas foram mortas.
Sua família era tão pobre que, a cada noite, seu pai botava de castigo um ou dois dos cinco filhos, sem jantar, para que os demais tivessem o suficiente pra comer. Bom aluno, e por isso ganhando uma bolsa para uma ótima instituição de ensino, a poucos meses antes de se formar no segundo grau, seu pai o tirou da escola para trabalhar como book keeper, anotando apostas. Por causa deste serviço, Bill teria problemas para conseguir outro tipo de emprego no futuro. Ficou três anos no exército, iniciados em Janeiro de 1955, servindo na Alemanha. Lá, conheceu muito rock n' roll, que ouvia no rádio através das estações dos aliados americanos.
Assim conheceu pela primeira vez Elvis Presley, Fats Domino, Bill Haley e Little Richard. Bill ouve skiffle através de Lonnie Donahue e o Chris Barber Band e, em Julho de 1956, compra seu primeiro violão, pois como ele mesmo diria, estava alucinado por Elvis Presley. Ajuda a montar uma banda de skiffle com outro soldado, Casey Jones, que mais tarde, entre outras bandas que formaria, teria uma com Eric Clapton. É no exército que ele conhece Lee Whyman, que abastecia os aviões da força aérea de combustível, além de ser um excelente jogador de futebol. Mas foi o seu senso de estilo e bom gosto em roupas, que impressionou Bill a ponto de ele mais tarde homenageá-lo com o seu nome artístico, Bill Wyman.
Os Cliftons
Bill, ao sair do exercito no final do ano, vai ao cinema e assiste o filme "Rock, Rock, Rock". Como ele confessaria mais tarde, tudo estava normal até aparecer Chuck Berry cantando "You Can't Catch Me". Nada o afetara como Chuck Berry, e a partir daí, William Perks se torna um roqueiro. Nesse período ele conhece Diana Cory, de 18 anos, com quem casaria em Outubro de 1959 aos 23 anos. Trabalhando como auxiliar de contador durante o dia, ele forma uma banda com alguns amigos. Ensaiam regularmente e resolvem levar a sério o suficiente para investir dinheiro em equipamentos. Logo conseguiram algumas apresentações e uma pequena notoriedade. The Cliftons, como eram chamados, perdeu seu baterista original e este foi substituído por Tony Chapman. O repertório girava em torno de Coasters, Sam Cooke, Jerry Lee Lewis, Chuck Berry, Lloyd Price, Larry Williams, Fats Domino, Ray Charles e Little Richard.

Paralelo ao trabalho com os Cliftons, já no segundo ano de existência, Wyman, Chapman e um terceiro rapaz no piano, faziam o circuito de bares, tipo 'happy hour' o que ajudava a angariar um dinheiro extra. Em Setembro, pouco depois de Bill investir uma grana em um baixo novo de qualidade, a banda tomou alguns canos, tocando e não sendo pagos. Deprimidos, o vocalista e o saxofonista saem da banda e The Cliftons implode.
Aprendendo o Blues
Em Dezembro, Tony Chapman começa a conversar com Bill sobre uma outra banda em que ele toca, os Rollin' Stones. Sexta-feira, dia 07 de Dezembro de 1962, levado por Tony, Bill conversa com Stu, a quem conheceu dois dias antes. Este apresenta Mick, que é sempre cordial, depois Brian e Keith, encostados no bar. As diferenças de roupa e cabelo, sem falar em idade, entre os dois Stones e este baixista era tanta que ninguém ficou impressionado com o outro. Bill, bem alinhado, com um corte de cabelo à lá Tony Curtis, batia de frente com as roupas rotas e cabelos longos e despenteados dos dois. Mas as atitudes mudaram quando Bill e Tony, ajudados por Stu, tiraram seu equipamento do carro. Entre os amplificadores havia um Vox Ac30 que Bill prontamente informou ser seu reserva, portanto, "podem usar". Comparando com o equipamento que a banda tinha, agora eles poderia realmente "fazer um barulho!" E quando Bill começou a tocar, ficou evidente que ele conhecia seu instrumento bem. Mas será que ele poderia tocar o blues?
Essa pergunta perdurou por mais de um ensaio. É claro que Bill conhecia Chuck Berry, mas Muddy Waters, Elmore James e Bo Diddley eram músicos ainda muito obscuros, alguns até mesmo na América. No caminho de casa naquela noite, Bill deve ter ficado se perguntando, "Como é que essa turma se reuniu e resolveram tocar essa música de 'uma minoria étnica', com tanta convicção?" Durante o decorrer do ano de 1962, gradualmente um número cada vez maior de pessoas passaram a se interessar em ouvir blues e rhythm & blues na Grã Bretanha. Prensagens inglesas de discos surgiam, passando a ser encontradas nas lojas com maior facilidade. Além dos Rollin' Stones, nasceram o Mann-Hugg Blues Brothers, Blues By Six, Cyrill Davies & the All Stars, sem falar no pai de todos, The Blues Incorporated, a essa altura sem Davies ou Baldrey, mas com Art Wood, irmão mais velho de um ainda adolescente Ron Wood, e que formaria posteriormente a banda Artwoods com John Lord e Keef Hartley.
Mudança Na Cena Musical Londrina

Charlie Robert Watts, um ano mais velho que Brian Jones, aos 14 anos comprou um banjo mas não conseguia toca-lo. Resolveu desmontá-lo para ver como funcionava e acabou se divertindo batucando com uma escova, no corpo do instrumento que tem o formato de um pandeiro. Sua mãe então lhe comprou uma bateria velha, na qual Charlie passou todo o seu tempo disponível praticando. Desenvolveu sua técnica ouvindo discos de jazz e assistindo bateristas. Depois passou a vender seus discos para comprar pratos de melhor qualidade. Os vizinhos reclamavam, mas sua dedicação mostrava aos seus pais que valeria a pena defendê-lo. Terminando o segundo grau em 1957 aos 17 anos, ele passou a estudar no Harrow School of Arts.
Em 1960 começou a trabalhar na Charles, Hobson And Gray, uma firma de propaganda, inicialmente servindo chá, e depois como desenhista gráfico. Era o mais alinhado de uma firma que residia ao lado da Christian Dior. Vez por outra namorava alguma modelo, mas além de um grande senso de estilo, Charlie tinha para sua idade, uma excessiva preocupação em ter recursos financeiros para manter esse padrão de elegância. Tocava em diversas bandas de jazz, geralmente por pequenos períodos de tempo. Em um gig no Troubador Club, Alexis Korner o assiste e convida para tocar em sua banda. Charlie declina o convite, indo para a Dinamarca tocar com o saxofonista americano Don Byas. Voltando em Janeiro de 1962, ele encontra Alexis novamente, que ao lado de Cyril Jones, convence Charlie a entrar na sua banda recém formada, o Blues Incorporated. Charlie não entendia nada de blues e muitas vezes não entendia o que Cyril estava tentando fazer com sua gaita. Seu negocio era jazz, mas como ele mesmo definiria "numa noite boa, soávamos como um cruzamento entre R & B com Mingus." Alexis e Cyril pareciam satisfeitos e ele foi ficando.
Charlie conheceu Shirley Ann Shepard, uma estudante da Royal Collage of Arts. Vez por outra ela vem assistir a banda, e acabam namorando. Mais tarde, quando Brian se juntou ao Blues Inc., ele reconhecia em Charlie um sujeito comprometido com a sua música. Apostando nesse tipo de comprometimento, Brian convida e continuamente insiste para que Charlie se junte a sua banda. Mas Charlie não se sentia seguro em colocar seu trabalho na agência de publicidade em segundo plano. Tanto que, quando o Blues Inc. passou de semi-profissional para profissional, Charlie pediu para ir embora (prontamente substituído por Ginger Baker) porque tocando em muitas datas seguidas, ele vivia cansado e isto estava atrapalhando seu trabalho formal. Mas Charlie percebia que o ramo estava mudando e rhythm & blues estava começando a tomar conta do circuito. As pessoas estavam aos poucos mais informados sobre o estilo e no fundo ele sabia que iria querer continuar a tocar com alguma banda. Se juntou a banda Blues By Six, tocando ao lado de Geoff Bradford, um dos primeiros guitarristas dos Stones. Charlie percebia que a música gerada pelos Stones era a que melhor captava o gênero.
O Lider
Bill Perks não foi imediatamente inserido nos Stones como algumas histórias contam. Na verdade, por ele ser bem mais velho, com vinte e seis anos de idade, trabalhando para sustentar sua mulher e filho, os rapazes ainda tinham suas dúvidas se um sujeito "tão velho" era a pessoa ideal. Então, em alguns shows em Dezembro, Bill não tocou, sendo mantido Ricky Brown. Dick Taylor chegou a tocar novamente com a banda quando se apresentaram em sua faculdade. Mas Bill queria participar do grupo, cativado pela música 'étnica' e pelo carisma de Brian, a quem respeitava como um músico sério, e por ter um evidente conhecimento superior sobre a música que eles estavam tocando.
Brian, que cuidava das finanças da banda, tomava para ele a maior parte do dinheiro, dizendo que era para pagar despesas. Bill, Stu e Tony faziam vistas grossas sabendo que Brian, Mick e Keith estavam mesmo passando fome. Bill e Stu, durante boa parte do inverno, passavam depois do trabalho diurno, a ir até Edith Grove para bancar uns sanduíches para os três. Muitas vezes era tudo que eles comiam naquele dia. Alem do mais, apesar de soar ideológico, o desafio maior ainda era a música e isso era um sentimento compartilhado por todos.

Mudaram o nome da banda de Rollin' Stones para Rolling Stones, como passou a ser conhecida desde então. Novamente, influenciado por Brian Jones que ainda usava o nome Elmo Lewis, Bill Perks assumiria o nome artístico de Bill Wyman e em 1964, mudaria o nome oficialmente em cartório. Depois de um ano de insistência por parte de Brian, reforçado por Stu, Charlie Watts aceita ser o baterista exclusivo dos Rolling Stones. No ensaio seguinte, dispensam Tony Chapman. Charlie Watts estreia então no dia 14 de Janeiro de 1963 num clube chamado Flamingo, em Soho.
Mudaram o nome da banda de Rollin' Stones para Rolling Stones, como passou a ser conhecida desde então. Novamente, influenciado por Brian Jones que ainda usava o nome Elmo Lewis, Bill Perks assumiria o nome artístico de Bill Wyman e em 1964, mudaria o nome oficialmente em cartório. Depois de quase um ano de insistência por parte de Brian, reforçado por Stu, Charlie Watts é aconselhado pelo amigo Alexis Korner a aceitar o convite de ser o baterista exclusivo dos Rolling Stones. No ensaio seguinte, dispensam Tony Chapman. Charlie Watts estréia então no dia 14 de Janeiro de 1963, num clube chamado Flamingo, em Soho.
Cyril Davies & The All Stars
No ano de 1963, a sorte começou a sorrir para a banda. Certa noite, abriram para The Presidentes, banda cujo cantor Glyn Johns, também trabalhava como engenheiro de som para um estúdio. Ele gostou do som dos Stones e convidou os rapazes a juntar um dinheiro e fazer uma gravação profissional. A idéia soava interessante mas só se realizou dois meses depois. Em outra ocasião abriram para Cyril Davies que havia desfeito sua sociedade com Alexis Korner em novembro de 1962, e agora tinha sua própria banda, The All Stars. Os Rolling Stones adoravam a música de Cyril Davies & The All Stars que tinha com eles Nicky Hopkins no piano, além de Carlo Little, Ricky Brown e Bernie Watson, todos ex-Savages, banda considerada pesada para a época. Somados a gaita e a voz de Cyril Davies, são durante esse período, considerados a melhor banda de blues na Inglaterra. Logo se juntaria aos All Stars, outro ex-membro do Blues Inc., o amigo Long John Baldry.


Mudando Para o Crawdaddy
Giorgio Gomelsky tomou interesse por eles e se tornou informalmente o primeiro empresário da banda. Com sua assistência passaram a tocar até quatro vezes por semana, a banda faturando até sete libras semanais cada um, metade do que Charlie fazia na agência trabalhando oito horas por dia. Giorgio deu algumas dicas sobre como trabalhar com volumes e aguardava a banda amadurecer um pouco mais, porém quando finalmente achou que estavam prontos, deu a eles todos os domingos no seu clube. Mick e Brian estavam extasiados. Há tempos conversavam sobre a necessidade de se encontrar um lugar fixo para tocar. Um lugar que o público pudesse reconhecer como reduto da banda. A casa não tinha nome mas influenciado pelo frenesi que Giorgio percebia nas pessoas ao som de "Craw-Daddy", versão dos Stones, batizou a casa de The Crawdaddy.
Se em meados de 1962 a banda, quando conseguia arrumar trabalho, tocava para até menos de dez pessoas, em Março de 1963, estava enchendo os clubes com umas 300 mulheres histéricas e homens sedentos. Foi neste estado positivo que no dia 11 de Março, todos se reuniram com Glyn Johns no IBC Recording Studio em Portland Place. Gravariam em uma máquina de dois canais, o que seria o primeiro registro dos Rolling Stones com sua formação básica. Em três horas gravaram "Road Runner" e "Diddly Daddy" de Bo Diddley, "I Want to Be Loved" de Muddy Waters, finalizando com "Honey, What's Wrong?" e "Bright Lights, Big City" de Jimmy Reed. A gravação ficou excelente e Brian Jones muitos anos depois, ainda considerava essas as melhores coisas gravadas pela banda. Mas os executivos da IBC não entendiam o que tinham nas mãos e por conseguinte não souberam vender o produto. No final, foram rotulados de "sem potencial comercial" e dispensados.
Os Beatles

Brian pediu e ganhou uma foto autografada pelos quatro que ele colocou em um lugar de destaque na casa e todos foram convidados pelo 'fab four' a assistirem a apresentação no Royal Albert Hall na quinta seguinte. Para não precisar pagar ingresso, Mick, Keith e Brian, os únicos que não tinham empregos, compareceram levando as guitarras de John, Paul e George para dentro do teatro, entrado por uma porta lateral. Neste momento, Brian é confundido com um dos Beatles por uma horda de meninas. Essa adoração seduziu os três por um desejo de sucesso que até então nunca demonstraram.
É possível que esse evento possa ter sido a centelha para uma rixa que ainda viria a aparecer na banda. Brian respeitava músicos mas não tinha maiores respeitos por vocalistas e tratava Mick como quem acredita que qualquer um pode cantar. Mas como é sempre o cara na frente quem aparece mais nas fotos, o ciúme estava se instalando. Mick por sua vez, embora soubesse chamar atenção para si, como também instintivamente manipular bem essa atenção, sabia que o grande músico da banda era Brian. E o fato inegável de a banda estar nas mãos de um cara que não tinha maiores respeitos para com o cantor, o deixava inseguro.
Não conseguindo nada com os Beatles, Giorgio resolve então filmar um curta-metragem com os Stones no Crawdaddy. Acerta com os meninos e no domingo convence um jornalista do Record Mirror chamado Peter Jones a assistir a apresentação e escrever sobre eles. Então, no dia 21 de Abril, enquanto Giorgio filmava as filas nas ruas e depois os Stones tocando "Pretty Thing" (transformando tudo posteriormente em um curta de sete minutos), Peter assiste todo o show e fica bem impressionado com o que ouviu da banda e viu do público, dançando sobre as mesas e realmente curtindo. Depois do set, conversou reservadamente com os rapazes, enquanto todos sorviam suas cervejas, e ficou espantado por eles estarem se desculpando por, na opinião da banda, uma má apresentação. Brian como sempre, falou em nome de todos, explicando sobre a música de Jimmy Reed e Muddy Waters, o que os Rolling Stones já fizeram e o que eles ainda pretendiam realizar. O artigo no jornal iria abrir outras portas e atrairia mais jovens para o subúrbio nos domingos.
Em primeiro de fevereiro, Brian havia escrito uma carta para a BBC, solicitando uma oportunidade para a emissora receber sua banda no programa "Jazz Club", que apesar do nome, recebia bandas de rhythm & blues. Brian chamou sua banda, nesta sua carta, de The Rollin' Stones Rhythm & Blues Band. Quando a BBC finalmente respondeu convidando para uma audição, a data foi marcada para o dia 23 de Abril, durante a semana, no meio do horário comercial, o que tornou impraticável para Charlie ou Bill poderem participar. Novamente, Brian procurou socorro nos All Stars, e por uma cota, Ricky Brown e Carlo Little fizeram o gig. Tocaram duas músicas, "I'm A Hog For You Baby", canção do antigo repertório dos Savages e "I'm Moving On". Foram gravados e depois ouvidos por um certo David Dore, gerente de programação da rádio, que dispensou a banda por ter um vocalista que cantava soando como um negro.
Os Rolling Stones Atraem Seu Público

Brian conhece Linda Lawrence, uma menina de dezesseis anos, e começam a namorar. Como por um sexto sentido, dias depois, sem aviso prévio, do nada aparece Pat Andrews novamente, com Julian a tiracolo. Ela informa a Brian que se mudou de vez para Londres, trabalhando em uma farmácia, e alugara um apartamento pequeno em Notting Hill Gate. Voltam a ficar juntos, Brian apegando-se a seu filho. Se no primeiro domingo no Crawdaddy, dia 24 de Fevereiro, tocaram para trinta e duas pessoas, a cada domingo os números dobravam. Logo havia fila nas ruas para entrar e vê-los.
Jovens aspirantes de músicos começavam a freqüentar e estudar a banda. Paul Samuel-Smith era um que passou a assistir todos os shows e vivia atrás de Wyman pedindo dicas. Mais tarde ele ajudaria a fundar The Yardbirds. Ron Wood, que já freqüentava os shows do Blues Incorporated para assistir seu irmão Art, assistiu os Stones, que abriam para eles. Wood torna-se agora outro que vez por outra estava em Richmond para assistir à banda, trazendo consigo vários amigos. Eric Clapton também começou a aparecer regularmente nas terças quando a banda tocava no Ealing Club e a casa ficava menos cheia. Ele tocava e cantava "Roll Over Beethovan" com os rapazes; Mick e Eric tornando-se grandes amigos. Os Stones começavam também a atrair pessoas do jet-set londrino como Jean Shrimpton, uma top model famosa da cidade. Sua irmã Chrissie, de 17 anos faz uma aposta com as amigas que conseguiria arrancar um beijo do Jagger. Logo estavam namorando.
Andrew Loog Oldham

Ficaram muito impressionados, especialmente Oldham, que resumiria o primeiro impacto como sendo: "uma mistura de musicalidade e sex-appeal que eu nunca vi em nenhum outro grupo". Easton comentaria posteriormente: "De vez em quando alguém saía do salão para poder respirar. Foi o primeiro banho turco gratuito que eu tomei na vida. Nunca presenciei coisa igual e os Stones estavam adorando tudo, produzindo um som fantástico que obviamente batia em cheio com o seu público." Procuraram Mick e Brian após o show e marcaram uma reunião no escritório para o dia seguinte.
Stu, Wyman e Watts trabalhavam durante o dia e não puderam comparecer, Jagger tinha aula e Richards não tinha interesse. Brian Jones chegou então no escritório de Easton sozinho na hora marcada e este logo explicou que não poderia fazer nenhuma promessa. Andrew então calmamente conta uma historia, que quando ele estava em Doncaster, assistiu os Beatles pela primeira vez. Eram a oitava atração da noite, atrás de gente como Helen Shapiro e Tommy Roe. Bastou ouvi-los aquela noite, para saber que eles iriam ser a maior coisa que já se tinha notícia. Sua intuição lhe dizia que uma vez grandes, haveria todo um outro público querendo ouvir o oposto do que os Beatles representavam. Depois de trabalhar com Epstein e os Beatles, isso ficou mais claro ainda na sua mente. Andrew então dá a facada final, dizendo que ele achava que os Stones poderia ser essa banda e que ele saberia vendê-los como tal. A noite em Edith Grove, Brian explica todos os detalhes da conversa para o restante da banda, que naturalmente são tomados por muito entusiasmo com a promessa de melhores dias.
Assinando os Papéis
Brian voltaria ao escritório de Easton nos próximos dias para discutir detalhes sobre a proposta contratual, mas não antes de sondar informações sobre trabalhos anteriores, tanto de Easton como de Oldham. Já a dupla Oldham e Easton, estudava como fazer uma gravadora grande entender o som que estavam querendo. Concluem que seria difícil e cansativo, portanto a contraproposta seria a banda, Andrew e Eric, gravarem e produzirem tudo eles mesmos e então vender o produto final para a gravadora. Assim eles teriam um maior controle de todo o processo e teriam uma porcentagem bem maior do que sendo simplesmente mais uma banda na cartela de uma gravadora. Uma concepção completamente nova na Inglaterra mas que gente como Phil Spector e alguns outros já faziam com sucesso nos Estados Unidos. Assim, fundaram a Impact Sound, a primeira gravadora independente da Inglaterra.
No dia 1º de Maio de 1963, depois de discutir algumas horas com Eric e Andrew sobre minúcias, Brian leva o contrato para uma casa de chá na esquina oposta do escritório onde Mick e Keith aguardam ansiosamente. Depois do acordo coletivo entre eles, Brian volta e assina. O contrato tem a duração de três anos a começar pelo dia 6 de Maio de 1963, e prevê o gerenciamento dos Rolling Stones representado por Brian Jones, pela Impact Sound representado por Andrew Oldham e Eric Easton. Os Stones tinham agora um novo empresário e um agente.
A Decca e em especial Dick Rowe, tinham virado a piada do ano por ter recusado os Beatles em 1962, e estavam desesperados atrás de uma banda que devolvesse a moral e o respeito à gravadora. George Harrison encontrou com Rowe em Liverpool em certa ocasião e sugeriu que ele fosse a Richmond assistir os Rolling Stones. "Seria uma boa idéia contratá-los" disse-lhe George. Rowe foi, assistindo à apresentação do dia 6 de Maio. Oldham e Easton, aproveitando-se desse momento de fragilidade em que se encontravam Rowe e a gravadora, fechou um contrato em que as gravações seriam licenciadas à Decca, porém a banda não só teria total controle sobre o que seria lançado, como continuariam sendo os donos das fitas masters. Vendo a EMI dominar as paradas de sucesso, com os Beatles vendendo discos em quantidades inacreditáveis, a Decca, e principalmente Dick Rowe, não poderiam arriscar perder outra banda tão promissora, e aceitou este contrato incomum.
Andrew Cria a Imagem Ideal

Brian foi então chamado para assinar outro contrato. Três dias depois do contrato de gerenciamento entre as partes entrar em vigor, lhe é apresentado um contrato para as gravações. Nesse contrato, que também duraria três anos, os Rolling Stones receberiam 6% para serem divididos entre os cinco, o que já excluía Stu como membro. Existe também, um contrato de licenciamento das gravações, entre a Impact Sounds e a Decca, oferecendo a esta a primeira opção. Giorgio Gomelsky, que tinha um acordo verbal com os Stones, estava viajando por conta de um parente doente. Quando volta e percebe o que os Stones fizeram, logicamente se sente traído, principalmente por Brian. Porém seu tino comercial falaria mais alto, e Gomelsky ainda iria arrumar vários shows para os Rolling Stones tocarem, vários em que o resultado acabou sendo significativo na história da banda.
Hora de Estúdio

Para promovê-lo foram fazer sua primeira aparição na TV no programa Thanks Your Lucky Stars. Na manhã da apresentação, todos foram com Andrew comprar suas roupas de palco, que incluiriam calças jeans pretas apertadas e uma sweater de gola rolê. Para os pés, vestiram o que ficou conhecido mundialmente como botas beatles. Mick, Keith e Brian odiaram a idéia de uniformização e usaram uma jaqueta por cima da roupa para manter o ar de "casual". Só as botas fizeram algum sucesso, especialmente com Keith e Brian. Mick, o mais alto entre eles, recusou usá-las, continuando a calçar salto baixo. A banda em playback, faziam a mímica para a canção "Come On" para o programa e ao saírem, Andrew fala sobre excursionar com os Everly Brothers no outono.
No dia seguinte, o resultante da estreia televisiva foi muita promoção ruim, falando demasiadamente mal dos cabelos terrivelmente longos, dos trejeitos bissexuais de Jagger, da atitude excessivamente agressiva de Brian no palco e muito pouco sobre a música. Basicamente queixavam que os Rolling Stones haviam passado consideravelmente dos limites instaurados pelos Beatles. Iniciou-se assim a rixa entre os fãs, fomentada pela imprensa, entre os Beatles, os meninos que encantaram a nação, e os Rolling Stones, os rapazes prontos a dar um chute nela.

Pat e Julian, então com dois anos, aparecem no backstage em uma das apresentações da banda e Brian não resiste em ficar brincando com seu filho, apresentando-o a todos. Ele é chamado atenção severamente por Andrew, que acusa sua atitude de ferir a imagem de um roqueiro durão. Ele não poderia mais divulgar que era um pai. Tinha que se mostrar "disponível" para as fãs. Esta era a imagem! Brian mesmo a contragosto, obedece.
Embora ficassem atordoados com as coisas ruins que liam, Andrew adorou a controvérsia e fez questão de dar mais gás para o assunto. Sua lógica era de que controvérsia vendia jornais e os jornais venderiam os Stones, portanto quanto mais controvérsia gerassem para os adultos, mais os seus filhos iriam adorá-los. Andrew instruiu a banda, principalmente Brian e Mick, os homens de frente, a não serem corteses com os jornalistas e a jogada promocional se mostrou extremamente funcional.

Jogando Com a Publicidade
São os primeiros a abandonar os terninhos para as apresentações, tradição tão enraizada no "business" nos dois lados do Atlântico, que deixou até Andrew preocupado se seria boa idéia ou não quebrar. Mas a jogada promocional mais famosa foi um artigo intitulado "Você Deixaria Sua Filha Casar Com Um Rolling Stone?" que serviu para reforçar a imagem de uma banda com membros rebeldes e perigosos, deixando apavorados os pais de todo o Reino Unido. Esse artigo os promoveria para a categoria de 'oficialmente' perigosos e ajudaria a inflar o chamado 'generation gap' (vácuo entre gerações) que separava o gosto dos jovens do gosto dos seus pais. Oldham diria que "os Beatles fazem músicas que até adultos gostam" como que para acirrar ainda mais a rixa que foi rapidamente assimilada pela imprensa e os fãs. De fato, se a estratégia dos Beatles era de serem encantadores, a dos Rolling Stones era a de serem vistos como repulsivos. Quanto mais a geração adulta falava mal dos Stones, mais ajudavam sua popularidade perante os jovens.
As coisas começam a acontecer rapidamente para a banda, uma atrás da outra. Sessões de fotos para publicidade, organização de um fã clube oficial e muitas apresentações ao vivo. Com a banda abandonando a idéia de qualquer tipo de uniformização, Oldham descobre que Brian, Keith e Mick não são facilmente controláveis. A essa altura, estão tocando praticamente toda noite indo de um lado a outra no van do Stu. Começaram a se apresentar cada vez mais fora de Londres em salões maiores onde vez por outra começavam brigas por causa dos cabelos compridos.


Um dos mais significativos shows que fizeram foi no Richmond Jazz Festival. A rixa entre o pessoal elitista do jazz contra o pessoal do rock ainda existia mas mesmo assim Giorgio Gomelsky conseguiria colocá-los entre as atrações. Uma banda de rhythm & blues tocando em um festival exclusivamente dedicado ao jazz foi em si, uma quebra de tradição. Porém no dia 11 de Agosto, ao abrir os portões, haviam 1.500 pessoas só para ver os Stones. Os organizadores do festival tiveram que relocar a banda para a tenda principal, impressionados com a recepção que receberam. A partir desta, as bandas de rhythm & blues passam a ter mais acesso a festivais como este e a organização muda até o nome do evento para The Richmond Jazz And Blues Festival, mostrando assim, a nova mentalidade.
Easton Cuida Das Financias
Com tantas apresentações e viagens para lhe manter ocupado, Easton tira das mãos de Brian toda a parte financeira e o dinheiro passa a somar uma média de £193 para cada um, por semana. Uma soma muito maior que um emprego ortodoxo, como por exemplo um operário, traria para casa. Mais tarde descobriu-se que Brian teria um acordo secreto com Easton de receber mais £5 pelo fato de ser o líder do grupo. Existem relatos de Brian exigindo os melhores quartos em hotéis, especificamente melhores do que o do resto da banda, para marcar o fato que ele é o líder. Outras historias contam que em uma conversa reservada com Easton, ele comentaria que a voz do Jagger era fraca e que não haveria problemas se a direção (Easton e Oldham) quisesse substitui-lo. Essas e outras atitudes mais arrogantes, típicas ilusões de grandeza, o distanciaria dos demais e seu respeito dentro da banda como líder começava a extinguir.

Passados alguns dias, a banda grava no Hampstead Studio, "Fortune Teller" e "Poison Ivy" para o segundo compacto. Todos ficaram bastante satisfeitos desta vez, embora permanecera uma dúvida se essa seria mesmo a melhor música para deslanchar de vez a banda nas paradas. A Decca entrou em produção e a uma semana da data de lançamento, a banda decidiu segurar o compacto em prol de outro. Apenas não sabiam ainda qual.

Em Setembro pediram as chaves do apartamento em Edith Grove. Brian então foi morar com Linda Lawrence na casa dos pais dela em Windsor. Keith e Mick passaram a morar juntos na Mapesbury Road em Hampstead. Pouco depois Andrew se mudou para lá. Quando Chrissy Shrimpton fez 18 anos, passou a trabalhar como secretaria na Decca e também foi morar em Hampstead com Mick. Essas mudanças de endereços teriam maiores repercussões dentro da estrutura da banda no futuro.
O Proximo Compacto
Decca exerce pressão exigindo material para o novo compacto, mas os rapazes não conseguiam escolher uma canção adequada dentro das várias do repertório. Foi quando por um acaso, Andrew descendo a Jermyn Street a pé, vê um taxi encostando. "Olá Andrew; entre." Era Paul McCartney acompanhado de John Lennon que vinham de um outro compromisso. Como já se conheciam dos tempos em que Andrew trabalhava para Brian Epstein, ele foi logo contando a situação delicada em que os Stones se encontravam em relação ao seu próximo lançamento fonográfico. Paul então oferece "I Wanna Be Your Man" que ele havia começado a escrever pensando em um número para seu baterista Ringo Starr cantar. O taxi então desvia para o Studio 51, onde a banda ensaiava e prontamente ofereceram a canção. "A letra só tem o refrão" disse John, "mas se vocês gostarem da música, terminamos ela agora mesmo". Com John na guitarra e Paul, usando o baixo do Wyman, ensinam a música e cantam o refrão. Sendo canhoto, Paul teve que tocar o instrumento ao contrario, exercendo a difícil tarefa com perfeição, para o espanto de Wyman. Após ouvirem a canção, Brian diz que gostou e então todos concordaram que era uma ótima canção. John e Paul foram então para uma sala ao lado para terminá-la e cinco minutos depois estavam de volta. "Esqueceram algo?" perguntou Bill, "Querem um violão para ajudar?" "Não, está pronta."

A Primeira Excursão
Embarcaram então para uma grande excursão abrindo para Bo Diddley e The Everly Brothers. Mas antes da excursão começar, Bo Diddley teve uma apresentação na rádio BBC, no programa "Saturday Club" com Charlie, Bill e Brian tocando como sua banda. Bo e os rapazes se deram muito bem e o som agradou tanto que um convite para excursionar a Europa como sua banda de apoio teve que ser gentilmente recusado. Mas o convite em si serviu para afagar os egos dos três. Stu compra uma van nova, tipo Kombi especialmente para estrear a excursão. Perto da metade da tour, Little Richard se juntou à troupe, reerguendo sua carreira mais uma vez. Durante o evento, os Stones ficavam assistindo nas coxias às apresentações de Diddley e Richard e procuraram aprender. Toda a excursão foi um grande aprendizado para a banda e preparou-os para o que viria a ser a rotina de seu futuro. Bo Diddley também gostou de assistir o show dos Stones e quando perguntaram o que ele achou da banda, Bo como sempre, foi claro "Esse Brian Jones toca muito bem slide guitar. Ele não está de brincadeira e é ele quem puxa sua banda para cima. É a única pessoa que conheço que consegue tirar o meu som direito."

A era das groupies começava a aparecer, com os rapazes dormindo com uma menina nova a cada noite. Brian como sempre, um faminto sexual, trouxe até uma menina com ele na van, trepando com ela sentado entre os rapazes, durante o caminho da volta para casa. Morando na casa dos país de Linda Lawrence, sua atual namorada, simplesmente abandonou a menina com Bill, Charlie e Stu na van. Ela sem dinheiro, acabou hospede da família Wyman aquela noite e Diana, esposa do Bill, teve que engolir as explicações e juras de inocência do marido.
I Wanna Be Your Man/Stoned foi lançado em novembro de 1963, na semana em que os Beatles tocariam para a rainha; outra ótima jogada de marketing para o compacto e mais um acerto calculado previamente por Andrew. Muita gente comprou por se tratar de uma música da dupla Lennon-McCartney. A imprensa especializada, que falou muito bem do compacto, ficou satisfeita que os Stones finalmente lançassem algo mais perto do seu som ao vivo. Outros criticaram o acabamento da gravação, queixando que as guitarras acabaram mixadas mais alto do que as vozes. Mas no geral, a impressão da maioria é favorável aos Stones.
Andrew apresentaria Mick e Keith a Gene Pitney, um cantor e compositor americano radicado na Inglaterra, cuja carreira Oldham pretendia cuidar. Os três fizeram uma certa amizade e mostraram sua primeira composição como dupla: "My Only Girl". Gene quis gravá-la mudando antes a estrutura para uma balada, mais ao seu estilo. Depois, ao lado de Jagger & Richards, alterou a letra que passou a se chamar "That Girl Belongs To Yesterday". Seriam estes os primeiros passos, para a longa carreira de compositores que a dupla passaria a ter.
Andrew e Sua Liderança
A mudança de Andrew Oldham para Mapesbury Road não é por acaso e sua repercussão mudaria muita coisa dentro da historia da banda. Além da velada paixão platônica que Andrew tinha por Mick, existia na mudança um envolvimento relacionado a negócios e dinheiro. Andrew tinha a necessidade de ter controle sobre seus artistas e Brian, Keith e Mick morando juntos, eram demasiadamente unidos. Com a saída de Brian da casa, Andrew entrou e investiu em duas frentes. Primeiro, convencendo Mick e Keith a escreverem suas próprias canções, conscientizando os dois que a suas carreiras não teriam longevidade se ficassem só trabalhando com canções obscuras. Afinal, quantas canções obscuras existem para serem descobertas? A atitude de Jagger sempre foi a de que um inglês não pode escrever rhythm & blues sem parecer falso, porque se trata de uma música essencialmente negra e americana, duas coisas que eles não são. Alem do mais, eles são interpretes e não compositores. Depois de ver quão fácil John Lennon e Paul McCartney escreviam suas canções, suas convicções começaram a minguar. A atitude de Keith foi mais nos moldes de "já que é assim, vamos escrever como um duo e rachar a grana dos direitos autorais." Andrew certa vez, literalmente trancou os dois dentro da cozinha só permitindo que saíssem quando tivessem uma canção apresentável. Saíram de lá com "My Only Girl".

Os Rolling Stones foi uma das bandas que mais se apresentaram ao vivo em 1963. Se individualmente seus membros tinham pouco em comum, viajar e tocar extensivamente em excursões uniu todos. Ao final do ano, já estava ficando difícil andarem livremente pela cidade sem ser incomodados por fãs pedindo autógrafos. Em pelo menos duas apresentações de fim de ano, a banda que abre para eles era The Detours que tinha em seu guitarrista, um nome que ainda viria a ser conhecido, Pete Townshend. É em uma dessas apresentações que Pete assiste Keith Richards girar o braço em 360º ao tocar, ainda esquentando, backstage. Acha incrivelmente interessante e em tempo passa a imita-lo, iniciando assim um estilo para sempre ligado a sua imagem. Anos depois Pete descobre através do próprio Keith que este sequer recorda de ter feito o chamado "estilo hélice" alguma vez. Quanto ao primeiro natal depois de se tornarem um sucesso, Keith com muita satisfação comenta, "Neste natal, sou eu quem vai distribuir os presentes lá em casa." Linda Lawrence descobre que está gravida e Brian novamente vai ser pai. Tentam um aborto mas o médico se recusa a fazer a operação.
Stonemania

O ano de 1964 não altera a rotina de shows, shows e mais shows. Diferente do ano anterior, a banda já está mais ambientada no estúdio e com o processo de gravação. A cada nova canção da dupla Jagger-Richards que é registrado e recebe elogios, pior fica o complexo de inferioridade de Brian. Os únicos a serem incentivados a compor eram Mick e Keith. De inicio, Brian ainda se aventurou a mostrar um poema aos dois, sendo recebido com um "Você não sabe escrever Brian!" Sem aprovação ou incentivo de ninguém da banda, Brian timidamente se cala e guarda sua poesia para si e para sua namorada. Linda, sendo uma das poucas pessoas a ler ou ouvir alguma coisa composta por Brian, descreve suas letras como espiritualmente românticas, falando do seus sentimentos.
É lançado Not Fade Away/Little By Little, clássico de Buddy Holly que recria uma versão branca do ritmo de Bo Diddley. A versão dos Stones, bem mais negra, se torna o primeiro compacto da banda na América. Cria-se um interesse no público americano em conhecer os Stones, e a canção vai direto a No. 3 no Reino Unido, o primeiro compacto dos Stones a ir tão longe, tão rápido. Este fato faz a diretoria da Decca solicitar um LP. Paralelamente iniciam-se conversações para a primeira excursão americana. A cada show, as loucuras do público pioram e cada vez mais policiais em maior quantidade são exigidos.

Ao final do ano de 1963, Mick já tinha amadurecido todo seu estilo particular de se apresentar, deixando para trás aquele menino que só sabia sacudir a cabeça. Todo o sua espressão corporal canta com ele agora, e a reação do público, tanto feminino como em alguns casos, masculino, estão receptíveis para sua performance. Certa noite, ao iniciar "Not Fade Away", antes mesmo que Jagger começasse a cantar, a histeria foi tão grande que as meninas avançaram sobre o palco, todas ao mesmo tempo. Os rapazes largaram seus instrumentos e correram como se temendo pela vida. Charlie e Brian tiveram suas roupas rasgadas, Keith e Mick correndo mais rápido escapuliram ilesos. Stu ficou para trás aguardando uma oportunidade para recolher o equipamento.
Divisões e Exigências
Mick e Keith não viajam mais na van com o resto da banda. Vão geralmente ou no carro de Andrew ou no de Mick, uma vez que Keith não dirigia. Na van estão sempre Stu e Bill; Brian ocasionalmente indo no seu carro e dando carona a Charlie. Mick tornava-se cada vez mais comprometido com manter a imagem de mau da banda para a imprensa. Passou a exigir que Charlie deixasse os cabelos crescerem ainda mais, pois sua imagem mais parecia de um jazzista respeitável, como também exigiu que ele adiasse o seu casamento com Shirley, sua noiva. Nada para Mick era mais importante do que a carreira dos Rolling Stones. Charlie e Shirley acabaram casando sem que Mick e Andrew soubessem.

Marianne Faithful
Marianne Evelyn Faithful, nascida dia 29 de Dezembro 1946, aos 17 anos, era o típico exemplo de menina que para o trânsito quando passa. Ela conta que descende da aristocracia, uma vez que aparentemente sua mãe era uma baronesa na Áustria. Supostamente perderam o titulo e a fortuna durante a guerra e Marianne passou quase sua infância inteira longe dos pais, morando em uma escola dirigida por freiras chamada St. Joseph's Convent School. Na festa conversou com todos mas estava entediada com a conversa. Ela sonhava com gente de classe como seu namorado intelectual, não um bando de músicos agredindo a sociedade com seus cabelos compridos. Mick a desejava e encontrou dificuldades de esconder isso de Chrissy, presente ao seu lado.

Jagger escreveu "As Tears Go By" inspirado na sua beleza e não só ofereceu a canção para ela cantar, mas fez questão de assistir e participar de todo o processo da gravação. Marianne estava visivelmente desconfortável com a situação de ter Mick, Keith e Brian alternadamente dando convites indiretos para ela ir dormir com um deles. Dos três, o único que provocou seu libido foi Brian Jones, mas ela era apaixonada por John Dunbar e pouco depois da canção estourar nas rádios ela engravidou e casou. Sua gravidez não atrapalhou sua carreira mas as viagens para promover seus discos, aos poucos minavam seu casamento.
O Primeiro Álbum
Jagger compôs "Little By Little" em parceria com Phil Spector, que Andrew trouxe para conhecer e ajudar a produzir o primeiro álbum da banda. O disco, intitulado simplesmente de The Rolling Stones, encontrou as lojas em Abril e incluía basicamente covers de suas músicas favoritas. O compacto Not Fade Away/Little By Little que começou em terceiro lugar nas paradas inglesas em Fevereiro, chega a primeiro em Abril. Spector adorou a música dos Stones e excitou todos a irem tocar na América. "Eles vão adorar sua imagem de cabeludos." Bob Dylan após a sua excursão à Inglaterra também voltou pra casa alertando todos sobre quão bom e excitante eram esses Rolling Stones.

Jagger compôs "Little By Little" em parceria com Phil Spector, que Andrew trouxe para conhecer e ajudar a produzir o primeiro álbum da banda. Gravado em mono, usando uma maquina Revox de dois canais, dentro de um pequeno estúdio, tendo estojos de ovos feitos de papelão coladas nas paredes servindo como isolante acústico. O disco é uma boa amostra da capacidade real da banda, com as músicas gravadas em um take praticamente sem overdub.
Entitulado simplesmente The Rolling Stones, encontrou as lojas a partir de 17 de Março e incluía basicamente covers de suas músicas favoritas. O álbum foi para No.1 com apenas duas semanas, empurrando o álbum 'With The Beatles' para segundo lugar. É o primeiro disco a ser lançado, cuja capa não contém nenhum texto ou mínima referência ao nome da banda. Somente na contra capa há texto, inclusive a frase cunhada pelo Andrew, "Rolling Stones não é apenas um grupo, é um modo de vida." Pelo interesse mostrado por jornais não especializados em música, os cinco Stones começavam a perceber o marco que estavam cravando.

Brian foi de carro para a Escócia passar alguns dias. Ele se mudou definitivamente da casa dos pais de Linda em Windsor passando a morar em Belgravia, na Chester Street ao lado da aristocrática residência de Lady Dartmouth. Brian descobrira no mês anterior que outra namorada sua, Dawn Malloy, com quem ele vem saindo ocasionalmente desde o inicio do ano, está gravida e portanto, ele será pai mais uma vez. O caso entre os dois praticamente acabaria com a gravidez e embora ele deixasse a casa de Linda Lawrence, que também estava grávida de seu filho, eles ainda voltariam a namorar. Linda aliás ficaria com Brian pelo resto da vida se pudesse escolher, mas Brian não contribui, nunca assumindo totalmente suas responsabilidades, nem como marido, nem como pai.
Celebridades

No dia 6 de Maio em Eel Pie Island, era a vez de Ian Stewart e Bill Wyman serem convidados a tocar ao lado de Jimmy Page e Jeff Beck, sem aviso prévio, para a alegria daqueles que por acaso apareceram no bar naquela noite.
Quando é descoberto que um dos Beatles é casado e pai de um menino, os jornais voltam a falar só dos Beatles. De repente se "descobre" que os Stones também tem um membro casado e com um filho, Andrew novamente arrumando uma maneira de manter sua banda em equivalência com o Fab Four. Como diria Wyman anos depois, "Segredo? Minha vizinhança toda sabia." Nesta época Keith conhece e começa a namorar a modelo inglesa, Linda Keith.
Os Stones e a Imprensa
Uma das maiores diferenças entre a forma de trabalhar de Andrew Oldham e de Brian Epstein, empresário dos Beatles, é que, alvejando mesmo incomodar a geração mais velha, os Stones têm toda a liberdade para falar do assunto que lhes convém, da forma que convier. Esta liberdade funciona favorável para a imagem dos Stones como uma banda audaciosa e para Mick Jagger em particular como representante de sua geração perante a mídia. Sempre meticuloso para nunca fazer uma afirmação comparando os Stones diretamente aos Beatles, apesar de ser constantemente instigado pela imprensa a fazê-lo, Jagger e os demais não se esquivam de protestar contra a política bélica internacional ou a política conservadora inglesa, vista agora como retrograda e ineficaz neste novos tempos.

"Eu apostei em sacrificar os estudos na faculdade pelo rhythm & blues e saí no lucro." Bill comentando sobre sua vida agora, diz: "Nós tínhamos um cachorro mas como eu vivia viajando, o cão me mordia sempre que eu voltava pra casa." E sobre os shows, em tom mais sério, "A gritaria e os desmaios fazem parte do espetáculo mas todos nos preferíamos que as pessoas prestassem atenção na música." Mick, novamente exercendo influência na opinião de sua geração, ao se referir a um incidente onde um restaurante situado dentro do hotel em que estavam hospedados, recusara a entrada da banda por não portarem gravatas, explicou: "Eu não vou me vestir em suas roupas só para poder comer no meu hotel. Eu me visto assim e pronto."
Reações Variadas

Jagger não permitia a ida das namoradas nas excursões, tendo discursado intensamente sobre o assunto com Chrissie, Charlie e Shirley, dias antes. Mas ao se despedir no aeroporto, perceberam que Keith havia trazido a sua namorada Linda Keith para dentro do avião e Mick não teve coragem para enfrentá-lo e obrigá-la a voltar. Chrissie, que viu Linda embarcar, discute escandalosamente com Mick, deixando-o embaraçado publicamente. Mick odeia explosões de emoção, principalmente em público.
Uma vez em Montreux, os cabelos compridos faziam as pessoas nas ruas pararem para olhar e nem o público adolescente local sabia como reagir. Em uma terra onde a dança era organizada em fileiras, até os dançarinos de rock 'n' roll do programa causavam espanto. Charlie passou a beber excessivamente. Sua instabilidade é fruto de sua tentativa de levantar coragem para enfrentar Mick e Andrew, avisando que ele já estava casado e que doravante queria Shirley, sua esposa, acompanhando-o nas viagens. Charlie receava ser despedido.
Acabou doente, permanecendo na Suíça por mais um dia, sem condições para viajar com os rapazes de volta. A banda segue continuamente, encontrando um público estimado em mil e quinhentas pessoas por apresentação. Na festa da NME no final de Abril, pela primeira e única vez, os Beatles e os Stones se apresentam no mesmo evento. Entre as várias atrações da noite também estão incluídos The Swinging Blue Jeans, Dave Clark Five, Joe Brown & the Bruvvers, Big Dee Irwin, the Shadows, Cliff Richard, Manfred Mann, Brian Poole & the Tremeloes, Billy J. Kramer & the Dakotas, Gerry & the Pacemakers, the Searchres, the Merseybeats, além das presenças de Murray the K (que gravou as apresentações) e Roger Moore como mestre de cerimônias.
A recepção calorosa do público somados à excelente apresentação dos Rolling Stones, deixam os Beatles preocupados. É claro que ao fechar a noite, os Beatles também dão um show extraordinário e as duas bandas se parabenizam nos bastidores. Em Birkenhead, a banda descobre que um acidente de carro feriu dois fãs severamente. A banda comovida passa antes no hospital para visitá-los. Na volta, Mick Jagger é novamente multado por velocidade acima do permitido e com o seguro do veículo já expirado. Por ser sua terceira infração, ele terá que ir a corte para não perder sua carteira. No final do show, o público invadiu o palco e na confusão que se seguiu, Jagger torce o tornozelo. Na Escócia a loucura e pandemônio fora tanto que a prefeitura da cidade de Hamilton aboliu shows de rock 'n' roll na cidade. A caminho da América, os jornais americanos anunciavam: "Se vocês acharam os Beatles estranhos, esperem até ver os Rolling Stones, a nova sensação da Grã Bretanha."
Dentro da banda, havia a sensação de que eles haviam conquistado um espaço e um orgulho por terem aberto portas com sua música, para pessoas como Muddy Waters, Howlin' Wolf, Bo Diddley e John Lee Hooker, que dificilmente teriam o renome que passaram a desfrutar, não fosse a popularidade dos Rolling Stones. Ao chegar na América, os rapazes acreditavam que seria mais fácil tocar para um público que entendia a música que eles tocavam. No aeroporto JFK em Nova York, umas quinhentas meninas gritavam pela presença da banda. Houve uma rápida conferência com a imprensa e cinco limousines, uma para cada Stone, levaram os rapazes até o Astor Hotel em Times Square. Lá, com apenas quatro policiais guardando a entrada, o local se tornou instantaneamente um manicômio.

A Primeira Excursão Americana
Os detalhes ocorridos nestas excursões, são narrados aqui com intuito de exemplificar a rotina desgastante que a banda era obrigada a manter. Sim porque diferente de hoje em dia, tudo era novidade. Novidade para o público, os estabelecimentos, e para os artistas. Afinal, bandas inglesas tendo um mercado nos Estados Unidos nunca acontecera antes. Nem os Beatles vieram ainda à América, excursionar de costa a costa. Eles só iriam chegar para a sua excursão dentro de dois meses.
A estada da banda em Nova York incluiu apenas entrevistas para rádio e imprensa. Somente à noite puderam curtir um pouco o circuito de clubes, onde dançaram e socializaram com algumas pessoas.
Mas foi durante uma destas entrevistas para rádio, que o DJ Murray The K toca uma canção de Bobby Womack, "It's All Over Now" e sugere aos rapazes, que eles poderiam fazer uma boa versão dela. De fato, mais tarde no ano, a versão dos Stones da canção se tornaria seu primeiro No.1 na América. Ficaram em NYC por três dias, seguindo então, diretamente para Los Angeles. Ed Sullivan havia se recusado a apresentá-los para seu público essencialmente familiar, então ficou para o programa Hollywood Palace, a estréia da banda na TV americana.
Típico programa de variedades, seu apresentador, Dean Martin, famoso cantor e comediante, passou o programa fazendo piadinhas e ridicularizando a banda, o que foi por um lado um tremendo choque para os rapazes mas pou um outro lado, fez com que os Stones tocassem com um fervor impressionante. Mick, Keith e Brian demonstraram tremenda musicalidade neste dia, vinda da pura fúria de quem quer provar alguma coisa. Tocaram no programa "Not Fade Away", "I Just Want To Make Love To You" e "Tell Me". Nas coxias, o clima fora igualmente agressivo, com o produtor do programa exigindo que a banda colocasse um uniforme e Bob Bonis, responsável pela banda durante sua excursão americana, garantindo que os Stones não usam uniformes. Keith cansando dos insultos constantes estava pronto para bater em Dean Martin. À noite, Brian Jones conhece e acaba dormindo com uma das filhas de Dean.
Depois foram tocar em San Bernardino, perto de Los Angeles, para um público de 4.400 pessoas aos berros. Parecia Beatlemania sendo que as meninas conseguiam passar pela polícia e invadir o palco. Keith tocava guitarra com uma menina pendurada no pescoço enquanto a polícia tentava tirar outra que se agarrava na cintura de Mick. O show foi um sucesso e a saída foi uma guerra entre 2.000 meninas e a polícia para evitar que cerquem o ônibus da banda. Sucesso estava na mente de todo o grupo, porém a realidade chegou quando a banda viajou país adentro. Em San Antonio, Texas, o próximo show da excursão, a banda abre para Bobby Vee, grande teen idol americano. O público, uma mistura de cowboys e criançada, ignora a banda, tratando os Stones como aberrações. Mas a banda impressiona o saxofonista da banda de Bobby Vee que na década seguinte, iria ajudar a banda a reconquistar o mundo. Seu nome? Bobby Keys.
Casas que comportavam 15.000 pessoas recebiam 650 dos quais 50 eram do policiamento. Em Nebraska, um guarda entrou no vestiário dos Stones antes de uma apresentação. "O que é isso que você está bebendo?" ele logo foi perguntando a Keith. De brincadeira ou sarcasmo, foi respondido whiskey com Coca-cola sendo imediatamente reprimido pelo oficial pois, beber álcool em locais públicos é proibido por lei. Quando Keith tentou mostrar que era brincadeira e ele sorvia apenas refrigerante, o guarda puxou sua arma e apontou para a cabeça de um Keith assustado e perplexo. O líquido foi imediatamente entornado na pia do local.
O Blues da América
Em Chicago, vão para o famoso Chess Studios e gravam pela primeira vez em um estúdio de quatro canais. A banda estava na lua de tão felizes por estarem lá e o engenheiro de som Ron Malo, soube tirar melhor e mais rapidamente do que qualquer engenheiro de som inglês, o som americano que os Stones sempre queriam em seus discos. O resultado foi que em quatro horas, os Rolling Stones estavam com quatro canções prontas e mixadas: "It's All Over Now", "I Can't Be Satisfied", "Time Is On My Side" e um jam batizado de Stewed and Keefed". Durante a sessão conhecem Buddy Guy e Willie Dixon para a alegria dos seis. Voltando para o estúdio mais tarde, para o horror de todos, encontram Muddy Waters trabalhando como assistente de estúdio, levando os equipamentos da banda para dentro. Na parte da manhã, Waters estava pintando o teto de outra sala do local. Os seis meninos não sabiam nada da realidade atrás do blues que eles tanto amavam. A realidade de ser negro na América.
O Movimento Dos Direitos Civis
Em junho, quando os Stones chegaram na América, segregação ainda era legal no país. Havia um movimento contra a segregação que foi chamado de O Movimento Dos Direitos Civis (The Civil Rights Movement), e embora o negro tivesse a proteção legal para direitos iguais desde 1868, três anos depois de libertados da escravidão, na prática, a lei não excluía a segregação. Ela permitia apenas que existisse um equivalente para negros das mesmas facilidades que o homem branco dispunha. Assim, se existia o bebedouro público, então passou a existir o bebedouro público para o negro. Havia o parque público, e o local destinado para os negros. O homem negro tinha o direito de procurar um emprego na área que ele desejasse, mas ninguém era obrigado a contratá-lo, nunca dando oportunidades para que ele pudesse se mostrar capaz. Enfim, durante a primeira metade do século XX, ao homem negro urbano eram oferecidos basicamente trabalhos secundários desde varrer e limpar, até servir e receber ordens. As únicas profissões em que o homem negro podia galgar alguma notoriedade ocorriam no esporte, mais especificamente no boxe, ou na música, mais especificamente em jazz e ragtime. Outras profissões eram praticamente fechadas para um homem de cor.
No esporte, embora Jesse Owens, um americano negro, houvesse ganho uma medalha de ouro nas Olimpíadas da Alemanha, a última antes da Segunda Guerra Mundial, o atletismo continuava sendo um esporte amador. Passariam a haver ligas negras no baseball, todas amadoras e com seus atletas muitas vezes maquiados como palhaços, fazendo partidas para exibição. No basquete a hegemonia branca era total e só foi quebrada com o surgimento de um time de exibição todo negro, chamado de Harlem Globetrotters. O público que este time passou a atrair graças ao nível do espetáculo que eram suas exibições, acabou impulsionando a contratação de negros neste esporte.

O incidente tomou impacto nacional quando promoveu-se um boicote ao ônibus público na cidade. O até então desconhecido Reverendo Martin Luther King Jr., provou que o homem negro tinha um peso na economia nacional, apontando para o fato de que quem tinha carro era o homem branco. Portanto era o homem negro quem mais se locomovia de ônibus. Quando o negro demonstra com seu boicote que prefere ir a pé do que usar um sistema de transporte público que lhe discrimina, os ônibus municipais são economicamente feridos. Como os ônibus pertencem à prefeitura, logo esta também sofre economicamente. O boicote promovido por King foi iniciado no dia 5 de dezembro, e no dia 13 o Senado decreta o fim de segregação em transportes públicos. Dia 21 o boicote foi encerrado não só com uma vitória, mas com uma consciência maior de como funciona o pêndulo do poder em um país que é a capital do capitalismo.

Mesmo assim, levaria outros cinco anos até as escolas sejam não só liberadas a aceitar negros mas obrigadas a de fato fazê-lo. Martin Luther King Jr. ganharia o Prêmio Nobel da Paz por seus esforços e conquista. Durante toda a década, haveriam incidentes, brigas, e em alguns casos, guerra entre brancos assustados e negros determinados.
É no mínimo curioso que foi justamente na Inglaterra, que nunca tivera leis de escravatura e a promoveu em praticamente todas suas colônias, que a música negra, mais precisamente o blues, passaria a ter uma apreciação real como arte. O blues na América era sub cultura e o rock, ao nascer, era digno de ser considerado uma aberração. Na América, adolescentes ingleses, cabeludos cantando o blues eram igualmente tratados como aberrações por uma grande parte do público adulto e jovem.

Gravando Na América
Apesar de consternados, vendo um dos seus maiores ídolos, cuja música batizou a banda, pintando paredes e carregando equipamentos, os Stones continuaram sua programação gravando "Confessing The Blues" e "Around And Around" de Chuck Berry, que também apareceu por lá conversando amigavelmente. Chuck, como muitos negros, achavam que os Stones estavam roubando os negros de sua música. Em duas ou três outras ocasiões nesta excursão, ao estar no mesmo local que os Rolling Stones, sua atitude era de ignorar e evitar a conversa. Agora, talvez refletindo melhor sobre a curiosa missão destes rapazes, catequizando o blues entre os brancos, ele se chega e conversa com o sexteto amigavelmente pela primeira vez.
Outras versões são gravadas antes de entrarem nas composições novas como "Empty Heart" e "Tell Me Baby" de Jagger e Richards mais "2120 South Michigan Avenue" que Wyman considera de sua autoria embora a canção é creditada a toda banda através do pseudônimo de Nanker Phelge.
É lançado nos Estados Unidos o compacto Tell Me/I Just Want To Make Love To You, na mesma semana que o programa Hollywood Palace Show vai ao ar. Jagger furioso com o programa, imediatamente liga para Londres e discute com Eric Easton por ter negociado aquela apresentação.
Easton tenta acalma-lo explicando que a garotada vai saber enxergar o episódio como despeito dos adultos para com a geração jovem. Que a garotada, que é efetivamente o publico alvo, irão correr para os shows por causa destas agressões. A excursão continuou com altos e baixos. Shows tinham público que variavam entre menos de 100 pessoas como em Detroit, para 1.300 em Pittsburgh. Acabaram participando de um programa de televisão em Nova York chamado The Clay Cole Saturday Show gravados de manhã antes de duas apresentações em Carnegie Hall à tarde e à noite.
Durante as viagens o clima de animosidade era constante. Nos aeroportos, ao passar, chegando ou saindo de uma cidade, podia-se ouvir comentários do tipo, "Vá cortar este cabelo, maluco!", "Olha lá! São os Supremes!", "O que pensam que são, meninas?" Se os Rolling Stones simbolizavam o "anti-establishment", ou seja, a negação dos valores vigentes, Mick Jagger era o homem de frente, nos olhos do publico. Portanto era ele, mais do que os outros, que era odiado pelas geração mais idosas. E por idoso, eu me refiro a pessoas maiores de trinta anos. Sim, porque a diferença de gerações não era como hoje em dia onde um homem de cinqüenta anos cresceu ouvindo rock and roll. Hoje, John Lennon teria mais de sessenta anos, e Elvis Presley teria a mesma idade que Bill Wyman. Então para um adolescente em 1964, uma pessoa nascida na primeira metade da decada de trinta, estaria, salvo exceções, do lado daqueles que amam polka e Frank Sinatra e detestaria rock 'n' roll. Provavelmente classificariam o gênero como musica tribal ou anti-música, o que só aumentaria seu glamour aos olhos dos jovens que nasceram na década de quarenta em diante.
Os Frutos do Esforço
De volta a Londres, são recebidos por fãs e jornalistas no aeroporto e a noite ainda tiveram que tocar para um "show da volta". Só então, foram liberados para descansarem. Uma análise do aparente fracasso da mini excursão americana conclui que os locais foram mal escolhidos e que chegar no país sem ainda ter um No.1 nas paradas fora um equívoco. Havia um sentimento geral de frustração referente à excursão americana porém Mick Jagger, mais do que ninguém, estava se sentindo derrotado. Ele passou a evitar a noite londrina, preferindo ficar em casa com Chrissie. Ele estava confuso. Em Nova York ele e a banda foram tratados com a devida importância, mas no resto do país, eles eram apenas aberrações. Mas antes de viajarem, gente com opiniões de importância no meio como Bob Dylan e até Phil Spector lhes disseram que os Stones teria um mercado ótimo na América. Como poderiam estar enganados?
As mini férias começam com todo mundo gastando um pouco do dinheiro que ganharam. Stu comprou um Jaguar. Mick e Keith, percebem que o endereço residencial já está na boca dos fãs e sempre há gente a sua espera. Às vezes, quando estão excursionando, os fãs invadem a casa à procura de lembranças de seus astros. Assim, o duo continua a dividir um apartamento, desta vez em Hampstead, deixando Oldham no antigo apartamento em Mapesbury Road. Chrissie tinha o seu apartamento também, mas morava a maior parte do tempo com Mick. Charlie Watts, que tecnicamente ainda morava com os pais, no início da primavera, comprou para eles uma nova casa no Kingsbury Council Estate. Agora que a banda parou de excursionar, é a sua vez de se mudar, morando com Shirley em Gloucester Place, perto do escritório de Andrew Oldham. Bill também comprou uma casa melhor. Infelizmente, enquanto ajeitava a casa antes de efetivamente se mudarem, ao queimar o lixo na lareira, a casa acaba por pegar fogo. O seguro cobriria os prejuízos mas até este dinheiro entrar, eles iriam precisar dele para necessidades domésticas. Os Wymans acabam por permanecer mais algum tempo no bairro de Penge.
Os casais Mick & Chrissie, Keith & Linda, e Charlie & Shirley, resolvem todos passar algumas semanas em Ibiza, para poderem descansar e fugir de toda a loucura. Porém Linda Keith, namorada de Keith, sofre um acidente de carro e o casal fica em Londres. Mal os outros quatro chegam na ilha paradisíaca e são reconhecidos pelo povo e a imprensa. Sem condições de passearem livremente, acabam confinados em seus hotéis. Enquanto isto, na Inglaterra, chega às lojas o compacto "It's All Over Now/Good Times, Bad Times" que se tornaria o primeiro No.1 da banda.
O Diabo Mostra o Rabo
A banda em geral sente uma certa dificuldade de se readaptar à vida fora da estrada com suas respectivas famílias. Os horários de sono são geralmente diferentes da maioria, tendo as manhãs para dormir e as noites despertas. Apesar de conseguirem fama e fortuna, os cabelos compridos e a imagem de sujos que a imprensa criou em torno deles tornam a aceitação social difícil. Nos bares, os garçons os ignoram; nos restaurantes e teatros, são geralmente recusados. Descobrem com pesar que só são aceitos enquanto estão excursionando e cada show se torna um evento com exageros em abundância.

Tantos os Beatles quanto os Stones recebem cerca de 300 cartas de fãs por dia. Na noite de estreia do filme A Hard Days Nights, Brian, Keith e Phelge comparecem. Enquanto os músicos das duas bandas se cumprimentam amistosamente na recepção, as fãs aguardando nas ruas, estão se engalfinhando, arranhando e puxando os cabelos umas das outras.
Exigências do Sucesso
Durante a ausência de Mick, a imprensa londrina volta a bajular Brian, interessados agora na sua opinião e o procurando para entrevistas. Brian está radiante com toda a atenção. Seu estado de espirito geral é de puro otimismo e por conseguinte, até as vibrações que ele emana ao seu redor, são todas positivas. Ele passa a reparar que no escritório Rolling Stones Ltda., estão recebendo pilhas de cartas dos fãs, endereçadas para ele. Sua banda está encostando em popularidade aos Beatles e a música que a banda faz, ele considera melhor e mais profissional. Brian está tão seguro que fica um pouco cheio de si.

A Saúde de Brian Jones
Os problemas de saúde de Brian pioram com o esforço das constantes viagens. Sua expressão agressiva e ar de insolência no palco é um reflexo do seu receio de ter uma crise repentina. Isso o fazia parecer ainda mais atraente aos olhos femininos. Através dos anos, a saúde de Brian tem sido cada vez mais questionada. Ele tinha asma, e desde que entrou para o circuito musical, mesmo nos tempos de saxofonista de jazz, todos que trabalharam com ele, conheceram também seu inalador. Nele continha remédio para no caso de uma crise, embora poucos foram aqueles que assistiram ele tendo uma. Mesmo havendo poucos, existem relatos. Certa vez em 1962, depois de uma festa, Brian já em casa, entra em crise asmática. Seu amigo Paul Jones teve que voltar correndo de bicicleta para o local onde fora realizado a festa para procurar o seu inalador, pois fora esquecido em algum lugar na casa. Brian gostava de esquecer o seu inalador, mas precisava dele.

Lembrem-se que Brian Jones nunca teve autoconfiança em suas habilidades musicais, mesmo sendo o músico mais talentoso do grupo e o único cuja beleza e eloqüência faziam frente às de Mick Jagger, atributos fortes a serem respeitados, se considerarem que Mick tem seu trabalho facilitado por ser o crooner. É também verdade que Brian sempre teve a tendência de aumentar demasiadamente as proporções de um problema. Maníaco depressivo, alérgico a diversas medicações, ao mesmo tempo que, por conta de sua asma, é obrigado a tomar medicação desde a infância. Somando isto tudo a uma falta de auto confiança apesar de seus talentos, sua atração para entorpecentes é o caminho previsível à dependência. As pressões do estrelato, somados às pressões internas armadas inicialmente por Oldham, levariam Brian Jones a ser visto como um paranóico, viciado e com os miolos torrados por drogas.
Keith Afirma Sua Fama
À partir do dia 11 de Julho, recomeçam excursionando dentro do Reino Unido. O repertório é Walking The Dog, High-Heeled Sneakers, You Can Make It If You Really Try, Not Fade Away, Can I Get A Witness, I Just Wanna Make Love To You, fechando com o hit It's All Over Now. Entre curiosidades há a história do show em Birlington, onde a gerência exigiu além dos ingressos, que todos se vestissem de forma limpa e ordeira. Jeans e jaquetas de couro não seriam permitidos dentro do salão mesmo com ingresso na mão. O público, estimado em 3.000 pessoas foram a loucura quando a banda apareceu e o volume de histeria foi maior do que o da música. Em Leeds, Mick e Bill tiveram parte de suas roupas rasgadas. Porém nada foi mais marcante do que Blackpool. Era feriado prolongado Escocês e muita gente entrou com ingressos falsos. A policia, embora em grande número, ficou do lado de fora para conter o público furioso, com ingressos na mão, sem poder mais entrar. A lotação já estava acima do limite legal, o salão lotado de gente e o calor era insuportável.
Brian estava nesta noite cheio de pique; pulava e tocava, se chegando bem perto do palco, para instigar o público. Quem assistiu esta apresentação, sugere que ele estava possivelmente querendo aparecer mais do que Mick. Infelizmente, havia um grupo de arruaceiros que passaram a xingá-lo. Brian passou a gostar de irritá-los e já chegando a metade do show, a gangue começa a cuspir nele. Sendo profissional, Brian continuou seu "show" apesar do banho de escarro que persistia em chover em cima dele. Keith indignado sai do seu canto e olha ameaçadoramente para quem entende ser o líder da gangue, mas o banho continua.

São levados até o telhado da casa e, pulando de telhado em telhado, saem na rua dos fundos, onde um carro da policia já os espera para tirá-los da cidade. Só Stu ficou para trás para aguardar a melhor hora de levar o equipamento e contar o que veio a acontecer. Irritados, bêbados e agressivos, o público aguardou um pouco a banda voltar mas quando perceberam que eles já não estavam mais no local, a casa veio abaixo. Cadeiras eram lançados, cortinas rasgadas, janelas quebradas. Garrafas voavam para acertar o candelabro. Invadiram o palco e destruíram os equipamentos. Não roubaram nada, destruíram tudo. Um piano de cauda Steinway, pertencente à casa, foi jogado do palco para a plateia que brigava entre si. Amplificadores, tudo enfim, foi pulverizado. A polícia levou horas para conseguir trazer a paz e a ordem, diversas pessoas foram presas, dois policiais e trinta pessoas foram hospitalizadas.

Os demais shows ocorrem sem maiores incidentes, embora em todos, haja histórias de histeria por parte do público, obrigando a banda a entrar e sair dos locais, sempre com táticas bem estudadas. Após as datas no Reino Unido, descansam antes da excursão Européia em Agosto.
Entre uma coisa e outra, gravam Little Red Rooster. Ao ouvir o que acabam de gravar, Charlie sugere que este deveria ser o próximo compacto e a idéia é imediatamente acolhida por todos. Mais tarde Andrew tentaria brecar a idéia. A banda porém, insiste que mesmo não sendo teoricamente comercial, gostaram tanto da versão que ela será o próximo compacto.
Debate na Casa dos Comuns
As confusões que cercam os shows dos Rolling Stones são em geral mal vistas pela sociedade em geral. Assim como também os cabelos longos e despenteados, somados às roupas deselegantes, que nem sempre são acompanhadas de uma gravata. Todos esses fatores dão reforço para o sistema considerar os Rolling Stones e seus integrantes, uma ameaça aos códigos de moral e bons costumes. Quando um garoto é preso em Glasgow, por jogar uma pedra em uma loja após ter assistido um show dos Rolling Stones, é a banda que o magistrado critica na Casa dos Comuns. Andrew Oldham, sempre disposto a colocar lenha na fogueira, enaltecendo assim a imagem de rebeldes, comenta para os jornais "O problema reside no fato que o cara pertence a uma geração morta e que não se atualiza." Porém dois dias depois, outro magistrado, este do partido dos trabalhadores, vai à Casa dos Comuns e se queixa da atitude do colega, se aproveitando de sua posição privilegiada, para fazer comentários irrelevantes de cunho snobe, além de insultante, sobre a aparência dos Rolling Stones. Ele realça sua afirmação, dando credibilidade ao quinteto, lembrando a todos presentes, que a banda está fazendo uma excelente contribuição para as exportações Britânicas.

Andrew e a Imprensa
Quando Andrew reapareceu, ele estava casado. Casou com Sheila Klein sua secretaria, em Glasgow, Escócia. Ele começava a falar sobre deixar os negócios, esgotado que estava. Falava para a imprensa de se aposentar, com apenas vinte anos e com seu maior trunfo apenas começando a dar lucro. Os jornais passaram a falar e analisar o lucro que uma banda pode acumular em tão pouco tempo, a ponto de se poder pensar em aposentadoria em idade tão jovem. Oldham declara que vendeu a sua agência Image mas na prática, ele continuaria com os Rolling Stones por mais alguns anos, deixando os detalhes empresariais com Eric Easton e se concentrando em produção de discos e bolando alguns truques promocionais.
O tratamento especial que Andrew dispensava a Jagger sempre foi percebido, mas a partir da metade final de 1964, ele tem seguidamente dado entrevistas aumentando a importância de um membro em detrimento aos demais. Oldham fala sobre como é necessário criar o clima perfeito para Jagger no estúdio, para que ele possa dar o seu melhor e liderar a banda para que eles possam também dar o melhor. Todos da banda estavam um pouco frustrados com as atitudes de Andrew, mas ninguém ficou mais amargurado e depressivo do que Brian Jones, que começa a mergulhar mais fortemente nos barbitúricos.
Casais Complicados
No dia 23 de Julho, Linda Lawrence, namorada de Brian, teve um filho. Nasceu Julian Mark, quase o mesmo nome que o filho de Pat, que se chama Mark Julian. Nenhuma das crianças de Brian é descoberta pela imprensa mas o relacionamento fora do matrimônio entre Mick e Chrissie rapidamente se torna um favorito entre os tablóides. É o preço que Mick tem que pagar por ser o estrela dos Rolling Stones. Toda a mídia, seja boa ou má, gira em torno dele. O caso é extremamente mal visto e muitos acreditam que os Rolling Stones e Mick Jagger em particular irão torrar no inferno algum dia.

Mas ficar a só com Mick Jagger é quase impossível. Sem contar que Keith está dividindo o apartamento com ele, sempre tem um aglomeração de amigos e os amigos destes, seguindo os dois.
Nas poucas noites em que Mick está na cidade e não excursionando, ele não quer discutir problemas. Suas ambições exigem que ele apareça na noite Londrina, conhecer pessoas e ser visto. E caso apareçam as fãs, ele deveria ser visto só, mostrando-se disponível a elas, assegurando assim, manter o mercado feminino. A solidão do papel de ser namorada de um pop star, começa a pesar e o casal discute constantemente.
Chrissie e Shirley haviam se tornados boas amigas, aproximando Mick e Charlie ainda mais. Chrissie estava em constante campanha para ela e Shirley poderem passar a viajar com a banda nas próximas excursões. Mick se defende dizendo que como elas não terão o que fazer porque os homens estarão ocupados, será um tédio e é melhor mesmo não irem. Charlie, que nunca criou coragem para contar que já estava casado, teve seu trabalho facilitado por algum reporter bisbilhoteiro que acabou descobrindo o furo de notícia. Jagger e Andrew ficaram extremamente descontentes com a traição mas Chrissie foi a primeira a defender o casal de amigos. Afinal, foi a atitude idiota dos dois, Jagger e Oldham, que obrigaram o casal a casar escondido. Só a Chrissie sabia do casamento dentro do "círculo interno dos Stones" e nunca contou para ninguém.
A revelação evidentemente não mudou em nada a atração do público pela banda. Assim sendo, e tendo ainda o incidente da Linda Keith indo para Suíça com Keith Richards sempre lembrado, Jagger cede concordando em permitir as duas a irem com eles para Paris. "Tá bom , vocês podem ir, mas irão ficar entediadas e só irão atrapalhar." Com isto, as duas se posicionam à sua frente em saudação nazista e gritam "Heil Jagger!" e saem rindo mais parecendo Betty e Wilma dos Flintstones. Jagger largou o assunto a partir de então.
Algazarra Nunca Vista
Os Stones nem sempre provocam os problemas mas são sempre eles que levam a culpa nos jornais. Muitos locais negligenciam uma melhor organização e a banda acaba sendo obrigada a tocar para 5.000 pessoas em locais que teoricamente só poderiam comportar 1.500. Foi o caso em Belfast, onde o público chamou a polícia para briga. Em locais organizados, os shows transcorriam sem problemas e apesar da histeria juvenil, todos conseguem se divertir sem incidentes. Em outra cidade, a gerência apostou suas fichas em um time de rugby para assegurar a ordem, colocando vinte e quatro jogadores entre a plateia e o palco. Porém uma menina de quinze anos os derrotou vergonhosamente. Em um só pulo, ela abraça as pernas de Mick Jagger, que tropeça e cai no fosso da orquestra. Esta e outras cenas da noite acabaram registrados em filme pela ABC-Pathé, editado posteriormente em um documentário chamado "Rolling Stones Gather No Moss 1964."

Conforme progrediu a excursão, o despreparo da gerência e das autoridades competentes, desacostumados a tamanha algazarra em shows, foi dando condições para seguidos incidentes se repetissem, por todos os países em que passaram. Na Holanda o show foi encerrado antes de chegar pelo meio. Em Bruxelas não houve incidentes, mas em Paris a história foi outra. À noite, enquanto bebiam quietos em um bar, um grupo de rapazes começaram a fazer piadinhas irritantes, por causa dos cabelos compridos. Keith levantou, chegou até o rapaz do grupo e sem dizer uma palavra, deu-lhe um soco no rosto. Por sorte não houve retaliações e os rapazes fugiram assustados. Durante o show, tudo transcorreu com tranqüilidade, mas do lado de fora, aqueles que não conseguiram entrar causaram problemas nas ruas. Depois que a banda saiu, o público agitado, danificou o Olympia e o comércio em ruas adjacentes. Cerca de 150 pessoas foram presas em um prejuízo calculado em £1.400. Os jornais foram unânimes em declarar os Rolling Stones o maior fenômeno inglês a passar pelo país, deixando um impacto, muito superior ao dos Beatles.
Conforme progrediu a excursão, o despreparo da gerência e das autoridades competentes, desacostumados a tamanha algazarra em shows, foi dando condições para que seguidos incidentes se repetissem, por todos os países em que passaram. Na Holanda o show foi encerrado antes de chegar pelo meio. Em Bruxelas não houve incidentes, mas em Paris a história foi outra. À noite, enquanto bebiam quietos em um bar, um grupo de rapazes começaram a fazer piadinhas irritantes, por causa dos cabelos compridos. Keith levantou, chegou até o rapaz do grupo e sem dizer uma palavra, deu-lhe um soco no rosto. Por sorte não houve retaliações e os rapazes fugiram assustados. Durante o show, tudo transcorreu com tranqüilidade, mas do lado de fora, aqueles que não conseguiram entrar causaram problemas nas ruas. Depois que a banda saiu, o público agitado, danificou o Olympia e o comércio em ruas adjacentes. Cerca de 150 pessoas foram presas em um prejuízo calculado em £1.400. Os jornais foram unânimes em declarar os Rolling Stones o maior fenômeno inglês a passar pelo país, deixando um impacto, muito superior ao dos Beatles.
Quarenta e oito horas depois, estavam viajando para outra excursão Americana. Antes porém Dawn Malloy procurava Brian sobre seu filho. Brian totalmente apavorado tentou sumir. Andrew resolveu a questão colocando Dawn para assinar um documento afirmando recebimento de um valor em dinheiro em uma solução definitiva. Em troca ela nunca procuraria nem Brian nem a imprensa, não causaria embaraços ou prejuízos para os membros dos Rolling Stones, coletivamente ou individualmente. Tendo Mick como testemunha, Dawn assinou e recebeu um cheque de £700.
Os Stones Novamente na América

Total pandemônio com a força policial e uma agência de segurança especialmente contratada pelo hotel para manter os corredores livres, perdendo uma batalha contra garotos e muitas garotas se esgoelando em histeria, tentando chegar perto de um Rolling Stone. Vidros foram quebrados, jornalistas foram agredidos, e durante a reunião com a imprensa, estavam todos falando ao mesmo tempo com câmeras tirando flashes ininterruptamente. Como Keith diria em ironia seca, tipicamente inglesa, "Está um pouco diferente desta vez." No mesmo dia, sai o segundo LP americano da banda, "12 X 5 " e a banda faz uma aparição no Clay Cole Show, dublando seis canções. Depois seguem para um estúdio de rádio para promoverem a segunda excursão com o velho amigo, o DJ Murray the K. São apresentados a mais gente da alta sociedade cultural da cidade, entre estes, Andy Warhol e sua trupe.
Com a lucrativa popularidade escalando continuamente, é chegada a hora do moralismo se dobrar ao capitalismo, deixando mostrar um pequeno rastro de hipocrisia. Foi no dia 25 de Outubro que os Rolling Stones estreiaram no até então proibido para eles, The Ed Sullivan Show. Tocaram "Around And Around" e depois "Time Is On Our Side," para um público extasiado. Ed aplaudiu e depois mandou um telegrama congratulando o sucesso da apresentação, porém dias depois nos jornais, Sullivan soltava entrevistas se isentando de culpa por apresentá-los no show e afirmava que os Rolling Stones jamais iriam voltar a tocar nele.
A banda voa então de Nova York para California e segue de volta pelo meio oeste americano. Desta vez os shows tinham casas com 4.500 pessoas em média, bem mais de acordo com o status da banda. Em Los Angles, participam do filme The TAMI (Teen Age Music International) Show. Enquanto esperam a vez para fecharem o show, se deliciam assistindo excelentes apresentações de Marvin Gaye, The Supremes, The Beach Boys, Chuck Berry, Smokey Robinson & the Miracles e muitos outros. Seguiriam depois de James Brown, o que deixou a banda bastante apreensiva mas foram bem recebidos e a apresentação foi um sucesso. Tocaram neste show Around and Around, Off The Hook, Time Is On My Side, It's All Over Now e I'm Alright/Get Together, este último, com participação da orquestra do evento e com todos os outros convidados fazendo coro. O evento foi importante, servindo também para fazerem contatos com pessoas influentes que atestariam a musicalidade da banda para a mídia americana. Depois da apresentação dos Stones, James Brown, que inicialmente se sentiu ofendido por não ser permitido fechar o evento, honra estendido aos Stones, fez questão de apertar a mão de cada um da banda.
Gravando em Hollywood

Quem participou da sessão foi Jack Nitzche, arranjador de Phil Spector, que tocou um piano de brinquedo e adulterou o som para soar como qualquer coisa menos um piano de brinquedo.
Nitzche passaria a ser um convidado constante em vários discos dos Stones até a década de setenta. Comentando sobre esta sessão, e como foi trabalhar com esta banda inglesa, diria: "Todos da banda são inteligentes e são capazes de manter uma conversação. É a primeira banda de rock que eu conheço que não é composta por idiotas e que tem opinião própria. Se chegam a conclusão que a canção não está funcionando como inicialmente queriam, não pensam duas vezes em mudar a concepção original toda, sem remorsos. Isso mudou muito a maneira como eu via gravações e nunca me senti tão livre dentro de um estúdio. Aprendi muito com eles."
Mas nem tudo foram flores durante esta excursão. Haviam certos prefeitos, como das cidades de Cleveland e Milwaukee, que declaravam os Rolling Stones imorais e concluiam que seria indecente mandar adolescentes para os seus shows. O resultado foi estádios consideravelmente vazios. Certas cidade declararam banimento ao rock 'n' roll depois da banda tocar por lá. "Rock não adiciona nada à cultura desta cidade", um prefeito teria dito. Brian também começa a se tornar um problema. Na estrada, sua paranoia começa a inflar. Certa vez ele foi encontrado atrás de uma porta ouvindo a conversa do outro lado. "Eles estão falando sobre mim" ele sussurra. "Vá lá e veja o que está acontecendo." Realmente, do outro lado da porta estavam Mick, Keith e Andrew, se queixando dos excessos de bebida e drogas de Brian, reclamando de sua falta de profissionalismo.
Brian Cai Doente

Apesar disto, Brian era tranqüilamente o Rolling Stone mais popular e mais querido entre as americanas. Mas a fragilidade de seu psique, somado aos constantes compromissos e viagens da banda, finalmente atacam sua saúde. No dia 7 de Novembro, Brian passa mal no quarto do seu hotel e acusando uma febre de 40.5ºC é levado imediatamente para o Passavant Hospital. O diagnostico revelou bronquite e esgotamento físico. Brian passou a maior parte do tempo delirando e sendo alimentado com soro por via intravenosa. Ele perdeu quatro shows e retornou a tempo da última apresentação em Chicago.
Em Chicago, a banda novamente vai para Chess Studios para gravar algumas canções. A sessão compreendeu as gravações de Mercy Mercy, Key To The Highway, What A Shame e Goodbye Girl, essa última de Bill Wyman ainda inédita. A banda aproveita sua passagem pelos Estados Unidos para assistir alguns shows. Em Chicago, Bill e Stu foram assistir Les Paul, conversando depois com ele após sua apresentação.

Mick ficou observando Brown sentado em sua cadeira com uma cabeleireira ajeitando seus cabelos enquanto ele sorvia champagne e conversava animadamente. Ele deve ter pensado, esta é a vida que eu quero para mim.
Charlie por sua vez procurou assistir todos os shows de jazz que pudesse. Viu gente como Dizzy Gillepse, Max Roach, Mary Lou Williamson, Sonny Rollins Quartet e muitos outros. Conversou com várias pessoas do business e até recebeu um convite para ser baterista em um jazz clube, The Birdhouse. Charlie recusou o convite embora com uma certa vergonha de estar trabalhando em uma banda pop.
Noticias sobre sua saúde criaram a especulação de que Brian estaria para deixar a banda, não agüentando o estilo de vida irregular. Isso só ajudou a magoar ainda mais um Brian já fragilizado. Ao chegar em Londres, ele declararia que em momento algum pensou em deixar a banda, mas em função de sua saúde, iria passar um tempo só descansando. Mick falando sobre a excursão para Melody Maker diria, "É como recomeçar todo dia. Cada show é uma grande experiência, que vai repercutir decisivamente em sua carreira. É necessário dar atenção para gente da imprensa, da televisão, pros disc-jockeys; é realmente muita pressão, exigindo muita disposição. Depois você ainda tem que tocar no concerto. Quando você pensa que acabou, você precisa lutar para sair do teatro e entrar no hotel e mesmo lá, você encontra gente lhe aguardando nos corredores e as vezes dentro do seu quarto. Dá vontade de sair gritando porque paz e sossego são inexistentes."
Química
Em uma sexta-feira 13, a banda lança o compacto Little Red Rooster (Dixon) / Off The Hook (Nanker Phelge) que na semana seguinte, chegaria a nº 1 na Inglaterra. É então e até o presente, o único slow blues a chegar a nº 1 nas paradas de sucesso Britânicas. Este feito em muito serviu para diminuir o sentimento de culpa que Brian vinha nutrindo no seu íntimo por ter abandonado suas raízes em troca do sucesso. Ele porém já depende excessivamente de bebida e barbitúricos para encarar sua vida e as desilusões sobre sua banda. Em dezembro ele é convidado por Eric Burdon a uma festa dada pela banda the Animals, onde conhece Dennis Hopper e Robert Frazer.
Eles o aconselham a diminuir com "bolas" (pílulas, geralmente se referindo a anfetaminas ou barbitúricos em geral) e passar a fumar maconha. "Pelo menos a maconha lhe deixaria mais relaxado e menos paranóico" afirmam. Mas Brian já se convenceu que ele precisa das "bolas" para continuar tocando sua vida. Seu relacionamento com Linda está desintegrando. Ela que voltara a morar com ele, vê o seu filho com quatro meses de idade e o pai ainda se recusando a casar. Linda critica os excessos do seu namorado, queixando-se de sua apatia em relação aos problemas e descontentamentos dentro dos Stones. Linda ainda o ama, permanecendo ao seu lado tentando encontrar uma maneira de fazer o relacionamento funcionar. Mas está difícil, pois Brian é demasiadamente inconseqüente e extremamente medroso.
Em outra festa, desta vez do programa "Ready, Steady Go", Mick Jagger encontra novamente com Marianne Faithfull e passa boa parte da festa tentando atrair sua atenção para ele. Ela naturalmente fingia não perceber as olhadas e piscadas que recebia. Para Marianne, Mick Jagger não lhe parecia atraente e sua conduta era considerada no mínimo, sem classe. Assim, ela o evitava. Mick em certo momento, cansado de ser ignorado à distância, se chega para falar. "Marianne querida, tem se passado tempo demais sem nos vermos." A qual Marianne elegantemente o descarta com um "Tem mesmo?" Com isso, Mick sorri maliciosamente e despeja sua taça de champagne todo em seu decote. Marianne sai furiosa pela criancice, indo parar em outra cômoda para se secar. Neste quarto, estava Keith Richards tocando piano sozinho em quase total escuridão. Sem fazer barulho, ela permanece nas sombras ouvindo a pequena serenata para ninguém.
Enquanto John Dunbar passeava na Grécia, Marianne estava na Inglaterra construindo uma carreira sólida. Ao voltar e descobrir o novo status de sua namorada, ele trata o assunto como uma moda passageira e que ela deva aproveitar enquanto pode. Mas aos poucos, ele vai tentando persuadi-la a deixar a vida frívola da música pop para algo de maior substância. Estas e outras discussões seriam um constante no relacionamento dos dois.
Resumo do Ano

O ano é também especial para o rock em termos gerais, que nunca antes tivera tantas canções de música "pop" vendendo milhões. Lembrem-se que a indústria fonográfica não era dominada basicamente por música pop como é hoje no mundo, e sim, o rock coexistia com outros gêneros até mais populares. A quebrar a marca de um milhão de discos vendidos na Inglaterra em 1964 estão os Beatles com onze canções, seguidos por Dave Clark Five com cinco, e empatando em terceiro, Elvis Presley e the Supremes com três cada. Atrás estão the Bachelors, the Beach Boys, Cilla Black, Manfred Mann, Roger Miller, Roy Orbison, Peter & Gordon, Jim Reeves, the Shangri-las e evidentemente, the Rolling Stones, todos com dois. O ano encerra com o álbum The Rolling Stones chegando em primeiro lugar entre os mais vendidos, e Mick e Keith compondo seu próximo hit, "The Last Time." Ainda assim, o disco que mais vendeu no ano foi a trilha sonora do filme West Side Story. Na America, um mercado com poder de compra bem maior, seria o disco Meet The Beatles, se tornando o disco mais vendido na historia, até então.
Eventos que resumem o ano incluem evidentemente a chegada da Beatlemania à América e sua eminente epidemia ao redor do mundo. Com a Beatlemania, vem imediatamente atrás a maior divulgação de música pop, termo genérico que na época, significava também rock'n'roll e soul, dois gêneros que estavam desenvolvendo crescente popularidade e influenciando um ao outro. Outra reverberação diretamente associada à passagem dos Beatles pela América é o nascimento de dois grupos fadados ao fracasso em '64, porém importantes para o ano que viria. São eles The Beefeaters de Los Angeles e The Mugwamps de Nova York. Estas bandas são os precursores do que viria a ser chamado folk-rock, a música da moda de '65, e deles viriam The Byrds, The Lovin' Spoonful e The Mamas And The Papas.
Entre outros eventos do ano está o nascimento da rádio Caroline, primeira rádio pirata inglesa, como também o canal de televisão BBC-2. Desenvolvem para o aparelho de televisão a tela com 625 linhas, elevando substancialmente a clareza de imagem. O recorde mundial de velocidade terrestre é quebrado por Donald Campbell ao chegar aos 403.1 mph, enquanto mods e rockers se gladiam por todo o verão.

Cassius Clay após se tornar campeão mundial de boxe, declara-se muçulmano, mudando o seu nome para Mohammed Ali.
Três homens negros que trabalhavam para o Movimento dos Direitos Civis são encontrados enterrados em Mississippi. Vinte e uma pessoas serão presas pelo FBI, ligadas ao assassinato, mas todas serão soltas em poucos dias. Haverá dezenas de distúrbios radicais, todos diretamente relacionados com racismo de brancos contra negros. Seus maiores focos são em Filadélfia (PA), Harlem (NY) e Newark (NJ).
Uma Geração Com Opinião

Quando perguntado sobre rebelião juvenil, Brian responde, "Toda geração traz uma nova onda de idéias e se isto fosse parar, a sociedade e a cultura estaria condenada. Nossos filhos estarão rebelando contra nós dentro de vinte anos." Mick quando perguntado sobre a sua responsabilidade com códigos morais assimiláveis pelos seus fãs, nega a hipótese e diz, "Celebridades não devem ter nenhuma obrigação em determinar níveis de moralidade. Quem somos nós para determinar o que é certo ou errado." Perguntado sobre religião, Keith responde por todos, "Você não vai encontrar nenhum de nós rezando, com a bíblia debaixo do braço, indo para a igreja. Somos ateístas e não temos vergonha de admiti-lo. Pessoas que vão para a igreja só por ir, sorrindo para o vigário, só para manter as aparências, são idiotas. Aqueles que freqüentam pela fé em Deus, estão certos. Deixamos religião para os dedicados a ela." Quando perguntado o que desejaria que tivesse um maior progresso no mundo, Brian responde, "Eu gostaria de ver mais dinheiro sendo investindo no estudo do cérebro para se descobrir a causa de doenças mentais. Quando o homem descobrir como o cérebro funciona, ele terá condições de entender qualquer coisa."
Oceania

Da excursão Irlandesa, seguem-se pela primeira vez para Australia e Nova Zelândia, desta vez com Roy Orbison. A imprensa é particularmente rude com os Stones considerando-os de aparência, linguagem e modos odiosos, mas o público médio foi de 5.000 pessoas, com apresentações em Sydney e Melbourne. Mick e Bill aproveitam para rever parentes e amigos na Australia e Nova Zelândia.
Em uma visita à praia, Brian demonstra suas habilidades no mar nadando bem além de onde as ondas quebram, quase invisível na imensidão azul. Brian, que vencera competições de nado nos tempos de escola em Cheltenham, prova que é realmente habilidoso no mar. Os demais, principalmente Mick e Keith, gritavam para que ele voltasse, temendo por sua vida, mas Brian estava muito seguro de si. Ao voltar, ria das expressões de espanto e admiração nos rostos de seus amigos.

Mais tarde, devidamente dispensados, Bill e Brian voltam à janela e escolhem outra dupla. Na manhã seguinte Mick contava que ele passou a noite com a dona do hotel e sua filha.
Próxima parada, Singapura onde a banda se apresentou em dois shows para 10.000 pessoas cada. Há de se destacar a segurança, tanto nos shows como no aeroporto, na chegada e partida da banda.
Voltam para o ocidente via Los Angeles, onde Charlie se encontra com Shirley e vão para Miami visitar parentes e descansar. Bill e Brian voltam para a Inglaterra, e Andrew, Mick e Keith vão para o RCA Studio em Hollywood para refazerem alguns vocais e remixarem "The Last Time." Este será o padrão de comportamento que se repetirá constantemente. Enquanto os demais membros são dispensados, Mick, Keith, Andrew e o engenheiro de som, ficariam para trás, no estúdio, trabalhando nas musicas.
Negócios a Parte
Em Londres Bill Wyman e sua companhia Temeraire estavam recebendo os frutos de seu trabalho fora dos Stones. Decca havia lançado o compacto de Bobby Miller, "What A Guy/You Went Away", ambas canções produzidas por Wyman e Miller, sendo o lado B uma composição dos sócios Bill Wyman e Brian Cade. Na bateria, Bill convida seu velho amigo dos tempos do The Chiftons e Rolling Stones, Tony Chapman. Ele passará a ser um sessionman constante nas diversas produções de Wyman, podendo contribuir até com uma composição sua.

Paralelamente Andrew Oldham lança Dick St. John & Dee Dee Sperling com a música "Blue Turns To Grey" da dupla Jagger-Richard pela Warner. Esta e outra canção, "Some Things Just Stick In Your Mind", contam com a participação de toda a banda Rolling Stones, incluindo Mick Jagger fazendo backing vocals. Outra banda a regravar "Blue Turns To Grey" seria The Mighty Avengers, igualmente produzidos por Oldham e lançados pela Decca. A destacar a direção musical é de John Paul Jones. Outra produção de Oldham é The Toggerty Five e a canção "I'd Rather Be With The Boys" que oferece uma curiosa dupla de compositores, Oldham-Richard, compacto lançado pela Parlophone. Se isto não basta para levantar sua curiosidade de colecionador, os músicos nesta gravação são John McLaughlin, Joe Moretti e Keith Richards nas guitarras, Mick Jagger nos vocais e um novato, Andy White na bateria.

Mais produções de Oldham com participação de um ou outro Stone incluem, "Funky And Fleopatra" (Andrew Oldham) e "Oh, I Do Like To See Me On The B-Side" (Oldham/Wyman/Watts) com Bill Wyman, Charlie Watts e Keith Richards; "365 Rolling Stones" (Mike Leander/Andrew Oldham) com Charlie Watts; participações de Mick e Keith em várias faixas no álbum The Andrew Oldham Orchestra; "Blowin" In The Wind" para Marianne Faithfull conta com Keith na guitarra, e em outra ocasião, Brian grava "A Mess Of Blues" (Doc Pomus/Mort Shuman) e "Love Me, Baby" (PeterAsher/Gordon Waller), ambos para o compacto da dupla Peter & Gordon. Em ambas Brian está na gaita.
Próximas Produções
Previsto para o próximo compacto dos Stones, a banda tinha gravado The Last Time, Play With Fire e uma versão mais rápida desta, chamada Mess With Fire. Andrew, Mick e Keith concluem que entre as duas, Mess With Fire é a melhor opção e mandam as escolhidas para Decca via Chrissie Shrimpton que passou a trabalhar para Andrew. Ela se confunde e manda Play With Fire no lugar. Quando o erro é descoberto, ninguém sabe onde está o rolo original com Mess With Fire. Quando o compacto foi lançado em fevereiro, Play With Fire recebe elogios e ficou assim contornado o problema. Pouco depois Chrissie pediu para ir embora.

A Famosa Mijada

Um freguês do posto deu queixa na polícia contra um bando de arruaceiros em uma van. Aparentemente, anotaram o número da placa do veículo e o processo correu. O juiz multou a banda em £5 cada e ao invés de tentar esconder o incidente, o que seria o esperado, Andrew Oldham instrua sua banda a falar o máximo sobre o incidente possível, ridicularizando o sistema que ao multá-los, estaria apoiando uma discriminação contra todos os jovens, simplesmente porque seus gostos por moda e estética pessoal não é o de seus pais. Andrew, que sempre teve um talento para aumentar e promover um incidente, cunha então a frase: "Os Rolling Stones são a primeira banda presa por mijar na parede." Lembro aqui que, com o muro de Berlim tendo apenas cinco anos de existência, a palavra "parede" carrega consigo um tremendo estigma de repressão. Assim, a imagem de "bad boys" e rebeldes, começa a ter cada vez mais conotações políticas e sociais.
A Situação de Brian Piora

Certa noite, ao voltarem de van, após um show, Brian e Mick discutem pesadamente. Brian reclama da monopolização das composições e acusa Jagger de querer ser o líder da banda quando havia um acordo informal de que não haveria nenhum líder. Além do mais, foi ele que fundou a banda e se houvesse algum líder, seria por direito ele.
Com esta, Mick mandou Stu encostar e expulsou Brian do carro. Jagger então o acusa de ser um pé no saco só se preocupando em se divertir e nunca fazendo mais do que o mínimo necessário que é tocar nos discos e nos shows. Foram lembrados outros furos de Brian do passado, agindo contra o interesse da maioria, e quando Mick termina de falar, todos estão concordando em deixa-lo ali mesmo para voltar a pé. E a van seguiu sem Brian.
Às cinco da manhã ele conseguiu um lugar aberto para pedir o uso do telefone. Liga então para Cleo Sylvester contando resumidamente o que acontecera e pedindo permissão para dar uma passadinha na sua casa para descansar. Chegou quase uma hora depois, ainda a pé e sua mãe lhe preparou um café da manhã. Cleo apenas ficou ouvindo suas lamúrias e pensando em como o sucesso, mesmo tão imenso, não trás a felicidade. De como o ídolo de tantos, está na verdade se sentindo vazio e sozinho.
Brian passa a ficar cada vez mais calado dentro da banda. Entende que ninguém o quer, contudo, não irão lhe mandar embora tendo ainda tantas coisas por conquistar. Ele se sente preso pois sabe que não existe outro grupo que possa oferecer uma qualidade sonora capaz de lhe satisfazer musicalmente. Além do mais, a idéia de ser rotulado ex-Stones lhe é um martírio.

Conversando com seu amigo John Lennon, este lhe confessa estar arrependido das concessões que os Beatles se sentiram obrigados a fazer em troca do sucesso. De fato, Lennon em analogia, se comparava a uma prostituta com um milhão de clientes consumindo sua mente, não seu corpo. Brian estava cada vez mais perturbado com a idéia de Jagger estar empurrando sua banda na mesma direção. Em seu vazio, há necessidade de preenche-lo com alguma coisa. Brian já é um alcoólatra e viciado em anfetaminas, o que é uma combinação perigosa e não ajuda sua tendência nata de aumentar as coisas fora de proporções. Brian começa a se perder.
Brian já é um alcoólatra e viciado em anfetaminas, o que é uma combinação perigosa e não ajuda sua tendência nata de aumentar as coisas fora de proporções.
Reativan
Anfetaminas são geralmente remédios farmacêuticos. São estimulantes, que na gíria americana são chamados de "uppers" (levantadores) ou "speed" (velocidade) e na inglesa chamados de "leapers" (pulantes), graças ao seu poder de acelerar seu ritmo e te deixar "quicando". Dentre os leapers, um dos mais populares era Drinamyl, também conhecido como purple hearts.
Muito popular entre pessoas do show business, especialmente do cinema ou música, que são exigidos durante longas horas de trabalho, sempre tendo que se mostrar alegres e despertos. Para qualquer um com problemas de fadiga, anfetaminas eram um remédio esplêndido. Por exemplo, durante seu período inicial de viuvez, Jacqueline Kennedy era receitada injeções quase diárias contendo anfetaminas com vitaminas. Leapers se tornaram extremamente populares entre os mods. O efeito era de deixar a pessoa extremamente agitada. Abusar a medicação porém tendia a estressar o seu sistema cardíaco, provocar muito suor e perda da coloração da pele.
A Terceira Excursão Americana
Andrew e Mick passaram a selecionar mais os jornalistas aptos a entrevistar e escrever sobre os Stones. Afinal, se a banda Rolling Stones é um meio de vida, então a sugestão implica que a mesma ou será tratado com o devido respeito ou o jornalista não terá acesso a ela. Quesitos essenciais eram conhecimento relativo da música que a banda toca, uma tendência a falar favorável e principalmente serem jovens. Jagger mais do que qualquer outro desconfia de gente com mais idade, concluindo de antemão que não terão uma mente aberta para ouvir sem preconceitos.
A batalha campal entre segurança e público assim como a necessidade de controle austero por parte dos organizadores, invariavelmente estraga a festa com cortes na força e encerramentos precoces. Em Ottawa, o dono do estabelecimento concluiu para a imprensa que faltou um fosso com crocodilos para poder conter o público de querer subir no palco. Num dos hotéis, o porteiro precisou tomar quatro pontos, resultado de suas brigas para conter as meninas querendo entrar.

Foi por volta desta época que Bill Wyman solta a pérola de que a razão pelo qual ele toca com seu baixo quase em pé é para usar o braço do instrumento para tampar os holofotes da vista e assim, poder enxergar melhor as meninas na primeira fila. Ao prestar atenção no Bill durante uma apresentação dos Stones, você poderá notar ele sorrindo para as gatinhas e passando o número do seu quarto.
Também cresce a horda de meninas sempre disponíveis e dispostas a fazer qualquer coisa para ter um relacionamento de ocasião com algum membro de algum grupo de música. Logo, não é tão surpreendente que tenha sido o sexualmente desassossegado Bill Wyman quem cunha o termo 'groupie' para identificar este tipo de fã. Bill mesmo não se recorda de ser especificamente ele o primeiro a usar o temo, mas Keith garante e credita a palavra a Bill. Depois os Stones passaram a se referir as meninas como 'groupies' e o termo rapidamente se espalhou se tornando gíria em todo mundo e dando vazão a outros termos como roadie e druggie, este mais tarde substituído por junkie.

À noite, Brian, Keith e Mick sobem o Harlem para assistirem Wilson Pickett no Apollo Theater. Na manhã seguinte, Andrew Oldham e Eric Easton chegam de Londres, assistindo dia 02 de Maio, mais uma apresentação no Ed Sullivan Show. Depois todos foram para uma festa no Playboy Club em homenagem a Tom Jones, artista da London Records, representante da Decca na América. Pelo caminho, um conversível com alguns rapazes emparelharam com o carro que levava a banda, seguindo até o clube enquanto insultava os Stones chamando-os de "viados". Ao chegar, Brian imediatamente grita para os demais, "Vamos pegar os colonos!" e pula do seu carro para dentro do conversível, seguidos por Mick e Keith. O pessoal cai na porrada legal enquanto Charlie, Bill e Stu vão para festa.
Flórida
Na manhã seguinte estão gravando o Clay Cole Show, e depois arrumando as malas, seguindo para Georgia. Continuam então em rumo para Flórida, onde tocam em algumas cidades, a última sendo Clearwater, show marcado para o dia 06. Cada Stone amanhece no dia 07 com uma groupie do lado e uma disposição de apenas descansar e não ter pressa para nada, curtindo sem pressa o dia de folga. Enquanto Bill, Mick e mais alguns da equipe, estão descansando à beira da piscina do hotel, aparece uma das meninas cheia de hematomas. Brian havia espancado a garota sem misericórdia. Um dos roadies, Mike Dorsey, indignado, caça Brian e prontamente enche ele de porrada, com aprovação geral, quebrando duas de suas costelas no processo. O incidente foi abafado mas era evidente que Brian estava perdendo a noção das coisas.


Mesmo não vendo o tema como algo comercialmente viável, seu instinto o fez trabalhar bastante na canção e ao chegaram novamente em Chicago no dia 10 de Maio, a canção estava pronta para ser gravada. A versão, oferecia Brian na gaita fazendo o tema principal. Mick Jagger escrevera uma letra com o riff em mente, e a canção passa a ser batizado de "Satisfaction."
Dois dias depois, já em Los Angeles, gravaram novamente a canção, desta vez, com Keith tocando o tema numa guitarra com fuzz-tone (efeito de um pedal), e Charlie tocando em outro tempo. A música funcionou como nunca, e afora Keith e Mick, todos estavam certos que tinham o próximo hit da banda nas mãos. O resto da sessão foi dedicado a "My Girl," "Good Times," "Cry To Me," "I've Been Loving You Too Long," "One More Try," e "The Spider And The Fly."
Mas antes de se encerrar sessão, Bill Wyman apronta uma brincadeira com a galera. Ao ver um pequeno grupo de groupies aguardando na sala de espera do estúdio, ele as convida a entrarem sobre uma condição... De repente Bill está entrando no estúdio propriamente dito, onde a banda e equipe técnica estão reunidos, com um sorriso matreiro na face. Logo atrás dele entram umas seis meninas totalmente nuas. O sangue e outras coisas sobem e Andrew Oldham é o primeiro a escolher uma, levá-la para o aquário (apelido para a parte do estúdio onde fica todo o equipamento de gravação) e sobre a mesa, começa a ter relações.
Depois todos foram para seus hotéis. Todos menos Andrew, Keith, Mick que como de costume, ficam até mais tarde para trabalhar mais nas músicas. Gravam com o auxilio de Dave Hassinger, o engenheiro de som, os overdubs e vocais, antes de mixar o material, só deixando Los Angeles com tudo pronto.
Califórnia
Depois dos shows em San Francisco e San Bernardino, voltam a Los Angeles e após a sua apresentação, quase são mortos ao tentar deixar o local. Já dentro da van com Stu, uma multidão não permite que o veículo saia nem para frente nem para trás. A histeria é tanta que as pessoas começam a ser esmagadas contra os lados da van, sendo obrigadas a subir no teto para buscar ar e proteção. O teto da van sede e todos tentam evitar uma tragédia, sustentando o teto com as mãos como que pilares humanos. Todos menos Bill Wyman que está ocupado demais cantando algumas das meninas para perceber que a razão dele ter que inclinar pro lado é porque o teto esta cedendo. Logo a realidade assustadora fica impossível de ignorar e a banda inteira está deitada de costas com os pés no teto tentando segurar a massa. Os minutos passam e as pernas começam a doer, querendo começar a dar cãimbra. A polícia em pânico, avançou sobre a população com seus cacetetes, espalhando sangue para todo lado. Muitas pessoas foram depois levadas para o hospital. O veículo seguiu então para o aeroporto e chegando lá, admiram do alto da escadaria do avião, o Sedan todo amassado. Estavam chocados mas aliviados de que sobreviveram ao incidente sem maiores ferimentos.
Filhos
Curiosamente, após uma serie de shows em Nova York, a banda chega em Londres e descobre que existe um processo contra Charlie, acusado de ser pai de uma criança de quatorze meses, que teve com Christine White, de 19 anos, filha de um taxista. Charlie seria absolvido, e a acusação, considerada falsa no mês seguinte.
Mas o mesmo não era o caso de Brian. O casal volta a se separar e Linda Lawrence entra na justiça pedindo pensão para seu filho Julian Mark Jones, que atendia pelo nome de Mark. Obrigado a morar com os pais, que tomam conta do menino enquanto ela trabalha, Linda, que havia começado a trabalhar como cabeleireira, agora desenha e cria roupas jovens, sonhando algum dia ter sua boutique.
Não demorou muito e Pat Andrews também estaria na justiça pedindo pensão para o seu filho Mark Julian Jones, que atendia pelo nome de Julian. O advogado dos Rolling Stones, Dale Parkinson, ficou encarregado de cuidar do assunto que se estenderia por vários meses.
Bob Dylan em Londres

Allen Ginsburg também presente, estava em um estado misto de alívio e admiração. Alívio que nasceu alguém da nova geração que pudesse seguir o trabalho de contestação intelectual iniciado pela Beat Generation a que ele representava, e admiração por Bob Dylan fazer isto tão bem em um período histórico tão propício.
Satisfaction
(I Can't Get No) Satisfaction é lançado inicialmente nos Estados Unidos, rapidamente se tornando No.1 nas paradas da Billboard. Na Europa, a canção vaza através de copias importadas e transmissões em rádios piratas. Ela é rapidamente assimilada pela crescente população jovem como hino contra as regras desta sociedade em que crescem mas não abraçam. Os Rolling Stones se tornam definitivamente a voz da juventude contra a opressão adulta. Adultos (pessoas nascidas muito antes de 1940), são vistos como uma estirpe com códigos de condutas antiquadas, ineficientes e moralmente questionáveis, dada ao cinismo social visivelmente em prática.
Em meio ao vácuo entre as gerações que a cada dia aumenta, escuta-se falar em desejo de paz, mas os governos investem cada vez mais em armamento bélico; dividem a Europa em duas, uma capitalista outra comunista; França faz cada vez mais testes nucleares no pacifico sul e divide com Inglaterra e Bélgica, políticas opressivas em suas possessões na África. Nos Estados Unidos, sua política externa manda cada vez mais tropas para Vietnã, Laos e Camboja, em uma guerra não declarada, enquanto dentro do pais, rechaça violentamente os universitários que exercessem seus direitos constitucionais de protestar contra o envio de mais jovens para a guerra.
Paralelamente, o sistema procura com extrema sutileza, manter a população negra oprimida sobre o domínio do homem branco. Assim, a constituição americana afirma que todos os homens têm direitos iguais, mas a concepção da lei, na prática, exclui o homem negro. (I Can't Get No) Satisfaction portanto é associada à insatisfação de várias injustiças sociais e com o cinismo existente, de onde estas injustiças se escondem. Moralidade cínica onde a castidade de suas filhas é fundamental para a honra da família, mas ao homem é permitido e incentivado buscar prazeres fora do lar. Onde Deus abençoa todos os homens mas está do lado apenas de quem acredita nele da forma que certas facções religiosas entendem.
A canção se torna a mensagem da geração de sessenta, diretamente para o clero, para os empresários, para os políticos, enfim, para as autoridades do mundo em geral, afirmando que o que chamam de "O Mundo Livre", (termo associado aos países capitalistas, em oposição a "Cortina de Ferro", termo associado aos países comunistas), é uma mentira e que os jovens desta geração não estão caindo na conversa. Não desejam perpetuar a farsa. Percebem que o mundo que encontram, agora que chegam à idade da razão, negligencia uma liberdade autêntica de expressão, nega a sexualidade de cada indivíduo, e aprisiona o povo em uma ética regido por conceitos de séculos atrás. Assim, cria-se uma população voltada quase que exclusivamente para a produção em massa, meta maior nesta sociedade tecnocrata.
A canção Satisfaction toca no subconsciente geral dos jovens que através dela estão dizendo que a juventude desta geração enxerga pelas fendas deixadas pela hipocrisia. Que nesta sociedade que supostamente deveriam defender, a liberdade sexual ou liberdade de escolher seu estilo individual de viver a sua vida, não é possível. Portanto não há nada livre neste chamado mundo livre. A canção espelha bem a insatisfação geral entre "a nova geração", e cada vez mais os jovens passam a perceber e tomar consciência de seus pontos em comum. A unidade fundamental para qualquer movimento finalmente nasce e com ela, viria em poucos meses, o movimento hippie e a chamada contracultura.
E o Dinheiro?
Para a surpresa de todos, enquanto o EP ao vivo Got Live If You Want It estava vendendo bem nas lojas, as contas bancarias não estavam exatamente cheias. A banda começa a indagar e perceber que o dinheiro não está entrando, mas o bom credito permite que eles se endividem comprando ou alugando, cada um, uma residência nova.
Brian se mudou para uma casa luxuosa em Chelsea, passando a pagar um aluguel salgado de £272. Apesar do ar aristocrático, seus modos caseiros continuavam os mesmos dos tempos de Edith Grove, tendo somente suas guitarras e seus discos visivelmente cuidados e arrumados. Charlie e Shirley em Julho compram uma casa valorizada em £8.850, construída no século XVI em Lewes, Sussex. A casa já fora do Arcebispo de Canterbury e além de muita área espaçosa, tinha estábulos. O casal, conhecido pela admiração que tem por cavalos, não poderia ter escolhido residência mais apropriada.
Mick e Keith, que moravam juntos em um apartamento no primeiro andar, estavam cansados de chegarem em casa e descobrir a residência invadida por fãs que eventualmente levavam pertences pessoais como souvenirs. Keith passa a procurar um lugar para morar com Linda Keith, sua namorada. Alugou então um apartamento em St. John's Wood, perto de Abbey Road. Mick alugou provisoriamente um apartamento em Marble Arch. Antes de se mudar, Mick morou algumas semanas na casa do fotógrafo David Bailey. Certo dia, Bailey estava fotografando uma modelo desconhecida quando Mick entra no quarto. "-Mick, estas fotos não estão acontecendo. Chega aqui um instante, por favor. Jacqueline, pula nas costas dele." E foi esta foto, que iniciou a carreira de Jacqueline Bissett.
Mick e Chrissie
Embora o casal tenha afeto sincero um pelo outro, Mick e Chrissie invariavelmente estão brigando. As vezes nem sabem porque. Mick odeia cenas mas Chrissie é excessivamente sincera; portanto grita e fala tudo que lhe vem à cabeça. Ao mesmo tempo, ela vai aprendendo até onde uma tática funciona conforme o desejado ou não. O casal briga, se separa, mas acabam voltando pouco depois. As amigas de Chrissie não entendem como ela pode deixá-lo; Mick Jagger, o grande símbolo sexual! Como se, o que mais poderia ela querer?
Esta idéia a incomodava, como se ela não pudesse sobreviver sem um homem. Chrissie começa a criar sua própria proteção, aprendendo conforme vai apanhando. Quando Mick a fez prometer nunca aceitar drogas de ninguém, ela concordou orgulhosa da proteção dispensado e do discernimento do namorado em não cair nas armadilhas do sucesso. Depois em uma festa no the Scotch of St. James Club, promovido por Andrew para todo o escritório dos Rolling Stones Ltd., ao ser oferecida um baseado, ela nega a oferta explicando que Mick não aprova. Nisto as pessoas riram da sua ingenuidade e ela é informada que ele é visto fumando o tempo todo. Complementam informando de que ele estava há pouco "doidão" numa roda, fumando com os demais da banda. Estas coisas doem, mas com a dor, Chrissie aprende.

Quando Keith comprou um Austin 1100 para sua mãe depois que ela tirou uma carteira de habilitação, Mick procurando carros com o amigo aproveita e compra um Austin Mini branco para Chrissie. Mas ela já sabe sobre Tish, namorada americana de Mick, que está passeando em Londres. A briga escala, ela grita e esperneia em um ataque histérico. Jagger odeia atitudes 'un-cool', odeia cenas, e portanto simplesmente vai embora e passa uma semana com Tish. Chrissie então pega o seu passaporte e vai para a América com o cantor PJ Proby que a vem cantando sempre que tem uma oportunidade. Aproveita a passagem em Nova York e aceita o convite da revista teen americana Tiger Beat, para ser uma colunista, reportando o que se passa na Swinging London.
Mick, em retaliação, coloca Tish morando com ele enquanto ela estiver no país, mas assim que Chrissie volta e o procura, ele está chorando pedindo perdão. Encontram-se no apartamento de Chrissie e ela o obriga a ligar dali, para sua casa e pedir a Tish que se retire. Ela sabe que se não for agora, Mick é capaz de perder a coragem e ficar enrolando indefinidamente. Tish é informada que a lua de mel acabou e Mick em seguida pede a mão de Chrissie em casamento. Pega de surpresa, passam uma noite extremamente romântica. Ela então está autorizada a procurar uma casa bonita para morarem. A cerimônia é planejada para provavelmente a primavera do ano que vem. Quando Mick anuncia os planos de casamento para Andrew, o produtor entra em crise de choro.

Apesar de dois anos de excursões extensas, quatro discos de ouro, o último com o recém lançado "Satisfaction," já No.1 no Reino Unido e logo em boa parte da Europa, a banda continuava recebendo a mesma mixaria semanal de £50 referentes a vendas dos seus discos. Mick e Keith ainda contavam com uma soma referente aos direitos autorais, o que ajudava, mas todos na banda imaginavam que o dinheiro demoraria para entrar, mas inevitavelmente entraria.
Enquanto isso, Eric Easton questiona Norman Weiss, o agente que cuida das excursões americanas da banda, sobre os contratos de um milhão de dólares que ele consegue para Epstein com os Beatles e o porque que os Stones não recebem oferta igual? Seu sócio Andrew Oldham por outro lado, toma medidas mais drásticas e contrata Allen Klein e seu advogado Marty Machat.
Allen Klein é um advogado Nova Yorquino com uma vasta clientela em Londres. Ele é odiado por praticamente todos com quem já tenha negociado. Klein joga duro e fez todos os artistas a quem ele representou mais ricos, ganhando com isso uma considerável porcentagem.
Ele chegou a Londres pelas mãos de Mickey Most, produtor e empresário de várias bandas, que o convidou a representar os seus artistas. Seu sucesso em melhorar os contratos de tantos artistas, levou Andrew a contratá-lo como consultor financeiro. Klein agora passa a representar Oldham e todos os negócios que Oldham representa. Easton e Oldham que desde o ano anterior já não conseguem trabalhar como um time, se dividirão de vez.
Porcentagens e Promessas

Três dias depois, em reunião para assinatura de contratos, a banda toma ciência de que a Decca estava pagando 14% de royalties à Impact Sound (Oldham e Easton) enquanto estes repassavam apenas 6%, como fora acordado, sendo que tendo ainda direito a 25% destes 6%. Recebem na hora um cheque de £2.500 libras cada um, como garantia pela mudança de gerenciamento de Oldham para Klein. Ficaram também prometidos dez pagamentos anuais de $7000 dólares vindos da Decca inglesa, portanto cobrindo de julho de 1965 até julho de 1974. Em seguida foram entregues cópias a cada um de uma carta oficializando a passagem de responsabilidades de gerenciamento da banda, que antes cabiam ao Oldham, agora para Klein, representante de Oldham.
Antes de entrarem na sala de reuniões com os advogados da Decca para renegociarem outro contrato com a gravadora, Allen Klein distribui óculos escuros para os cinco membros e instrui para que eles permanecem quietos e impassíveis durante a negociação. Keith Richards comentou anos depois de como foi impressionante assistir aqueles advogados aceitarem todas as exigências de Klein. Os Stones até então haviam faturado um estimado £100.000 libras pelas vendas dos seus discos pela London, representante da Decca nos Estados Unidos, e £150.000 da Decca na Inglaterra. Klein imediatamente transformou isso em um adiantamento de £1.000.000 de libras pela Decca e outro £1.800.000 da London, referente ao mercado americano e canadense. Os Stones estavam ricos e com o melhor contrato de todos, ganhando bem mais até do que os Beatles, mesmo não vendendo tantos discos quanto eles.

O detalhe interessante é que Eric Easton sequer foi convidado à reunião. Klein e Oldham passam a fazer todo o possível para Easton não ter condições de continuar a trabalhar dentro da equipe e inevitavelmente ele saiu em definitivo. Saiu mas apenas de cena. Seu contrato com a banda continuaria válido por mais alguns meses. Easton aguardaria a melhor oportunidade para então processar Andrew Oldham, Allen Klein e os Rolling Stones em uma batalha judicial que iria se prolongar por muitos anos. Dia 28 de Agosto, novos contratos entre Allen Klein, Andrew Oldham e os cinco Stones foram assinados.
Toda Semana Tem
Tanto Brian Jones quanto Bill Wyman estavam com certas reservas em relação a Allen Klein, mas com um cheque gordo já depositado nas contas, ninguém teve muito argumento para contestar o andamento das coisas. Mesmo porque a interminável vida na estrada também contribui para manter a banda ocupado demais para ficar fazendo muitas perguntas. Mick e Keith, sentindo-se devidamente protegidos pela asa de Andrew Oldham, estavam irradiantes com as possibilidades que surgiam para o ano.
Durante todas as negociações, a banda continua se apresentando ao vivo. Quando não estão tocando na Inglaterra, estão na Escócia, Noruega, Finlândia Dinamarca e Suécia. Em Copenhagen, enquanto testando o som, Mick Jagger toma um choque violento do microfone, assim como também Bill Wyman ao tentar auxiliá-lo. Foi Brian Jones quem salvou o dia, puxando a tomada da parede. As mãos de Mick sofreram queimaduras, mas à noite tocaram para 2.000 pessoas. Em outro show, de molecagem ou rebeldia, a guitarra do Brian está extremamente alta, o que não permite a Mick se ouvir.
Outras Idéias

Immediate Records
Andrew Oldham também tinha outras idéias para seu pequeno império. Ele acreditava que para uma banda como os Rolling Stones, é mesmo necessário uma grande estrutura de uma grande gravadora. Porém para os seus outros artistas menos badalados, ele concluíra que uma gravadora menor poderia cuidar melhor, dando um tratamento quase familiar ao artista pequeno ou médio. Com este raciocínio inovador, ele funda o selo Immediate Records que teria seus lançamentos distribuídos pela Phillips Records.

A festa de inauguração da Immediate foi no dia 20 de Agosto e teria presença dos Stones e de amigos como Eric Clapton, Mike Clark dos Byrds e Nico, atriz, modelo e cantora que ainda iria fazer um nome para si ao lado do Velvet Underground, mas antes, teria um compacto seu pela Immediate. O compacto tem em "I'm Not Saying", seu lado B, a participação de Brian Jones tanta nas guitarras como nos backing vocals. O lado A teria a curiosa co-autoria de Oldham-Page chamado "The Last Mile", sem Brian mas com Jimmy Page na guitarra. Nico e Brian também teriam um relacionamento relâmpago.
O pequeno selo independente seria precursor em um empreendimento que ganharia força na decada de setenta, durante a era punk. A Immediate deixaria suas maiores marcas ao lançar as bandas Small Faces, Nice e Humble Pie. Mas no ano de seu lançamento, além de contribuir com composições, Keith Richards grava guitarra no EP de Chris Farlow, chamado In The Midnight Hour, produzido a três mãos por Andrew Oldham, Mick Jagger e Keith Richards (We Three Productions).
O pequeno selo independente seria precursor em um empreendimento que ganharia força na década de setenta, durante a era punk. A Immediate deixaria suas maiores marcas ao lançar as bandas Small Faces, Nice e Humble Pie. Mas no ano de seu lançamento, além de contribuir com composições, Keith Richards grava guitarra no EP de Chris Farlow, chamado In The Midnight Hour, produzido a três mãos por Andrew Oldham, Mick Jagger e Keith Richards (We Three Productions).
Gravações Para Se Colecionar
As relações comerciais entre Oldham e Page permitem a aproximação entre Jimmy e os demais Rolling Stones, a ponto deles participarem de várias gravações informais que vieram a ser lançadas no álbum Guitar Boogie. Nele temos Bill Wyman tocando em "Choker" e "Snake Drive" e o trio Bill Wyman (baixo), Ian Stewart (piano) e Mick Jagger (gaita) participando em "Draggin' My Tail" e "West Coast Idea", todas composições de Eric Clapton e Jimmy Page, tendo com eles a assistência do baterista Chris Winters. As sessões são teoricamente produzidos por Andrew Oldham. Outra raridade fica para a sessão de The Lancasters, gravando "Satan's Holiday (Nanker Phelge)/Earthshaker" (Kim Fowley/Ritchie Blackmore). A banda para estas duas gravações inclui Keith Richards e Ritchie Blackmore nas guitarras, Nicky Hopkins no piano, Chas Hodges no baixo, Mick Underwood na bateria e Reg Price no sax.

Em 1965, Lulu & the Luvvers gravam "Surprise, Surprise". Esta canção seria gravada também pelos Rolling Stones, e editada em um álbum de vários artistas chamado Fourteen e lançado pela Decca, com o lucro visando caridade. Vashti gravaria "Some Things Just Stick In Your Mind" produzido por Oldham; The Thee gravariam "Each And Every Day Of The Year"; The Mighty Avengers gravariam a curiosa "Sleepy City" além de "Sir Edward And Lady Jane", esta última composta por Andrew Oldham e finalmente, Jimmy Tarbuck gravaria para Immediate "We're Wasting Time", outra composição obscura da dupla.
Relacionamentos em Declínio

Quando voltam, Bill passa a procurar por uma nova residência. Ele se interessa por uma casa de oito quartos em Kent, que custava £12.000. Ele utiliza o dinheiro da assinatura do contrato com Klein, e negocia um empréstimo com a Rolling Stones Ltda. de £5.150, para poder fechar o negócio.
Chrissie encontrou a casa dos sonhos em Bryanston Mews East. A relação dela com Mick porém voltara a ser conturbada. Depois do incidente com Tish e Proby, e o subsequente pedido de casamento, ela passou a tentar bancar a esposazinha, fazendo café da manhã e tendo janta pronta para o seu maridinho quando este chegava do trabalho. Mick porém odiou a mudança. Percebeu que no mundo delirante do entretenimento, precisava mesmo era de alguém que o criticasse e o mantivesse com os pés na realidade. Passa então a reclamar e colocar defeito em tudo que ela faz.
Chrissie em final de mês, parte pra cima de Jagger, lhe socando e arranhando o rosto, deixando uma marca que ficaria por um bom tempo. Jagger esgoela em dor e sai correndo para outra cômodo. Ela mais calma se arrepende do que fez. Ao voltar Mick lhe pede desculpas mas informa que não deseja mais casar e uma nova discussão se inicia. Ele quer continuar com ela mas só iria casar quando resolvesse ter filhos e isto não estava nos seus planos ainda. Magoada, Chrissie resolve então que não iria mais morar com ele se Mick não desejava o casamento. Arruma suas coisas e sai de sua vida mas é aconselhada pela sua mãe a aceitar a relação nos termos que Mick quer. Clássica mentalidade de que a moça solteira, uma vez se tornando mulher, deva fazer e agüentar tudo para manter o seu homem e não ser difamada. Assim, Chrissie volta a morar com Mick em sua nova residência, mas sem abrir mão do seu apartamento. Mick contrata uma empregada portuguesa chamada Maria para ajudar com os afazeres da casa. Algum tempo depois, escreveria a canção 19th Nervous Breakdown e Under My Thumb, claramente inspirado pelo relacionamento entre os dois.
Enquanto Keith e Linda Keith viajam para o sul da França, Mick e Chrissie, mais Brian e Linda Lawrence vão para Tangier, Marrocos. O local agrada todos e eles ainda irão voltar a cidade mais algumas vezes. Lá Linda Lawrence e Brian conversam e entram em um acordo quanto à pensão de Mark. Retornando, Linda descreve a viagem como o melhor passeio de sua vida. Retira o processo correndo contra Brian para que ele pague uma pensão, confirmando um acerto entre os dois. Segundo Linda, Brian concordara em depositar uma soma considerável de verba para ser investida na educação e etc. de Julian. Ele também teria concordado em ajudar nas finanças de uma boutique onde Linda venderia suas criações. Mas Brian nega dizendo que houve apenas um acordo entre os dois quanto à soma a ser depositado referente a pensão do menino. Afora isto, ele considera seu relacionamento com Linda encerrado.
Irlanda
Durante a passagem pela Irlanda, filmam o público e o evento, com intuito de montar imagens para promover o próximo compacto, mas, influenciado pelos filmes dos Beatles, Oldham acaba optando por lançar o material como um pequeno documentário que seria chamado "Charlie Is My Darling". O nome surge de um comentário feito por uma das fãs entrevistadas.
Durante o segundo show em Dublin, tumulto e briga invade o palco no final. Bill torce o braço e Andrew tem sua cabeça rachada ao tentar livrar a banda dos invasores. Brian lutava contra três adolescentes, mas junto com Keith, conseguiu escapulir rapidamente para um carro que os aguardava. Mick levantado no ar e retirado, perdeu seu casaco, que foi todo rasgado, e Charlie quase foi soterrado por sua própria bateria, revirada sobre ele.
Apesar do susto, recobram a fibra viajando para Los Angeles para gravar "Get Off My Cloud", seu próximo compacto. Jack Nitzsche e Ian Stewart estão auxiliando nos teclados e a sessão segue até o dia seguinte. Ao término, além da exaustão, estão com "I'm Free" e "Looking Tired" igualmente prontas. Continuando a exaustiva programação, amanhecem cedo para pegar o avião matutino de volta a Londres, aproveitando a viagem para dormir. Chegam com tempo apenas de passar em casa, trocar de roupa e voltar para o aeroporto, desta vez indo para Douglas na Ilha de Man, para um show. Pernoitam lá seguindo então para a Alemanha.
Alemanha 65
Na Alemanha, durante o show de Hamburgo, a brutalidade da policia para com o público era chocante. Entre apresentações, com a banda bebendo no camarim, Keith mija em uma garrafa de Whiskey ainda pela metade. Sacode bem a garrafa e oferece como cortesia para a policia do lado de fora. Eles agradecem e bebem, brindando à saúde da banda.

Anita Pallenberg

Assistiu o primeiro show da noite dos Rolling Stones e depois conseguiu, através de um amigo fotógrafo, acesso ao backstage. Como muitas meninas ao redor do mundo, ela estava ouriçada com a possibilidade de conhecer um Rolling Stone. Quando ela apareceu, Mick Jagger e Keith Richards logo mostraram seus sorrisos e soltaram o charme, porém bastou Brian entrar na sala que ninguém mais teve chance.
Conta-se que ela simplesmente ficou encantada com a figura atraente do Brian Jones de roupa branca e os olhares logo mostravam permissividade. Brian ficou igualmente tomado por sua presença. Anita era de fato extremamente atraente e como era de se presumir, passaram a noite juntos.
Depois dos shows na Alemanha a banda tocou na Áustria em seu último show da excursão Européia, dia 17 de Setembro. O clima foi marcado pela ameaça de uma bomba na qual a policia, embora não dispensando maior credibilidade à veracidade da denúncia, revistou o local completamente antes de admitir a entrada do público. De fato, o show transcorreu normalmente com uma platéia animada.
De Volta a Londres
Terminada a excursão, a banda teria uma semana de descanso antes da excursão Britânica. Ainda assim, haveriam reuniões entre a banda e Oldham sobre a situação Easton - Klein. Eric Easton e Mick Jagger conversam em certa ocasião onde Eric questiona como a banda poderia querer trabalhar com Klein conhecendo sua reputação de negociante sem ética? Mick deixava claro que a reputação não interessa, o que interessa são os contratos com valores gordos que ele é capaz de negociar.
Analisando a questão posteriormente, Easton conclui que Mick e os rapazes estavam com medo de não durarem. Temendo acabar dentro do próximo ano, só se interessavam pelo dinheiro adiantado que conseguiriam de imediato, sem tentar enxergar os negócios como algo que oferecia um entrante duradouro. Decepcionado com a facilidade que fora dispensada, ele resume seus pensamentos com um, "Eles aprenderão."
Em setembro, sai no mercado o terceiro album da banda, "Out of Our Heads". As músicas, compreendem todo o material gravado nos Estados Unidos, basicamente no Chess Studio de Chicago e o RCA Studio de Hollywood. Os Stones regravam diversos números de soul, deixando visível a admiração pelo gênero e suas composições estão melhores, a dupla Jagger-Richards acertando em cheio com os primeiros do que viria a ser uma série de eternos clássicos, Satisfaction (que não está no disco), The Last Time e Play With Fire. É o primeiro álbum que chega a No.1 na América e um ponto de partida para a qualidade sonora da banda em discos por vir. No geral, todos concordam que os americanos gravam discos de r&b melhor do que os ingleses. A canção Satisfaction rapidamente chega a No.1 no país.
A Modelo e os Lords
Enquanto os Stones estão na América, Anita Pallenberg está fazendo nome na Inglaterra. A beleza e cultura da modelo a ajudam a atrair atenção no jet-set inglês. Com um magnetismo pessoal invejável, Anita seduz todos com seu sotaque estrangeiro e um olhar de tirar o fôlego. Ela faz amizades com os filhos de Lord Harlech, Jane, Julian e Victoria, e através delas, freqüenta o círculo fechado da aristocracia. Anita aguardava pela a volta da banda. Quem não soubesse do encontro em Munich, juraria que Brian e Anita se conheceram em Londres.
A Moda Muda
Foi por volta do final do ano de 1965, que começou-se a cogitar que a onda pop não era uma coisa tão passageira assim. Membros da elite londrina, a chamada "high society", passam a olhar para pessoas da industria de música pop com maior admiração. Não coincidentemente, é nesta época que os Beatles são condecorados pela Rainha como súditos reais.

Com a sociedade discutindo sobre a moralidade de se usar anticoncepcionais, surge a mini-saia, o bikini e mais adiante, o topless ou monokini. As modelos passam a ter uma maior representação na mente e na imagem da sociedade. Surge Twiggy, a primeira modelo extremamente esbelta. Até então, a mulher voluptuosa, puxando para gordinha, era a imagem do belo e saudável. Twiggy marca a era das magras, como sendo referência do que é sexy. Ela seria considerada em 1966 "o rosto", gíria mod, para designar padrão a que os outros devem imitar.
Badalação Na Cidade
Quando estão na cidade, fora Bill e Charlie que são casados e preferem uma vida mais caseira, longe do bochicho, todos passam as noites badalando a cidade. A moda e a música pop estão em plena efervescência e o jet-set está interessado em artistas pop como nunca. Com isso, a barreira das classes, uma barreira extremamente espessa na Inglaterra, estava dando vazão ao impensável. Assim, passam a receber convites para freqüentar festas transitadas pela realeza e pela aristocracia, especialmente Mick Jagger.

Brian sempre que pode, está fugindo para Paris ou Estocolmo, ou outras capitais européias, procurando conhecer pessoas e bochichos, nestas nações. Quando Brian ficava em Londres, sua turma de amigos incluía geralmente Eric Clapton, John Lennon, George Harrison, Georgie Fame, Eric Burdon, Dave Davies, Amanda Lear, Marianne Faithfull, John Dunbar, Robert Frazer e Tara Browne. Os clubes favoritos variam de nomes, The Ad Lib, the Scotch of St. James, Bag O'Nails e o Speakeasy são alguns dos locais mais na moda entre as celebridades.
Excursão Britânica
Durante a excursão Britânica, um novo chofer é contratado pela Rolling Stones Ltda. Seu nome é Tom Keylock e ele passaria a trabalhar pelos próximos anos, muito perto dos próprios Rolling Stones. Esta excursão tem como bandas de abertura The Spencer Davis Group, Unit Four Plus Two e uma banda empresariada por Wyman chamada The End. Em algumas noites, também haveriam shows com The Moody Blues.
A nova excursão tinha novidades. O repertório evitava velhos favoritos, tentando concentrar-se na promoção do material mais novo. Apresentam "Mercy Mercy", "Cry To Me", "That's How Strong My Love Is", "Play With Fire", "Oh Baby", "I'm Moving On", "The Last Time", fechando o set com "Satisfaction". As roupas são mais coloridas, os Stones até sorriem de vez em quando, e o público aplaude freneticamente as danças de Mick Jagger ou quando Brian Jones passa para um órgão elétrico durante as canções "That's How Strong My Love Is" e "Play With Fire".

Em Bradford, havia um jantar com galinha, frutas sortidas e whiskey patrocinadas pela mãe de um dos rapazes que a banda visitou no hospital no ano anterior. Sua bondade e esforço em se mostrar agradecida pelo gesto dos rapazes passaria no futuro a ser padrão da vida itinerante de uma banda, com contratos prevendo comida para banda e comitiva.
O público que a tempos passaram a jogar balas e amendoins no palco e nos músicos, em alguns shows passam a jogar outras coisas. Em Leeds, Mick Jagger aparece com seu rosto marcado por uma moeda que o acertara no show anterior. Em Liverpool, um rapaz foi preso tentando entrar carregando uma espingarda de cano duplo. Em Northampton, durante a primeira canção, uma chuva de balas e cigarros cai sobre o palco. De repente algo acerta Keith no rosto que gira e cai sobre os amplificadores, depois no chão, permanecendo imóvel. O público vaia achando tudo fingimento. Jagger larga o microfone para ver como estar o amigo enquanto Brian acena para baixarem a cortina. Alguém sobe no palco para contar piadas, distraindo o público enquanto se aguarda o desenrolar. Keith pouco depois desperta, retoma a coragem e recomeçam o show.
Final de Ano na América, '65

Notícias de Londres informam sobre a necessidade de se contratar mais pessoas para poderem ler e responder as cartas dos fãs, tamanha a quantidade recebida diariamente. Outra noticia é menos agradável. Aparentemente outra banda queixa-se de ser dona do nome Rolling Stones. De fato, seu líder, Brian Stone, comprova registro do nome datado de 1957. A banda, originariamente de Bristol, toca em cabarés com seus membros já em idade madura. O problema não teve maiores repercussões legais.
Abrindo para os Stones estão the Vibrations, Patti Labelle & the Bluebells e the Rockin' Ramrods. Durante a excursão Keith Richards perderia seu passaporte por duas vezes, criando dificuldades para entrar no Canadá em duas ocasiões distintas.
Festa em Manhattan

Bob e Brian se veriam e conversariam muito durante os próximos dias, Dylan tomado não só pela musicalidade de Brian como também pela sua honestidade e sinceridade, atributos que Dylan mais admira em uma pessoa. Brian tendo falado abertamente sobre seus problemas dentro dos Rolling Stones criou em Dylan esta imagem de sinceridade. Não muito depois disto, Bob Dylan ainda em 1965, estaria anunciando em seu show no Carnagie Hall uma nova canção chamada Like A Rolling Stone, escrita, segundo ele, para Brian Jones.
Três dias depois, havia uma grande festa marcada no Ondine's Club. Mas às cinco da tarde, toda a força elétrica da cidade sumiu no primeiro entre dois blackouts em toda a história da cidade. A cidade de Nova York ficou sem energia elétrica de cinco da tarde até as cinco da manhã. Brian estava dentro de um Cadillac com chofer, voltando de Uptown onde ele conseguiu erva (maconha) e bolas (anfetaminas). A cidade inteira estava às escuras e a loucura habitual estava ainda mais exacerbada nesta noite.
O hotel ofereceu velas para todos os hóspedes e a festa na Ondine's embora cancelada, foi apenas substituída por outra festa, nos corredores do andar tomado pelos Rolling Stones e sua equipe. As fãs que conseguiam subir até o andar comentavam que precisaram pagar um boquete para os seguranças na portaria para terem acesso às escadas.
Por volta de uma da manhã quase houve um pequeno incêndio com uma vela caindo em cima de uma das camas. Um balde de gelo derretido acabou com o problema apesar de feder o ambiente. DJ Scott Ross, um dos participantes, conta que o clima da noite era mesmo de experiências divididas por todos. Brian chega com uma mão cheia de capsulas azuis, vermelhas, amarelas e listradas. "Prova algumas, são ótimas." Provavelmente nem Brian sabia o que eram, engolindo todas, misturando depois com bebida.
Lá pelas tantas chega Bob Dylan e vários dos seus amigos batendo na porta de Brian. "Isto é uma invasão vindo de Marte." diz Dylan rindo, enquanto Brian sorri feliz como um garoto. "Legal vocês aparecerem. Eu tenho uma erva mexicana aqui excelente, deixa eu te apresentar." Acontece então uma histórica sessão acústica com Brian Jones, Bob Dylan, Robbie Robertson e Bobby Neuwirth. O quarteto passaria a se referir a esta noite como "The Lost Jam" (O Improviso Perdido). As pessoas foram aos poucos encontrando um cantinho para dormir. Havia gente acordando nos mais variados lugares.
Mais Incidentes

Brian provoca a banda com teimosias inexplicáveis e situações de atrito desnecessários. Em Texas, a caminho de Dallas, a banda para para comer em um restaurante de beira de estrada. Brian se recusa a ir com eles esperando no carro. Quase uma hora depois quando voltam para seguir viagem, Brian informa que está com fome, entra na birosca e passa a comer afrontosamente devagar, olhando pela janela todos obrigados a lhe aguardar. Emputecido, Andrew manda um dos ajudantes ir lá busca-lo. Brian é arrancado a força com seu cheeseburger semi-comido ainda na mão, enquanto todos do local assistem à cena espantados. A banda na van está as gargalhadas mas Brian se sente totalmente humilhado com o desfecho do episódio.
No geral, a excursão foi bem com as já usuais invasões de fãs nos quartos dos hotéis. Em locais onde a banda se sentia mal recebida pela gerência, eles descontavam como podiam, mijando nas pias ou outras pequenas demonstrações de rebeldia. Os últimos shows da turnê são realizados nos dias 3, 4 e 5 de dezembro; todos na California. Durante a apresentação para 4.500 pessoas no Memorial Hall em Sacramento, tudo ia bem até tocarem "The Last Time." Na hora do refrão, Keith Richards se aproxima do seu microfone e percebe que está apontando para a direção oposta. Com sua guitarra, ele dá uma pancada seca no aparelho, tentando girar o microfone em sua direção.

Em San Francisco, Brian e Keith freqüentam uma das famosas festas de Ken Kesey e seus Merry Pranksters. Lá, na companhia de beatnicks, artistas e intelectuais de diversas áreas, participam do que passou a ser chamado de o teste de ácido, sendo apresentado assim ao Ácido Lisérgico Dietilamida, mais conhecido como LSD.
Em San Francisco, Brian e Keith freqüentam uma das famosas festas de Ken Kesey e seus Merry Pranksters. Lá, na companhia de beatnicks, artistas e intelectuais de diversas áreas, participam do que passou a ser chamado de "o teste de ácido", sendo apresentados assim ao Acido Lisérgico Dietilamida, mais conhecido como LSD.
O ácido tem uma história muito ligado aos eventos dos próximos anos, não só na esfera artística, como em toda contra cultura que passou a existir, principalmente, embora não somente, nos Estados Unidos. O ácido teria um auge popular que duraria aproximadamente entre 65 e 73, embora seu uso seja detectado até hoje. Por isto creio ser válido fazermos uma pausa para entender suas origens.
Um Rápido Histórico
O ácido Lisérgico Dietilamida (Lysergic Acid Diethylamide), foi criado por um cientista sueco chamado Dr. Albert Hofmann em 1938, tirado do extrato de um fungo encontrado no centeio, chamado ergot. Dr. Hofmann procurava um remédio para estimular a circulação do sangue no corpo humano e aparentemente, levaria outros cinco anos testando a droga até descobrir acidentalmente seu poder alucinógeno.
Em 1942, um órgão militar americano chamado OSS (Office of Strategic Services) estava reunindo os mais capazes cientistas civis e militares para trabalharem em um programa ultra secreto. Procuravam uma droga que pudesse dobrar a defesa psicológica de um espião inimigo, assim, induzindo-o a falar qualquer segredo que ele tentasse esconder. Foram testadas diversas substâncias como cânabis, barbitúricos, peyote e até cafeína.
Na década de cinqüenta, a CIA havia se interessado pelo programa. Em Abril de 1953, ele é batizado de MK-Ultra e chefiado pelo Dr. Sidney Gottlieb. A CIA cria então o seu programa TSS trabalhando paralelamente com o OSS no projeto agora chamado Artichoke. O LSD chama a atenção da agência, por ser uma droga sem odor, incolor, e eficaz com apenas uma gota.
Hubbard & Osmond
Afora as experiências militares que estavam sendo feitas, estudos da mente humana com o uso de psico-ativos já eram realizados desde a década de quarenta. Havia grande euforia na esfera da psicologia em relação à possibilidade de aprender sobre a mente humana e abrir o caminho para estudos mais conclusivos sobre a loucura. O homem a conseguir isto poderia ganhar um Prêmio Nobel. Assim, vários foram os estudos com substâncias psico-ativas durante as décadas de quarenta à sessenta.
Um dos primeiros cientistas a se interessar por esta causa foi o Dr. Humphry Osmond. Ele já havia realizado um vasto estudo sobre mescalina quando aprendeu sobre a descoberta de Dr. Albert Hofmann. Dr. Osmond seria o médico que cunharia a palavra "psicodélico" em 1957. Seu significado original se refere a manifestações da mente, vindas do subconsciente e portanto sem ordem ou padrão previamente previsível. Futuros estudos levariam Osmond a criar a droga chamada Dimethiltriptamina, mais conhecido por DMT.

A credibilidade de Hubbard, e acesso dentro dos governos Americano, Canadense e Inglês, lhe permitiram apresentar o LSD para pastores, policiais, executivos, cientistas, chefes de industria e políticos, nestes três países, com acesso ilimitado à droga, direto dos laboratórios. Hubbard conseguiu inclusive acesso ao Vaticano, com permissão assinada pelo próprio Papa, para exercer experiências com alguns bispos, na hipóteses de que a droga possa levar uma mente doutrinada por teologia, mais perto de um contato com Deus.
Aldous Huxley
Entre outros, a dupla Hubbard e Osmand, apresentou o LSD a Aldous Huxley, renomado escritor autor de "Brave New World" (Admirável Mundo Novo). Huxley, que já se oferecera a experimentar mescalina durante as experiências do Dr. Osmond com aquela droga, estava eufórico com suas descobertas com LSD. A substancial importância de Huxley no futuro da droga é que ele acabou por tirar a experiência do domínio meramente cientifico para o religioso. Huxley que estudara culturas e rituais religiosos de civilizações que utilizavam psico-ativos como forma de chegar a Deus, conclui que drogas como LSD, são importantes para o homem comum se auto analisar e explorar seu própria interior. Huxley escreveria o primeiro dentre três livros sobre o assunto, "The Doors of Perception" (As Portas da Percepção), cujo tema é o controle da mente através de medicação psico-ativa. Este livro chamaria muito a atenção da CIA.
Guerra Sem Mortes
O pentágono via a guerra química como uma alternativa atraente e entre os estudos que nos deram o Agent Orange, estavam projetos como Artichoke. A idéia de borrifar um exército inimigo com um "gás de loucura", que desorientaria as pessoas, tirando-lhes o desejo de resistir, parecia ser válida no saudável exercício de expandir o capitalismo e banir o comunismo. Imaginando seu uso em guerrilha, após intoxicar um ponto estratégico com a droga, o exército americano poderia simplesmente entrar na região desejada, estando o exército inimigo sem condições de lutar. Assim, podem rapidamente apreender os homens e tomar controle da área. Depois de algumas horas o efeito da droga passaria, e a vida civil continuaria normalmente. Sem mortes ou ferimentos, tanto de soldados quanto de civis, e sem danos a propriedades, mantendo tudo funcional. Sonhavam alguns, em um futuro com guerras sem mortes.
Os testes conduzidos pelos militares concluíam que os pacientes, com raras exceções, não perdiam a noção do tempo e espaço, ou de quem eles eram, e sabiam concluir durante a alucinação (viagem), que tudo não passava de um efeito da droga. LSD ainda estava longe de servir para o propósito desejado pelos militares. Com os dois departamentos, OSS e TSS, testando a droga, começam a competir um com o outro para apresentar resultados conclusivos em primeira mão. Logo, há espiões de cada departamento vigiando o outro.
Janiger, Alpert & Leary
Outros médicos na área de psiquiatria começariam a testar o medicamento em seus pacientes com distúrbios mentais em maior ou menor grau. Já em 1960, Dr. Oscar Janiger, psicólogo de Los Angeles, passa a ser o primeiro a tentar estabelecer alguma conclusão cientifica em relação ao uso de LSD para exacerbar o potencial criativo da mente humana. Para isto, ele escolheu cem artistas voluntários, todos pintores, para desenhar antes, durante e depois do uso de LSD.

Em 1961, dois psicólogos de Harvard, Dr. Richard Alpert e Dr. Timothy Leary, estavam fazendo pesquisas com LSD em colegas de profissão e em alguns prisioneiros voluntários no Massachusetts Correctional Institute. Dr. Leary comentaria com seus colegas nesta época, que ele estava tentando transformar condenados em Budas.
Com o uso de psilocibina, um psico-ativos obtido através de cogumelos, somados a sua orientação psicológica, apenas 25% dos prisioneiros voluntários da experiência voltavam a prisão após serem soltos. A porcentagem média comum para o retorno à encarceração de ex- prisioneiros era de 80%.
Ao conhecer Aldous Huxley e ser apresentado ao LSD, Timothy Leary passa a ser fervoroso defensor do medicamento. Seus relatórios iniciais também concluíam que a droga poderia ser um gigantesco avanço para o auxílio na recuperação de pacientes com distúrbios psíquicos, seu primeiro e maior interesse. Leary perguntava, "Porque perder meses, às vezes anos trabalhando com um paciente para conseguir fazer um trabalho de regressão eficaz, quando posso conseguir o mesmo resultado em umas poucas sessões, com o uso desta droga nova?"
Observação
Então como podem perceber, enquanto de um lado, o governo, mais especificamente as agências de espionagem do governo americano, estudavam sua utilização como uma arma, médicos psiquiatras e psicólogos viam grandes possibilidades de avanço em seus campos. O LSD era cercado de grande positivismo, como um remédio moderno para ser usado no estudo da mente humana e na melhor das hipóteses, definir e, em tempo, possivelmente curar a loucura.
Reação da CIA
Por volta de 1962, a CIA já chegara a suas conclusões em relação ao LSD e embora a droga pudesse vir a servir para determinadas operações táticas, os militares dispensaram suas atenções para outra droga, BZ. Assim sendo, o LSD, embora ainda em fase de testes, já não era mais distribuído facilmente entre os médicos. Dr. Timothy Leary não compreende porque a droga não está sendo produzida em escala industrial e disponível no mercado. No seu entender, a droga deveria ser um direito de todos.
Embora médicos percebessem a droga como de grande assistência, nem todos concordavam quanto ao seu uso indiscriminado. Dr. Janiger, ao contrário do Dr. Leary, não acreditava que o LSD deveria ser tomado por qualquer um, e que pessoas extremamente desequilibradas poderiam perder a total noção entre realidade e sonho. Mas o próprio Timothy Leary tinha consciência da necessidade de uma educação prévia ao uso. Quando foi levado a falar diante do congresso americano, explicou que o governo precisaria estabelecer normas e procedimentos, antes de permitir a um cidadão poder consumir a droga livremente. Leary comparava sua proposta com uma carteira de habilitação em que, da mesma maneira que um cidadão precisa fazer uma prova antes de poder dirigir um automóvel, assim ele teria que fazer uma preparação antes de tomar LSD. As idéias de Leary foram ignoradas.
Timothy Leary Desobedece
Dr. Leary e seu colega Dr. Richard Alpert passam a falar abertamente sobre o ácido. Ao oferecer a droga para um dos estudantes, Dr. Alpert é sumariamente dispensado de Harvard em 1963, com Dr. Leary pedindo demissão em protesto e em apoio ao colega. A partir deste momento, Timothy Leary rompe de vez com sua pacata vida formal, na qual obedecia as regras do sistema de terno e gravata como vinha fazendo em seus já quarenta anos.
Leary passou a oferecer LSD para músicos que tocavam no circuito jazz de Nova York; jazz sendo a música dos beatnicks e do público alternativo. Gente como Theolonius Monk, Dizzy Gillespie e John Coltrane, foram todos, entre os primeiros a experimentarem a droga na área musical, entregue em primeira mão por Timothy Leary em pessoa. John Coltrane teria dito que pela primeira vez ele percebeu a relação intrínseca entre todos os seres vivos deste planeta.

Ken Kesey & The Merry Pranksters
Ken Kesey, que escreveria "One Flew Over The Cuckoo's Nest" (O Estranho No Ninho), enquanto ainda um universitário, aceitou ser cobaia em experiências com a droga. Depois de ser informado por Ginsberg que estas experiências eram orquestradas pela CIA, e que a agência de espionagem estava testando-a para o uso militar, pretendendo inclusive restringir ou até proibir o uso público da droga, Kesey considera a agência inadequada para tratar com a substância. Ele então resolve se tornar também um divulgador da droga.
Para isto, ele tem como idéia, viajar de ônibus com seus amigos, estes passando a serem conhecidos como the Merry Pranksters (Alegres Brincalhões), e atravessaram o país promovendo e oferecendo a droga, onde quer que estivessem. Alugaram então um ônibus, escrevendo ADIANTE naquele espaçozinho designado para o destino, e durante a odisséia Kesey apresentou LSD para mais gente neste passeio do que Hubbard, Osmond, Leary, Alpert ou a CIA teriam conseguindo em dez anos.
San Francisco, 1965
Agora em 1965, Ken Kesey e os Merry Pranksters estavam novamente em San Francisco, dando varias reuniões, na prática grandes festas chamadas "Happenings", onde o ponche invariavelmente estava aditivado com LSD. Debatiam e promoviam a droga que expande a mente humana. Tocavam música bem alta, faziam brincadeiras utilizando luz, como também realizavam diversos jogos complexos, visando a educação e entretenimento geral. Os jogos e brincadeiras passaram a ser chamadas por Kesey de Acid Tests. Foi numa destas festas, que Brian Jones compareceu. Dentro de poucos meses nasceria Acid Rock e a Revolução Psicodélica.

Leary, cada vez mais público quanto à droga, declararia que sua viagem de ácido foi a maior experiência religiosa que já teve, do tipo capaz de modificar um homem completamente, eternamente. Torna-se um ativista em defesa do LSD e com seu dom nato de orador, cunha o slogan "Turn on, tune in, drop out" ou seja, "Se liga, se sintonize, e pula fora". O sistema a se pular fora, neste caso é o sistema educacional, que ainda condicionava excessivamente a mente dos alunos a aceitar o pensamento ortodoxo, propositadamente inibindo o pensamento livre e conclusões próprias.
Leary ao pregar a droga como um instrumento para a mudança de toda a estrutura política, religiosa e social dentro dos Estados Unidos, só agrava sua relação com o governo e autoridades. Logo, ele será classificado pela FBI e a CIA como o homem mais perigoso da América. Leary retrucaria apenas que LSD é menos perigoso do que televisão a cores. Até o final da década, ele seria preso, mas conseguiria fugir da cadeia e do país.
O LSD teria uma profunda influência na música das pessoas que utilizaram a droga. Os Stones iriam lucrar inicialmente com suas experiências psicodélicas, mas no caso de Brian, seu estado psíquico instável só viria a dar uma guinada para pior. Como Brian Jones, outras pessoas perderiam até certo ponto, uma melhor noção da realidade. Dois casos mais conhecidos são de Syd Barret que teria que ser substituído no Pink Floyd e Brian Wilson que igualmente se afastaria, cada vez mais, de suas obrigações com os Beach Boys. Mas isto já é muito adiante. Voltemos a dezembro de 1965.
Dezembro
Mick e Keith estão curtindo basicamente a maconha, Bill passa o seu tempo com mulheres e Charlie se mantém essencialmente o careta de plantão. Ainda em dezembro, Charlie Watts consegue publicar o seu livro "Ode to A High Flying Bird" que ele havia escrito em 1961. O livro é sobre a vida de Charlie Parker, apresentando o músico para um público infantil.
A renda desta excursão americana ficaria presa por ordem da corte suprema pois Allen Klein havia contratado os serviços de outra agência na organização da excursão enquanto a banda estava presa sob contrato, com uma agência assinada durante a época de Eric Easton. O prejuízo quem pagaria seria a banda. Quando o dinheiro é finalmente liberado, a parte que cabe aos Stones, cerca de $214.150,00, continuaria preso na conta de Allen Klein, problema que terá futuros desdobramentos.

Charlie e Bill voltam para Londres para se encontrarem com suas respectivas esposas. Keith e mais dois da equipe técnica, Ronnie Schneider sobrinho de Klein e Gered Mankowitz, fotografo oficial da excursão, foram para uma fazenda em Phonix. Passaram um fim-de-semana a cavalo seguindo trilhas em meio às Montanhas McDowell.
Chrissie e Anita se reencontram respectivamente com Mick e Brian em Los Angeles. Mick e Chrissie seguiriam então para a Jamaica enquanto Brian e Anita iam para as Ilhas Virgens, e depois a Nova York. O casal é alvo dos fotógrafos e revistas de fofocas, ambos adorando o status e a atenção dispensada. Dylan ao encontrá-los se irritara com o amigo que mais parecia um manequim, pra cima e pra baixo de limousine. Dylan passaria a provocá-lo, "Como vai sua paranóia? Lá vai o pop star de limousine!" Brian ficou ofendido e magoado mas nada respondeu.
Saúde em Declínio
Os excessos de Brian estavam preocupando todos. Ele se mudara para Elm Park Lane e contratara Dave Thompson como um assistente geral, morando na casa. Durante as últimas excursões, sua bebedeira era em média de uma garrafa e meia de whiskey por dia.

Além da bebida, as anfetaminas diárias estavam deixando Brian esbranquiçado e com tremedeiras. Um corpo jovem se recupera rápido dos abusos da noite anterior, mas o corpo de Brian já está surrado apesar da pouca idade. Curiosamente Brian nunca mais pega sua guitarra ou violão quando está em casa. Ele teme pegar o instrumento, criar algo bom e ter que enfrentar a realidade de que ninguém o deixaria gravá-lo. Sua participação era meramente na esfera de contribuições de idéias para músicas trazidas por Mick e Keith. Ninguém o leva mais a sério e a falta de encorajamento chegou a um ponto de que nem ele mesmo conseguia mais se levar a sério. Brian passa a namorar uma francesa chamada Zou-Zou, que logo viria a morar com ele.
Ano Novo, Carro Novo
Brian comenta que se identifica com o seu grupo, no entanto a imagem de sujo não lhe agrada. Para pontuar a contradição da imagem e ao mesmo tempo à realçando, Brian compra um Rolls Royce, um dos maiores símbolos da mentalidade capitalista, com uma placa 666. Bill Wyman por sua vez, tira carteira e compra um MGB. Ele compraria ainda um Morris Minor 1000 e um Mercedes Benz. Keith também tentaria tirar carteira mas acabaria não passando na prova. Compra assim mesmo um Bentley 53 Continental azul e contrata Tom Keylock, empregado da Rolling Stones Ltda., como chofer particular. Keylock também viria a se tornar seu guarda costas particular.
Os Pontos de Encontro
Dentro do círculo de amigos dos Rolling Stones, haviam pontos de encontro onde as pessoas podiam aparecer, acender um baseado, e ninguém faria cara feia. Entre 1965 e 1966, estes lugares eram geralmente nas residências de John Dunbar, Barry Miles, Robert Frazer, Paul McCartney, e evidentemente, Brian Jones. Entre os amigos, geralmente estavam alguns membros dos Stones, dos Beatles, dos Animals, e dos Hollies. George Harrison e Brian Jones acabam por estreitarem a amizade durante este período, atraídos um pouco pela similaridade de seus papéis musicais. Afinal, ambos são guitarristas líderes das duas bandas mais populares do mundo, como também ambos buscam um espaço criativo dentro de suas respectivas bandas e tê-lo reconhecido pelos demais membros de seu grupo. Apenas George encontrava um acesso, mesmo que limitado, dentro dos Beatles enquanto Brian não tinha incentivo algum dentro dos Rolling Stones.

O julgamento no caso de pensão alimentícia e ajuda geral nas despesas com seu filho Mark Julian Jones, chega a uma conclusão. Acusado de ser um milionário pelo advogado de Pat Andrews, mãe do menino, e negligente com seu filho, já com quatro anos de idade, o veredicto sentenciou Brian a pagar £2.10s por semana além de £60 de despesas legais. Brian Jones, covardemente sequer compareceu ao tribunal, mandando apenas um advogado.
A Caminho da Austrália

Na Austrália, Bill Wyman descobre através de algumas amigas, que ele havia engravidado uma menina no ano anterior e ela se mudara para a Nova Zelândia. A garota nunca o procurou e ele somente sabe que ela teve uma menina.
Na volta passam nove dias em Los Angeles, dos quais quatro gravando. Novamente é Bill Wyman e Brian Jones que podem contar as maiores vantagens sobre suas atividades sexuais. Brian chegava a dormir com três meninas de uma vez, proeza que Bill quase consegue igualar em uma ocasião.
Aftermath

Seu papel nos Stones era visivelmente o mais abrangente de todos. Se Jagger era a voz e a excitação sexual, Keith a energia pulsante, Bill e Charlie o ritmo firme e forte, ao mesmo tempo que sutil e com swing, Brian usava todos os instrumentos disponíveis para criar a harmonia ao redor do rítmo.
Nos discos, Brian tocava a guitarra, gaita, piano, órgão, mellotron, dulcimer, cítara, flautas, percussões e praticamente qualquer coisa que ele encontrasse para tirar um som. Ele executava notas secundárias, dando ênfase aos harmônicos naturais acima e abaixo das notas principais e assim, dava aos Stones a grandiosidade sinfônica de uma orquestra de rhythm & blues. Era este som que colocava os Stones à frente dos outros grupos musicalmente.
O disco, intitulado de Aftermath, que por definição quer dizer "Resultante", é exatamente isto; o resultante de uma banda sempre encarando a vida na estrada, e atingindo o ápice de seu potencial musical no processo. Canções como "Stupid Girl", falam das "princesinhas de papai" que desfilam bem mas com mentalidades pouco produtivas. "Mother's Little Helper" critica os adultos por censurar o uso de drogas enquanto eles mesmos estão abusando no uso de suas medicações. "Paint It Black" seria um dos favoritos entre os soldados americanos em Vietnã, se tornando a canção mais tocada pela rádio do exército, ultrapassando "We've Got To Get Out Of This Place" dos Animals, do ano anterior. E "Lady Jane" uma canção sinalizando as relações amigáveis dos Stones, mormente Mick Jagger, com a aristocracia. Oficialmente a canção é apresentada como sendo sobre uma carta do Rei Henrique VIII para Jane Seymour falando do fim de sua relação com Anne Boleyn. Para Chrissie, Mick disse que escreveu a canção pensando nela. Lady Jane Ormsby-Gore, filha de Lord Harlech, tem lá seus motivos para acreditar que a canção é para ela.
Este é o primeiro álbum da banda só com repertório da dupla Jagger-Richard e cobrindo musicalmente uma gama variada de sons graças ao trabalho de Brian Jones. O disco reafirma o status de Brian como gênio musical da banda aos olhos de outros músicos que não o conheciam melhor. Ele passaria a receber em sua casa a companhia de gente como Steve Winwood e Spencer Davis que queriam conhecer o dulcimer que ele havia usado em Lady Jane.

Até um certo ponto, ácido foi bom para Brian, abrindo sua mente para sua própria música que até ele tomar a droga, estava resistente em explorar. Com ácido, Brian larga as preocupações de ser um purista de rhythm & blues e começa realmente a explorar sons, fazendo diversas gravações caseiras.
Keith via que ácido fazia seu amigo viajar alucinadamente e criar boa música e achou tudo maravilhoso e excitante. Ele também começou a tomar ácido com maior freqüência. Este passa a ser o elo que traz Brian e Keith a voltarem a unir forças e o resultado mais positivo está por todo Aftermath. Keith inconscientemente age como o pêndulo do poder dentro dos Rolling Stones. Com quem está a aliança de Keith, este tem o poder sobre a banda. Mick agora está de fora. Brian e Keith fazem piadas de Mick e passam a trata-lo apenas por Jagger, propositadamente não usando seu primeiro nome. Brian também cunha o apelido sarcástico "o velho lábios de borracha" Jagger. Os dois passam a levar som, tomar ácido, e fumar muita maconha juntos. O grande público é claro, ainda não tem a menor idéia do papel que narcóticos estavam tendo nas vidas destas celebridades.
Keith via que o ácido fazia seu amigo viajar alucinadamente e criar boa música, achando tudo maravilhoso e excitante. Ele também começou a tomar ácido com maior freqüência. Este passa a ser o elo que faz Brian e Keith voltarem a unir forças e o resultado mais positivo está por todo Aftermath. Keith inconscientemente age como o pêndulo do poder dentro dos Rolling Stones. Com quem está a aliança de Keith, este tem o poder sobre a banda. Mick agora está de fora. Brian e Keith fazem piadas de Mick e passam a trata-lo apenas por Jagger, propositadamente não usando seu primeiro nome. Brian também cunha o apelido sarcástico "o velho lábios de borracha" Jagger. Os dois passam a levar som, tomar acido, e fumar muita maconha juntos. O grande público é claro, ainda não tem a menor idéia do papel que os narcóticos estava tendo nas vidas dessas celebridades.
Brian & Anita

O casal Brian e Anita, uma vez juntos, começam a se vestir e a usar cortes de cabelos iguais, aparentemente tentando ficar idênticos, como que se tornando um. Começam a trocar peças de roupas, logo Brian está explorando cores e tecidos. Sempre o primeiro, Brian passa a se vestir com roupas extravagantes, combinando cores berrantes, com sóbrias, tecidos finos com jeans e peles, mesclando ocidente com oriente e fazendo uso de ornamentos como jóias e chapeus. Outros famosos seguem seu exemplo e logo toda uma moda de cor e estilo repercutia por Londres e depois pelo mundo afora. Brian, influenciado em parte por Anita, passa a ter cada vez maior interesse em assuntos como ufologia, misticismo e satanismo. Ciências ocultas fascinavam Anita e ela passaria a devorar livros sobre o assunto.
Socializando
Os Stones passam a freqüentar cada vez mais festas e recepções promovidas pela aristocracia. Afinal os filhos destes são todos da mesma geração e assim sendo, também influenciados pela música de grupos como os Beatles e os Rolling Stones. Brian tem entre seus maiores amigos deste período Tara Browne, herdeiro da família da cervejaria irlandesa Guinness. Tara, que havia recentemente se separado de sua esposa Nikki, está tristonho e passa quase todo dia na casa de Brian.
Certa tarde, os dois fumando após tomar um acido, Brian expõe suas diferenças em relação a sua ambição e a de Jagger. Confessa que o sucesso, e o dinheiro que vem atrelado, lhe interessa e muito, porém ele perguntava, "Que diferença faz ganhar um milhão para sermos os primeiros, porém comprometendo a qualidade da nossa música no processo, ou ganhar meio milhão para sermos o segundo melhor, podendo continuar íntegros?" Ele confirma que odeia a direção musical que a banda segue, queixando-se que Oldham e Jagger estão transformando uma banda que tocava blues e r&b autêntico, em pastiche pop em troca do super estrelato.
O relacionamento entre Bill e Diane Wyman está cada vez mais frio. Bill começa a freqüentar os clubes noturnos, mormente o Scotch of St. James, onde passa a socializar com freqüentadores mais assíduos como Keith Moon, Paul McCartney, Kenny Lynch (cantor) e Harry Rowler (ator), Tara Browne, Chas Chandler e Dave Rowberry (Animals). Bill é encontrado sempre na companhia de sua amante Doreen Samuels, com quem vem mantendo um caso desde o ano anterior.
Por volta da mesma época, o escritório da Rolling Stones procura Bill sobre uma menina que alega ter dado a luz a um filho seu. Por manter anotações de tudo que lhe acontece enquanto na estrada, ele foi capaz de provar que as contas da menina tinham um erro de dois meses e a guria não levou a questão adiante.
The Robert Frazer Gallery
Robert Frazer era dono de uma galeria de arte na Duke Street em Mayfair que ele abriu em 1962. Seu gosto por arte era direcionado para artistas que aceitavam riscos e tentavam algo extravagante. Sua galeria apresentava exibições de artistas como Bridget Riley, Peter Blake, Yves Klein e Clive Baker, dando a primeira oportunidade para uma exibição inglesa para vários destes americanos.

Entre seus talentos pessoais, havia o de poder entreter simultaneamente visitas heterogêneas, sabendo colocar pessoas diferentes a se conhecerem. Através de Robert Frazer, os Rolling Stones conheceram em um ambiente descontraído, gente como Andy Warhol, Peter Blake, Richard Hamilton, Michael Cooper, Tony Sanchez e Christopher Gibbs. Através de Robert também conheceram cocaína e heroína.
Liberdade de Expressão
É importante tentar se transportar para os valores da época. Lembrando um pouco sobre o que foi dito no primeiro parágrafo da primeira pagina desta história, que trata do distanciamento entre a geração daquele período e a geração de seus pais. Havia notadamente uma atitude de Nós contra Eles. Com a Guerra Fria mostrando os seus dentes cada vez mais afiados, toda uma geração de baby boom estavam prontos para exercerem seus ideais políticos que giravam em torno do conceito de derrubar tudo e refazer do zero.
Praticamente nenhum dos valores instituídos pela sociedade vigente eram inteiramente respeitados e os contestadores de então acreditavam que desafiar a figura da autoridade era um caminho para alterar estas instituições e suas políticas. Assim para os sixties, a busca por justiça social era praticamente uma extensão da busca de autenticidade pessoal. Isto nos leva a outra afirmação. Preocupações com libertação psíquica eram tão importantes quanto assuntos político-econômicos. Sim, pois, assim como uma pessoa que machuca uma perna, passando um longo período enfaixado, tende a mancar, mesmo depois de estar clinicamente curado, as pessoas também ficam com uma dificuldade de exercer sua liberdade de expressão depois de anos de uma ditadura de comportamento. Simplesmente por estarem mentalmente atrofiados para o exercício da liberdade.

Distanciam-se da gomalina dos anos cinqüenta, quando rebeldia juvenil se mostrava fumando cigarro escondido. Agora desafia-se autoridades optando por fumar maconha no lugar de cigarro e depois haxixe em narguilés no lugar de tabaco em cachimbos. Em suma, optar por tomar drogas seria rapidamente associado ao posicionamento politico de se dizer NÃO para um sistema vigente autoritário e limitador. Evidentemente que o abuso tóxico em dois ou três anos já deixaria suas vítimas, mas dentro da gradual elevação de consumo de substâncias químicas, aproximadamente entre os anos de '65 à '68, havia implicitamente uma consciência geral (em maior ou menor escala, dependendo sempre do indivíduo), de estar-se exercendo uma opção política de desobediência civil.
The Indica Books And Gallery
Em Maio de 1966, iria abrir outra galeria que faria fama e se tornaria ponto de encontro da nova aristocracia londrina. Em 1963, John Dunbar e seus amigos, Paolo Lionni e Barry Miles, todos vestidos de preto, típica cor dos existencialistas, boêmios e beatnicks, sorviam um expresso e ouviam bee-bop jazz em algum café em Chelsea. Lá, concatenavam entre citações de Nietzsche, Zen e Jung, um futuro liberal.

The Indica Gallery, seria um misto de loja de livros no primeiro andar e galeria de arte no sótão. O local promovia literatura alternativa e arte moderna, se tornando rapidamente respeitado entre jovens de posse e cultura, como um ponto de encontro para conversas intelectualmente instigantes.
Seria freqüentado por pessoas como Paul McCartney, Mark Feld (que no futuro seria conhecido pelo nome de Marc Bolan), Donovan, John Mayall e Peter Brown, entre outros. Paolo Lionni conhecia Gregory Corso, que traria para o circulo outros eruditos da Beat Generation, tais como Allen Ginsberg e Lawrence Ferlinghetti, todos beatnicks americanos que passavam o ano na Inglaterra.

Depois do Expediente
Com tantos Beatnicks aportando na Indica, o que acabava acontecendo é que depois do expediente, todo mundo ia para a casa de Dunbar fumar. Mas os Beats já havia décadas, faziam uso de substâncias químicas injetáveis, passando a ser coisa corriqueira vê-los se aplicando na sala. Cocaína, morfina e heroína ainda eram legalmente vendidos nas farmácias inglesas com prescrição medica, uma das razões pela repentina migração de Beats da America para Inglaterra. John Dunbar passaria a se aplicar com morfina antes e depois do expediente. Robert Frazer, que faz parte do mesmo circulo de amigos, é outro que rapidamente se interessou por cocaína, passando a enaltecer o seu poder de aguçar a lucidez, permitindo uma pessoa a focalizar um assunto e discursar sobre ele sem se enrolar nas idéias. Afinal como Frazer lembraria, não é a toa que Sigmund Freud usava a droga.
De fato, na década de noventa, isto é, 1890, cocaína se tornou uma mania na sociedade européia, onde se podia comprar bombons, cigarros e até pomada contendo-o. O refrigerante Coca-cola nasceu neste período e de fato tinha na sua formula, cocaína, eis a origem do seu nome. Depois que uma serie de crimes acabaram sendo associados a droga, cocaína acabou tendo sua venda sem receita proibida, a partir de 1906. Cocaína voltou a ter um auge na Alemanha decadente pós Primeira Guerra Mundial e se fala, embora não se confirme, que os líderes do partido Nazista, Hitler inclusive, em grande parte, faziam uso do pó.
Instigado pela curiosidade e satisfeitos com os novos mundos que descobriram com acido, logo Brian, Keith, e dezenas de outros artistas amigos neste circulo, estavam cheirando cocaína.
Chichester

A banda faz uma serie de shows pela Europa, tocando na Holanda, Bélgica, França, Suécia e Dinamarca. Em todos houveram problemas. O repertório é "The Last Time", "Mercy, Mercy", "She Said Yeah", "Play With Fire", "Not fade Away", "The Spider And The Fly", "Time Is On My Side", "19th Nervous Breakdown", "Get Off My Cloud", "I'm Alright" e "Satisfaction". Dezenas de pessoas foram presas, onde ocorreram diversas brigas entre o público, destes o pior sendo no primeiro show na Holanda, onde o show não pode continuar.
França
Em Marselha, alguém jogou um pedaço de uma cadeira no palco acertando Mick Jagger no olho direito, no meio da última canção, Satisfaction. Ele seria levado para o hospital onde tomaria seis pontos. A lembrança mais marcante de Jagger de todo o incidente, foi de ter visto um rato gigantesco correndo no corredor do hospital. Seu olho continuou fechado por um tempo e Mick ficou um pouco inquieto, mas no dia seguinte ele e a banda estavam tocando para 4.000 pessoas em Lyon.

Bill e Doreen mais Brian e Anita permanecem em Paris enquanto os demais voltam para Londres. Vão assistir uma apresentação do The Yardbirds e The Who no La Locomotive Club, e são quase soterrados por fãs querendo autógrafos. Enquanto isto em Londres, Mick Jagger e Jack Nitzsche foram assistir The Troggs.
Dinheiro e Klein
Estava óbvio que o dinheiro que a banda arrecadava não estava entrando nas contas individuais de cada membro. Quando alguns membros da banda começam a investigar os caminhos feitos pelo dinheiro de shows, logo se constata que independente de onde vem a arrecadação, o dinheiro precisa primeiro ir para a conta de Klein em Nova York antes de algum dia chegar a eles. Apesar disto, a banda continua gastando.

Bill compra uma residência nova para os seus pais em Beckenham por £7.750, Klein liberando dinheiro também para Bill e Charlie. Allen Klein então compra uma parte da MGM Records, supostamente por um milhão de libras esterlinas, como também os direitos para o livro "Only Lovers Left Alive" de David Wallis, do qual sairia o roteiro para o primeiro filme dos Rolling Stones. A historia é sobre um levante imaginário e a conseqüente conquista da Inglaterra pela população jovem. Os adultos cometem suicídio e os jovens transformam Grã Bretanha em uma selva fascista. Falava-se em filmagens iniciarem em Agosto.
Relacionamentos em Declínio – Chrissie

No aniversário de 21 anos de Tara Browne, realizado no castelo de sua família em Luggala, na Irlanda, Chrissie toma um ácido para tentar participar do mundo do namorado. Mas sua instabilidade emocional a leva para um bad trip e ela chora vendo os rostos dos convidados derretendo a sua frente, não entendendo o que se passa. O vexame é mais um pingo no balde de paciência já cheio do Mick. Os tempos mudaram, mas a Chrissie não. Mick está agora a procura do novo, e aos poucos, Chrissie e suas brigas tempestuosas, começam a ceder lugar para uma profunda depressão. Ela não sabe mais como se comunicar com Mick, certamente xinga-lo não dá mais resultado. Chrissie resolve seus problemas tomando quantidades constantes de tranqüilizantes.
Depois de três anos consecutivos de constantes viagens, a banda tem quase dois meses para descansar. Mick Jagger depois de sucessivas viagens de ácido, acaba por ter uma crise de estafa em junho e é solicitado pelo seu médico muito repouso.
O Duelo Entre Iguais

Mas Brian tinha um problema com LSD. Sua hiper sensibilidade e constante paranóia ficavam ainda mais afetados sob efeito do alucinógeno. Assim, enquanto todos viajavam ouvindo vozes e tendo visões, Brian acreditava nas doideiras e começava a temer os sussurros da parede, e as cobras nas fiações. Logo ele estava todo apavorado e intimidado em um canto do quarto acreditando que as paredes e as fiações estavam tramando contra ele. Assim, ele se tornava um alvo fácil para gozação dos demais presentes. Mas sua instabilidade emocional não lidava com o criticismo, Brian não suporta ser motivo de chacota.
Andrew Promove
Apesar de Aftermath colocar Brian Jones na boca do povo novamente, Andrew proibia a imprensa de entrevistá-lo. Entrevistas eram organizadas apenas para Mick e Keith. Brian nem estava sabendo, nem se interessava mais. Ele, ao lado de Anita, estava em outra. Pode-se argumentar que a atitude do Andrew era uma forma de atrair Keith de volta para Mick, mantendo assim a fórmula estável e novamente sobre controle. Andrew montou e gravou um disco com músicas dos Stones orquestradas, creditando o trabalho ao Keith. Este, perfeitamente instruído por Andrew, falaria cinicamente que o disco era uma realização de um antigo sonho.
Os Beach Boys haviam lançado em Abril, um disco chamado Pet Sounds, que marcaria o início de uma nova era para gravações de discos. Fugindo consideravelmente de sua fórmula padrão, Brian Wilson, mentor musical da banda e produtor de seus discos, desenvolveu idéias como de utilizar pequenas distorções, colagens de sons de animais e tirando do baixo a obrigação de ser um instrumento restrito a reforçar graves mas também podendo proporcionar melodias. Este fato chamou muita atenção de outro baixista, Paul McCartney para o disco, que passa a propagar para todos, os valores deste trabalho. Sua admiração era evidentemente compartilhada por John Lennon e sendo eles a realeza do rock na Inglaterra, a palavra se espalhou.

Durante as gravações do futuro disco dos Beatles, Revolver; Brian Jones e Marianne Faithfull compareceram a uma sessão, acabando por participar com backing vocals. A canção que os Beatles estavam trabalhando era "Yellow Submarine", uma canção rica em sonoplastia, muito dentro da proposta iniciada em Pet Sounds. Mick Jagger também veio a comparecer a algumas sessões de Revolver, assistindo mas não participando. Ele está se aproximando cada vez mais de Paul McCartney e John Lennon.
América - Verão de '66

Em Nova York, para a coletiva com a imprensa, alugaram uma barca e nela fizeram as entrevistas, promovendo a excursão enquanto a nau boiava sobre o Rio Hudson. Por um erro de organização, nenhum fotógrafo foi convidado para registrar o evento. Por um acaso, a jovem fotógrafa Linda Eastman, apareceu portando um convite oferecido a outro jornalista. Foi assim que ela conseguiu seu primeiro trabalho profissional dentro do rock. As fotos que ela tiraria nesta ocasião, lhe renderiam o emprego de fotografa oficial do teatro Fillmore East.
Depois, naquela noite, Mick à levaria para cama e Linda acabaria vendendo a história para uma revista teen. Em outra ocasião, passando-se quase um ano, Brian Epstein compra uma destas fotos; a de Mick Jagger sentado de pernas abertas. Epstein gostou tanto da foto que contratou Linda Eastman como fotógrafa para a festa promocional em sua casa, comemorando o próximo álbum dos Beatles, Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band.
Linda Keith e Jimmy James
Os Stones se apresentam em Queens, no Forest Hills Tennis Stadium, chegando e partindo de helicóptero. O estádio estava com apenas um terço da lotação em função dos caríssimos ingressos que Klein negociou a $5 e $10 dólares cada. Depois de sua apresentação, já de volta em Manhattan, seguem a sugestão de Linda Keith e vão ao Cafe Wha? em McDougal Street no Village, para assistirem um show do Jimmy James & the Blue Flames.
Linda Keith que estava trabalhando em Nova York há algum tempo, havia assistido um show do Curtis Knight no Cheetah Club e ficou impressionada com o seu guitarrista Jimmy James. Achou inacreditável que um rapaz que ela julgou extremamente talentoso, estaria tocando na banda de outra pessoa. Depois do show conversou com ele e os dois fizeram uma amizade forte. Linda, sendo namorada de Keith Richards, tinha muitos contatos no meio musical e convence James que ela teria como promovê-lo, mas ele precisaria ter uma banda sua.

Linda então usurpa uma guitarra Stratocaster branca da coleção de Keith Richards e presenteia Jimmy James com ela. Aproveitando a passagem dos Rolling Stones pela cidade, ela então consegue atrair a banda e principalmente Andrew Oldham para assistí-lo. De fato, todos ficaram um tanto impressionados com o talento de Jimmy James, mas Andrew não se interessou em contratar o músico ou a banda.
Linda sem se dar por vencida, continuaria a tentar apresentar pessoas do meio musical, convida-los a assistí-lo e, assim, conseguir uma carreira mais solida para seu guitarrista predileto. Não seria até Julho, quando encontrou com Chas Chadler, por conta da passagem dos Animals pela cidade, que ela conseguiria realizar seu intento. Chas, recém saído da banda, estava começando a trabalhar como empresário, e Linda, sabendo disto, comentou sobre este guitarrista Jimmy James, cuja apresentação chamou tanta a atenção dela quanto a dos Rolling Stones. Chas acaba por ir assistir o rapaz e impressionado, o convence a ir com ele para Londres e começar uma nova carreira de lá. Chas também sugere que ele muda o seu nome artístico de Jimmy James para Jimi Hendrix. O resto desta historia, faz parte de outra historia.
Encerramento na Costa Oeste

De lá, se apresentam no Havaí com direito a alguns dia de folga em Honolulu. Shirley Watts e Chrissie Shrimpton aterrizam lá e assistem ao show. De volta a Los Angeles, Bill arruma uma hiponga com quem passa a noite. Na manhã seguinte depois do café da manhã, a menina a caminho da rua, acaba rebocada no corredor do hotel por Keith. Naquela tarde Diane Wyman chega de Londres e na manhã seguinte Bill e Keith descobrem que estão com uma doença venérea. Diane acaba infectada pelo marido, o que se torna a facada final no relacionamento entre os dois. Passaram a semana tomando injeções de penicilina antes de poderem sair do país. A banda é levado a uma loja chamado Hollywood Military Hobbies onde os rapazes compram uniformes, Brian e Keith escolhendo um modelo nazista. Depois voltam para Londres.
Agosto, Mês de Desgosto

Aproveitando outro mês sem atividades marcadas, cada um cuida de sua vida. Charlie e Shirley vão para a Grécia. Keith cuida de sua mudança para a casa em Redlands. Bill também permanece em Londres passando os dias com a família e as noites nas boates. Seu casamento acabou e ele e Diane já não escondem mais um do outro a falta de interesse pela relação. Bem inglês, ninguém debate a questão, apenas continuam rotineiramente ocupando o mesmo espaço, cada um na sua. Vantagens de uma casa grande.
Marrocos
Chegando da América e lendo a história nos jornais sobre seu sumiço, como também sobre a crescente popularidade da dupla Jagger-Richard, Brian se sente terrivelmente incomodado. Mick Jagger sendo mais badalado do que ele já é ruim, porém vá lá. Mas agora Keith Richards também? Ele e Anita, vão para Marrocos, acompanhados do amigo Christopher Gibbs. Lá o casal, discute aos berros em qualquer local, seja no seu quarto, seja à mesa de um restaurante. Estão sempre propensos a criar uma cena, parte do egotrip de sempre, querer aparecer mais do que o outro. Com quase uma semana no local, Brian fecha o punho, gira o corpo e desfere o golpe para atingi-la e acerta uma janela com enquadramento de ferro maciço, quebrando a mão. Ele diria que foi um acidente, que escorregara no chuveiro caindo com o corpo sobre a mão e parte do braço, mas conhecendo Brian, e com a confirmação de Christopher Gibbs, sabe-se que foi um soco que ele não acertou. Sua mão ficou engessada e foi assim que ele voltou a Londres.
As Travestis de Park Avenue
No mesmo dia em que ele chega de Tangier, a banda parte de volta para a América. Em Los Angeles, a tropa que inclui Andrew Oldham e Ian Stewart, grava e mixa o seu próximo compacto, "Have You Seen You're Mother Baby", voltando então para Londres. Semanas depois, a banda se reúne novamente para uma apresentação no Ed Sullivan Show. Nesta rápida passagem em Nova York, a banda se apresenta em playback devido a impossibilidade de Brian tocar, pois está com a mão enfaixada. Depois vão a Park Avenue onde o fotografo Jerry Schatzberg prepara as fotos da capa do próximo compacto.
Na primeira serie de fotos, a banda está vestida com suas roupas comuns. Desta série vem a foto que se tornaria a capa da coletânea Big Hits Hide Tide Green Grass. Nas outras, a banda entra na brincadeira se vestindo de mulheres, cada um ganhando um personagem. Charlie era Millicent, mais parecendo um travesti velho, Bill se torna Penelope, sentada numa cadeira de rodas com pernas retorcidas. Mick e Keith eram as duas tias, respectivamente Sarah e Molly. Brian com uma peruca loira era Flossie, a aeromoça com cara de rameira. Tirada a foto, todos foram para o bar da esquina tomar umas cervejas e assistir televisão. Para a surpresa de alguns, em Nova York, ninguém ganhou uma cantada e foram solenemente ignorados, podendo beber e conversar em paz. Chega a ser irônico se pensar que na Inglaterra dois anos antes, estavam sendo recusados em bares por serem homens de cabelos compridos.
Courtfield Road
De volta a Londres novamente, Christopher Gibbs encontra um apartamento e insiste com Anita que ela deva comprar pois seria perfeito para ela e Brian. Anita se apaixona pelo lugar e convence Brian a aluga-lo. Logo eles estavam se mudando para Courtfield Road em Kensington. Lá, passariam a viver uma vida de junkie. A casa era decorado com tapetes persas e cortinas marroquinas.
Cheirando constantemente, a droga oferece excessiva disposição, energia que pode ser direcionada para intelectualidade, sexualidade ou violência. Cocaína é, mal comparando, como um relógio de corda. Você dá corda para o relógio funcionar mas se você não parar de dar corda, a engrenagem não agüenta a pressão e arrebenta. Igualmente se você não parar de cheirar, você passa de acordado, lúcido e disposto para extremamente eletrizado, tenso e explosivo. No caso deste casal, vivem com egos inflados e uma doentia necessidade de disputar belezas e caprichos. Brian tinha mesmo um desequilíbrio qualquer, que era dele já de muito antes. Com a cocaína, o casal passa a discutir com veemência, geralmente chegando em seguida a agressões físicas.
Relacionamentos em Declínio – Marianne
Incrível pensar que Marianne Faithfull teria dado trabalho ao ser convencida a ser cantora em 1964. Agora, não consegue se imaginar longe de um estúdio ou dos olhos do público em geral. Ela adorava ser adorada e tinha o poder de manter a atenção do público somente usando um violão e sua voz, em contraste a bandas, toda eletrificada.

Depois Keith Richards também passou a praticamente morar na casa com Brian e Anita, conversando, tomando ácido e fumando maconha ou haxixe o dia inteiro. Além do acido, estão aumentando consideravelmente mais o consumo de cocaína. O descontrole sob o pó era tanto que quando acabava, mesmo que no meio da madrugada, iam para a casa de algum amigo, para poderem cheirar mais. Conta Tony Sanchez que bateram na sua casa às quatro da manhã certa vez, e ele foi obrigado a bater umas linhas para Brian, Anita, Keith, Marianne Faithfull, John Dunbar e um pequeno grupo de amigos dos amigos, como quem prepara o mingau matutino para crianças esfomeadas.
Pensão
Linda Lawrence ainda não recebera nada da pensão combinada, e no íntimo, ainda não havia totalmente deixado de sonhar com a possibilidade de uma volta com Brian. Ela passa dias tentando falar com o pai de seu filho sem conseguir. Finalmente vai até sua casa em Courtfield Road porém Brian sequer abre a porta para recebê-la. Linda passa então a ficar postada em frente a uma das janelas com o pequeno Julian Mark no colo, na esperança que Brian sentisse algum remorso do que estava fazendo. Quando percebe Brian na janela, levanta o menino para que ele possa ver seu bebê. Mas o casal Brian e Anita ficam da janela rindo dela, Brian oferecendo caretas (nankers), entre goles de Brandy e beijos ardentes. Para eles, toda a cena com a Linda chorando angustiada, mostrando o filho da rua e gritando por Brian, mais parecia algo saído direto de uma novela Mexicana. Como Brian, Anita também tinha um quê de crueldade.
Depois desta, Linda Lawrence se afastaria da vida de Brian Jones, definitivamente. Acabaria por se mudar para os Estados Unidos, morando na California por um ano e depois, em 1970 voltaria para Inglaterra. Ela se reencontraria com Donovan Leitch, com quem conheceu e namorou durante 1967/68. A canção "Sunshine Superman" do cantor fora escrito para ela. Eles se casariam e teriam uma menina juntos, chamada Astrella. Julian Mark Jones passa a se chamar Julian Jones Leitch.
Entre Amigos
Marianne que estava sempre indo à casa de Brian como forma de fugir da frustração de seu casamento, acaba lá sozinha e à toa com ele. Naturalmente Brian dá em cima e Marianne confessa que nunca soube muito bem como dizer não a ninguém. Pode soar hoje em dia, excessivamente promíscuo, mas repito, para entender o que se passa no seu devido contexto, precisa-se lembrar que na década de sessenta, estava-se derrubando as arbitrariedades sexuais. Dentro de certos círculos, amigos de sexos opostos naturalmente dormiam juntos. Até certo ponto, seria considerado estranho, amigos não treparem. Passava a ser, em certos círculos, socialmente questionável recusar um amigo em sua cama. Era uma geração bem menos presa a protocolos do que as que vieram lhe substituir.
A Última Excursão Britânica da Década
Embora ninguém soubesse, passariam muitos anos antes da banda voltar a montar outra excursão Britânica. Have You Seen Your Mother Baby é um sucesso por parte da critica mas só chegou a No.2 nas paradas, possivelmente por causa da capa tendo a banda vestido de mulheres. A idéia, ao que parece, era revolucionária demais para a época.
A Última Excursão Britânica da Década
Embora ninguém soubesse, passariam muitos anos antes da banda voltar a montar outra excursão Britânica. "Have You Seen Your Mother Baby" é um sucesso por parte da critica mas só chegou a nº 2 nas paradas. A razão é creditada por muitos, pela capa que apresenta os membros da banda vestidos de mulheres. A idéia, ao que parece, era revolucionária demais para a época.

Nesta noite, bastou à banda subir no palco e, enquanto estavam ainda plugando os seus instrumentos aos amplificadores, a mulherada invadiu repentinamente o palco, pegando os cinco Stones de surpresa e levando todo mundo pro chão. Stu e mais algumas pessoas lutaram contra o público para tentar livrar a banda do ataque e com esforço conseguiram voltar para o vestiário. Depois de quase meia hora negociando com o publico dando garantias absolutas de que o show não seria realizado se outras invasões daquela natureza acontecessem, os Stones puderam voltar ao palco e efetivamente começar o show.
A banda gostava de assistir o show de Ike & Tina Turner, Mick e Tina se dando muito bem rapidamente. Durante a excursão, Tina ensinaria alguns passos de dança para Mick que apesar das constantes gozações de Brian e Keith, e com muito esforço de sua parte, aprenderia a gingar o corpo em sincronia com as pernas, utilizando este conhecimento durante o restante de sua carreira.
Polanski e o Santo Gral
Em Bristol, Brian e Keith convidam Marianne Faithfull a assistir o show. Apesar dela já conhecer Brian e Keith muito bem e Mick de passagem, ela nunca havia assistido um show dos Rolling Stones. Quando a banda entra em cena e o público vai a loucura, Marianne fica impressionado, nunca tendo visto tamanha reação antes. Ela fica especialmente admirada com Mick Jagger que sozinho pilota o show. Afinal, com tamanha algazarra, ninguém está realmente ouvindo o que a banda está tocando. As atenções estão todas sobre Mick e ele encara a incumbência com admirável mestria.

De fato, Mick e Marianne acabariam saindo depois para conversar. Marianne, que não conhecia Mick realmente bem, em seu jeito meio romântica de menina, começou a lhe fazer perguntas sobre Rei Artur e o Santo Gral. Mick que tinha alguma noção do assunto e sabendo onde isto iria dar, foi respondendo suas perguntas e deixando ela o argüir. No final, ao nascer do sol, foram dormir juntos, e era isto que lhe importava.
Brian, Keith & Marianne
Marianne viajou então para a França com o filho, a babá e uma amiga. Ao retornar, como era de seu costume, ligou para Brian que insiste que ela venha lhe ver. Marianne encontra ao chegar, apenas ele, Keith Richards e Tara Browne; nenhuma outra mulher presente. Tomaram um ácido juntos e Brian foi logo pegando-a pela mão e levando-a pro quarto. Transam enquanto os outros dois conversavam na sala. Pouco depois do fato consumado, Brian entra em crise asmática e está imediatamente escravo de seu inalador. Marianne, que está curtindo mais o ácido do que a companhia, conclui que prefere estar em sua própria casa, saindo fora sem se despedir de ninguém.

Embora Brian e ela fossem muito amigos, ela sempre teve uma queda por Keith. Sempre gostou da aura de mistério que Keith emanava e sempre esperou que ele desse o primeiro passo. Keith sendo ainda muito tímido, característica que ele viria a perder com a idade, nunca agiu. Hoje, parece que é dia dela realizar sua antiga fantasia. Sabendo onde isto vai dar Marianne começa seu ritual, "Keith, o que você conhece sobre o Santo Gral?" ao qual Keith sendo bem Keith responde, "Santo Gral?! Porra Marianne, você ainda está viajando?!"
Depois da cama ela está nas nuvens, tendo adorado cada minuto e tentando deixar clara sua felicidade. Keith por sua vez, enquanto ajeita seus documentos nas calças, começa a lhe falar de quanto Mick está apaixonada por ela. Que Mick é um cara legal e que ela deveria considerar vê-lo com mais freqüência. Pasmada em óbvia desilusão, ao ouvir Keith aconselhá-la a não perder tempo com ele e sim com seu amigo, ela consegue apenas sussurrar as palavras, "tá bom."
Mick & Marianne
Ainda no mesmo dia, Mick ligou feliz ao saber que ela havia voltado, e se convidou a sair com ela. Ela gosta de fazer compras e Mick Jagger é o primeiro homem que ela conhece que também gosta deste tipo de programa. Além da beleza física de Marianne, a atração que ela exerce sobre Mick é a cultural. Mick sabe que ele não tem os modos apropriados para ser considerado realmente um membro da alta classe, embora tenha os convites para circular entre eles. As colunas não cansam em falar da admiração da Princesa Margaret, irmã da Rainha, pelo cantor. Mick conversa com Marianne, fazendo perguntas e conseguindo dicas das mais variadas espécies, desde detalhes de etiqueta como livros para se ler, seus reais significados e formas de interpretar idéias literárias. Marianne passa a ser sua tutora nestes assuntos, tudo sem compromisso. Para quem no máximo lia historias de James Bond, Mick sob sua tutela passa a ler poesias.
Chrissie Shrimpton

Chrissie por sua vez, constantemente deprimida, sem mais poder de reação, vive à base de tranqüilizantes. No inicio de dezembro, ela tem um estalo, e sabe como sair de sua situação. Arruma toda a casa, se veste em um de seus vestidos prediletos, deita na cama do casal e toma uma dose excessiva de tranqüilizantes. Ela quer ser encontrada por Mick, na cama em que fizeram tanto amor juntos. Deitada com um sorriso inquieto, ela espera a morte.
Quando acorda, está em um hospital. Tivera o estômago lavado e imagina que Mick a tenha encontrado e agido rapidamente. Antes do Ano Novo ela deixaria o hospital, indo morar com sua mãe. Recuperando-se fisicamente, ela também encontra forças psíquicas. Tendo sobrevivido, ela renasce para si mesma, com a certeza de que tirara Mick Jagger finalmente de sua corrente sangüínea.
Mick Jagger e Brian Jones
Com Oldham dedicando seu tempo apenas à produção dos discos dos Stones e demais artistas da sua produtora, e Klein cuidando dos contratos de shows e assuntos financeiros em geral, é mesmo Mick Jagger quem assume o leme em relação à publicidade dos Rolling Stones. Cada vez mais, as decisões são feitas apenas com seu aval. Jagger, quando muito, verifica com Keith as possibilidades de datas, apenas comunicando para os demais o que foi resolvido. Embora tomando efetivamente controle da banda das mãos de Brian que já não exerce liderança real desde 1963, Mick sabe que precisa dar algum espaço para Brian. Embora não verbalize, até mesmo para não dar muita corda para os delírios de grandeza do seu guitarrista, ele reconhece a importância dele na música dos Stones.
Jagger, sem Brian saber, organiza cuidadosamente uma lista de nomes de jornalistas permitidos a entrevistar Brian Jones. Mick teme que Brian se descuide com o que diz e quer se assegurar que a imagem final impressa seja positiva. Assuntos como drogas e filhos ilegítimos são proibidos previamente. Para a surpresa de alguns, na primeira destas entrevistas, Brian declara Mick Jagger como sendo o maior cantor pop da atualidade, o que nos mostra como é mesmo complexa esta relação de amor e ódio entre os dois.
Brian Analisa o Mundo
Brian teria sido um dos primeiros a usar a palavra "revolução" para definir a nova massa jovem que estva emergindo e que fazia parte do seu público. O jornalista Keith Altham escreveria "Brian Jones Prevê que Revolução Pop Está Próxima" em seu artigo de 14 de outubro. Neste artigo, Brian diria, "Nossa geração está crescendo com a gente e eles acreditam nas mesmas coisas que nós. Questionam as imoralidades que são toleradas na sociedade atual - a guerra de Vietnã, perseguição aos homossexuais, a ilegalidade do aborto e consumo de drogas. Todas estas coisas são imorais. Nossos amigos questionam a aceitação cega a discrepâncias na religião enquanto há uma total menosprezo em relação a depoimentos sobre OVNI's, que me parecem bem mais reais e aceitáveis. Acreditamos que não há evolução sem revolução. (...)"
Brian contaria ainda, "Toda uma garotada nova foi nos ver nesta excursão com Ike & Tina Turner. Senti como a três anos atrás, quando a excitação era novidade." Keith Richards completa, "Estávamos quase correndo o risco de nos tornarem respeitáveis! Mas agora esta nova geração nos oferece uma nova onda de excitação, ao voltarem a tentar invadir o palco como nos velhos tempos."
Brian conclui, "A censura continua nos perseguindo em diversas formas, mas os dias de perseguição artística, como aconteceu com Jim Dine ou o comediante Lenny Bruce, estão para acabar. Os jovens estão formando suas opiniões utilizando outros conceitos e isto só pode querer dizer uma maior liberdade de expressão para todos. E a música pop terá seu papel em tudo isto. Quando pararem de pressionar certos artistas de folk americano, com músicas contendo mensagens importantes, talvez estejamos a caminho da verdade."
É opinião quase unânime que Brian precisava mais de confiança do que de drogas e ao ler esta entrevista sua no jornal, voltava a se sentir importante; alguém que faz uma diferença, acalmando um pouco o mal que dorme em seu interior.
Um Grau de Morte

Uma Certa Terça Feira
Enquanto Anita continuava na Alemanha, Brian estava em casa tomando ácido, depois indo gravar e mixar material caseiro próprio. Nenhuma letra, só pedaços de música. Depois guardava até esquecer o que tinha na fita, acabando por gravar por cima. Deste material, que se saiba, só sobreviveu uma composição. Brian estava interessado em criar uma fusão entre uma peça que ele originariamente ouvira tocada em um alaúde (instrumento de treze cordas, tataravô do violão) e o delta blues. Ele tocaria este fragmento de riff e melodia que ele tinha criado para todas as suas visitas. Tara Browne e sua nova namorada Suki Porter foram dois dos primeiros a ouví-lo, assim como Mike Bloomfield e Jimi Hendrix, ficando intrigado e impressionado com sua concepção.

Nela Brian se entrega por completo, certo de que com o interesse e participação de Keith, sua contribuição finalmente seria gravada e lançada pela banda. Porém ele acaba novamente decepcionado ao perceber que não levou nenhum crédito na canção que era essencialmente sua e de Keith. Ele está enfraquecido, tendo sido comparado a um cachorro aguardando um osso, de tão ansioso que está por ouvir um "muito obrigado, Brian" ou um "ótimo trabalho, Brian", mas nem isto lhe foi oferecido. Frieza inglesa? Ruby Tuesday saiu no compacto com Let's Spend The Night Together e ambos tocaram muito nas rádios. Oldham ciente da controvérsia que seria criado em relação a "Let's Spend The Night Together", inteligentemente lança este compacto como um duplo Lado A, assim DJ's podem dar igual importância aos dois lados, optando se quiserem por evitar controvérsia com "Ruby Tuesday".
Between the Buttons
A banda faz a última sessão de gravação do ano onde registram material para o que viria a ser o álbum Between The Buttons. Com dezenas de convidados, a sessão foi mais um evento social do que músicos realmente trabalhando. Estavam lá desde os amigos de sempre, Robert Frazer, Michael Cooper, Tony Sanchez, as namoradas Marianne e Anita, como também alguns convidados ilustres como o Príncipe Stanlislau Klossowski de Rola, que o pessoal apelidou de Stash, Peter Cook e Dudley Moore. Gravaram nesta ocasião If You Let Me, Looking Tired, Ride On Baby, Sitting On A Fence e uma versão para Trouble In Mind.

Acidentes Acontecem

Para todos os seus amigos, a morte de Tara Browne foi um tremendo choque. Todos jovens, ninguém tinha um amigo com idade para morrer. Seu acidente e morte foi eternizado na canção dos Beatles "A Day In The Life" onde em toda a primeiro estrofe, John Lennon comenta o incidente:
"He blew his mind out in a car
He didn't notice that the lights had changed
A crowd of people stood and stared
They'd seen his face before
Nobody was really sure if he was from the House of Lords"
Brian que já não estava no melhor dos estados mentais, ficou ainda pior. Bem mais deprimido, emanando um ar sombrio, segundo alguns. Tara era um amigo com quem Brian podia conversar e ao morrer assim repentinamente, deixou Brian perplexo e pessimista. Suki Porter, a namorada que sobreviveu, também estava espiritualmente nas sombras. Ter sobrevivido lhe parecia uma maldição, um fardo que ela carregaria por anos.

Fim de Ano
Para os Stones o fim de ano foi uma confirmação do sucesso de uma carreira muito feliz que a banda vem galgando. Entre a elite que vende acima de um milhão de cópias, desta vez são os Rolling Stones com seis canções em primeiro lugar e os Beatles em segundo com cinco, seguido de perto por Elvis Presley com quatro.
Começava-se a popularizar a consciência de que, embora não sendo os primeiros, os Rolling Stones foram quem popularizou R&B na Inglaterra, abrindo um mercado na indústria para bandas inglesas que tocam este tipo de música. Em meio ao sucesso de Cream, Eric Clapton em entrevista, definira os Stones como sendo "de substancial importância para a cena R&B inglesa, dando todos uma oportunidade." O status da banda aumentara entre os seus contemporâneos e isto caiu bem no ego do grupo. Keith e Linda Keith foram a Paris e lá passaram a virada do ano. Brian aguarda a chegada de Anita para também seguirem para Paris e se encontrar com os amigos.
Aloprando em 67
O ano começa com muita novidade. Ian Stewart casava com Cynthia, a secretária de Andrew Oldham, no segundo dia do ano de 1967. No dia 05 de janeiro, Jimi Hendrix Experience se apresentava no Bag O'Nails para um público composto por gente como Allan Clarke, Bobby Elliott, John Entwistle, Pete Townshend, Paul McCartney, Ringo Starr, Brian Epstein, Eric Clapton, Donovan, Georgie Fame, Lulu, Dennie Lane, Bill Wyman, Brian Jones, e toda a banda the Animals.
Dia 09 Diane Wyman se muda para África do Sul, pretendendo morar com alguns parentes que tem naquele país. Ela e Bill haviam entrado em um acordo alguns dias antes. Stephen ficaria na Inglaterra sob os cuidados de Bill, que também concordaria em lhe pagar uma soma de dinheiro pelos próximos dez anos. A banda menos Mick, viaja a Nova York para gravar o Ed Sullivan show. No aeroporto americano, o carro particular que apanhou a banda na pista, errou o caminho e quase colidiu com um jato.
Ed Sullivan
Mick chegaria no dia 13, dia da gravação do programa. Havia tanta gente aguardando a chegada dos Stones no teatro que a única maneira de entrar foi enfrentá-los. Com toda a gritaria e pandemônio, o porteiro se recusou abrir as portas. Então, em meio à adrenalina do momento, quebraram uma das portas de vidro forçando passagem, Mick cortando a mão e Keith dando um soco na boca do porteiro.
Havia uma grande discussão sobre a apresentação dos Stones naquela noite, pois segundo Ed Sullivan, uma canção chamada "Let's Spend The Night Together" não poderia ser executada no seu programa, que é familiar, pela própria natureza lasciva de seu titulo. Rádios tanto na Inglaterra como nos Estados Unidos tocavam a canção com a palavra Night editada fora ou com um barulho no lugar. Como o programa era demasiadamente importante, a ponto da banda ter atravessado o oceano só para participar, encontrou-se um meio termo com Ed Sullivan anunciando, e Mick cantando, "Let's Spend Some Time Together." De fato, as vendas americanas aumentaram consideravelmente levando a canção a chegar a No.1 enquanto na Inglaterra a canção permaneceu em No.2.
Infidelidades

Marianne vai à Itália cantar no festival de San Remo, levando Nicolas com ela. Entediada, liga para Mick que logo segue para se encontrar com ela em Cannes. Chegando lá o casal é caçado pela imprensa com tanta veemência, que alugam uma escuna e passam a semana boiando na Riviera. Passam o tempo romanticamente e perto da época de retornar, seguem para San Remo.

Marianne Faithfull começava os ensaios para a peça Three Sisters, contracenando com Avril Elgar e Glenda Jackson. Enquanto os ensaios tomavam boa parte da tarde e noite, Mick voltara a procurar por Chrissie Shrimpton. Eles voltariam a fazer amor durante o restante do mês de janeiro. Chrissie sabe que ela não estava mais apaixonado por ele; é apenas uma saudade carnal mútua. Quando ela achou que bastava, se convidou para a casa de Mick e lá resolveu ficar até que Marianne retornasse do ensaio, deixando Mick tenso, a beira de uma crise de nervos. Ao chegar, Marianne logo percebe sexo escrito na testa dos dois mas, calmamente senta no sofa e as duas mulheres conversam civilizadamente sobre Chekhov, o autor da peça. Depois Chrissie pede a Mick, que sentava suando frio, para chamar um taxi. Nunca mais se viram. Chrissie viria a namorar o músico Steve Marriot durante a parte final de 1967, embora esta relação apenas durasse pouco mais que quatro meses.
Porrada de Amor Corrói
A morte de Tara abateu muito Brian. Ele se conscientiza de como é frágil a linha entre a vida e a morte. Começa a perder suas ilusões com LSD e outras drogas como uma maneira de atingir uma consciência maior ou coisa que o valha, mas esta conclusão não é o suficiente para ele parar. Pelo contrario, ele começa a aumentar a variedade de substâncias químicas, como forma de afugentar as tristezas de sua realidade. Neste período, além da bebida e anfetaminas, além da cocaína e LSD, Brian passou a ingerir STP (similar a mescalina com anfetaminas) e DMT (dimetiltriptamina), químicas que hoje, a ciência já concluiu, deterioram e deixam problemas irreparáveis no cérebro. Para elucidar os efeitos de DMT, seria o equivalente a doze horas de um bom ácido compactadas no espaço de quinze minutos.

Cheirando constantemente, a paranóia inflava e o duelo de egos entre Brian e Anita, ambos extremamente competitivos um com o outro, invariavelmente terminava em violência. E quando Anita estava humilhada e fisicamente ferida por Brian, Keith se chegava, conversava e tentava acalmá-la, dispensando-lhe atenção e amizade. Levou um certo tempo, mas Brian percebeu que Keith estava se apaixonando pela sua mulher. Assim, as indiretas começaram e Keith logo foi obrigado a procurar outro lugar para dormir.
Keith estava no processo de entregar a casa em Londres, por causa de reclamações de outros inquilinos em função dos fãs constantemente em vigília. Redlands, onde já se encontrava a maioria de suas coisas, ficava longe e se tornava cansativo demais para o transporte diário, portanto Keith se mudou para a casa de Mick e Marianne. Pouco depois, eles estariam tomando ácido juntos.
Anita Deixa Brian
Brian percebe que perdera a amizade de Keith, mal ou bem, seu maior comparsa musical. Ele culpa Anita por usar o poder de seu amor para afastá-lo de seus amigos e passa a atacá-la com ainda mais veemência. Em certa ocasião, Brian encontrou Anita desmaiada no quarto. Ela havia tentado suicídio tomando uma overdose de alguma coisa. Sorte que uma visita chegara e puderam ajudar Brian a carregá-la para dentro de um carro e levá-la a um hospital. Lá, Brian permanece ao seu lado chorando cheio de remorsos. Parece claro que Brian a ama, mas é difícil entender porque ele surra sua mulher. Quando Anita acorda, seu olhar sofrido exala lagrimas para um amor doentio que já não lhe traz mais felicidade.
Anita sabe que Keith a ama, mas ela não quer se apaixonar por ele. Keith não tem o mesmo carisma de Brian, no obstante sua relação com Brian está se tornando excessivamente perigosa, e em todos os eventos infelizes, Keith sempre esteve por perto, tentando concertar as coisas e restaurar a harmonia. Ela deixa Brian e mora com Keith por alguns dias e depois volta para ele. Ela não consegue deixar de amá-lo de imediato. O amor teve que ser arrancado dela a pauladas. Brian por sua vez desaba e tem de ser internado em uma clinica para se recuperar. Quando Anita volta, Brian não pergunta aonde ela esteve. Ele sabe mas não quer ouvir para não ter que enfrentar a situação. Anita encontra-se em uma encruzilhada emocional. Ela resiste querer Keith, ela ama Brian, mas não pode agüentar mais o abuso físico de seu amante. No fundo sabe que é uma questão de tempo.

Dois Passos Para um Crime
Marianne foi entrevistada pela rádio BBC e em sua maneira direta, e sem pensar duas vezes no que está dizendo, ou de quem possa estar ouvindo, fala das maravilhas da maconha e do ácido. De como LSD abre as portas da percepção e portanto é tão ou mais importante do que Cristianismo.

É provável que aqueles que regiam o sistema vigente, o chamado "establishment", começassem a temer que Mick Jagger fosse realmente incitar uma revolução. Com o inicio do ano de 1967, o sistema começaria a ficar intolerante em relação aos seus novos ricos e uma ação direta estava sendo tramada.
Os Stones se apresentaram em playback no programa televisivo inglês Sunday Night At The London Palladium. É para a época, o mais popular programa familiar da Grã Bretanha e apesar de ser extremamente "careta", Oldham e Jagger sabiam que uma apresentação da banda no programa era um currículo importante. A tradição do programa previa para o encerramento, que todos os participantes se apresentem de pé sobre uma roda giratória, acenando adeus para as câmaras. Os Stones se recusaram a participar da tradição, apesar dos pedidos de Oldham e ameaças do diretor da BBC.
O incidente foi tratado como um insulto à nação, e evidentemente condenaram a atitude da banda. Jagger em entrevista foi claro, "Se alguém pensou que estávamos mudando nossa imagem para nos tornamos aceitos para o público familiar, estava enganado. Só fizemos o gig por ser um show de cadeia nacional." Dentro do jornal News Of The World, conta-se que se ouviu do editor algo nos moldes de "O povo já está cheio destes bastardos emperiquitados. Já está na hora deles receberem um troco! Vejamos o que podemos armar pra cima deles."
Jagger em entrevista foi claro, "Se alguém pensou que estávamos mudando nossa imagem para nos tornamos aceitos para o público familiar, estava enganado. Só fizemos o gig por ser um show de cadeia nacional. O programa é medíocre e nos colocou no mesmo nível. Jamais voltaremos a participar deste programa." A resposta enfureceu ainda mais as pessoas. Dentro do jornal News Of The World, conta-se que se ouviu do editor algo nos moldes de "O povo já está cheio destes bastardos emperiquitados. Já está na hora deles receberem um troco! Vejamos o que podemos armar pra cima deles."
Keith e o seu Bentley
Embora Keith não houvesse conseguido passar em sua prova de habilitação quando tentou obter uma, ele sempre morou com ou perto de Mick ou Brian, portanto, nunca precisou de um carro realmente. Depois que os Rolling Stones quebrarem o recorde de apresentações de uma banda em um ano, repetindo o feito seguidamente em 1963 e 1964, eles diminuíram o pique e estavam reservando mais tempo para o ócio. Depois da compra da casa de Redlands, mesmo com Keith passando bastante tempo em Londres na casa de Brian ou de Mick, ter seu carro passa a ser uma necessidade.
Não seria a falta de habilitação que deixaria Keith a pé e ele começou a dirigir mesmo sem o documento. O grande empecilho era que Richards não sabia dirigir e inevitavelmente acabava sendo pego e multado por estar dirigindo sem habilitação. Seu próximo passo então seria pagar alguém para fazer a prova de habilitação em seu nome. Ensinou a pessoa a assinar o nome como se fosse o próprio Keith, e depois o mandou fazer a prova como se fosse ele. Evidentemente ninguém do Departamento de Trânsito associou este Keith Richards anônimo, que fazia a prova de direção, com o relativamente famoso guitarrista e tudo correu bem.

O Bote
Brian e Anita entraram em outra disputa de egos e ela acabou o deixando mais uma vez. Ele então volta para a vida noturna, freqüentando os clubes, bebendo entre amigos, ou melhor, acompanhantes que adoram estar perto de algum Rolling Stone. Conhece uma sueca chamada Anne que embora charmosa, recusa seu convite para ir com ele para sua casa. Brian volta a se sentar e é aproximado por dois jornalistas, passando a dar uma entrevista exclusiva. Os dois jornalistas jogam a isca, puxando a conversa de misticismo para drogas no mundo pop atual. Brian fala sem pensar, contando que toma LSD há tempos, assim como anfetaminas para ficar acordado. Brian está tão à vontade que chega a convidar os jornalistas para irem a sua casa com mais algumas meninas e fumarem um juntos. O convite foi gentilmente recusado e os dois jornalistas se despediram.
O artigo sairia na manhã de sábado, dia 05 de fevereiro, no jornal News Of The World. A historia identificaria erroneamente que a entrevista fora com Mick Jagger e contaria que ele foi visto com haxixe, convidando garotas do local, além deles os jornalistas, para irem à sua casa para "fumar um". O artigo diria ainda que durante o curso da pequena entrevista, Mick Jagger havia tomado seis tabletes de Benzedrine. "Todo mundo usa", ele confessaria.
Mick Jagger que tem o hábito de começar seu dia lendo todos os jornais, pulou meio metro quando leu o artigo que continha uma foto sua. Ao terminar de ler o artigo, já sabia que os mongolóides o haviam confundido com Brian, o que lhe daria a oportunidade de processá-los por calúnia. Jagger, que havia agendado para aquele dia, uma aparição no programa Eamonn Andrews, um talk-show, aproveita a oportunidade para se defender. No programa, ele se mostra irritado que um jornal respeitado como News Of The World estaria escrevendo tamanha bobagem e que ele não tem outra forma para limpar o seu nome senão processar o jornal. Na segunda-feira seguinte, os advogados estão entrando com processo na justiça.
Keith e a sua Mercedes
Anita, brincando com os receios de Keith, começa a falar mal de seu Bentley, dizendo que aquilo é um carro de gente idosa. Que o veículo não possui a mesma classe que um Rolls Royce como o de Brian. Ao fazer esta comparação, Anita provoca as inseguranças de Keith, não tendo a permanência de Anita ainda como certa, tornando-o vulnerável à sua manipulação. Keith começou a conversar com alguns conhecidos e recebe a dica da existência de um Mercedes velho esquecido em um ferro velho. O carro é uma relíquia, utilizada pelos nazistas na Segunda Guerra. Anita, que tem um certo fascínio pelos nazistas, adorou a idéia de ter um carro que serviu para membros daquele partido. O veículo custou cerca de £1.700 e outros £2.500 para ajeitá-lo. Trocou-se estofado, caixa de câmbio e motor, além de uma pintura nova. Ao sair da oficina, o carro deveria estar valendo pelo menos £4.500.
Quando o carro chegou, tanto Keith quanto Anita estavam impressionados com o imponência do veículo. Sendo o carro de câmbio manual, Keith precisou novamente da ajuda de alguém para ensinar como dirigí-lo. Assim, Tony Sanchez acabou sendo convidado por Keith para ensinar como manejar um câmbio manual e estrear a máquina nova. Depois de dar algumas voltas em Chester Square, foram para o centro de Londres a toda, curtindo a reação dos pedestres, parando para olhar o longo veículo de 18pés de comprimento, e depois duplamente espantado em ver um pop star cabeludo dirigindo-o. Keith acena e segue, parando no Sands Café na Bond Street.
Depois do café, Keith levou Tony pra casa em Kilburn. A esta altura, depois de arranhar muita marcha, Keith acaba descobrindo que ele poderia arrancar em quarta e assim, basicamente dirigir o carro como seu Bentley de câmbio hidramático. Keith gostava de correr, mesmo que isto o obrigasse a furar alguns sinais vermelhos. Depois de furar dois cruzamentos, encontra no terceiro o obstáculo de um outro carro respeitando o sinal. Assim, Keith descobre que o Mercedes não freia tão facilmente como o Bentley. Com o estrondo, seu Mercedes estava acabado. Keith, que sempre andava com flagrante, deixou o problema pra Tony resolver. Pegou um taxi e sumiu. Levaria outro ano até o Mercedes ficasse pronto outra vez. Em tempo, fica claro que apesar do alto custo de certos objetos, Keith não tem uma maior relação com nenhum de seus “brinquedos”. São mesmo coisas a serem usadas e dispensadas quando perdem a utilidade.
Anita Volta Pela Última Vez
Brian segue para a Espanha, passando um tempo em Barcelona. Sozinho, ele toma uma overdose de barbitúricos e álcool, uma combinação sempre perigosa que chapa o indivíduo completamente. Desta vez não havia ninguém com ele para ajudá-lo e Brian teve sorte em não ter ficado azul, acabando por morrer desacordado. Anita apavorada com esta perspectiva volta então para socorrê-lo, vigiando e garantindo que ele coma um mínimo e durma um pouco. Ele é secretamente levado para uma clinica especializada em desintoxicação na Suécia. Com a volta de Anita, Brian se acalma e resolve pela primeira vez mudar de vida. Ele para temporariamente de tomar ácido e embora continuarisse a tomar outras drogas, não o faz mais de forma tão destrutiva.
Redlands
Depois do artigo do News Of The World, não haveria mais sossego para nenhum dos três. Mick, Brian e Keith passariam a ser seguidos pela espionagem do governo de Sua Majestade, numa tentava de acabar com a suposta revolução antes dela começar. Uma van branca passa a ser vista em frente à casa dos três e tanto Keith quanto Mick estão bem conscientes do que está se passando. Um belo dia, Keith é procurado por um cara que ele havia conhecido na excursão americana do ano passado. Ele afirmaria que tinha trazido com ele um ácido novo no mercado e que queria reunir a banda e apresentar a novidade para a galera.
Seria combinado que a reunião seria realizada em Redlands. Aos olhos de Mick e Keith, o programa seria uma maneira de fugir da presença intimidadora da van branca, constantemente estacionado na frente da casa em Londres. Mick está ansioso por poder relaxar. Bill e Charlie não se interessaram pelo programa como era de se esperar. Brian precisava terminar alguns detalhes na trilha sonora que fazia para o filme A Degree of Murder, ficando de ir depois com Anita para lá.

White Lightning em Redlands
Na manhã seguinte, são acordados cedo por Schneiderman, que fizera chá quente para todos. Chá quente com um tablete de um ácido chamado White Lightning, tão forte que algumas pessoas ficaram enjoadas de início. Depois foi a espera normal para o efeito bater, e quando bateu; valeu. White Lightning oferece uma viagem como LSD mas sem a sensação de perda de controle que às vezes se tem com outros ácidos. Pode-se dizer que foi a partir desta viagem que Mick e Keith realmente unificaram suas forças. Uma percepção de irmandade, ambos na mesma sintonia quanto a seus propósitos dentro da banda, solidificaria a confiança que não permitiria ninguém, nem mesmo Andrew, controlá-los mais.
O grupo resolve passear indo todos de van, com destino inicial de visitar a casa do pintor surrealista inglês Edward James. Ao chegarem lá, encontram a casa fechada, indo então para a praia curtir o barulho do mar, o vento forte e cheiro da maresia. Ao retornar, estão cansados, Marianne indo logo tomar um banho. Sem ter trazido roupas extras, se encobre com um gigantesco tapete de pele. Assim, depois do jantar, ela estaria enrolada, ao lado do Mick, junto com todos os outros, ouvindo the Who no último volume com a televisão ligada sem som enquanto incenso estava queimando.
Conversando com Schneiderman, Michael Cooper repara o quanto este sujeito entende de armas e fica intrigado. Em dado momento, enquanto o americano está distraído conversando com os outros, Michael entra no seu quarto e vasculha sua bagagem de mão, encontrando vários passaportes com nomes e nacionalidades diferentes, todos com sua fotografia. Cooper tem agora certeza que este sujeito não é apenas um vendedor de drogas mas não entende direito o que sua presença significa.
Invasão em Redlands
Por volta de umas sete da noite, já escuro, fevereiro sendo inverno inglês, podia-se ouvir um barulho vindo da entrada da casa. Ao abaixar o volume do som, identificaram o barulho como sendo alguém batendo na porta. Resolveram ignora-lo mas como quem quer que seja não desistia, Keith resolveu atender. Ao abrir a porta encontrou um esquadrão policial, com o Inspetor Chefe Gordon Dineley, falando enquanto mostrava-lhe um pedaço de papel.
Era um mandato para inspecionar a casa a procura de substâncias ilegais. Todos os convidados ainda estavam viajando em ácido no momento da batida e Keith, que respondia pela residência, tinha dificuldades em entender o que lhe era explicado. Ele via os lábios se mexendo mas sem conseguir direito concatenar o texto falado. Finalmente ele percebe o significado desta intromissão e avisa aos demais que a polícia tem com eles um papel, "uma bobagem legal" e irá vasculhar a casa. O inspetor pede que se desligue a vitrola mas Keith aceita apenas que se abaixe o som. Em seguida, Keith pega o telefone e liga para o escritório da Rolling Stones para avisar do que está acontecendo e para mandarem um advogado imediatamente para o local. Logo, os advogados Timothy Hardacre e Leslie Perrin estariam a caminho.
Os ocupantes foram logo reunidos em pares, e enquanto a policia vasculhava a casa, Michael Cooper tentava discretamente pegar sua câmara e tirar uma foto do incidente. Os policiais comuns desta época, como a sociedade em geral, eram leigos no que se refere ao assunto entorpecentes e não conheciam muito além de maconha, morfina e cocaína. Isto permitiu cenas inusitadas, como os homens achando haxixe no casaco de Mick e acreditando se tratar de terra encrostada no fundo do bolso, colocando-o de volta. Imaginem um alferes com uma expressão de nojo como quem está pensando, "cambada de hippies porcos e imundos". Os tabletes de heroína trazidas por Frazer, foram inicialmente confundidos com remédio para diabetes. Iriam revistar a mala de Schneiderman, cheia de praticamente tudo, mas porque tinha seu conteúdo cuidadosamente embrulhados em alumínio, perguntaram primeiro do que se tratava. "É filme não processado" explicou o dono da maleta. "Eu faço filmes e agradeceria se vocês não o abrissem. Estragaria um trabalho de dois anos" ele explicou calmamente. "Perfeitamente compreensível senhor" com a típica polidez inglesa e a mala voltou a ser fechada. Mesmo assim, encontraram maconha no bolso de seu casaco e levaram para ser analisada.

Dylan canta:
Well, they'll stone ya when you're trying to be so good,
They'll stone ya just a-like they said they would.
They'll stone ya when you're tryin' to go home.
Then they'll stone ya when you're there all alone.
But I would not feel so all alone,
Everybody must get stoned!
Well, they'll stone ya when you're walkin' 'long the street.
They'll stone ya when you're tryin' to keep your seat.
They'll stone ya when you're walkin' on the floor.
They'll stone ya when you're walkin' to the door.
But I would not feel so all alone,
Everybody must get stoned!
They'll stone ya when you're at the breakfast table.
They'll stone ya when you are young and able.
They'll stone ya when you're tryin' to make a buck.
They'll stone ya and then they'll say, "good luck."
Tell ya what, I would not feel so all alone,
Everybody must get stoned!
Well, they'll stone you and say that it's the end.
Then they'll stone you and then they'll come back again.
They'll stone you when you're riding in your car.
They'll stone you when you're playing your guitar.
Yes, but I would not feel so all alone,
Everybody must get stoned!
Well, they'll stone you when you walk all alone.
They'll stone you when you are walking home.
They'll stone you and then say you are brave.
They'll stone you when you are set down in your grave.
But I would not feel so all alone,
Everybody must get stoned!
No final da blitz, a polícia levou vários palitos de incenso, um cachimbo com restos de hemp encontrada sobre uma mesa, um cinzeiro com cinzas de maconha, uma bola de maconha prensada, quatro pílulas que Mick comprara em uma farmácia na Itália contra enjôo, oito capsulas verdes, como também um dos tabletes do remédio para diabetes de Robert Frazer. Ao sair, Keith é avisado que se os laboratórios concluírem que algo ilegal fora encontrado, ele seria processado por admitir o uso de substancias ilegais em sua residência.
Chocados com o evento que se sucedeu, a festa naturalmente acabou e as pessoas começaram a reunir suas coisas para irem embora. Pouco depois Brian liga dizendo que ele e Anita estão a caminho, sendo logicamente informado da primeira batida residencial que a polícia inglesa tenha dado, especificamente a procura de drogas classificadas de perigosas.
Conclusões
Analisando o significado de tudo o que ocorreu, os amigos concluem que foi uma cilada desde o inicio. Esta historia de um americano aparecer do nada oferecendo ácido gratuitamente só para eles, agora cheirava a armação. Mick está certo que o jornal News Of The World está envolvido na historia. Sabem que ao serem processados, irão perder uma grana por difamação, portanto o jornal arrumou uma maneira de envolver Jagger e os Stones em um escândalo ligado a entorpecentes. Com tempo, aprenderam a suspeitar de uma tríplice aliança entre o jornal News of the World, a polícia de Chichester e alguns membros do governo. De toda a batida, só encontraram evidência nas mãos dos outros, as 150 gramas de maconha no bolso de Schneiderman e os tabletes de heroína no bolso de Robert Frazer. A única coisa que encontraram com Mick foram pílulas contra enjôo, que na verdade pertenciam a Marianne, que comprara na Italia quando estavam em San Remo e Cannes de barco.
Schneiderman em dois dias já havia saído do país, desaparecendo sem vestígios, ficando somente Frazer em situação delicada com os tabletes de heroína, droga legalmente considerada perigosa, pendendo contra ele. Com a intermediação do amigo Sanchez, negocia-se com alguém que trabalha no laboratório policial, que pela soma de £7.000, se perderia ou adulteraria os resultados, concluindo que os tabletes eram de glicose ou coisa parecida. Frazer negocia com Mick e Keith que liberam a soma de £5.000 enquanto ele adiciona mais £2.000 em cima, pagos ao laboratório da policia e o assunto prometia ser esquecido. Porém, o jornal News of the World correu materia com um relato completo e detalhado sobre o incidente. Mick não tem duvidas que tem um informante nesta historia e suspeitas recaem tanto em Schneiderman como em Kramer, um dos empregados de Keith.
O artigo é genérico, dizendo apenas "Esquadrão de Entorpecentes Invade Festa de Popstar". Toda a sociedade está chocada e uma repulsa geral contra entorpecentes e pessoas que os consomem, se torna o assunto da semana. Em seguida, novas batidas policiais se sucedem em clubes, galerias e lojas freqüentados por jovens. A opinião pública, extremamente contra, deixa um ar tenso sobre músicos pop em geral. Esta tensão amplifica o clima de animosidade dentro dos Stones contra Allen Klein, quando a demora de recursos a chegar nas contas bancarias persiste.
Klein inevitavelmente manda uma remessa de dinheiro, da qual uma pequena parte serve para cobrir a despesa do suborno. Poucos dias depois, Klein está em Londres para conversar com os rapazes. Os advogados garantem que não há nada com que se preocuparem e que o incidente, mesmo que chegue a ser chamado para julgamento, não terá maiores conseqüências. Pensando em evitar maiores embates com a lei, Klein sugere que todos vão para algum lugar longe da Inglaterra. Se eles gostam tanto de fumar haxixe, que eles procurem um lugar onde isto seja legal.
Jornada Para Tangier
Com esta sugestão, Keith resolve ir para Marrocos e descansar um pouco por lá. A idéia agrada todos e planos são traçados. Keith quer ir de carro, e portanto transporta seu Bentley de avião até Paris. Da França, seguiria com Tom Keylock, seu motorista particular, para Marrocos. Mas antes de irem, Keith aguarda no George V Hotel em Paris, a chegada de Brian e Anita, mais Deborah Dixon, namorada de Donald Cammell, amigo do grupo. Mick Jagger, Robert Frazer, Christopher Gibbs e Michael Cooper vão de avião direto e aguardam os demais hospedados no El Minzah Hotel.
Marianne Faithfull, presa por obrigações com ensaios para a peça Three Sisters, fica para trás. Brian estava ainda fazendo os acabamentos na trilha sonora do filme A Degree of Murder e só viajou quando despachou o material para o diretor do filme Volker Schlondorff. Ele e Anita se encontraram com Keith e Deborah em Paris e seguiram então de carro em direção a Espanha. Pelo caminho, Brian sofre uma de suas piores crises asmáticas, assustando todos com a extrema dificuldade e esforço exigido para se respirar. Finalmente em Toulouse, ele é internado no Centre Hospitalier d'Albi, onde os médicos informam que ele precisa continuar lá em repouso por alguns dias. O grupo pernoita em um hotelzinho perto do hospital seguindo viagem em direção para Barcelona. Brian fica de encontrar com eles dentro de alguns dias.
A Saúde de Brian Desaba
Brian passou o seu vigésimo quinto aniversário no hospital sozinho. No dia seguinte ele manda um telegrama para Barcelona solicitando que Anita voltasse para Toulouse, pois ele queria que ela estivesse com ele. Ela ignorou o telegrama e para evitar outros, Keith e Anita resolvem seguir para Marbella; Deborah resolvendo voltar a Paris. No domingo, dia 05 de Março, Anita se despede de Keith e vai a Toulouse pegar Brian e levá-lo de volta a Londres para que ele possa fazer um check-up completo. Ela está preocupada com sua saúde e incerta quanto a suas emoções.
Dia 07 de março Brian Jones recebe alta do hospital em Toulouse e segue então para Londres. Lá, uma serie de testes e Raio-X são marcados. Ele e Anita almoçam com Allen Klein e em seguida é internado no West London Hospital. As constantes viagens de ácido que o grupo estavam tomando exigem do corpo uma tremenda resistência física. Mas Brian nunca teve toda esta saúde e depois da morte de Tara Browne, que ele começou a experimentar com DMT e STP, não demorou muito para seus pulmões pedirem clemência. Oficialmente ele é diagnosticado com pneumonia, mas de boca em boca, todos sabem que é estafa do organismo, cansado de processar tanta química. Seus pulmões, seu coração e seu sistema nervoso estão todos afetados e os médicos prescrevem tranqüilizantes e recomendam muito repouso.
Marianne e Anita Seqüestram Brian
Anita passa a madrugada de sexta para sábado com Marianne tomando ácido e fazendo amor. Quando descobre que Marianne tem uma semana de folga da peça, Anita tem a brilhante idéia de ir tirar Brian do hospital, e todos irem para Tangier, encontrar com os outros. Assim, na tarde de sábado, ainda sob efeito do alucinógeno, as meninas tiram Brian do hospital, seguindo para casa fazer as malas. Brian faz questão de levar uma cópia da fita com a trilha do filme A Degree of Murder, e seu gravador portátil (evidentemente de rolo, uma vez que o gravador K-7, não existia ainda no mercado). Marianne, preparou sua mala (uma bolsa) com um livro de Oscar Wilde, uma bata indiana, algumas conchas, e outras besterinhas. A ida para um lugar como Tangier, ensolarado, onde Brian pudesse descansar, se acalmar e ficar longe de encrencas, não é uma idéia de todo mal. Bastava um pouco de senso de sua parte e de seus amigos. Mas o que acontece? A primeira coisa que as meninas fazem antes de decolarem é lhe dar um ácido.

Haxixe em Tangier


Sexo Na Cidade

Quando a historia circulou no grupo, Brian quis que Anita aceitasse uma parceira para juntos fazerem uma menáge a trois. Brian conhecia uma menina com quem já dormira em outra viagem feita à cidade e já discursava sobre seus planos de ir buscá-la. As duas podiam brincar de serem escravas sexuais, e ele, o mestre. Anita não estava em clima para nem cogitar a situação e ao informá-lo de que é mais fácil o inferno congelar, Brian explode em fúria e passa a esmurra-la seguidamente. Os insultos são mútuos e cada um passa a fazer seus próprios passeios.

Marrakesh
Em Marrakesh, Brian se apaixona pelos flautistas de JouJouka, gravando-os na hora. Depois voltam pelas montanhas de Atlas, onde as belezas naturais do cenário deixam Brian encantado, voltando para Tangier e para o hotel, somente a noite.

Quando lá chega, não encontra Anita, nem ninguém. Todos se foram do hotel. Brian está pasmo. Quando se dá conta do que está acontecendo, entra em profunda depressão. Sua mulher, seus amigos, todos fugiram sem ele. Sem dinheiro no bolso, pede emprestado a Biron, seguindo no dia seguinte para Paris. Lá passa dois dias na casa de Donald Cammell, que mal reconheceu o guitarrista, magricelo com cara de doente, todo roto e sujo.
O que aconteceu foi que Keith aproveitou que Brian estava fora da cidade e convenceu a Anita de fugir com ele. Ela estava cansada de apanhar de Brian e Keith já não agüentava mais vê-la apanhando. Ou ela foge com ele ou Keith Richards acabaria matando Brian Jones. Anita foi, socorrida pelo seu cavaleiro de Bentley e chofer, fugindo no deserto e acabando em Marrakesh. Muito romântico. Mick não queria estar lá quando Brian voltasse, portanto pegou Marianne e voltou para Londres. Os demais fizeram o mesmo, todos desgostosos com Brian por ter batido tanto na pobre Anita.
Reação
Brian começou a pirar de vez. A humilhação simplesmente o levou às raias da insanidade. Mas ele reagiu de forma inesperada. Ao chegar em Londres, passou a tomar aulas de guitarra. Mergulhou no instrumento tentando expandir seus conhecimentos musicais e se especializar nele. As bebedeiras e anfetaminas continuaram, mas ele diminuiu no resto.
Uma vez entregue a trilha sonora, Volke Schlondroff adorou o material e fez questão de elogia-lo para toda a imprensa. O filme logo estaria representando Alemanha no Festival de Cinema em Cannes, ainda naquele ano.
Logo Brian estaria recebendo outros roteiros e pedidos para compor trilha sonoras. Um alívio secreto passou pela cabeça dos demais membros da banda, ao contemplar a hipóteses de que este possa ser um caminho para o amigo atormentado. Se suas composições não tem lugar nos Rolling Stones, pelo menos agora, ele parece ter encontrado um caminho para canalizar sua criatividade.
A esta altura, exatas seis semanas depois do incidente em Redlands, a justiça indicia Mick Jagger, Keith Richards e Robert Frazer, por acusações ligadas a drogas. Robert Frazer pela suas capsulas de heroína e Mick Jagger pelas pílulas que continham anfetaminas na sua formula química. O remédio sendo italiano pode ser considerado ilegal na Inglaterra. A quantidade de anfetaminas encontrado era mínimo mas foi o suficiente para processar Mick por uso ilegal de drogas. Keith Richards por sua vez estava indiciado por permitir o uso de sua residência para o consumo de drogas consideradas perigosas. A indiciação chegou logo aos jornais como também chegou a historia de uma mulher nua encoberta apenas por um tapete.
Allen Klein havia preparado uma turnê européia para ver se deixando o grupo ocupado tocando, ele pode gerar publicidade positiva ao mesmo tempo que evitar que eles se metam em maiores encrencas. No dia 24, o grupo estaria viajando para a Dinamarca, onde dia 25 fariam o primeiro show. Anita retorna para a casa de Brian dia 22. Anita e Brian conversam e ela tenta lhe dar apoio, desejando que ele faça uma boa excursão. Mas a conversa descambou, Brian já não acreditando na sinceridade de suas palavras e sentido por saber que ela o está tratando como um bebezão. A conversa deu lugar à violência e assim se encerra qualquer suposta chance que Brian ainda tivesse de voltar a ter Anita. "Estou feliz que você se vá" ele diz, engolindo a dor de vê-la partindo. Quando voltarem a se ver na Italia, ela já será a garota de Keith Richards.
Allen Klein havia preparado uma turnê européia para ver se deixando o grupo ocupado tocando, ele pode gerar publicidade positiva ao mesmo tempo que evitar que eles se metam em maiores encrencas. No dia 24, o grupo estaria viajando para a Dinamarca, onde dia 25 fariam o primeiro show. Anita retorna para a casa de Brian dia 22. Anita e Brian conversam e ela tenta lhe dar apoio, desejando que ele faça uma boa excursão. Mas a conversa descambou, Brian já não acreditando na sinceridade de suas palavras e sentido por saber que ela o está tratando como um bebezão. A conversa deu lugar à violência e assim se encerra qualquer suposta chance que Brian ainda tivesse de voltar a ter Anita. "Estou feliz que você se vá" ele diz, engolindo a dor de vê-la partindo. Quando voltarem a se ver na Itália, ela já será a garota de Keith Richards.
Europa 67

Itália
Depois de uma série de shows na Itália, encontram-se com o amigo Stanlislau Klossowski de Rola, que levou a banda até a vila da família, um pequeno castelo em Roma. De lá, fizeram dois shows no Palazzo Dello Sport, para uma casa cheia. Assistiram a este show algumas Deusas do cinema, como Gina Lollobrigida, Brigitte Bardot e uma atriz ainda por se afirmar chamada Jane Fonda.
Fonda estava na Itália para começar as filmagens de Barbarella, um filme que se tornaria um pequeno clássico cult. Nele, contracenaria com Anita Pallenberg, que faria a vilã Black Queen of the Galaxy, A Rainha Negra da Galáxia. O roteiro é de Terry Southern, que indicou Anita.

O show no Olympia no dia 11 de Abril foi um sucesso, mas enquanto a banda estava tocando, seus quartos de hotel estavam sendo saqueados por fãs querendo tudo como souvenires. Roupas, dinheiro, rádios e máquinas fotográficas foram roubados, deixando forte suspeitas sobre a equipe de manutenção do hotel. Como o local não aceitou a responsabilidade de repor as perdas, os Rolling Stones nunca mais se hospedariam lá.
Em Le Bourget, na imigração, ao tentarem deixar o país, os ânimos ficaram exaltados e uma tremenda discussão culminou com Keith e Tom Keylock tomando alguns socos na cara e no peito. Mick quase apanha também ao pedir calma. O avião decolou com um atraso de noventas minutos, com destino a Viena. De lá seguiram para Varsóvia, onde os Rolling Stones toparam ser a primeira banda de rock a tocar atrás da cortina de ferro. O dinheiro envolvido era irrisório, mas a banda sabia que tinha fãs por lá e resolveram ir de qualquer maneira.
Polônia
Lá chegando, percebem logo o disparate em níveis de conforto. Cidade cinzenta, não havia televisões nos quartos do hotel, apenas rádios com alcance apenas local. Tentaram andar um pouco pela cidade mas foram impedidos de sair do hotel. Ao redor do Palácio da Cultura, o local do evento, havia uma grande aglomeração de pessoas, cerca de 10.000, protestando. Logo se soube que os ingressos ficaram nas mãos de pessoas do partido e foram distribuídos essencialmente para os amigos destes. O povo, em sua maioria, sequer teve a oportunidade de disputar um ingresso, nem mesmo por preços absurdos.
A polícia havia fechado a praça horas antes da banda chegar. A presença maciça de centenas de policiais prenunciava uma guerra que acabou mesmo acontecendo. Com a chegada do ônibus contendo a banda, o povo do lado de fora começou a forçar entrada na praça. Cerca de 3.000 pessoas avançaram contra as grades tentando invadir o palácio e assistir o show. De capacetes de ferro, a força oficial marchava com cavalos contra a garotada, atacando-os com porretes de borracha. O povo retribuía a gentileza jogando garrafas e pedras na policia. Enquanto o show corria lá dentro, cerca de 2.000 pessoas tentaram invadir o edifício por uma entrada lateral em outro ponto da praça. A polícia contra atacou com gás lacrimogênio, optando por reconquistar o "domínio" da praça com mais um festival de porretes de borracha.
Os Stones dariam duas apresentações e estavam assustados com a opressão selvagem contra o povo, meros adolescentes querendo se divertir em um show de rock. Entre apresentações, viram através de um basculante do vestiário a chegada de dois caminhões munidos com canhões de água se posicionando. Assim, durante praticamente todo o segundo show, jatos d'água passaram a ser atirados na garotada, os mantendo a distancia. Toda redondeza era um campo de batalha com soldados armados de metralhadoras e cães raivosos tentando dissipar a multidão. Apenas 30 pessoas foram presas.

Ao final da noite, os Stones já estavam enjoados de ver tanta repressão. Com uma caixa com cem compactos, a banda e um motorista embarcaram em uma aventura. Passaram a rodar a cidade em uma van até encontrarem um grupo de jovens. Diminuíam então a velocidade do veículo e jogavam alguns compactos para eles. Rodaram até que a caixa com todos os compactos estivesse vazia, retornando para seus quartos com uma sensação de missão cumprida. No dia seguinte, ao deixar o hotel e o país, descobrem que por uma incrível coincidência, o lucro dos dois concertos da noite anterior cobriu exatamente o valor da conta do hotel.
A pouca imprensa presente para cobrir o primeiro show de rock de um país da cortina de ferro, toda estrangeira, anunciou para o oeste que os Rolling Stones conseguiram o que nenhuma instituição política tenha conseguido até então: causar revolta popular e desobediência civil em um país comunista e de regime militar.

Depois de shows na Holanda e uma passagem rápida em Londres, seguem para Atenas, Grécia. O show realizado no Estádio de Futebol do Panathinaikos mostrou tons da opressão iguais aos encontrados na Polonia. A violência da policia sobre o público enjôou a banda e acabaram por terminar o show antes do tempo normal, o que deixou o público extremamente descontente.
Férias

O Rock e a Política
Mick ficou em Londres dando entrevistas, queixando-se do tratamento nos aeroportos e que o estress não está valendo a pena. Afirma também que os Stones não irão excursionar mais para os Estados Unidos. A banda não tinha mais nenhum show marcado e aguardaria o julgamento antes de se comprometer a se apresentar novamente em qualquer lugar. Os jornais transformam os Rolling Stones em pequenos revolucionários em função dos distúrbios que eles incitaram na Polônia. Mick alimenta a fogueira com declarações politicamente orientadas.
"As pessoas gostam de falar da violência que cerca nossos shows. Existe sim um certo elemento de violência ao nosso redor. Eu vejo este comportamento em diversos países, pois os sintomas são os mesmos. Frustração. E estamos falando de jovens de todos os níveis sociais. Você não consegue resolver o problema os trancafiando. Essa não é a resposta. Você precisa descobrir a razão porque estão descontentes. Ninguém é maluco para querer brigar com a policia por nada." Em particular Mick comenta, "Eles pensam que nos pegaram mas esquecem que podemos contar tudo para a garotada, que por sua vez, irá perder cada vez mais o respeito pela polícia."
Para o Daily Mirror, Mick declara: "Vejo grande perigo no ar. Os adolescentes não estão gritando para a música como antes. Seus gritos surgem por motivos mais profundos. As bandas e a música são apenas uma desculpa para liberarem suas frustrações. No palco, percebo que o público quer comunicar comigo, nem que seja telepaticamente. E a mensagem não é sobre nossa música, mas sobre nosso mundo e a forma que somos obrigados a viver. Adolescentes estão cansados de serem ditados com códigos de comportamentos antiquados, forçados a eles por políticos sem visão, que só enxergam seu modo de pensar. Isto é um protesto contra todo o sistema e eu vejo problemas no horizonte."

Youth Revolution
Dentro dos próximos dois anos, esta guerra terá matado e ferido muitos jovens, em números alarmantes. Apesar de toda música boa que geralmente é associada a esta época, era um tempo extremamente perigoso para ser jovem e de opinião própria, declarando-se livre de influências. Principalmente no interior americano, hippies são confundidos com comunistas. E não existe nada mais anti-americano que um comunista. Mentalidade simples, resulta em repulsa, geralmente acompanhada de violência.

As mudanças surgiriam cada vez mais rapidamente. A era das "manias" já passou. Surgem novas bandas, com um som mais pesado, agitados pelo ácido e pela adrenalina. O trio Cream é talvez o mais conhecido entre estes, graças ao seu já famoso guitarrista, Eric Clapton. Levaria ainda outros três meses para o mundo conhecer Jimi Hendrix, embora em Londres seu nome seja uma unanimidade entre outros músicos.
Atiçado pela perseguição, Jagger está tomado pela revolução, acreditando que quando a poeira abaixar, é a policia que será ridicularizada. Tanto Mick quanto Keith estão extremamente otimistas quanto à batalha legal por vir. Marianne Faithfull e Robert Frazer por sua vez, não estão tão certos.
Festival de Cinema em Cannes '67
Brian e Keith tentaram se reaproximar como amigos. Talvez fosse por causa da banda este esforço para uma coexistência pacífica, afinal é muito dinheiro, fama e uma vida de farra, gerados pelos Rolling Stones. Mas no caso de Brian, ele passaria a mostrar cada vez mais esta faceta de sua personalidade. A de se sentir extremamente desconfortável ao perder uma amizade de qualquer espécie. A hipótese lhe causava uma insegurança extrema e ele passaria a demonstrar uma incrível paciência e esforço para manter amizades que nem sempre lhe serão benéficos.

Os Stones no Cinema

Intoxicado Por Amor
Para muitos, perder Anita destruiu Brian. Ele supostamente teria dito algo nos moldes de, "Eles tomaram minha música, tomaram minha banda e tomaram meu amor." Eles, evidentemente, são Mick e Keith, já que Andrew perdera o controle e poder que tinha sobre os dois. A notícia de Anita passando das mãos de Brian para Keith se espalhou pela mídia e isto também foi particularmente humilhante. Brian reage em parte, flutuando pelos clubes noturnos e se mostrando disponível. Logo estariam morando com ele duas meninas, Tina e Nikki, com as quais manteria uma relação a três.

Em certa noite, uma visita testemunha Brian todo energizado tentando apresentar uma gravação sua. Mas quanto mais ele se esforçava para colocar a fita rolo no gravador, mais ele se enrolava, até que finalmente o rolo cai no chão e espalha fita por toda a sala. Brian pateticamente senta no chão e começa a chorar. Depois, em uma fúria desnecessária, pega a fita e com uma tesoura, corta sem cerimonia tudo em diversas tiras e depois amara as tiras com um nó, uma à uma, Ao colocar pra tocar, Brian está extasiado com a incrível música que só ele consegue ouvir, enquanto seus convidados escutam espasmos sonoros que prometiam ser interessantes, se pudessem ser ouvidos decentemente. Conta-se que algumas coisas gravadas por ele foram jogadas na lareira para queimar, em meio a outras crises de angustia. Pouco se sabe realmente do que havia e o que sobrou de seus arquivos sonoros.
Rotina de um Druggie
Brian começa suas manhãs geralmente com umas poucas carreiras de cocaína para despertar. Depois leva Nikki e Tina para comer algo na cidade. Às vezes dirigindo doidão, quase causa alguns acidentes pelo caminho. Evidentemente o fluxo de automóveis em 1967 é bem inferior do atual. Sem estar em condições de estacionar o carro, joga seu Rolls Royce contra um muro que desmorona com o impacto. Enquanto Brian leva as meninas para dentro, pede ao amigo Tony, que acompanhava o trio, para estacionar o veículo. Tony está boquiaberto com o que acaba de testemunhar e abismado que o carro tenha ficado apenas com uma leve mossa no pára-choque. Rolls Royce rules!
Brian se distrai e passa muito do seu tempo ocioso fazendo compras. Está constantemente em Kings Road, reduto onde todo o povo hip busca suas roupas. Em tempo ele também passaria a investir seu dinheiro em jóias e bijuterias, coisa incomum para um homem. Brian ajudaria a criar uma moda de homens usando roupas extravagantes e jóias. Algumas pessoas iriam confundir isto com homossexualismo, porém não há testemunho de ninguém que conhecesse Brian realmente de perto, que confirme qualquer tipo de tendência homossexual sua. Muito pelo contrario. Estas teorias de homossexualismo tendem a ser mera especulações, possivelmente com o objetivo de vender livros.
Às vezes, durante o dia, Brian gostava de passear de carro pelas ruas de Londres, abaixando seu vidro para ser reconhecido e depois mandando o motorista acelerar para não ser pego pela mulherada. Às vezes ele prefere atiçar Tina e Nikki a terem sexo enquanto ele assiste. Muitas vezes ele acaba participando. Apesar das drogas, sua capacidade sexual continua ativa, decaindo apenas em fases de crise asmática (geralmente na estação de polonização).
Hábitos Imundos

Relatos mencionam como ele gostava de se gabar sobre a quantidade de virgens que deflorava. Guardava os lençóis manchados de sangue para mostrar aos amigos e comprovar seus feitos. Outros relatos contam como Brian tirava prazer em denegrir cruelmente o desempenho da parceira, de preferência em um volume que a coitada podesse ouvir. Uma espécie de sadismo verbal, onde a perversão passa a lhe trazer prazer. Neste campo, a agressão física em mulheres era uma constância. Brian rapidamente está se tornando um monstro e vários de seus amigos se afastam.
Acusação Oficial
Na segunda semana de maio, Marianne, Mick, Keith e os amigos Michael Cooper e Clifford Baldwin, voltam para Redlands às vésperas de comparecerem ao tribunal ali perto, em Chichester, West Sussex. Mick e Keith estão certos de que o incidente irá acabar com uma multa e nada mais. No dia 10, havia um pequeno grupo de fãs aguardando por eles, alguns aparecendo com cartazes pedindo pela legalização da maconha. Robert Frazer chegou de Londres com Tony Sanchez. Diante do tribunal, Robert Frazer, Mick Jagger e Keith Richards, acompanhados pelo advogado Leslie Perrin, ouvem oficialmente suas acusações e um julgamento é marcado para final de junho.

De lá, hospedam-se no Hilton Hotel, onde também estava Allen Klein. Quando a noticia da prisão chegou à televisão, o gerente do hotel tentou expulsá-los, mas Klein foi decisivo em proteger os direitos de seu cliente. No dia seguinte estão no tribunal para ouvirem oficialmente a acusação. A polícia havia encontrado 50 gramas de maconha e um vidro com remanecências de cocaína dentro. Pagam uma multa de £250 cada e têm o julgamento marcado para outubro. O primeiro ato de Brian foi de mandar um telex para seus pais pedindo que não o julguem com muito rigor. Andrew Oldham com medo de ser o próximo, saiu do país e só voltou quando achou que era seguro. Os demais Rolling Stones se sentiram abandonados por ele e o incidente seria decisivo para Oldham ser dispensado da produção dos futuros discos.
Stress e Crise Nervosa
Brian havia contraído um medo paranóico de ser encarcerado. Ele jamais volta para o seu apartamento e manda sua amiga Suki Potier lá periodicamente para reaver suas coisas. Brian havia sido extremamente gentil e amigo quando Suki estava extremamente vulnerável, após o acidente que sofrera e que resultou na morte de Tara Browne. Agora que é ele que está vulnerável, ela passa a ficar ao seu lado, os dois acabando por se tornar um casal. Como todas as outras namoradas de Brian, ela logo resurge com os cabelos aloirados e cortados curtos como o dele. O padrão de todas as namoradas de Brian se parecerem com ele continua.
Se seu estilo de vida e modos afastaram alguns amigos mais antigos, Brian já anda com uma nova casta de amizades, passando a morar inicialmente na casa de alguns. Quando não, ele está em algum hotel. Está traumatizado e extremamente estressado, preocupado com o que a policia está tramando para pegá-lo. É neste período que Brian começa a tomar Mandrax, um tranqüilizante popularmente chamado de downer. Ele se afasta dos demais Rolling Stones, sob conselho do seu advogado. Porém os seus medos eram compartilhados. A cúpula dos Stones sabe que é Mick Jagger o alvo maior, porém a acusação sobre ele é demasiadamente circunstancial e sem substância. Está claro para Mick que a polícia quer quebrar a banda e colocá-lo na cadeia. Pensando nisto, Mick começa a temer que a policia encontre em Brian um ponto vulnerável para atingir a banda e passam a fazer de tudo para dobrá-lo. O fato de a polícia expedir um mandato de busca domiciliar na casa de Brian no dia da audiência de Mick e Keith já demonstra o cuidado de uma estratégia previamente planejado.
Her Satanic Majesties Request
Em meio a estes eventos sai o lançamento do album Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band dos Beatles, causando um furor no mercado. Várias indústrias passam a apontar seus canhões para o psicodelismo e tudo que é colorido e abstrato passa a vender. O maior furor logicamente foi na industria fonográfica, que passa a ter que gastar fortunas só na capa dos discos. A mentalidade do LP - Long Play, (vinil de 12 polegadas) como afirmação artística, passa a sobrepor a mentalidade antiga dos compactos (vinil de 7 polegadas). Logo estéreo também passará a ser um fator importante, tecnologia já muito disponível Porém ainda largamente ignorada. Mick Jagger quer estar nesta onda, principalmente ao observar todos os jornais musicais cercando os Beatles, relegando aos Stones apenas as colunas policiais. Frustrado, Jagger conclui, "Rhythm & blues está morto e psicodelia é o que o povo quer."
O Olympic Studios passa a ser novamente freqüentado pela banda para a gravação do proximo disco. Aparentemente, o álbum seria inicialmente a trilha sonora para o filme "Only Lovers Left Alive". Pelo menos Klein estava tentando pressionar a banda para criar uma trilha. O próprio titulo inicial, "Her Satanic Majesties", um afronto à Rainha (Her Britannic Majesty), demonstra uma certa relação com o enredo do filme. Mas os problemas dentro da banda lidando com os eventos recentes e seus desdobramentos, afastam cada vez mais a viabilidade de se fazer o filme. Klein por sua vez dá declarações enfatizando viabilidade de lucros com o filme na ordem de $2 milhões de dólares enquanto boatos sugerem que apenas Mick Jagger e não os Rolling Stones estaria atuando nele.
No estúdio, Brian demonstra claramente que ele acha toda esta onda de psicodelísmo uma tremenda bobagem. Discute seguidamente com Mick que este tipo de música não representa a música dos Rolling Stones, uma frase que ele iria repetir algumas vezes. No final de junho seria realizado o julgamento de Mick, Keith e Robert. As sessões de gravação são então suspensas. Todos menos Charlie saíram do país; Mick, Marianne e Nicolas indo para Tangier, Keith e Anita para Paris, Bill e Astrid passeiam pelo País de Gales enquanto Brian vai para Monterey assistir o festival que lá se realizava.
Monterey
Brian cruza o oceano com Noel Redding ao seu lado, ambos tendo tomado um ácido roxo batizado de Owsley. Noel ficou um dia em Nova York enquanto Brian pegou outro avião direto para San Francisco. Nesta segunda viagem, ele por acaso senta ao lado de Al Kooper. Kooper viria a definir o estado de espirito de Brian como de alguém que estivesse provavelmente orbitando nas redondezas do planeta Júpiter. Ele exemplifica sua afirmação dizendo que Brian responderia a um comentário que ele havia lhe feito pouco depois de decolar, quase perto de aterrizarem, permanecendo quase em transe durante todo o resto do tempo.
Em Monterey Brian foi tratado com toda a atenção de um superstar. Uma das pessoas envolvidas no projeto era Derek Taylor, que trabalhara com Brian Epstein e os Beatles enquanto eles ainda estavam excursionando. Taylor havia procurado Paul McCartney tentado sondar a possibilidade de os Beatles participarem do evento, proposta recusada. Mas Paul McCartney havia sugerido Jimi Hendrix, guitarrista da moda em Londres, porém ainda desconhecido na America, recomendação confirmada por Andrew Oldham, com quem Taylor também conversou. Brian ao chegar no festival é convidado para anunciá-lo ao público no show. Enquanto em Monterey, Brian tomou mais LSD com varias pessoas, como os amigos Dennis Hopper e o próprio Jimi Hendrix.
Em Monterey Brian foi tratado com toda a atenção de um superstar. Uma das pessoas envolvidas no projeto era Derek Taylor, que trabalhara com Brian Epstein e os Beatles enquanto eles ainda estavam excursionando. Taylor havia procurado Paul McCartney tentado sondar a possibilidade de os Beatles participarem do evento, proposta recusada. Mas Paul McCartney havia sugerido Jimi Hendrix, guitarrista da moda em Londres, porém ainda desconhecido na America, recomendação confirmada por Andrew Oldham, com quem Taylor também conversou. Brian ao chegar no festival é convidado para anunciá-lo ao público no show. Enquanto em Monterey, Brian tomou mais LSD com varias pessoas, como os amigos Dennis Hopper e o próprio Jimi Hendrix.
O Julgamento

O Julgamento - Frazer

Acusado da posse de um vasilhame de Desbutal, remédio que contém uma pequena dosagem de anfetamina, e vinte e quatro tabletes de heroína, a defesa apresenta uma receita datada de janeiro para o Desbutal e esta acusação foi abandonada. A defesa então chama o médico do Sr. Frazer, Dr. Craigmore, que dá testemunho de que seu paciente, Sr. Robert Frazer, estava sob tratamento para combater o seu vício em heroína e que apesar de sua recaída, não há razões para se crer que ele voltaria a usar a droga. No fim, Robert Frazer foi considerado culpado e permaneceria em custódia até o final do julgamento dos três, quando então seria conhecida sua sentença, junto com as demais.
O Julgamento - Jagger
Depois do almoço foi a vez de Mick Jagger ser julgado. Foi confirmado pelo laboratório da polícia que os tabletes encontrados com Jagger continham uma dosagem ínfima de Benzedrine. Foi confirmada a origem italiana dos remédios e sua utilidade contra enjôo. O médico de Jagger, Dr. Raymond Firth confirmou ter autorizado Jagger verbalmente a usar o remédio e o advogado de defesa tentou implicar que isto seria o equivalente a uma prescrição. O juiz imediatamente recusou tal equivalência mas concordou que o acusado recebeu consentimento de um médico qualificado. As leis inglesas proíbem a posse de medicamentos que contém certos compostos em sua formula, sem receita. Composições que inclui anfetamina ou benzedrine caem diretamente nesta clausula legal e o júri levou apenas seis minutos antes de retornar com um veredicto de culpado.

O Julgamento - Richard
Para provar que o Sr. Keith Richard permitiu conscientemente que sua residência fosse usada para o consumo de drogas ilegais, Sr. Morris, o advogado de acusação, explora o fato de ser encontrado em diversos cômodos de sua residência, resíduos de cannabis. Fala de dois personagens misteriosos. Primeiro, um Sr. X, com quem foram encontradas 66 gramas de maconha em um bolso e 150 gramas em outro. Quando foi expedida uma ordem para a prisão desta pessoa, ele já havia saído do país, supostamente fugindo para o Canadá. Outro convidado de Sr. Richards é uma jovem, tratada pelos jornais como "uma mulher misteriosa", que segundo a polícia, estava coberta apenas por um tapete e que se deixou ser vista nua. Ela seria descrita segundo a oficial feminina que a revistou, como extremamente alegre e "em um estado de poucas inibições." O Sr. Morris tenta com isto mostrar o estado de intoxicação das pessoas presentes, provando assim, não somente o uso, mas a impossibilidade de alguém presente não perceber que maconha estava sendo cheirada no local. O advogado depois foi alertado para o fato de que não há provas de que se pode obter um estado de intoxicação cheirando maconha, apenas ao fumá-la.
Durante a parada para o almoço, jornalistas encontraram dois dos policiais de Chichester presentes na batida policial, almoçando nas redondezas do tribunal. Questionados sobre o que ocorreu realmente para esta mulher misteriosa ser considerada estar "em um estado de poucas inibições", um dos guardas começa a aumentar os fatos. Disse que ao encontra-los, a mulher tinha uma barra de chocolate enfiada na vagina enquanto Mick Jagger saboreava o doce. Estas mentiras fizeram primeira página em diversos tablóides, aumentando ainda mais a imagem de orgia que parte do público conservador tinha de todo o incidente. De quebra, a imagem de Marianne Faithfull, apelidada agora de Marijuana Faithfull, foi extremamente prejudicada em sua carreira, mesmo seu nome não sendo mencionado durante todo o processo.
Depois do almoço, o advogado de defesa tenta associar a batida policial diretamente com o fato de que um dos convidados do réu tinha um processo de calúnia contra um famoso jornal. É sabido que o jornal em questão foi quem ligou para a polícia dizendo que estava havendo uso de drogas ilegais naquela residência. Ele tenta assim mostrar má fé por parte do jornal e complacência por parte da polícia. Identifica os Sr. X como sendo David Schneiderman, uma pessoa que não faz parte do círculo de amigos de Sr. Richards, apenas um admirador da banda que recebeu um convite para visitá-lo em casa. Sr. Havers argumenta em seguida que a menção desta "mulher misteriosa", seria apenas uma maneira da acusação tentar criar no júri, uma associação de uso da maconha na residência do Sr. Richards, simplesmente por ela ser desinibida. O advogado de defesa então apresenta o tapete em questão, que cobria o corpo desta mulher, mostrando que é de um tamanho superior ao de um casaco e capaz até de cobrir uma cama de casal grande.
Durante todo o julgamento de Keith, tanto Robert Frazer quanto Mick Jagger estão trancafiados em uma cela no porão do tribunal. Ao fim da tarde, Marianne que fora encontrada e trazida ao local por Tom Keylock, visita Mick. Ao chegar, ela encontra um homem chorando e desesperado com seu futuro. Nada parecido com o Mick Jagger, sempre em controle que ela conhecia. Ela começa tentando acalmá-lo e depois se irrita e paga-lhe um esporro. "Segura sua onda Mick se não você vai confirmar para esta polícia a imagem que eles querem fazer de você, a de um pop star bebezão." Pronto. Jagger parou imediatamente de reclamar, sumindo totalmente todo e qualquer vestígio de vulnerabilidade. Diga-se de passagem, nunca mais Marianne o viu tão emocional e sincero.
Depois foi a vez de Michael Cooper lhe fazer uma visita. Cooper ofereceu algumas palavras de força, mostrando em seguida que havia conseguido entrar com uma câmera escondida. Autorizado por Mick, Cooper registra o momento tirando algumas fotos de Jagger atrás das grades. Michael sonhava em poder utilizar algumas pra alguma capa no futuro, porém o filme foi confiscado na saída. Antes de serem levados de volta para o Lewes Prison, Keith Richards também passou para trocar algumas palavras. Quanto ao seu próprio futuro, Richards parecia querer mostrar que estava pronto para tudo, venha o que vier.

No dia 29, último dia de julgamento, Keith Richards foi questionado e respondeu a perguntas com seu estilo característico de pouca retórica. Negou conhecer pessoalmente alguns dos convidados presentes na festa, uma das pessoas que ele não conhecia sendo o Sr. Schneiderman, referido anteriormente como Sr. X. Negou ciência de qualquer um de seus convidados estarem fumando maconha como também negou reconhecer a diferença do odor de incenso para o de maconha.

A Sentença
Depois de uma hora e meia, o júri retornou e considerou Keith Richards culpado. Mick Jagger e Robert Frazer foram levados até o tribunal para ouvirem juntos suas sentenças. Keith Richards é então informado que ele terá que passar os próximos doze meses na cadeia e pagar £500 em custos judiciais. Ao ouvir a sentença, Keith olha para o teto, depois abaixa a cabeça, pálido. Robert Frazer então é sentenciado em seis meses de prisão e £200 em custos judiciais. Por último Mick Jagger, sentenciado em três meses de prisão e £100 em custos judiciais. Ao ouvir a sentença, Jagger perde toda cor e quase desmaia. Abaixa a cabeça, esconde o rosto e chora um choro abafado.

No Xadrez
Mick e Robert foram trancafiados em Brixton Jail enquanto Keith foi para Wormwood Scrubs. Mick e Keith tiveram reações diferentes frente ao aprisionamento. Keith viu a prisão pelo seu lado romântico, tendo desde garoto admirado vilões em bangue-bangues e filmes de gangsters. Sua curiosidade em realmente estar preso e viver uma experiência igual a ídolos de infância ainda o inebriava em um ar favorável. Os demais presos lhe pareceram bem mais jovens do que imaginava e o tratavam como herói, oferecendo cigarros pela alegria de sua presença. Quando o rádio tocava Satisfaction, toda aquela ala aplaudia em reverência, Keith possivelmente pensando para si, "Meu tipo de gente." Durante a caminhada obrigatória pelo terreno externo da prisão, que todo prisioneiro tinha que fazer diariamente a título de exercício, outros prisioneiros vieram lhe falar. Mostravam aliança a Keith e ciência que o sistema estava querendo aprisioná-lo pelo que ele representa e não pelo que ele fez. Ofereceram de tudo, cigarros, haxixe e até ácido. Tudo disponível na prisão, para sua surpresa. A idéia de tomar ácido na prisão era chocante e Keith apenas aceitou o tabaco. Logo ele estaria deixando o lugar.
Já Mick não tinha nenhuma ilusão romântica quanto à experiência de ser preso. Preocupava-lhe o desespero que seus pais deveriam estar sentindo com o filho na cadeia. Sentia-se extremamente injustiçado com todo o julgamento e seus resultados. O jornal News of the World venceu, assim como todo o sistema que queria acabar com a banda, manipulando a justiça para conseguir o seu intento. Marianne, ao visitá-lo, sugeriu que ele deveria usar a experiência para algo positivo e tentar escrever uma canção. Além do mais, há uma insatisfação pública muito grande e a sentença ainda poderia ser revertida.
The Who Toma a Iniciativa
Quando a notícia da sentença de cadeia para Jagger e Richards se tornou pública, aconteceu muita comoção dentro do meio artístico. Pete Townshend imediatamente chamou o Who para o estúdio e gravou Under My Thumb e The Last Time. Apenas John Entwistle que estava viajando em lua-de-mel não participou desta sessão, Pete fazendo as linhas de baixo nesta noite.

No outro dia, o the Who, através de Pete Townshend, declararia que os Rolling Stones estão sendo usados pela lei como bodes expiatórios para coibir e resolver problemas recentes ao uso de drogas ilegais. Portanto, como sinal de protesto, the Who estaria lançando periodicamente, um compacto com composições dos dois artistas como forma de manter seus trabalhos em evidência e na memória do público. Futuros lançamentos seguirão até que a dupla esteja livre para gravar eles mesmos. Nenhum interesse comercial está atrelado a esta decisão e toda renda destes compactos será revertida para uma instituição de caridade.
Os Beatles também estão chocados e insatisfeitos com o rumo que a decisão judicial tomou. Assim, quando apresentados a uma petição solicitando a legalidade da maconha dentro do Império Britânico, os quatro assinaram, como também seu empresário, além de outras pessoas do show business. Uma cópia da petição foi entregue aos jornais e publicada. Lennon em entrevista se queixa que todo governo é calhorda e o da Inglaterra não é diferente. Analisa que, ao fechar a Radio Carolina (rádio pirata) e tentar aprisionar a dupla dos Rolling Stones, enquanto ao mesmo tempo, gastam bilhões em armamentos nucleares e dão permissão aos Estados Unidos para montarem bases militares secretas no território inglês, só mostra que o todo governo é ruim por igual.
Mudança da Opinião Publica
Diversos jornais entraram no debate e passaram a comentar sobre a forma desnecessária com que a justiça fez questão de mostrar Mick Jagger de algemas na televisão. Gradativamente a opinião publica começa a enxergar a questão com outros olhos. Duzentas pessoas protestaram em frente ao edifício do jornal News of the World, protesto depois estendidos a outros jornais. O trânsito rapidamente ficou congestionado. Enquanto isto, na cadeia, Jagger que havia passado o dia anterior chorando e sentindo pena de si mesmo, estava agora mais estável emocionalmente. Pediu e conseguiu ser encarregado da biblioteca da prisão, uma posição pouco disputada, e ao ser visitado novamente por Marianne, falava de como passava o dia lendo poesias. Menciona também que andou escrevendo algumas coisas. Marianne saiu de lá feliz em vê-lo reagindo tão bem.
Os advogados preparavam a papelada para apelação entregues e ouvidas na sexta-feira. Os juizes concordam que como réu primário, os dois ofensores poderiam aguardar o julgamento de apelação em liberdade, diante do pagamento de £7.000 cada em fiança. Ambos Jagger e Richards, são obrigados a entregar seus passaportes e permanecerem dentro do país até serem ouvidos legalmente. Mick Jagger foi solto às quatro e meia da tarde seguindo no Bentley de Keith, com seu advogado do lado, direto para buscarem Keith. Keith quando soube por outro preso que ele seria solto, imediatamente pulou da sua cama e começou a chutar a grade gritando, "Me tira daqui, já pagaram minha fiança."
Deixando a casa de detenção, Mick e Keith pararam em um pub para tomar umas cervejas enquanto são entrevistados por jornalistas. De lá se encontraram com Marianne e seguiram para uma reunião com Allen Klein em seu hotel. Lá Marianne pegou seu cachimbo e haxixe mas antes que pudesse ascender, Klein arrancou-lhe os apetrechos da mão e zuniu tudo pela janela. "Meu trabalho é manter vocês fora da cadeia! Não dificulte as coisas!" Tendo dito isso, Klein voltou aos assuntos em pauta como se nada tivesse acontecido.
A Borboleta Na Roda
Na manhã seguinte à liberdade do duo, sai na revista Times um artigo que ficaria famoso, escrito pelo editor William Rees-Mogg, e que para muitos, ajudou substancialmente a formar opiniões favoráveis à suspensão de sentença, que veio a ocorrer no final do mês. O artigo era chamado "Who Breaks A Butterfly On A Wheel?" (Quem Esmaga uma Borboleta em uma Roda de Tortura?) e nele, analisa-se não somente o julgamento, mas questiona se Mick Jagger não estaria sendo preso por motivos alheios a sua acusação. O artigo levanta o fato que centenas de remédios similares ao que encontrado com Sr. Jagger são vendidos na Inglaterra e se uma dona de casa não tenha mais a receita, tecnicamente, ela está sujeita a enfrentar a mesma cadeia que o Sr. Jagger, segundo este precedente utilizado neste julgamento.
O mês de julho foi infestado de debates sobre o uso de entorpecentes e quais são as responsabilidades que celebridades têm para com os seus fãs. Maconha estava sendo revista como uma erva que deveria ser legalizada, como o tabaco, enquanto outros grupos debatiam que aonde há maconha, drogas realmente perigosas não estão longe. Teoria esta que, embora continue relativamente atual, continua também sem nenhuma sustentação cientifica que a comprove.
Um Tiro No Pé

Brian - Novo Patamar de Declínio

Certa noite, Brian saiu com um casal de amigos, indo para o Bag O'Nails. Embora o clube vivesse cheio, uma mesa imediatamente foi providenciada para o astro e seus acompanhantes, que logo começam a sorver champagne e conversar. Não demora muito e Brian dá uma escapulida para o banheiro. Ao voltar ele desmaia na mesa, chapadaço, derrubando garrafas e atraindo a atenção de todo o recinto. Sai carregado pelos amigos que o trouxeram. Estar com Brian, começa a ser sinônimo de vexame e mais amigos o deixa de lado.
Hawllett - Você Sabe Meu Nome (Procura o Número)
Brian chora suas misérias para qualquer um que queira ouvir. Ele agora anda com um novo grupo de amigos, mais atraídos pela sua fama e riqueza do que qualquer sentimento real de amizade. Mas Brian não enxerga isto muito bem. Porém Brian ainda se mantinha em contato com algumas amizades antigas. Um destes amigos era John Lennon, a quem vira e mexe Brian telefonaria para reclamar da vida e Lennon com certa paciência ouviria. Muitas vezes sem saco de aturar, Lennon mandava a empregada dizer que ele estava dormindo ou saíra. Mas em junho, atendendo a ligação e sentindo pena da rejeição que Brian expressava, Lennon convida-o a uma sessão dos Beatles. Brian então aparece em Abbey Road com o saxofone. A dupla Lennon e McCartney esperando Brian de guitarra, se entreolham e rapidamente concluem que o instrumento seria ideal para uma composição/colagem que a dupla estava criando, já a alguns dias. A canção é "You Know My Name (Look Up The Number)" que continuaria inédita até 1970.
Brian está morando no Royal Garden Hotel com Suki, mas quando Mick e Keith são levados para a cadeia, sua instabilidade emocional chega ao pico e sua saúde fica extremamente ameaçada. No dia 03 de julho, Brian, acompanhado por Les Perrin e Stan Blackbourn, ambos do escritório Rolling Stones, é levado para uma casa de saúde em Liphook, Hampshire. Ele é registrado com o nome Sr. L. Hawllett. Acontece que sua condição psíquica era tão grave que a clinica em 48 horas concluiu que não teria condições de oferecer o tipo de ajuda necessária para o paciente. Suki traz Brian de volta a Londres e voltam a morar agora no Hilton.
Logo, ele é novamente levado para outra instituição, desta vez a Priory Clinic, onde recebeu uma avaliação psíquica. Outro Brian, Brian Epstein, empresário dos Beatles, estava ocasionalmente sendo internado nesta mesma casa, também graças ao estresse, crises de nervos e abusos tóxicos. Suki se internou com seu namorado para lhe fazer companhia. Embora ele havia usado novamente o nome Lewis Hawllett, desta vez um jornalista conseguiu descobrí-lo, mas foi convencido por Les Perrin a não repassar a noticia. Parrin temia que qualquer distúrbio poderia desequilibrar perigosamente, o já delicado quadro de saúde de Brian Jones.
Satanic Sessions
Dentro de uma semana, já melhor, Brian parecia apenas confuso, porém não totalmente fora de orbita como antes. Gravações haviam iniciado para o novo álbum, e a partir do dia 12, Brian passava a ocasionalmente a aparecer no estúdio para gravar, agindo como se nada tivesse acontecido. Dia 24, ele deixaria a clinica de vez e se mudaria para o Richmond Hill Hotel, onde Suki já estava hospedada e o aguardando.
Durante este período de julho, apesar de ter sessão de gravação toda semana, afora a ausência esperada de Brian, Keith e as vezes Mick também não compareciam ao estúdio. Certo dia, só Bill, Charlie e Nicky Hopkins apareceram e para não perder a viagem, o engenheiro Glyn Johns pergunta se Bill não quer gravar uma de suas canções. Bill e Charlie gravam então as bases da canção, "Acid In The Grass", que seria depois rebatizada de "In Another Land". Na hora dos vocais, Bill pediu excesso de trêmulo na voz e convidou Steve Marriott do Small Faces, banda que estava gravando no estúdio ao lado, para ajudar nos vocais. Ao ouvir a faixa no dia seguinte, Mick concordou que a canção era compatível com a proposta do álbum e se torna a primeira canção a quebrar a hegemonia Jagger-Richard que tanto irritava os demais membros.
We Love You
"We Love You" era a canção que Jagger havia escrito na cadeia. A intenção da canção é apenas de agradecer o apoio das pessoas que se manifestaram favoráveis aos Stones, durante o julgamento. Especialmente aquelas que protestaram diante do prédio do jornal News of the World. Esta sessão contou com a participação especial de John Lennon e Paul McCartney, que secretamente fizeram os backing vocals. Secretamente porque, por questões contratuais, nenhum dos Beatles poderia participar de alguma gravação que não fosse de um artista da família EMI. Fazer isto seria tecnicamente uma quebra de contrato.
A canção foi a primeira do material novo a ser rapidamente lançada, pois, havia se passado muito tempo desde o lançamento de "Have You Seen Your Mother". Na America, durante o julgamento, a London Records lançou a coletânea Flowers, aproveitando assim comercialmente a publicidade que Jagger e Richards estavam recebendo pelo julgamento. Agora com o lançamento desta nova canção, os americanos criticam os Stones por estarem soando como os Beatles. Mal sabiam que de fato Lennon e McCartney estão fazendo os vocais. Na faixa, que chega somente a No.20 das paradas inglesas, Brian Jones está participando tocando o mellotron.
Andrew Oldham, que a esta altura, com a soltura de Jagger e Richards, já reaparece em Londres, e volta a tentar assumir suas funções de empresário e produtor da banda. Ele contrata Peter Whitehead para fazer um filme de quatro minutos para promover a canção. É o que hoje chamamos de um "clip", só que não se usa vídeo como hoje. Filmaram tudo em uma tarde, às vésperas do dia da apelação. Apenas Keith, Mick e Marianne participaram da filmagem. A historia escolhida pro clip foi uma representação do julgamento de Oscar Wilde, que no inicio da década, foi acusado e preso por sodomia, acusação levantado pelo pai de seu amante. Mick fez o papel de Oscar Wilde, Marianne usando uma peruca de cabelos curtos fez o papel do amante, Lord Alfred Douglas, e Keith atuou como sendo seu pai, o Marquês de Queensberry. Tudo feito em preto e branco com cenas a cores inseridas posteriormente de ensaios com os demais membros da banda. O clipe foi então oferecido inicialmente para o programa Top of the Pops, porém recusado, pois BBC e televisão em geral, ainda estavam desacostumados em ver música como meio para critica social. O clip, porém, conseguiu ser visto nos Estados Unidos e na Alemanha.
Depois da Cadeia
Com a liberdade dos dois, uma grande aglomeração de jovens e hippies se encontra em Hyde Park e Westminister Abbey para uma confraternização ou para usar o termo da época, um love-in. Os Stones foram convidados a aparecer mais nem Keith ou Mick quiseram fazer uma aparição pública. Keith encomendou flores para serem mandadas para sua mãe e em seguida pegou um avião para Italia para se encontrar com Anita em Roma.

Papai Postiço

Marianne contrata Christopher Gibbs para decorar a residência, que recebeu um tratamento marroquino, muito parecido com o que Brian Jones tinha na sua casa com Anita. Marianne que não tinha nenhuma noção de valor de dinheiro, comprou um candelabro de cristal pelo preço de uma casa. Mick pelo contrario, cada vez mais se tornando consciente dos preços das coisas, fez severas criticas, embora no fundo, sabia que o candelabro era de fato um investimento bom, mesmo que luxuoso. Mick fez questão de comprar uma cama de casal extra grande, tipo medieval, e em tempo, os amigos mais íntimos seriam recebidos no quarto, sentados sobre a cama onde cabiam facilmente dois casais.
Os Outros Stones
Com os jornais ainda falando de Mick Jagger e Keith Richards e como eles venceram o sistema judicial inglês, poucos devem ter reparado uma pequena noticia sobre Charlie Watts. Aparentemente Charlie e Shirley estavam jantando quietos em um restaurante chinês, quando um outro cliente na mesa ao lado começa a insulta-los. Shirley responde à impertinência e prontamente recebe um soco na boca do estômago. Charlie reage e os dois homens estão no chão do restaurante aos socos até um policial aparecer para separa-los. Não houve registro de queixa, mas o incidente apressou uma idéia de mudança que já existia. Até setembro, o casal estaria se mudando para Peckham.
Bill Wyman também estava tendo os seus problemas particulares. Sua ex, Diana, reaparece em Londres e ao saber da existência de Astrid tomando conta de Stephen enquanto Bill excursionava Europa, fica enciumada. Resolve então levar a criança com ela para Durban, na África do Sul onde ela estava morando. Bill entristecido, não teve como discutir sabendo que a vida de um Rolling Stone não é exatamente a mais normal e conservadora. Diana porém concordou que o menino fique pelo menos um mês, se não mais, com seu pai por ano.
Político Pop da Contra Cultura
Antes de a poeira conseguir assentar, Mick foi procurado para uma entrevista especial para o programa televisivo, World In Action. Um time de representantes conservadores da sociedade inglesa teria com ele um debate, assistido em cadeia nacional. Mick concordou com o desafio e apenas exigiu que o encontro seja realizado em campo aberto. Isto seria uma forma sutil dele salientar a conquista da liberdade após seu período trancafiado na cadeia. O convite e realização de tal entrevista demonstram claramente a ameaça de poder e liderança que o governo inglês enxergava em Mick Jagger. O evento foi realizado nos jardins da propriedade de Sir John Ruggles-Brise. O governo inglês solicitou à Força Aérea Americana, que tem uma base aérea perto do local, que não programasse nenhuma aeronave a passar naquele espaço aéreo durante o período da entrevista. Isto é outra demonstração clara de quão a sério o governo de Sua Majestade estava levando o debate.
A mesa de representantes inclui Lord Snow Hill, o bispo de Woolwich, o padre jesuíta Padre Thomas Corbishley, e William Rees-Moog, editor de The London Times. Mick, nervoso no dia, exagera na dosagem de Valium que ele toma para se acalmar. Chega ao local de helicóptero, pago pelo governo, todo enxaropado, e na entrevista, está de fala lenta, olhos semi-abertos e um sorriso idiota na cara. Suas respostas são todas evasivas.
No dia seguinte Mick está indignado consigo mesmo por ter perdido sua grande chance na carreira política que ele, inebriado pela ideologia de revolução, secretamente aspira. Ele está falando cada vez mais sério sobre uma ação geral do povo jovem. Mudanças são imperativos para os tempos modernos diz ele para os amigos certa noite no Ad Lib Club. Para a imprensa, ele passa a dar entrevistas bem mais inflamatórias. "Pegamos eles (o sistema) de jeito e precisamos terminar o que começamos. A forma que o sistema funciona aqui e na America está podre e está nas mãos dos jovens mudar tudo. A época é boa e uma revolução é valida. A garotada está preparada para queimar as fábricas onde eles suam suas vidas inteiras. Farei qualquer coisa que precise ser feita para ser parte do que estar por acontecer."
De fato a garotada está tomando ação. Do outro lado do oceano, uma passeata é programada entre jovens para se reunirem ao redor das grades da Casa Branca, o palácio presidencial dos Estados Unidos, localizado na capital daquele país. A represália é contra a horda de jovens sendo mandados pelo governo americano, para lutar e morrer no Vietnã, nesta que é uma guerra não declarada e que já se estende por mais de cinco anos. A CIA descobre que parte dos planos manifestantes era de contratar um avião para jogar flores sobe os jardins da Casa Branca. A palavra de ordem dos manifestantes é Paz e Amor. A CIA então manda um espião para se candidatar a ser o piloto da aeronave.
Na manhã da manifestação, centenas de pessoas se aglomeravam ao redor da Casa Branca que encontra soldados armados de rifles e baionetas, cercando a edificação. No aeroporto, o caminhão com as flores encosta ao lado do pequeno aeroplano, porém o piloto não aparece. A CIA se congratula por desmantelar aquela operação, porém na ingenuidade da juventude, e em sua crença honesta e sincera, nasce o seguinte fato histórico. Sem um piloto para levar o caminhão de flores para lugar algum, levam o caminhão até o local da manifestação. As flores são oferecidos aos manifestantes para mostrar aos soldados que suas armas são de paz. Uma menina então coloca uma flor na ponta do cano de um fuzil. O gesto é repetido pelos demais manifestantes e uma foto de um soldado com um rifle com flores na ponta, aparece em todos os jornais ao redor do mundo, com um artigo falando da manifestação. Nasce o Flower Power.
De volta à Inglaterra, por onde Mick e Marianne passam são tratados como os gurus do hedonismo, a nova palavra de ordem. As suas ultimas entrevistas e posições políticas acabam por inspirar uma organização pró vítimas de perseguição policial chamada Release. A organização lança uma declaração pública afirmando que toda lei passível de ser violada sem causar dano para terceiros deve ser ignorada e considerada uma lei risível. Aquele que determina tudo através da lei, apenas fomenta crime no lugar de diminuí-la.
O Maharishi
Pouco depois, o casal Mick e Marianne foi convido para ir com os Beatles e suas esposas para uma palestra com o Maharishi Yoga que se realizaria em Bangor, no País de Gales. O evento aconteceu em uma escola que estava fechada para o feriado de verão. Muito sorridente, emanando vibrações positivas e de bom astral, o guru ganhou a simpatia de todos no encontro. Keith preferiu ir para Roma ficar com Anita e não se interessou em participar, tão pouco os demais Stones, mas Mick e Marianne, apaixonados que estavam, foram em busca de espiritualidade e outras novidades. Depois da palestra inicial, cada um entrou sozinho para uma audiência com o guru. Receberam um mantra e ofereceram flores. Antes de se encerrar o dia, chegou noticia de que Brian Epstein, o empresário dos Beatles havia morrido. Mick e Marianne voltaram com os amigos. Mick contemplando sua experiência, teria comentado com Keith depois, "Posso entender o George cair nessa conversa de paz, amor e pague a conta, mas não o John. Sempre achei que ele era tão inteligente."
Roma no Verão

Mick e Marianne vão então se encontrar com Keith e Anita em Roma. Lá ela permanece no set de filmagens de Barbarella. Seu personagem, a Rainha Negra, é uma mulher obcecada e obsessiva e Anita aparentemente se perdeu no papel. Com tantos transtornos emocionais na sua vida real, pode-se imaginar o alívio de poder viver a vida de outra pessoa. Os amigos brincam com ela e seus exageros offset, típicos do personagem que ela deveria viver apenas onset. Entre os amigos então Terry Southern, o autor de Barbarella, Julian Beck e Judith Malina, ambos do Teatro Vivo.
Certo dia, ao fazerem uma caminhada pelas ruas de Roma, um grupo de jovens reconhece Mick e Keith e imediatamente corre em sua direção. Juntos estão Anita e Marianne e como em uma cena do filme A Hard Days Night, todos correm fugindo dos fãs. Subiram um conhecido morro e lá encontraram a Villa Medici onde estava o amigo Stash, mais conhecido como Stanlislau de la Rola, que imediatamente deixou-os entrar, a garotada ficando pra trás das grades que separam o terreno da mansão da rua pública. Stash estava lá com seu pai, o pintor Balthus, que não ficou feliz com a presença dos amigos de seu filho. Tomaram um ácido e pernoitaram na residência. Era uma noite de lua cheia e fizeram caminhadas pelos jardins da propriedade. Ao voltar, Marianne e Anita contam que viram um fantasma sussurrando pelos corredores. De manhã, Mick acorda cedo e é encontrado no jardim tirando um tema que não sai de sua cabeça. Não é nada completo, mas dentro de alguns anos, será a base de "Sister Morfine."
Tomaram um ácido e pernoitaram na residência. Era uma noite de lua cheia e fizeram caminhadas pelos jardins da propriedade. Ao voltar, Marianne e Anita contam que viram um fantasma sussurrando pelos corredores. De manhã, Mick acorda cedo e é encontrado no jardim tirando um tema que não sai de sua cabeça. Não é nada completo, mas dentro de alguns anos, será a base de “Sister Morphine.”
Mick, Marianne & Jimi
De volta a Londres, foram para o Speakeasy, um clube que abrira em janeiro daquele ano. Lá, assistiram the Jimi Hendrix Experience tocando o seu set. Marianne já o tinha visto antes, no início do ano, em outra ocasião, e Mick, no ano anterior em Nova York, quando ele ainda era desconhecido e pedia uma chance para alguém promove-lo. Ao final do set, Hendrix reparou o casal e lentamente navegou entre o mar de groupies até sua mesa. Vendo-o chegar, Mick talvez estivesse pensando e lamentando a oportunidade que ele perdeu em não contratá-lo para sua firma com Oldham, ainda em Nova York. Agora é tarde. Hendrix também deveria estar pensando algo similar, ao caminhar até aquela mesa. Pensando na ironia de Jagger saindo de sua casa só para assistí-lo, agora que ele estava ficando famoso, mesmo sem sua ajuda.

Não é a primeira vez que Hendrix convida Marianne para a cama. No inicio do ano, quando ela foi assistí-lo, não foi diferente. Jimi tenta seduzi-la, contando-lhe o que vai fazer quando ela estiver sobre seus lençóis. Joga mentiras doces, insinuando que compos "The Wind Cries Mary" pensando só nela. Marianne ri e educadamente declina o convite, mesmo que toda molhada de vontade de ir. Ela tinha acabado de se mudar com Nicholas para morar com Mick e não iria arriscar estragar algo que estava começando tão bem. Pela segunda vez, Marianne feliz com seu amante atual, novamente dispensa Jimi Hendrix. Ele então, deixa a mesa.
Semolina Pilchard
Brian está mal e tem sua situação agravada por perseguição da polícia em atividade extra oficial. A razão pela qual Brian está constantemente mudando de hotel em hotel é para despistar a polícia. Mas o Sgt. Pilchard e seus assistentes acabam sempre por descobrí-lo e visitá-lo, prometendo vistoriar a casa. A situação começa em Maio mas vai se prolongando e piorando pelo decorrer do ano. Então, em junho, Nikki Browne, viúva de Tara Browne, convida Brian e Suki a irem com ela até sua casa de praia em Marbella, na Espanha. É uma forma de Nikki agradecer a bondade mostrada por Brian na época da morte de Tara.
Brian e Suki ficam hóspedes de Nikki por alguns dias, depois passando a se hospedar no New Marbella Club, onde permanecem por algumas semanas. Sem dinheiro em espécie para pagar a conta, Brian está passando parte do tempo de seu descanso mandando, via telex, mensagens tanto para o escritório dos Rolling Stones, como o de Allen Klein, pedindo verba para pagar uma estadia calculada em $300. Ao voltar para Londres, se hospedando agora no Skindles Hotel em Maidenhead, os problemas voltam a assombrá-lo. O suadouro para conseguir liberar um dinheiro que em essência é dele, demonstra quão pouco respeito se tem por Brian Jones dentro da organização Rolling Stones. O melhor serviço é dispensado apenas para Mick e Keith. Os demais aparentemente recebem tratamento de músicos de apoio.
Mick Teme a Saída de Brian
Antes da volta de Brian da Espanha, há vários rumores cercando os Stones. Mick está, como sempre, falando em nome da banda, se posicionando como sendo "apenas" um quinto dos Rolling Stones e que a banda é a soma de suas partes. Mick fala da intenção de parar de excursionar por um tempo, pois todos estão cansados da estrada. O que se passa mesmo é que estão preocupados em serem banidos de certos países por causa da acusação de posse de entorpecentes. Um banimento oficial em série pode se tornar publicidade ruim, portanto evita-se. Na prática, apenas o Japão irá recusar a entrada da banda no país, uma situação que só iria mudar na década de noventa.

Por via das duvidas Mick sonda secretamente, através de terceiros, a possibilidade de Jimmy Page aceitar assumir ser guitarrista dos Rolling Stones, caso Brian Jones realmente resolva sair. Outro assunto que Mick procura esclarecer é quanto a tentativa do sistema agregar responsabilidades sobre os artistas pop, pela conduta de jovens que os imitam. Jagger quer deixar claro que ele assume responsabilidades de artista apenas quando está no palco, mas que a sua vida particular pertence somente a ele mesmo. Depois viaja com Marianne passando uma temporada na Irlanda, antes de todos voltarem para o estúdio concentrando-se novamente no álbum.
Desentendimentos no Estúdio
As sessões se arrastam, com atrasos sendo cada vez mais constantes. Andrew Oldham ficava deprimido ao ver o acordo feito, de todos chegarem na hora, sendo desrespeitado. Oldham e Glyn Johns ficam até as duas da manhã aguardando Mick e Keith chegarem. Brian não gosta desta música pseudo espacial - pseudo psicodélico. Diz claramente: "Isto não é rhythm & blues, isto sequer é rock 'n' roll! Este material não é música que representa a banda Rolling Stones!" Entre discussões, Brian gravaria diversos instrumentos, embora constantemente reclamando das composições. Keith começa então a levar Anita para o estúdio, e com sua presença, Brian começa a se calar. Anita, recém chegada de Roma, ainda dominada pelo psique de seu personagem A Rainha Negra da Galáxia, aproveita e se vinga, rindo alto enquanto está abraçando e beijando Keith.

Depois piora ainda mais. Brian passa a chegar no estúdio em um estado deplorável, totalmente sem condições de produzir qualquer música. Ele mesmo chegou a comentar em retrospecto que era como se sua mente não lhe permitisse mais tocar. Brian estava se matando e acaba internada, não agüentando a pressão e o abuso químico. Passa a ter consultas com um psiquiatra, sendo inclusive internado periodicamente. As sessões no Olympic Studios continuam mas nem sempre se sabe quem vai aparecer à noite. Keith Richards também está lidando com seu inferno astral. Apesar de saber que Brian cavou seu próprio buraco, não consegue deixar de sentir culpa vendo o colega desintegrar por causa de Anita. Keith evita Brian, e a pressão envolvida neste rompimento o impulsionaria a experimentar com mais drogas. Varias coisas gravadas não passaram pelo crivo e ficaram como outakes, arquivados até hoje, ocasionalmente saindo em algum pirata. Canções com nomes esdrúxulos como "Bathroom Toilet" e "Golden Painted Fingernails" estão ainda guardadas nos cofres.
Marianne No Cinema

O Controle dos Stones
Enquanto isto, Mick começa a trabalhar na promoção do disco novo. Todas as decisões estão sob sua tutela, Oldham ficando totalmente à margem. Toda energia de Mick Jagger está direcionada para os Rolling Stones. Ele não só compõe as músicas junto com Keith, como também é responsável por toda parte de publicidade e promoções, sendo a última e decisiva palavra sobre tudo referente à banda. Ele assume agora também a produção do disco, se bem que para o Satanic Majesties, ele teve muita ajuda de Glyn Johns, o engenheiro de som.
Só Lendo
Toda esta energia e atenção têm como subproduto o distanciamento entre ele e Marianne. Ele chega sempre exausto em casa e o casal se tornam amigos que, quando muito, gostam de ler juntos. Recentemente conheceram um mago chamado Kenneth Anger que era seguidor de Aleister Crowley. Anger divulgou para todos com quem ele teve contato, sobre a vida e obra de Crowley, deixando muitos curiosos e interessados. Marianne, como também Anita, tiveram grande interesse em livros tratando de assuntos relevantes a magia negra. Crowley passou a ser leitura obrigatória. Em casa, Mick quase não tem interesse por sexo e Marianne começa a se inquietar no seu papel de dona-de-casa entediada. Ela logo aceitaria trabalhar em outro filme para sair de casa e mudar de ares.
A Capa
As amizades entre Mick e Michael Cooper estão estreitando em função da amizade entre Nicholas Dunbar, filho de Marianne, e Adam Cooper, filho de Michael. Com isso, o fotógrafo contratado por Oldham, Gered Manokowitz, é dispensado, de forma que ficasse evidente que Andrew Oldham não mandava mais na casa. No estúdio, Mick Jagger se aproxima de Oldham, de costas para Manokowitz que está sentado na poltrona, e diz "Para capa decidimos o seguinte..." Em momento algum falaram com Manokowitz que seus serviços não seriam mais necessários, mesmo ele estando ali no recinto. Não por qualquer problema em relação a qualidade de seu trabalho. Foi apenas a maneira encontrada para estabelecer para Oldham e quem quer que seja, de que quem define as coisas agora dentro da banda eram Mick e Keith.
Michael Cooper foi pago para fazer uma capa psicodélica. Dia 13 de setembro, os Rolling Stones então viajam para os Estados Unidos para tirar a foto da capa. Foi idéia do Cooper de fazerem a foto na Pictorial Pictures, em Mount Vernon; NY. A imigração americana passou horas com Keith e Mick até liberarem o visto de entrada. Depois seguiram para o estúdio.
Cooper tinha reunido um cem número de objetos, que colocou em um canto. Explicou sua idéia de que a banda mesmo deveria decorar o set. Depois adicionaram plantas, utilizaram jet spray, e foram adicionando detalhes. No final, se vestem com fantasias até Michael começar a tirar as fotos, primeiro com uma câmara comum. Depois com uma máquina fotográfica japonesa capaz de tirar fotos em 3D, encomendada especialmente para a ocasião.
No dia seguinte, já em Manhatten, a banda está reunida com Allen Klein em seu escritório para terminarem oficialmente as relações com Andrew Oldham. Andrew saiu de forma elegante, dizendo que "nós nos separamos porque não havia mais a necessidade da presença um do outro." Mick diria "Estávamos nos produzindo sozinho e querendo fazer as coisas de forma diferente do que o Andrew faria." Na verdade, Mick Jagger sozinho é quem passa a empresariar os Rolling Stones. Jagger contrata Jo Bergman, uma das secretárias do falecido Brian Epstein, falecido empresário dos Beatles, como sua secretária particular.
Antes do Cinema
Sempre que Mick e Marianne começam a se distanciar excessivamente, geralmente por causa do trabalho, acabam arrumando um jeito para viajar para um canto qualquer. O padrão irá se repetir várias vezes durante os próximos anos. Com a desculpa de que Marianne irá participar de outro filme e ficará um longo período fora do país, o casal pega um avião para Amsterdam e depois Paris. Querem ficar juntos o máximo de tempo possível antes das filmagens iniciarem. Charlie e Shirley estão invariavelmente juntos cuidando da casa, dos cavalos e seus outros passatempos menos badalados. Estão concluindo a mudança para Peckham, o novo lar. Bill Wyman está trabalhando com a banda The End, preparando o novo compacto "Loving Sacred Loving". Curiosamente, esta canção dentro de duas décadas, será resgatado e vendido em discos piratas como sendo uma gravação dos Beatles com os Rolling Stones juntos. Um ótimo exemplo da união de ganância com ignorância.
Quando voltam, Mick e Marianne são obrigados a se mudar de casa, novamente por causa de reclamações dos vizinhos em função dos fãs sempre a espreita na frente do prédio. Mick estava de olho há tempos em uma mansão em Berkshire perto de Newbury, que fora quartel general do militar Oliver Cromwell no século XVII. Esta será a primeira residência que Mick Jagger irá comprar e não alugar como as anteriores. Antes de poderem se mudar para lá, a casa passaria por uma reforma que levaria quase dois anos para ser concluída.
A Garota da Moto

Durante as filmagens, ela contracena com Alain Delon, grande galã francês da década. Apesar de atraente, Alain praticamente intimou Marianne a trepar com ele, e passou a ser desagradável quando ela o recusou. De passagem pela França, ela tira fotos promocionais e o fotografo da sessão se apaixona por ela. Ele a segue para Heidelberg, onde iniciaria as filmagens. Durante os três meses que levou para fazer o filme, Marianne passaria a ter um romance com este fotografo, Tony Kent. Quando ela passou a receber flores de Mick, vindas da Inglaterra, começou a desconfiar que ele já estava sabendo de Tony.
Outubro Maldito Para Brian
Outubro de 1967 foi um mês infeliz para Brian Jones. Sua decadência física e psicológica não o impede de estar sempre freqüentando a noite. Assim, ele é visto em um clube na mesma noite e no mesmo horário que um homem que mais tarde seria encontrado morto. Brian é obrigado a prestar depoimento e a polícia irá vasculhar o histórico de sua vida recente. Suposições de envolvimento no crime são apenas mais um agravante nos nervos do músico. Na prática não houve nenhuma acusação formal, e em tempo o assunto seria esquecido.
Brian então pega seu carro e sai da cidade passando por Wells, Taunton, Penzance, St. Ives e depois, de avião, volta a freqüentar Marbella na Espanha. Ele volta a tempo de seu julgamento. Nenhum dos outros Stones estavam presentes e apenas um público moderado apareceu para assistir. Brian chegou ao local trazido pelo chofer Tom Keylock que depois foi levar Mick, Keith, Glyn Johns e Ronnie Schneider para o aeroporto. Os quatro iriam trabalhar na mixagem do disco em Nova York.
O Julgamento - Brian

Seu advogado, James Comyn explica que desde a referida batida policial, o Sr. Jones não tem mais nenhum envolvimento com qualquer tipo de entorpecente, declarando inclusive, que eles são um problema e não uma solução. Sr. Jones tem tido recentemente sérios problemas de estafa e está no momento em tratamento e pretende continuar sob cuidados médicos. Que sua historia pessoal é um exemplo de porque não se deve tomar drogas e é isto que ele prega hoje em dia. Outros testemunhos incluem o Sargento Detetive David Patrick, que concordou que a quantidade encontrado na residência era consideravelmente pequena, e o psiquiatra Dr. Leonard Henry, que confirmou que já atendeu o Sr. Brian Jones em oito ocasiões e o seu paciente tem mostrado melhoras significativas mas não deveria ir para uma prisão. Sua falta de condições de lidar com pressões sugere que ele seja internado em um hospital o quanto antes. Dr. Henry conclui que o estigma de emprisonamento poderia levar o Sr. Jones ao suicídio. Dr. Anthony Flood, outro psiquiatra que atendeu Sr. Jones em julho, o descreve também como um homem doente e com um grande potencial para o suicídio.
Após cinco horas de julgamento e uma parada para o almoço, a sentença foi declarada no inicio da tarde. Brian Jones foi inocentado da acusação de posse de Methedrine e cocaína mas culpado pelo uso de maconha e de ter autorizando o uso em sua residência. O desejo era que a sentença fosse uma multa ou tratamento, coisa que Brian já estava fazendo. Mas por ser um Rolling Stone e tendo inúmeros fãs, pesou ao juiz a necessidade de dar o exemplo e assim, sentenciou Brian Jones a nove meses de cadeia, além de pagar despesas pelo julgamento na ordem de £265. Brian sem mostrar nenhum sinal de emoção é retirado da corte e levado para a cadeia no porão. Meia hora depois, estava a caminho da Wormwood Scrubs, aos prantos.
No dia seguinte os jornais reclamam que nove meses é excessivo e iria provavelmente transformar Brian Jones em um mártir. Protestos eram conduzidos pacificamente em Kings Road, mas ao final do dia transformaram-se em uma batalha campal contra a polícia. Entre os adolescentes presos estava Chris Jagger, irmão de Mick Jagger. Brian ficaria preso por dois dias antes de James Comyn conseguir que um juiz liberasse Brian para aguardar a apelação sob fiança. Para isto, Comyn trouxe novamente os dois psiquiatras que repetiram seus testemunhos para o juiz da corte suprema, J. Donaldson, que pediu fiança no total de £750.
Paranóia de Perseguição
Fotógrafos aguardavam na saída da cadeia e Brian mostrou um sorriso, acenando e falando como era bom estar novamente em liberdade. Foi levado para um pub em Middlesex onde tomou algumas cuba libres (Coca-cola com rum) sozinho e depois foi para a casa de campo de um amigo. Por dentro, Brian estava dilacerado. Reconhecia os fatos como prova irrefutável de que "eles" estavam querendo pegá-lo, existindo sem sombra de dúvida uma conspiração para acabar com ele. Brian toma uma quantidade absurda de pílulas (anfetaminas), depois se entupindo de cocaína, ficando totalmente fora de si e acordado por dois dias.
Na noite do segundo dia ele saiu com Mariella Novotny, conhecida groupie para todas as ocasiões. Foram para um clube em Convent Garden onde todos lá o congratularam pela sua liberdade. Brian é convidado a subir no palco e tocar com a banda da casa, convite aceito para a alegria destes. No meio do som, Brian, tocando um baixo acústico emprestado por um dos músicos, começa a destruir o instrumento com a sola de suas botas. Depois, com o instrumento no chão despedaçado, continua tocando um baixo acústico invisível em suas mãos, curtindo um som que só ele ouvia. O público acha tudo mise-en-scène e aplaude festivamente. Brian depois entra em crise de choro e é levado de volta pra casa. Lá, ele sequer consegue falar, o choro inundando sua alma, até que ele acaba desmaiando. Mariella chama uma ambulância temendo que ele morra ali mesmo e Brian acaba sendo levado para o St. George's Hospital. Dentro de uma hora ele já estava bem e pegando um taxi para casa. Oficialmente ele foi diagnosticado com estress, mas todos dentro do convívio sabem que o problema são as drogas e a forma destrutiva com que ele as usa.
Mick, Keith e Klein Analisam a Situação de Brian
Mick já há tempos não se socializa com Brian. Mas de Nova York, todos estavam interessados no encaminhamento de sua situação legal. Além da mixagem do Her Satanic Majesties Request, o novo álbum sem data ainda para lançamento, outros assuntos levam a dupla para o escritório de Allen Klein. A decisão de não excursionar enquanto a situação de Brian não estiver definida é tomada. Mick teme perder fãs se chutarem Brian da banda e prefere aguardar uma definição legal antes de declarar publicamente que Brian não tem condições de excursionar. Caso ele seja realmente impossibilitado, Mick, Keith e Klein concordam inicialmente que é preferível excursionar como um quarteto mais Stu, do que procurar outro guitarrista.
Embora esta fosse a decisão tomada, não é este o sentimento dos três. No final prevaleceu o medo de Mick de perder o carisma que Brian trazia para a banda. Klein não o suportava e quer tirar Brian da jogada para poder botar a banda na estrada novamente. Keith também está mais interessado em ter alguém confiável para ajudá-lo musicalmente. O disco novo mostrou-lhe quão difícil era recriar os detalhes e sonoridades que Brian conseguia na guitarra, tão essencial para o som dos Rolling Stones. Keith não gostou do resultado final deste álbum e se sente inseguro de segurar a barra das guitarras sozinho. Vez por outra, podia-se ouvir de Keith pequenos comentários sobre Brian como "Não sabemos o que fazer com ele" ou "Vê se alguém consegue arrumar uma mulher pra cuidar dele".
Ciranda Judicial
De volta à Inglaterra, um agravante acontece com as finanças da banda. Em meio ao processo judicial que Eric Easton move contra Andrew Oldham, Decca Records e Nanker Phelge Music, os advogados de Easton conseguem que a justiça retenha pagamentos em direitos autorais vindos do mercado americano e inglês. Este dinheiro seria então depositado em uma conta temporária, até que Easton e Oldham chegassem a um acordo. Easton em meio ao processo acabaria implicando e processando também Allen Klein por perdas causadas pela quebra de contratos pendentes, assinados durante a "gestão" de Easton.
Apple
Em final de 1966, os Beatles foram aconselhados pelo seu departamento de finanças a diversificar seus investimentos gastando um pouco mais do dinheiro ganho para não serem devorados pelo imposto de renda. Uma vez caindo na categoria de super taxação, John, Paul, George e Ringo estavam pagando cerca de 90% dos seus ganhos em imposto. O primeiro entre vários passos que os Beatles tomariam no verão de 1967, em função desta sugestão, seria de criar uma firma prontamente batizada de Beatles Company. Outros projetos incluiriam o de montar uma boutique de modas e a compra de uma ilha.
Paul McCartney convida Mick Jagger a pensar sobre a possibilidade das duas bandas se juntarem como sócios. A notícia chegou a ser divulgada, embora apenas como boato. A proposta é um reflexo do fato de os Beatles estarem sem seu empresário Brian Epstein e os Stones, estando sem representação, presos ao duelo jurídico envolvendo Eric Easton, Andrew Oldham e Allen Klein.
Os Beatles visionam uma firma que irá dar condições para outros artistas produzirem artisticamente, e estes trabalhos chegarem ao mercado de consumo, sem o costumeiro tratamento frio e impessoal das grandes empresas e gravadoras, somente interessados em lucro. Paul sonha alto e projeta planos para uma firma que irá englobar música, poesia, além de produzir e vender manufaturados. Embora Mick Jagger chegasse a cogitar a possibilidade de os Rolling Stones unirem esforços e fortunas com os Beatles, ele estava na verdade mais interessado em limitar o empreendimento em apenas ser proprietário de um estúdio de primeira linha. Suas conversas com Paul giravam em torno do estúdio para servir às duas bandas, não comprando muito a idéia deles conseguindo gerenciar uma grande corporação que cuidaria de todos os aspectos dos negócios.
Com a visível diferença entre os ideais dos dois, Mick se desculpou explicando que, na prática, todo capital de giro da banda estava preso na justiça, em função do caso pendente entre Easton e Oldham. Mantendo a mente aberta para o futuro, Jagger autoriza sua secretária particular Jo Bergman a procurar um novo escritório para os negócios dos Rolling Stones, onde teria também um espaço para se montar um estúdio. Solicitou também que fosse registrado o nome Mother Earth, considerando este um nome ideal para o futuro estúdio.

Keith & Anita em Redlands
Keith está ajeitando a casa ao seu gosto. Uma vez que o casal permanecia boa parte da semana em Londres, já que os Stones estavam gravando, passaram a ocorrer uma série de furtos em Redlands que estavam irritando o casal. Obviamente fruto de fãs, uma vez que os objetos roubados eram geralmente bobagens, provavelmente como souveniers, enquanto deixavam para trás os tapetes, moveis e outras coisas de valor. Keith então mandou levantar um muro em frente à casa, estendendo-o por boa parte da propriedade. Arrumou também uns cães para vigiar a propriedade, dois labradores, Yorkie e Bernie, e mais um dinamarquês chamado Winston. Os furtos persistiram, então, Keith mandou instalar um sistema de alarme que soava na delegacia de policia mais perto. Os fãs passaram a curtir a adrenalina de entrar, achar algo e sair, dentro dos dez minutos que levava para a policia chegar na residência. Vez por outra, a policia pegava alguém. Keith prontamente registrava queixa, o que custava aos jovens uma pesada multa para evitar cadeia. "Bem feito por se deixar ser pego." comentaria Keith depois. "Se há uma coisa que não suporto, é um ladrão amador."
O casal gostava de receber os amigos dando festas quase todos os fins de semanas. Michael Cooper, Tony Sanchez, Mick e Marianne, são alguns dos que constantemente eram convidados a passar o dia por lá. Brian também era convidado mas ele evitava o lugar, não gostando de estar tão perto de Anita, ainda sendo extremamente atraído por ela. Keith passou um tempo interessado em arco e flecha e tinha um set na casa. Com a casa veio também um pequeno bote de madeira a remo que Keith vez por outra usava no açude. O bote se mostrou particularmente útil para Keith conseguir resgatar várias de suas flechas, uma vez que ele quase nunca acertava o alvo. Em tempo acabou comprando um pequeno hovercraft, que lhe custou uma pequena fortuna. Com ele, Keith passou a zunir a toda velocidade pelo açude subindo em seguida pelo gramado. Quando a novidade passou o brinquedo ficou encostado na garagem.
Their Satanic Majesties Request
Finalmente em novembro, o álbum estava pronto para ser lançado porém a Decca breca o álbum recusando o nome escolhido, Her Satanic Majesties Request. Deixam claro que não irão ajudar os Rolling Stones a insultar a Rainha e um meio termo viu chegar nas lojas no dia 8 de dezembro o álbum com o título de Their Satanic Majesties Request.

O compacto escolhido para promover o álbum foi "In Another Land" de Bill Wyman, por ser a única canção de amor do álbum inteiro. A critica não ficou muito impressionada e o álbum foi severamente castigado com palavras como pretensioso, indulgente e catastrófico. A maioria comparava o disco com uma tentativa infeliz de tentar imitar Sgt. Pepper's dos Beatles. O consenso crítico concluía que o álbum é um exemplo da crise de identidade por que a banda passa, confundindo a moda psicodelica com evolução musical. Aguardava-se o próximo trabalho na expectativa de poder avaliar se a banda iria voltar a crescer ou cair de vez. Brian Jones ao ler as criticas desfavoráveis teria dito "Graças a Deus! Agora quem sabe, podemos voltar a tocar música novamente." Apesar de toda insanidade, seus instintos musicais continuavam aguçados.
Um Rápido Descanso
Buscando um descanso depois de um ano cheio de "incidentes", os cinco membros se distanciam. Charlie está em casa com a mulher, sem participar da mixagem ou qualquer atividade relacionados com os Stones desde o encerramento das gravações. Bill viaja com Astrid para Nova York e depois para as Bahamas, onde seu irmão mora com a esposa. Brian troca de carro, substituindo seu Rolls Royce prateado Mark2 por um azulado Mark3. Ele então viajou com o carro pelo oeste do país. Antes de viajar, soube que Linda Keith estava doente e internada, imediatamente se prontificando a pagar suas despesas hospitalares, além de lhe mandar flores todos os dias, enquanto ela se recuperava. Logo voltariam a namorar.
Em um programa de rádio chamado Top Gear, estão presentes Mick, Brian e Charlie para entrevistas sobre o disco. Mick foi eficaz em defender o trabalho "Não fazemos música comercial, fazemos a música que gostamos e se for comercial, tanto melhor." Charlie realça o fato que o disco foi feito sobre extrema pressão durante um ano particularmente desgastante, haja visto que levou de fevereiro até quase novembro para as gravações serem concluídas. "Acho um milagre que conseguimos produzir qualquer coisa neste período. Precisávamos encontrar um novo caminho pois a era que nos deu o boom musical de Liverpool já acabou." Brian embora sempre contra o disco, perante o público defendeu o produto que carrega o nome Rolling Stones. "Este álbum é muito pessoal, enquanto considero Sgt. Pepper's mais introspectivo. Nossas vidas foram afetadas ultimamente por questões sócio-políticas que acabam sendo refletidas na nossa música. De certa forma, canções como "2000 Light Years From Home" são proféticas e não introspectivas. Tratam de coisas que acreditamos poder acontecer; mudanças de valores e atitudes. Entretenimento está um tédio e comunicação é o que vale."
Julgando a Apelação no caso Brian
Dia 12 de dezembro, Brian estava novamente em corte para ouvir os testemunhos dos psiquiatras relatando seu estado mental. Mick e Marianne estavam lá para dar força, assim como Tom Keylock e Stash. Um dos psiquiatras escolhido pela justiça e um outro escolhido pelo próprio réu confirmam o estado frágil de seu psique. A divulgação pública do seu estado de saúde foi péssimo para sua imagem e é esta imagem que perdura até hoje, realçada pela sua morte tão prematura. Mas estes testemunhos foram cruciais para que o juiz colocasse de lado a sentença original, obrigando Brian a três anos de liberdade condicional, além de assistência e acompanhamento psiquiátrico. O juiz Parker foi enfático em lembrar ao Sr. Jones que o que ele está recebendo é misericórdia da justiça e que ele deve se manter longe de problemas para não piorar sua situação.
Três dias depois de ser absolvido, Brian está de motorista novo, John Coray, que o leva para seu restaurante favorito, Alvaro, onde Brian encomenda comida para levar para casa. Coray encontra Brian algumas horas depois desmaiado no chão. Chama uma ambulância e novamente leva Brian para o St. George's Hospital. Dentro de uma hora, apesar das recomendações médicas para ele passar a noite hospitalizado, Brian volta para casa. Recomendações então são feitas para que ele tire férias. Novamente a declaração oficial é colapso nervoso devido ao estress causado provavelmente pelo julgamento. Na prática, esses desmaios repentinos passarão a ser comuns. Brian também declararia que está com dor de dente, tendo que extrair dois, após consultar um dentista.
Brian, que passara desde a blitz de maio, a morar em hotéis, alugou finalmente um pequeno apartamento em Belgravia na rua Chesham. Lá passou a morar novamente com Linda Keith. Juntos, com mais a companhia do amigo Stash, viajam para o Ceilão, onde passam o natal e ano novo. Porém, com suas roupas extravagantes e pitorescas para a época, mormente em um país asiático de terceiro mundo, somando com seus cabelos longos, Brian acaba sendo mal tratado e recusado em dois hotéis. No terceiro hotel, ele apelou jogando logo um bolo de notas no balcão e dizendo furiosamente para o recepcionista que ele não era um pobretão, que trabalha pelo seu dinheiro, e que se recusa a ser tratado como um cidadão de segunda classe.
Temores Mal Resolvidos
Mick temia que seu erro de julgamento em relação ao disco novo acabaria por devolver poder dentro da banda para Brian. Mick não conseguia enxergar que Brian não era mais uma ameaça e que mal se agüentava em pé. No fundo, embora Mick não diga, ele sabe que toda a imagem de bad boy que ele e Keith desfrutam, e tudo que eles falam em suas músicas, Brian Jones vive em seu dia a dia. Brian Jones é a imagem dos Rolling Stones na vida real. Brian curtia orgias sexuais, lesbianismo, sadomasoquismo, além de muita droga e muita bebida. Brian representava o hedonismo dos sixties em toda sua plenitude, enquanto Mick morava em um castelo com a filha de uma baronesa e ficava furioso se alguém derramasse café em seu tapete persa. Mick conversando com a imprensa fala do disco novo, de novos projetos mas sempre deixando um espaçozinho para dar uma alfinetada no Brian. Frases como "Estamos planejando excursionar novamente. Menos o Brian pois ele não pode deixar o país.", ou "Vamos arrebentar no Japão. Todos menos Brian pois ele se tornou um druggie."
Entre os projetos novos, Mick delira falando da possibilidade da banda ir à selva Amazônica, morar por algumas semanas com os índios, informando que embora nada ainda havia sido preparado, sua intenção era de a FAB levá-los até alguma aldeia primitiva e depois buscá-los. Fariam um filme de tudo e logicamente sua música iria refletir parte desta experiência. Depois Mick viajaria até Nice onde Marianne estava terminando as últimas cenas do filme. Keith e Anita aproveitam para voltarem para Marrocos, com intenções de novamente visitarem Tangier e Marrakesh. Bill e Astrid vão para a Suécia passar o fim de ano com sua irmã. Charlie e Shirley ficam em Sussex como normalmente fazem. Charlie havia feito uma série de desenhos em formato para cartões de natal, que presenteou aos amigos. A idéia acabaria sendo aproveitada para os cartões, reproduzidos em grande escala, que acompanharam como brindes a edição de dezembro do jornal do fã clube oficial da banda. Antes do natal chegar, o disco Their Satanic Majesties Request, mesmo sendo severamente criticado, teria vendido mais do que The Magical Mystery Tour dos Beatles nos Estados Unidos e chegara à categoria de disco de ouro.
Charlie havia feito uma série de desenhos para cartões natalinos. A idéia acabaria sendo aproveitada para os cartões, reproduzidos em grande escala, acompanharem como brinde a edição de dezembro do jornal do fã clube oficial da banda. Antes do natal chegar, o disco Their Santanic Majesties Request, mesmo sendo severamente criticado, teria vendido mais do que The Magical Mystery Tour dos Beatles nos Estados Unidos e chegara à categoria de disco de ouro.
James e Andee
Mick viajou até Nice para se encontrar com Marianne que estava terminando as últimas cenas do filme. De lá, voltam para Londres onde Marianne é convidada por Robin Fox, seu empresário, para uma festa natalina promovida por Dick Bogarde, e realizado no Connaught Hotel. Entre os convidados, havia gente talentosa do teatro inglês como Maggie Smith, Julie Chrissie e Paul Scofield. Mick e Marianne, porém, estavam terrivelmente entediados até uma menina muito bonita, chamar atenção.
A menina, uma criatura magrinha de olhos grandes, com cabelos bem pretos e cortados curto feito um menino, dando-lhe um ar andrógino todo especial. Ela se chamava Andee Cohen e era namorada de James Fox, ator e filho de Robin. Passaram a conversar animadamente os quatro, e a amizade iria se estender para futuros programas.
Procurando Paz nos Trópicos
Mick não gostava muito de ficar quieto em um lugar. Muito energizado naturalmente, as pressões e exigências de seu trabalho são uma excelente válvula de escape para gastar toda essa energia. De férias, Mick é irrequieto e logo arruma idéia de viajarem. Assim, pouco depois da festa natalina, Mick e Marianne viajam para Barbados. Por acharem a decoração do hotel em que estavam cafona, resolveram procurar uma casa para alugar. Passaram a semana indo de ilha em ilha no Caribe procurando um lugar agradável. Marianne trazia com ela uma fita k-7, novidade do mercado, onde ela havia gravado o disco "The Great White Wonder", primeiro disco pirata da historia, com material gravado por Bob Dylan com a banda the Hawks, que depois passaria a ser chamado de The Band.
Marianne diria em retrospecto que algumas músicas daquela fita eram tão pessimistas que ela acabou com medo de morrer em um acidente de avião. Seus temores irritavam Mick e acabam desistindo de toda idéia de ficar no Caribe e resolvem ver o que mais havia pelo mundo. Isto os leva para o Brasil, chegando no Rio de Janeiro no dia 6 de janeiro de 1968.
Do Caribe Para o Brasil
Hospedam-se no Copacabana Palace em um quarto com vista para o mar e tentam despistar usando os nomes Michael Phillip e Marianne Dunbar, mas as roupas modernas contrastam com as roupas de uso no Brasil naquele período, e logo ficou difícil o casal não destoar em meio a multidão.

Não demora muito e a constante caça por parte da imprensa começa a ser insuportável. Eles acabam resignando-se a ficar trancafiados no hotel. Até mesmo porque o calor do verão é insuportável para o casal inglês, que opta por sair sempre ao fim da tarde, quando está mais agradável, sem a ação direto do sol. Acabam conseguindo fazer alguns passeios típicos de turistas, como conhecer o Corcovado, visitar o Recreio dos Bandeirantes, e caminhar na praia de Copacabana, mas no geral, sentiam-se presos ao quarto de hotel, tamanho o assédio da imprensa.
Até Mais Tarde em Itapuã
Resolvem então viajar para Salvador, Bahia, aceitando a dica de outro turista americano que conheceram por acaso. Alugaram uma cabana do Hotel Stela Maris em Itapuã e descansaram pela primeira vez em muito tempo, totalmente incógnitos. Dormiram e fizeram amor pela primeira vez em uma rede, pois não havia camas no local. Nicholas, Marianne e Mick aproveitaram bem a paz da praia deserta, sem televisão, jornal e outros compromissos, podendo dedicar as atenções exclusivamente à companhia um do outro. Neste aspecto, as temporadas de férias seriam consideradas as melhores que Mick já teve em toda sua vida.
Explorando as praias, acabam assistindo duas cerimônias religiosas de origem africana, provavelmente do candomblé. No segundo, Marianne foi convidada a participar, jogando pétalas de rosas no mar como oferenda à Iemenjá enquanto o sol se punha. Romantismo foi o grande anfitrião desta passagem pela Bahia, o que permitiu que o relacionamento entre Mick e Marianne voltasse a fluir harmoniosamente mais uma vez. Perto da época de voltar, fizeram compras no centro, a curiosidade do casal sendo atraído para uma loja de artigos religiosos, praticamente todos de macumba. Não demorou muito para Mick e Marianne repararem em como a vendedora olhava Mick, estudando-o. No primeiro instante, pensaram que ela havia reconhecido o superstar dos Rolling Stones. Mas o tipo e o lugar, não inspirava probabilidade de conhecer o artista inglês. Além do mais, o olhar era de espanto e receio, não de admiração. Perturbados com os olhares suspeitos, se retiram da loja e ao atravessar a rua, reparam dentro de outra loja, uma série de pratos com a imagem de Jesus Cristo. A imagem do Cristo, de barba grossa, parecia-se idêntico ao Mick, que há muito não se barbeava, também portando uma barba espessa. Deixarem o local no dia 24 de janeiro, fazendo baldeação no Rio para Londres.
Rotina Londrina
Novamente em Londres, apesar de as contas bancárias individuais continuarem ridiculamente magras, se comparadas ao sucesso alcançado, as despesas continuavam. Keith decide alugar um apartamento em Londres. Mick, além de comprar o castelo de Stargroves em Berkshire, aluga também uma casa em Cheyne Walk em Chelsea, enquanto aguarda as obras no castelo concluírem. Jagger então passa a demonstrar uma necessidade obsessiva de manter sua casa sempre impecavelmente limpa e organizada. Absorve o hábito de Brian de gostar de se vestir para todas as ocasiões, só que, com Mick, valem até mesmo as ocasiões mais corriqueiras, como jantar em casa. Exige que Marianne também se vista toda arrumada, mesmo quando não esperam companhia.

Em final de janeiro, Brian havia se juntado com Donavan, Cilla Black e três dos quatro Beatles, para uma recepção promovendo a banda the Grapefruit. Nesta festa, ouviam o disco "John Wesley Harding" de Bob Dylan, pela primeira vez. Presente também estava Jimi Hendrix, que ao ouvir a faixa "All Along The Watchtower", imediatamente exclamou, "Eu tenho que gravar isso!" Juntou algumas pessoas na festa e foram todos para o Olympic Studios, gravando a canção na mesma hora.
Com Hendrix estavam Noel Redding, Mitch Mitchell, Dave Mason, Brian Jones, Linda Keith e Chas Chadler. O engenheiro de som foi Andy Johns, irmão de Glyn Johns. Muito impulsivo e com exata noção do que ele queria e não queria, Hendrix organizava a sessão como um ensaio antes de efetivamente começarem a gravar.
Brian Grava com Hendrix

Quando concluiu-se que era hora de gravar, a versão apresenta Jimi Hendrix fazendo slide guitar usando o seu isqueiro, Dave Mason no baixo e guitarra rítmica e Mitch Mitchell na bateria, com mais Brian Jones no piano e tambourine. Chas Chandler produziu a sessão que foi assistida por Linda Keith. A versão que acabaria saindo no seu álbum Electric Ladyland é esta com o piano de Brian e o baixo de Mason apagados. Hendrix optou por fazer o baixo ele mesmo, curiosamente usando o baixo de Bill Wyman que estava guardado no estúdio.
Charlie & Shirley em Casa
Mick nunca desenvolveu uma amizade fora do âmbito profissional com Bill Wyman e evitava ultimamente Brian Jones, porém sua relação com Charlie Watts, mesmo tendo esfriado um pouco desde os tempos que os dois mais Shirley e Chrissie andavam juntos, ainda se manteve. Mick, sempre ativamente social, visita com Marianne a residência de Charlie e Shirley, por vezes pernoitando. Charlie orgulhosamente mostra suas diversas coleções. O grande barato de ser um Rolling Stone para Charlie, é justamente poder ter o dinheiro para enriquecer os volumes de suas coleções. Nelas incluem um vasto catalogo de livros, quadros e discos de jazz; como também artefatos militares, outra paixão sua. Charlie tinha orgulho especial para sua coleção completa de rifles e pistolas da Guerra Civil Americana iniciada na primeira viajem dos Stones à América. Shirley estava nos últimos estágios de sua gravidez e a primeira criança do casal, uma menina que foi chamada de Seraphina, nasceria no dia 18 de março de 1968.
Descobrindo Maquiagem
Mas na maioria das ocasiões Mick e Marianne vão para Redlands buscando a companhia de Keith e Anita. Keith atiçado por Anita, começa a usar maquiagem para escurecer ao redor dos olhos e às vezes até experimenta um toque de baton. Em Keith, tais detalhes estranhamente realçam sua masculinidade e acabam por atiçar o libido de Anita e de outras mulheres. Marianne é uma que ficou encantada com o efeito, como também ficou Mick que logo passou a imitar a idéia do amigo. Porém a maquiagem em Mick não tem exatamente o mesmo efeito de realçar a masculinidade como ocorreu com Keith. Ainda asim, Mick adorou o resultado e passou a explorar cada vez mais com o produto, descobrindo efeitos com outras cores como o verde e o azul.
Em fevereiro, numa destas visitas, Mick e Keith aproveitam e gravam uma fita. A fita teria as canções Highway Child (Jagger-Richard), Hold On! I'm Comin' (Isaac Hayes/David Porter), Primo Grande (titulo inicial para o que viria a ser Street Fighting Man) e Rock Me Baby (Bill Broonzy/Arthur Crudup). Conversas sobre um novo disco começam.
Mick & Marianne, James & Andee
Marianne e Andee voltaram a se ver, as duas encantadas uma com a outra. James e Mick também se admiravam mutuamente. James Fox era um típico cavaleiro inglês que andava de chapéu coco com guarda-chuva embrulhado na mão, usado como uma bengala. Mas James tinha uma atração para o hip, o novo; o que explica ele estar namorando alguém tão diferente ao seu estilo como Andee. Assim, estar agora freqüentando a companhia de Mick Jagger dos Rolling Stones também tem um aroma de ser moderno. Jagger, por sua vez, tem uma certa atração por gente de posse e pose. O fato de Fox ser um ator de sucesso aumenta seu interesse, pois, Jagger nutria a hipótese de fazer cinema. James Fox havia conseguido ótimas criticas em sua participação em filmes como "The Servant", "King Rat" e "Those Magnificent Men in Their Flying Machines." Então andar com Fox, podendo observar e estudar o ator é para Mick uma chance imperdível.
Geralmente o casal recebia os amigos na cama gigante no quarto. James, um pouco fora de seu ambiente, tem dificuldades de perceber nos comentários o que é brincadeira e o que é sério. Ao chegar atrasado para um encontro na casa de Jagger, chega a tempo de encontrar Mick, Marianne e Andee na cama, conversando e admirando livros de magia de autores como Castañeda, Crowley, Blavatsky e Zohar. Ao entrar no quarto e encontrar sua namorada na cama com o casal de amigos, ele fica desconcertado, sem saber ao certo o que pensar. Mick imediatamente o recebe com um "Olá James, atrasado para a orgia novamente?! Qual sua desculpa desta vez?"
E divertindo-se vendo James cada vez mais perplexo emenda "Por acaso trouxe alguma cocaína para acompanhar este excelente Sauvignon que me foi recomendado?" James, já engasgando nas palavras, confirma que não trouxe nada similar e antes de terminar a sentença Mick continua sua brincadeira enquanto as meninas prendem o riso. "Mas que imprestável! A Princesa Margaret jamais tocaria em uma gota deste vinho maravilhoso sem pelo menos um cajado de coca como entrada." James totalmente perdido na historia se resigna a um "É mesmo, Mick?!" que por sua vez deixa cair finalmente a mascara e esclarece "É claro que não seu tolo! Vai até a cozinha e traga umas taças e ao voltar enrola aquela nota de vinte. Mas antes, vem aqui nos dar um beijo."
Mick gostava de apresentar muita música para James e Andee. Aretha Franklin, Sam & Dave, James Brown, o recém falecido Otis Redding, Joe Tex, Smoking Robinson e muito Motown sempre iam parar na vitrola em dia de visitas. James por sua vez era fanático por Bob Dylan que passou a freqüentar a vitrola ainda mais nestes encontros. Marianne curtia muito Ravi Shankar, que ela achava tão estimulante para leitura quanto para sexo. Certa noite, os quatros conversavam na cama após tomarem um ácido excelente. Marianne e Andee começam a se cariciar de forma extremamente íntima. Quando elas se dão conta do que estão fazendo, olham pro lado e percebem que os dois homens pararam de conversar e estão só olhando, James particularmente espantado. Isto só fez com que elas ficassem ainda mais excitadas e passaram a ter relações sexuais completas, com os dois homens de voyeur, só assistindo. Logo, Mick e James estão se dando as mãos, Mick tomando a iniciativa, os dois engajando em carícias. Os dois casais em puro êxtase, com sexo sem os confinamentos de gênero. Marianne diria anos depois sobre o assunto, "ácido é uma droga extremamente sexual e com ele, o conceito de limitar o sexo a apenas o sexo oposto é ridículo."
O Escritório e as Finanças
O local escolhido para o novo escritório dos Stones, onde teria também um espaço para se montar um estúdio, foi na rua Maddox em Mayfair. Todas os valores das despesas sendo então remetidos para Allen Klein em Nova York donde aguardam a remessa de recursos, para que possam pagar estas contas. Ian Stewart assinou pela banda o contrato de aluguel, uma vez que Mick e Keith estavam fora do país e nem Charlie, nem Bill, aceitaram se colocar em uma posição delicada, onde precisariam esperar por Klein liberar dinheiro.
O Dilema e as Pressões

Com medo de ser falsamente flagrado, Brian sai de seu apartamento recém alugado, para voltar a morar em quartos de hotel. Ele se hospeda inicialmente no Lygon Arms Hotel em Worcestershire, sai, vai à França e volta desta vez para o Imperial Hotel em Queen's Gate. Em todos esses lugares o ritual de eventos se mantém. Depois de alguns dias, quando muito algumas semanas, o já conhecido detetive e seus homens o descobrem e começam a aparecer para chantageá-lo descaradamente por dinheiro. Se não pagar, garantem que irão encontrar algo e levá-lo para a delegacia.
Brian sabe que não pode ter nenhum incidente pelos próximos três anos, senão ele pode acabar na cadeia. A pressão é insuportável para este ser, já bastante desorientado. O que pouca gente sabe é que depois de sua grande crise após ser encarcerado, Brian começara a experimentar com heroína. Com a estada em Ceilão, a busca por alívio se intensificou e em Paris, ele passa a se abastecer. Durante o decorrer de 1968, Keith também estará sucumbindo às pressões. A pressão da culpa que ele não quer sentir pelo declínio de Brian, a sua insegurança de manter Anita e não perdê-la, acabando como Brian e principalmente, a pressão do relacionamento ambíguo que Mick e Marianne querem ter com ele e com Anita. Tudo isso, somado à curiosidade sobre a droga nova de '68, ajudará Keith a começar a experimentar com heroína, embora sem fazer muito alarde para o assunto.
Narcóticos
