Angra: Ømni é um ótimo álbum, mas não é Angra

Resenha - Ømni - Angra

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Por Fernando Queiroz
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É bem verdade que o Angra já há alguns anos, quase quinze anos, na verdade, não fazia um trabalho inspirado. Não que, vejam, Secret Garden ou Aurora Consurgens sejam álbuns ruins (Aqua, sim, um péssimo disco, sejamos honestos), mas são aqueles álbuns que não agregaram nenhum grande clássico, que todos pedem e querem ouvir nos shows. Talvez possamos dizer que são álbuns extremamente burocráticos, os típicos "não fede nem cheira". Com Ømni a coisa muda da água para o vinho, de uma forma. Mas nem tudo são flores.

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Ømni é um álbum que encanta pela sonoridade sofisticada, pela mixagem e masterização cristalinas e por saberem exatamente onde colocar as participações. A levada na guitarra que Marcelo Barbosa deu à banda, junto a seu timbre, ao meu ver mais agradável que o de Kiko Loureiro, de fato mostraram que a escolha foi acertada. Não que outros guitarristas não pudessem, também, ter feito algo de tamanha qualidade, ou seja, não que ele tenha sido O CARA para a banda. Não acho que isso exista. Mas ele soube levar a coisa de forma a não comprometer e também não parecer uma mera cópia de seu antecessor. Rafael Bittencourt e Felipe Andreoli, os veteranos ali, fizeram o que sabem fazer do seu melhor jeito, como sempre. Dois músicos acima de qualquer suspeita, assim como Bruno Valverde mostrou que, apesar de não ter a criatividade e as linhas cativantes de Aquiles Priester e até Ricardo Confessori (acho, aliás, que principalmente este último) é um músico com personalidade própria, e o fato de não ser um cara saído "do metal" mostra bem isso, mas soube adaptar, como não tinha feito em Secret Garden, seu estilo próprio "Virgil Donatiano" de tocar ao metal. O ponto negativo, a meu ver, fica por conta de Fabio Lione, vocalista que não consigo engolir desde os tempos de Rhapsody, e infelizmente o vocal é o que dá a cara da primeira ouvida do álbum, então confesso que tive que ouvir várias e várias vezes para realmente "engolir" isso. Dentro de seu jeito, ele faz o arroz com feijão.

As participações de Sandy e Alissa White Gluz em Black Widow's Web também acabam ficando oito ou oitenta: enquanto Sandy mostra, novamente, ser uma cantora primorosa, verdadeiramente uma das grandes de toda a história da música nacional, e isso desde criança ainda, nos primórdios da dupla com seu irmão Junior, Alissa mostra, como mostra no Arch Enemy, desculpem-me os fãs, que é uma vocalista extremamente limitada e com péssima interpretação, além de um gutural fraquíssimo se comparado, principalmente, a sua antecessora no Arch Enemy, a grande Angela Gossow, e até a sua sucessora no The Agonist, a excelente Vicky Psarakis. Péssima escolha, infelizmente.

Também há de se comentar que, o solo de Kiko Loureiro, "convidado especial" em War Horns deixou um pouco a desejar. Talvez por estar esperando uma coisa mais "Angra", levando em conta que ele é o guitarrista clássico da banda, e ter ouvido um solo bem burocrático, eu tenha me desapontado.

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Por outro lado, Rafael Bittencourt mostra ter dominado bem mais a "Arte do Canto", fazendo tanto vocais de apoio bem melhores que anteriormente, quanto vocais principais em Bottom Of My Soul bem mais trabalhados e encaixados para o que a música pede.

No geral, inegável que a qualidade técnica da banda atingiu um patamar condizente aos bons tempos da banda, de Holy Land ou Temple Of Shadows. Aliás, se formos pegar apenas a parte "virtuosa", diria que a banda chegou num patamar único, muito mais elevado que, ouso dizer, compara-se aos grandes nomes do Metal Progressivo Americano (por isso, creio, o álbum vá ter bem mais êxito na Terra de POTUS Donald J. Trump), como Dream Theater e Symphony X... e isso nos leva à última, e não tão boa parte do texto.

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Com toda essa evolução virtuosa, e agora os dois pés, duas mãos e tudo mais no Metal Progressivo americanizado, eu me pergunto: onde está o Angra?

Talvez os fãs da banda em si consigam (e bem provavelmente conseguem) relevar isso, quem, como eu, cresceu ouvindo, e ouve até hoje o bom e velho Metal Melódico "Helloweenico", do qual o Angra fazia parte, com músicas alegres e vocais suaves e, de certa forma, estridentes, além das balada emotivas e até "farofeiras" de outrora, para quem cresceu ouvindo e vendo o Angra e o velho Shaman "competirem" para ver quem saia como grande nome do estilo no país, rivalidade que nos rendeu grandes álbuns de ambas as partes, ouvir uma banda fazer essa sonoridade progressiva ao extremo, com atmosfera bem mais densa, tons mais baixos na voz, é no mínimo estranho e até desagradável saber que isso é o Angra, ler lá o nome e logo Angra na capa do álbum. Enquanto eu ouvia, me passava pela mente várias passagens em que estive em shows da banda, lá para 2004, 2005, 2006, de tantas vezes que ouvi, enquanto adolescente, os velhos álbuns, como Angels Cry e Holy Land, e os que na época ainda eram recentes, como Rebirth e Temple Of Shadows, e ouvir aquela sonoridade com a expectativa de ouvir o velho Angra e as velhas músicas ainda na cabeça, me deixou extremamente triste e extremamente decepcionado com o que ouvi, pois a banda acabou seguindo o caminho de uma vertente musical que nunca me agradou. Talvez eu esteja sendo, como dizem, "viúva" do que a banda era antes, mas é algo que não consigo evitar.

Bem, eu nunca disse que seria uma resenha puramente técnica e impessoal. Não é de meu feitio fazer isso, me parece mecânico demais. Então, se eu fosse dar uma nota mecânica para o álbum, sem dúvidas seria um 9 (só não dez por conta do decepcionante solo de Kiko Loureiro e por Alissa White Gluz, senão seria um 10. Criticar Fabio Lione, como fiz, é algo puramente pessoal.). Se eu fosse dar uma nota puramente pessoal, seria um 3, no máximo. Também não darei uma nota tirando uma "média" dessas duas notas. Darei um 6. Um álbum que de forma alguma iria me sentir incomodado em ouvir estando no carro de algum amigo, mas também um álbum que nunca colocaria para tocar no meu carro.

De qualquer forma, a conclusão é de que se você ouvir puramente como músico, ou aprendiz de músico, sem levar o apelo emocional em conta, ou se não tiver esse apelo emocional por idade, ou por não ser chegado na banda antes, é quase certeza de gostar! um trabalho excelente! Mas, definitivamente, NÃO É ANGRA, perdoem-me os mais fanáticos.

1. Light of Transcendence
2. Travelers of Time
3. Black Widow’s Web
4. Insania
5. The Bottom of My Soul
6. War Horns
7. Caveman
8. Magic Mirror
9. Always More
10. ØMNI – Silence Inside
11. ØMNI – Infinite Nothing




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Sobre Fernando Queiroz

Fernando Queiroz ama o metal como sua vida. Vive no meio nacional ha 6 anos e não se arrepende de nada. Colabora com o Whiplash desde 2007. Nas horas vagas, Fernando, ou Fe Luppi, como eh chamado pelos amigos, é estudante de Relações Internacionais.

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