Angra: "Ømni" é o amadurecimento da era Lione
Resenha - Ømni - Angra
Por Victor de Andrade Lopes
Fonte: Sinfonia de Ideias
Postado em 17 de março de 2018
Nota: 9 ![]()
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Depois de duas trocas de vocalistas, chegou a hora do Angra encarar um novo tipo de mudança: substituição nas seis cordas. Kiko Loureiro saiu para integrar o Megadeth e, em seu lugar, entrou Marcelo Barbosa, sujeito bastante cultuado por aqui após passagens pelo Khallice e pelo Almah, do ex-vocalista Edu Falaschi.

E sua trajetória no quinteto paulista começa num projeto ambicioso: Ømni, cujo conceito liga os discos anteriores da banda. Uma tarefa complexa, considerando que cada um deles, por si só, já costumava trazer uma ideia sofisticada.
Boa parte do álbum é feito do mais puro power metal: "Light of Transcendence", "Travelers of Time", "Insania", "War Horns", "Magic Mirror"- não por um acaso, são algumas das melhores. Dobradinhas empolgantes nas guitarras, solos fritados, riffs agressivos... o que mais você precisa? "War Horns" poderia receber o injusto rótulo de "aquela faixa com um solo do Kiko", mas ela é possivelmente, e simplesmente, uma das melhores do disco. Ømni traz um "fator uau" equiparável ao do Temple of Shadows, de 2004.

As demais faixas merecem comentários à parte. "Black Widow's Web", por exemplo, só não funciona na mente de quem não aprecia o estilo ou é limitado demais para "aceitar" que uma cantora como Sandy colabore com o Angra - ainda que Alissa White-Gluz, do Arch Enemy, dê sua contribuição também, como que para lembrar a todos que isto não é nada além de mais uma peça de metal.
É uma história que se repete de tempos em tempos: "Carolina IV", "Unholy Wars" e "Late Redemption" causaram semelhante rebuliço quando foram lançadas. O próprio Kiko fez um interessante comentário a respeito da questão em vídeo publicado em seu canal no YouTube.
Enquanto vocalista, Rafael Bittencourt começa a bater suas asinhas com mais liberdade aqui. Em "Travelers of Time", "Caveman", "Magic Mirror" e "Ømni - Silence Inside", ele oferece um agradável contraste para a voz de Fabio. Já em "The Bottom of My Soul", na qual atua sozinho, não obtém semelhante sucesso. É um trabalho interessante, com um instrumental lento e marcado por fraseados orientais, mas que destoa bastante do resto do disco, comprometendo sua coesão.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | "Caveman", como o nome sugere, é tribal, com elementos brasileiros e um pouco de português nas letras, que fazem alusão à Alegoria da Caverna de Platão. Taí uma outra vantagem de se ter Rafael como segundo vocalista: garantia de uma pronúncia adequada do nosso idioma.
Encerrando o álbum, "Ømni - Silence Inside", um power prog elaborado, e "Ømni - Infinite Nothing", que retoma e condensa as frases principais de cada faixa do disco em uma curta peça orquestral, na melhor escola "Gate XIII" ou mesmo "Imaginaerum", do Nightwish.
Os (poucos) pontos baixos de Ømni são "Insania", um trabalho mais comercial que surpreendentemente - e felizmente - não foi o escolhido para ganhar um vídeo; e "Always More" - em que pese trazer uma mensagem bonitinha, destoa quase tanto quanto "The Bottom of My Soul", mesmo para uma baladinha.

O álbum é fenomenal no sentido de que é uma obra de power metal de altíssima qualidade, incorpora elementos eruditos e brasileiros naquela dosagem costumaz deles, tranquiliza os fãs quanto às credenciais de Marcelo e reafirma a capacidade criativa de Rafael, mesmo num time já desfalcado de grandes compositores como Kiko e Andre Matos.
Alguns continuarão dizendo que o Angra perdeu sua essência. Não, não, ela nunca foi perdida, apenas alterada. Pudera, somente um membro restou da formação original. Aliás, uma banda que apresenta uma proposta musical tão requintada dificilmente conseguiria se prender a alguma fórmula.
Como eu não resenhei Secret Garden - que é ótimo, mas ainda inferior a Ømni - aproveito para dizer que a entrada de Fabio Lione no grupo foi benéfica para ambos, mas se colocarmos numa balança, o ganho do italiano é bem maior. Se por um lado ele não é o vocalista perfeito para o Angra, ele ganhou no grupo brasileiro um espaço para desenlatar sua voz e mostrar que ele pode bem mais do que aqueles vocais enjoados do Rhapsody of Fire.

Abaixo, o vídeo de "War Horns":
Track-list:
1. "Light of Transcendence"
2. "Travelers of Time"
3. "Black Widow's Web"
4. "Insania"
5. "The Bottom of My Soul"
6. "War Horns"
7. "Caveman"
8. "Magic Mirror"
9. "Always More"
10. "ØMNI - Silence Inside"
11. "ØMNI - Infinite Nothing"

Comente: Quem ganhou mais, o Angra com Fabio Lione ou Fabio Lione com o Angra?
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