Ex-Scorpions, Uli Jon Roth explica o motivo de não se considerar heavy metal
Por João Renato Alves
Postado em 13 de agosto de 2025
Nascido em Düsseldorf, Alemanha Ocidental, Uli Jon Roth – nome artístico de Ulrich Roth – é um dos criadores do que viria a ser conhecido como metal neoclássico, estilo que juntava o lado mais pesado do rock com a teoria da música clássica. Ainda assim, conforme o próprio falou ao Scars and Guitars, seu universo musical é diferente.
Uli Jon Roth - Mais Novidades
"Eu não sou um cara do metal. Quando estava no Scorpions, o nome heavy metal mal existia. Éramos considerados, se você quiser classificar, como uma banda de hard rock melódico. Então, metal, o nome, veio depois e se tornou algo que, na verdade, não é a minha praia. Acho um pouco hardcore demais, distorcido demais e, para mim, talvez um pouco bidimensional, falta maior dinâmica."
Uli ainda explicou a diferença do que era considerado rock pesado em seus anos formativos, comparado ao momento atual. "Eu venho de uma época, tipo, nos anos 60, quando comecei, ou nos anos 70, em que até bandas barulhentas tocavam com muita dinâmica. Led Zeppelin, Jimi Hendrix e Cream faziam barulho no palco com os amplificadores, mas na verdade eram muito dinâmicas. As guitarras, a bateria, tudo era dinâmico. Agora, no heavy metal, isso foi desaparecendo gradualmente e foi para o volume 11 o tempo todo — a guitarra constantemente hiperdistorcida, cada batida da bateria fortíssima — para mim, muitas vezes, é mais como uma cacofonia. Então, não sou fã. Existem algumas coisas de metal que são excelentes — com certeza — mas, no geral, não é algo que eu goste de ouvir. Não é o meu mundo."
Nem mesmo a ideia de ter sido um dos artífices das mudanças do gênero junto a Michael Schenker o comove. "Eu realmente não penso dessa forma. Sei que tivemos uma forte influência, principalmente em guitarristas, mas algumas pessoas disseram: 'É, esses dois caras são os arquitetos do rock', o que, na minha opinião, é um exagero, porque estávamos nos apoiando em outras pessoas. Michael ouvia talvez Led Zeppelin, Rory Gallagher, Mountain... eu ouvia Eric Clapton, Hendrix e algumas outras bandas. E foi aí que aprendemos nossa arte. E então, é claro, éramos como a próxima geração. Deixamos nossa própria marca nisso. E foi uma época de descobertas — o campo do início dos anos 70 estava totalmente aberto. Não havia muitos exploradores por aí, apenas alguns e eles impulsionaram isso.
Na Holanda, você tinha Jan Akkerman. Ele era um explorador incrível, sua guitarra estava muito à frente da maioria dos outros músicos. Na Inglaterra, você tinha Ritchie Blackmore, um pouco mais tarde Brian May. Todas essas pessoas estavam impulsionando isso à sua maneira, e a maioria delas estava na Inglaterra, o que é muito estranho, mas eu contei uma vez; eram pelo menos 12. Alguns podem não ser tão conhecidos, mas havia David Gilmour, Allan Holdsworth. Havia Gary Moore, claro, ele era irlandês. Havia Hank Marvin, que começou tudo, George Harrison, incrível o que ele fez na guitarra elétrica e na cítara. Provavelmente esqueci alguns, mas eram todos ingleses, britânicos ou irlandeses. E o resto da Europa tinha muitos guitarristas, mas poucos deles entraram para a história do rock. Você pode contá-los nos dedos de uma mão, enquanto na Inglaterra era um ninho. Você tinha todas essas pessoas. Jimmy Page também. Claro, Jeff Beck. Esqueci do Jeff Beck, grande erro. Ele foi definitivamente um dos maiores de todos os tempos."
Nos anos 1970, Roth fundou a banda Dawn Road, que se fundiria a Klaus Meine e Rudolf Schenker, prosseguindo a carreira do Scorpions, que perdeu o restante da formação após o álbum de estreia, "Lonesome Crow" (1974). No período, o quinteto se estabeleceu com um som mais experimental em comparação ao que o consagraria posteriormente.
Deixou o grupo na virada da década seguinte, formando o Electric Sun. Os três discos de estúdio do grupo foram dedicados a Jimi Hendrix, Anwar Sadat (presidente egípcio que tentou estabelecer a paz no Oriente Médio e acabou assassinado) e Martin Luther King Jr, em sequência.
É o desenvolvedor da Sky Guitar, instrumento personalizado, além de dar palestras musicais e filosóficas com a Sky Academy. Além de breves reuniões com a banda que o consagrou, Uli realiza shows solo e tocou com nomes como Smashing Pumpkins e G3, excursionando com Joe Satriani e Michael Schenker.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A música do Black Sabbath que é o "marco zero" do thrash metal, segundo Andre Barcinski
Avenged Sevenfold reafirma em São Paulo porquê é a banda preferida entre os fãs
Regis Tadeu afirma que último disco do Megadeth é "uma aula de dignidade"
O que o retorno de Angela Gossow ao Arch Enemy representa na prática?
Cinco clássicos do rock que você reconhece nos primeiros segundos e já sai cantando
O cantor que Jack Black chamou de "Pavarotti do heavy metal"
"Superou minhas expectativas", diz baterista sobre novo álbum do Evanescence
Guitarrista da banda Crotch Rot é assassinado em bar de Curitiba
Gastão Moreira fala sobre Dream Theater; "a banda mais narcicista de todas"
As 10 tablaturas de guitarra do Iron Maiden mais acessadas na história do Ultimate Guitar
Evan Dando (Lemonheads) é internado para tratar problemas mentais após assédio a fã
Assista o primeiro teaser do filme oficial sobre a história do Judas Priest
Um dos maiores sucessos dos Stones, descrito como "porcaria" por Keith Richards
Blackie Lawless puxa a orelha de Gene Simmons por comentário desnecessário sobre Ace Frehley
Tony Iommi presta homenagem ao álbum de estreia do Black Sabbath


Scorpions: Uli Jon Roth fala sobre sua saída da banda


