10 álbuns essenciais do metal dos anos 70 que valem ter em vinil
Por Bruce William
Postado em 08 de março de 2026
Se tem uma década em que "metal" significa mais de uma coisa ao mesmo tempo, é a de 1970. No começo dos anos 70, o gênero ainda estava em formação, então a lista feita pela Loudwire acaba misturando o que já era metal "puro sangue" com discos de hard rock que colocaram a mão na massa e empurraram o som para um lugar mais pesado. É um bom mapa pra quem está começando a montar prateleira de vinil e quer pegar o básico do básico sem cair só em um artista.
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O ponto de partida aqui é o Black Sabbath duas vezes no mesmo ano. "Black Sabbath" (1970) é aquela estreia que já chega com clima sombrio, riffs lentos e um jeito de tocar que muda a conversa inteira; é um disco que, no vinil, ganha muito pela dinâmica e pelo peso do trio baixo/bateria/guitarra. Já "Paranoid" (1970) é a versão mais "direta" da coisa, com músicas mais curtas e aquelas faixas que viraram porta de entrada para muita gente ("Paranoid", "Iron Man", "War Pigs").
Saindo do "centro de gravidade" do Sabbath, entra um disco que não é metal no sentido estrito, mas que é quase obrigatório em qualquer coleção por influência e impacto: "Led Zeppelin IV" (1971). Ele tem o peso de "Black Dog" e "Rock and Roll", mas também tem o lado acústico e épico que faz o álbum respirar no formato. Do lado mais "cult" da lista, "Squawk" (1972), do Budgie, é um daqueles discos que muita gente descobre tarde e se pergunta como passou batido: riffs secos, baixo bem presente e uma sensação de banda tocando "perto", sem enfeite.
Aí entra um pilar que atravessa hard rock e metal sem pedir licença: "Machine Head" (1972), do Deep Purple. É um disco que se explica sozinho em duas faixas ("Smoke on the Water" e "Highway Star"), mas que segura o álbum inteiro com guitarra e órgão se empurrando, além de uma cozinha bem "no trilho". Na sequência, "Phenomenon" (1974), do UFO, já aponta para um tipo de hard rock mais encorpado que depois conversa com o metal britânico; tem refrões fortes e uma guitarra que, no vinil, costuma soar bem "cheia" quando a prensagem é decente.
Quando a lista volta ao Black Sabbath, ela escolhe um momento de banda já calejada e experimentando dentro do próprio peso: "Sabotage" (1975). Tem o Sabbath "casca grossa", mas também tem mudança de clima e aquele jeito de empilhar partes que parece nascer de estúdio e estrada ao mesmo tempo. Do outro lado, "Rising" (1976), do Rainbow, é o disco que cristaliza uma linha mais épica e melódica dentro do hard/heavy setentista: riffs pesados, arranjos com cara de "história" e o Dio entregando voz de estádio mesmo em faixa de estúdio.
Em "Virgin Killer" (1976), do Scorpions, a música vem antes de qualquer debate de capa (que, aliás, foi trocada em várias edições por motivos óbvios): guitarras afiadas, um hard/heavy bem europeu e aquele clima de transição para o que o grupo iria consolidar no fim dos 70/início dos 80. Já "Overkill" (1979), do Motörhead, fecha a década com outra proposta: velocidade, baixo distorcido e aquela sensação de banda que não está pedindo desculpa por nada - no vinil, é daqueles discos que você coloca e a sala já entende qual é o clima.
No fim, a graça de uma lista assim é justamente não fingir que o metal dos anos 70 tinha uma "fronteira" bonita. Tem disco que é metal sem discussão, tem disco que é hard rock com mão pesada, e tem banda que ajudou a desenhar o que viria depois. Se você montar esse pacote em vinil, dá pra enxergar a década como ela foi: uma cozinha fervendo, com um monte de gente testando tempero e algumas receitas que ficaram.
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