Gong: direto de Woodstock pra SP, deixando insano o público

Resenha - Gong (Centro Cultural São Paulo, 06/03/2014)

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Por Diego Camara
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Se o progressivo tem um pai, foi da insanidade das bandas do psicodélico que ele nasceu. E quando uma banda como o GONG chegou ao centro da “arena” do Teatro Adoniran Barbosa no confuso Centro Cultural São Paulo, no Paraíso, ficou difícil não ver neles a maestria que há muito não mais se encontra na música: liderados por Daevid Allen – que mais parece ter saído de Woodstock e fugido no tempo para os dias atuais – a banda comandou um dos shows mais insanos que aquele local já viu. Confiram abaixo os principais detalhes do espetáculo.

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O show foi marcado para um horário bem cedo: 19 horas. Para um dia de semana não é nada comum e parecia, para os que chegaram um pouco mais cedo, que o show seria realmente para pouquíssimas pessoas que armavam uma fila na entrada do teatro. Porém, quando a porta abriu e o público começou a entrar, o local que tem espaço para em torno de 600 pessoas ficou completamente lotado, gente de todas as idades e estilos.

Demorou um pouco – um atraso de em torno de 30 minutos – para que o som ambiente começasse a tocar e o projetor iluminasse um fundo repousado em um dos lados do palco. Primeiramente entraram os guitarristas, que começaram a tocar junto com a intro, em meio aos aplausos. A plateia foi à loucura, porém, quando o mestre Daevid Allen entrou e foi ao centro do palco. Um velhinho, com uma roupa que mais parecia saída diretamente de Woodstock, mas com uma empolgação fantástica.

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Foi então que o som estourou em melodia quando a banda começou a tocar “757”. A banda realmente tem uma qualidade impressionante, que se revelou a cada nota desta música. A insanidade foi imensa, com um super ritmo especialmente nas guitarras de Kavus Torabi e do mestre brasileiro Fabio Golfetti.

O show continuou e realmente pegou o público com “Radio Gnome”, um dos clássicos da banda presentes no disco “Camembert Electrique”. Uma super música, que contou com a melodia afinadíssima de Ian East e com uma dança insana de Daevid Allen, que no centro do palco cantou muito bem, dando a sua performance um gostinho dos anos 70. Os aplausos do público realmente foram mais que merecidos, já que a música foi uma das melhores apresentadas naquela noite.

As narrações do mestre Allen também foram um show a parte. Lendo seu caderninho ao lado do microfone, o velhinho não perdia o espírito que fez da banda verdadeira arte. Erguendo os braços ao narrar o “Flying Teapot”, ele realmente espantava o público. Assim tocaram “Tic Toc”, regada ao carisma do mestre Allen e a excelente performance da banda, que como mágica pareciam coordenar uma verdadeira orquestra no palco. Vale dizer que a performance ainda ficou melhor quando o público deixou de bater palmas por qualquer coisa que a banda fazia: porém, quem sou eu para censura-los? Realmente era difícil ficar impassível ao Gong.

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Em “Escape Control Delete”, Allen vestiu uma de suas fantasias. Voltando ao palco como mago, como se saído de um desenho de contos infantis (mas nem tão infantis assim), o público achou graça do vocalista enquanto a banda tocava com maestria o instrumental, enquanto Allen completava com uma ótima performance no vocal, sem tirar um olho de seu caderninho – o melhor amigo deste mestre da simpatia – o qual mantinha sempre a frente, para não perder nenhum verso da canção.

Música a música, se encaixavam com perfeição. As sequencias, porém, vinham regadas com ótimas introduções de Allen. “Change the World”, que contou com um ótimo discurso de além sobre as mudanças e a atualidade, levantou o público, que não se conteve e cantou em alguns momentos – mesmo que timidamente – o refrão junto com o vocalista.

Seguindo a música, um conhecido medley foi aberto com “Flute Salad”, onde Ian East demonstrou toda sua virtuosidade. Os integrantes voltaram ao palco e o som meio místico do medley dominou e inebriou o público. Porém não o bastante para que o público não visse a entrada triunfal de Allen. Vestido como uma espécie de homem do espaço vintage que só poderia sair da mente insana de alguém que tinha tomado de todo o tipo de chá, os aplausos do público foram imediatos – vale tomar nota da grande quantidade de chás que Allen ofereceu ao público no interim de “Outer Temple”, garantindo os risos da plateia, ele rodeava o palco e interagia com o público nas primeiras fileiras.

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Depois desta performance, a parte final do show até ficou calma demais, isto até o final com “Zeroid”, som extremamente psicodélico marcado pela qualidade mais uma vez de Fabio Golfetti e da performance insana de Kavus Torabi e o baterista Orlando Allen. O Teatro Adoniran, ainda por cima, mostra qualidade de som e iluminação que bota muitas casas de shows famosas na lona.

O show foi fechado com “Opium for the People”, música bastante animada que contou com outra dancinha de Allen para os fãs. “Dynamite” veio juntar-se a ela em mais um medley, rendendo mais uma salva de palmas. A banda saiu do palco, ovacionada por cada um dos presentes, em um dever mais que cumprido com o rock progressivo.

Não bastasse isso, porém, os gritos incessantes da plateia fizeram valer o retorno da banda para tocar o sucesso “You Can’t Kill Me”, também do “Camembert”. Uma das melhores da noite, fechou o show com chave de ouro. O som insano continuou, porém, batendo na cabeça, como uma mágica muito bem feita.

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O Gong gruda, apesar do curto repertório e de ter deixado dúzias de sucessos de fora – algumas musiquinhas do “The Flying Teapot” caberiam bem neste show. É uma pena que no progressivo não se façam mais bandas como eles, e que a insanidade da música está cada dia mais sendo trocada pelo som pasteurizado e facilmente decorável das músicas atuais.

Gong é:
Daevid Allen – Vocal e Guitarra
Fabio Golfetti – Guitarra
Kavus Torabi – Guitarra
Dave Sturt – Baixo
Ian East – Saxofone e Flauta
Orlando Allen – Bateria

Setlist:
Intro: One by one
1. 757
2. Radio Gnome
3. Tic Toc
4. Escape Control Delete
5. Tropical Fish: Selene
6. Change the World
7. Flute Salad / Oily Way / Outer Temple / Inner Temple
8. Goddess Invocation Om Riff
9. I've Been Stoned Before
10. O Mother
11. Zeroid / Yoni Poem
12. Opium for the People / Dynamite
Bis:
13. You Can't Kill Me

Fotos: Fernando Yokota.
Set completo em
http://www.flickr.com/photos/fernandoyokota/sets/72157641997...

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Sobre Diego Camara

Nascido em São Paulo em 1987, Diego Camara é jornalista, radialista e blogueiro. Seu amor pelo metal e rock começou há 6 anos. Um amante da nova geração, é um grande fã de Arjen Lucassen, Andre Matos e bandas como Nightwish, Hammerfall, Sonata Arctica, Edguy e Kamelot. Também não deixa de ter amor pelos clássicos, como Helloween, Gamma Ray e Iron Maiden e do Rock de bandas como Oasis, Queen e Kings of Leon. Atualmente seus textos podem ser lidos no blog OCrepusculo.com sobre assuntos diversos, além de planos para criação de um projeto totalmente voltado aos blogs de Rock e Metal.

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