Lá pelo final de 2005, um rapaz barbudo e de cabelo comprido começou a contar umas lorotas de que o Tuatha de Danann tocaria em Santa Catarina. Como a maioria do povo ainda não acredita em duendes, fadinhas ou poções mágicas, resolveu-se dizer que era mentira. Alguns afirmavam até: “ – Uma banda com anúncios em revista, participação em grandes shows no Brasil e uma turnê pela Europa nas costas não viria nunca pra Timbó (onde?) fazer show!” Pois bem. Aos que duvidaram, ousaram ou se recusaram a ver, a resposta: Sim, eles vieram. Que bom.
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Não que eles sejam astros do mundo rock, intocáveis ou viraram milionários. Mas da fama eles já podem se vangloriar. Ver pela primeira vez, o Tuatha de Danann no palco do Centro de Eventos Henry Paul, tradicional por festas nada convencionais para o pessoal de preto, foi animal. Ainda mais acompanhados de quatro excelentes bandas de Santa Catarina. Calor, metal e alegria. Quer mais?
A Flesh Grinder – uma banda que merece reconhecimento pelo poder de persistência e coragem – começou já de pegada no Splatter/Grind que conquistou a Europa. Já com uma bagagem por ter passado por Portugal, Espanha, Itália, França, Alemanha, Bélgica e Áustria, o trio formado em Joinville se destaca pelo som e pela imagem bem característica do estilo. Sobram composições de atrocidades corporais e os termos mais nojentos possíveis. O público ainda se ajeitava no local, e a Flesh Grinder já estava destruíndo tudo.
A próxima a subir ao palco foi a Shadow of Sadness, que aperfeiçoa cada vez mais o seu Death Metal. Como segunda banda da noite, mandou músicas próprias com muito estilo. Formado em Itapema, o grupo demonstra personalidade no palco e muito peso e melodia nas canções. O cover de “Death in Fire” do Amon Amarth e de “Slave The World” do Sepultura foi muito bem aceito pelas cerca de 1,5 mil pessoas que curtiam as apresentações.
Assim como experiência é adquirida gradativamente para a Shadow of Sadness, o terceiro grupo da noite, Steel Warrior, dá um banho de entrosamento e habilidade. A banda é uma das principais representantes catarinenses e também já esteve de passagem pela Europa, com uma grande aceitação pelo Heavy Metal tradicional que executa. Mas ainda que o grupo formado em Itajaí mostrasse muita força no palco, a ansiedade de ver o Tuatha de Danann ia além.
As representantes de Santa Catarina não se intimidaram como apenas bandas de abertura de um dos grandes nomes do metal nacional. O Tuatha de Danann mostrou que essas menções são bem merecidas. O quinteto, formado por Bruno Maia, Rodrigo Berne, Giovani Gomes, Rodrigo Abreu e por Edgar Brito demorou a entrar no palco, mas fez um show contagiante do início ao fim. Flautas, teclados, violões tornam as canções do grupo bem interessantes, ainda mais ao vivo. Lembra muito o Jethro Tull, só que bem mais pesado. A variação e a participação dos componentes nos vocais é um dos pontos altos da “festa” que eles promovem.
“The Dance Of The Little Ones”, “Lover Of The Queen”, “Tingaralatingadun”, “Bella Natura” e a bastante requisitada “Fingaform”, deixaram os fãs bastante eufóricos. O quinteto mostrou-se simpático e feliz com o momento. Para fechar, um cover clássico de “Rockin' In The Free World”, do Neil Young, e encerraram a apresentação com muita classe. Não à toa, a resposta que o Tuatha de Dannan recebeu nos palcos internacionais foi semelhante ao carinho demonstrado em Timbó.
O ouvido estava mais calmo com as melodias alegres da banda mineira, mas a última banda da noite, a Infektus, na função de anfitriã, tratou de esmagar novamente os tímpanos. Pedradas do mais puro Death Metal encerraram a noite. Ao final, público exausto pelo alto nível das apresentações e a certeza de que a rota das grandes bandas nacionais tenha sempre passagem obrigatória por Santa Catarina.
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Clóvis Eduardo Cuco é catarinense, jornalista e metaleiro.
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