Metallica: show com muitos clássicos e repertório variado
Resenha - Metallica (Morumbi, São Paulo, 30/01/2010)
Por Otávio Augusto Juliano
Postado em 02 de fevereiro de 2010
Sem dúvida duas expectativas passaram pela cabeça dos fãs do METALLICA nessa última semana: a de assistir ao show da banda debaixo d’água, devido às previsões do tempo e aos dias chuvosos em São Paulo, e a de um show com muitos clássicos e repertório variado, graças às notícias e resenhas dos shows do Chile e de Porto Alegre.
Fotos por Alex Conrado Körner
E para a sorte de todos, só a segunda expectativa é que realmente se confirmou! Mais uma vez os fãs de Metal presenciaram um grande show em São Paulo, novamente sem uma gota d’água, assim como aconteceu quando o AC/DC passou por aqui em novembro de 2009 – ao contrário das previsões, o céu estava estrelado e com uma bela lua cheia para embelezar ainda mais essa noite memorável que marcou a passagem do METALLICA pelo Estádio do Morumbi.
Para abrir a noite a escolha foi certeira: o grupo SEPULTURA mostrou que a formação atual dá conta do recado e apresentou algumas das músicas que o tornaram o maior ícone brasileiro do Metal, como "Inner Self" e "Arise", fechando seu show de 1 hora com "Roots Bloody Roots". Um ótimo aperitivo, e que serviu para que mostrar que o som da noite estava bem alto.
E isso se tornou ainda mais evidente quando o roadie do baterista Lars pisou no bumbo da bateria para ajustar o instrumento: o palco tremeu e a reação dos fãs foi imediata. Seria uma noite de muito peso e som ensurdecedor.
Marcado para 21:30hs, James, Lars, Robert e Kirk entraram apenas com 10 minutos de atraso para iniciar sua primeira apresentação em território paulistano (a banda ainda se apresentou no domingo 31/01).
Após um curto vídeo de introdução, "Creeping Death" foi executada, mostrando que o som dos instrumentos estava mesmo alto, tanto que não se ouvia com perfeição a voz de James Hetfield (o que acabou ocorrendo também em algumas outras ocasiões durante o show).
O público foi ao delírio e o momento esperado por muitos há 11 anos enfim havia começado. "For Whom The Bell Tolls" deu seqüência à dobradinha inicial de músicas do álbum "Ride The Lightning", mostrando que a noite seria mesmo de clássicos antigos e de repertório surpreendente.
O palco estava com microfones colocados em diversos pontos, o que permitia que Kirk e Robert se deslocassem por toda a sua extensão, sem contar o fato de que James cantou as músicas de vários locais diferentes, ficando próximo tanto do público que estava no centro quanto daqueles que estavam nas laterais da chamada pista Vip.
Outro destaque ficou por conta dos telões instalados no palco. Um grande telão central e mais dois laterais permitiram ao público acompanhar o show "muito mais de perto". Os câmeras e os responsáveis pela edição das imagens fizeram ótimo trabalho, com efeitos especiais, imagens em branco e preto, além de closes em todos os músicos, possibilitando ver a expressão do rosto de cada um deles e até mesmo os acordes sendo executados com detalhes.
O set list foi um "passeio" por quase toda a carreira do METALLICA, das aceleradas canções de "Kill ‘Em All" até aquelas do mais novo álbum, "Death Magnetic", ficando de fora somente músicas dos álbuns "Load" e "ReLoad", além do questionado "St. Anger". Como a turnê serve para divulgação de "Death Magnetic", James em alguns momentos perguntou ao público se o disco era conhecido e se os fãs tinham gostado, e a banda acabou executando as quatro primeiras faixas do álbum durante a noite.
O show teve momentos que com certeza serão lembrados por todos os presentes. Em "One", a introdução com sons de tiros, bombas e helicópteros foi acompanhada de explosões reais no palco, sendo sentido o calor das chamas nas primeiras filas (este que vos escreve é prova viva disso!). Para completar, no telão as imagens ao vivo foram transmitidas em preto e branco, a exemplo do clipe da música – um momento mágico para uma das músicas mais esperadas da noite.
Terminada "One", uma das maiores músicas da história do Metal lavou a alma dos fãs presentes: "Master Of Puppets", faixa-título do disco de mesmo nome lançado em 1986, trouxe ainda mais energia e intensidade à apresentação, sendo seguida pela surpreendente "Blackened".
Outra passagem inesquecível foi a dobradinha final do show: primeiro "Nothing Else Matters" e depois "Enter Sandman". A bem sucedida balada composta pela banda foi executada com perfeição e fez o suado público se emocionar – com o perdão do trocadilho com o título da música, "nada mais importava" naquela noite a não ser o fato de que um dos grandes (ou o termo seria "gigantes"?) nomes do Metal estava no Brasil.
Para fechar, os telões trouxeram um close na mão de James Hetfield durante a execução dos últimos riffs de "Nothing Else Matters", quando o vocalista mostrou sua palheta (que trazia a capa do álbum "Death Magnetic" desenhada) e emendou diretamente "Enter Sandman", com direito a fogos de artifício estourando de cima do palco. Tão interessante e espetacular, que torna quase impossível traduzir em palavras a sensação sentida na hora (talvez só um vídeo do YouTube possa ajudar a descrever o que o público presenciou nesse momento).
Para o bis, James brincou que aquele seria um momento do show que a banda prestaria um tributo a grupos de Rock que inspiraram os músicos no início de carreira e anunciou que o cover da noite seria do... QUEEN, brincado com a mão como se fizesse uma espécie de sorteio. "Stone Cold Crazy" foi tocada, seguida da também surpreendente e de palhetadas rápidas "Motorbreath" e de "Seek And Destroy", que já vinha sendo pedida pelos fãs.
É, a vida dos fãs de Metal tem sido financeiramente difícil ultimamente, pois o Brasil e, principalmente São Paulo, tem recebido um grande número de shows, fazendo com que todos coloquem literalmente a "mão no bolso" para dar conta dos gastos com os ingressos. Mas a se basear pelo que tem sido visto em estádios e casas de shows paulistanas, assim como ocorreu no show do METALLICA, acho que a satisfação tem sido garantida.
Ao final, James, Kirk e Robert distribuíram dezenas e mais dezenas de palhetas ao público da pista. Lars também jogou muitas baquetas aos fãs e os quatro músicos fizeram questão de dar uma palavra no microfone, para agradecer a presença de todos, ficando por volta de 10 minutos ainda no palco.
Lembram-se que eu comentei acima que o trabalhos dos câmeras e do pessoal que cuidou das imagens dos telões foi bem feito? Então, em um dos closes no rosto dos músicos, no momento final da despedida, foi possível a esse que vos escreve fazer a seguinte leitura labial do que o guitarrista Kirk Hammett falou aos companheiros de banda: "Fucking beautiful". Se estas duas palavras resumem a sensação que o público causou na banda, o METALLICA pode ficar sossegado, pois o sentimento dos presentes foi o mesmo.
Banda:
James Hatfield – Vocal/Guitarra-base
Kirk Hammett – Guitarra-solo
Robert Trujillo – Baixo
Lars Ulrich – Bateria
Set List:
Creeping Death
For Whom The Bell Tolls
The Four Horsemen
Harvester Of Sorrow
Fade To Black
That Was Just Your Life
The End Of The Line
The Day That Never Comes
Sad But True
Broken, Beat and Scarred
One
Master Of Puppets
Blackened
Nothing Else Matters
Enter Sandman
- - - - - - - -
Stone Cold Crazy
Motorbreath
Seek and Destroy
Outras resenhas de Metallica (Morumbi, São Paulo, 30/01/2010)
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