Metallica: Em Sampa, um show para ficar na memória
Resenha - Metallica (Morumbi, São Paulo, 30/01/2010)
Por Fernão Silveira
Postado em 31 de janeiro de 2010
Um METALLICA em grande fase, altamente energizado e visivelmente feliz no retorno ao Brasil, fez milhares de cabeças chacoalharem de forma furiosa no Estádio do Morumbi, em São Paulo, na noite de sábado (30 de janeiro). Com direito a abertura do SEPULTURA e um setlist diferenciado – marca desta nova fase da turnê "World Magnetic" -, James Hetfield e Cia. fizeram cada centavo gasto nos caros ingressos valer a pena. Um show no sentido mais amplo da palavra.
Contrariando todas as previsões, a chuva deu uma rara trégua para São Paulo no sábado, o que ajudou a tornar o acesso ao Morumbi bem menos problemático – e até bem tranquilo, considerando-se a magnitude do evento. Embora os organizadores do show tenham divulgado a venda de todos os 60 mil ingressos para a primeira noite, o estádio do São Paulo Futebol Clube não estava tão tomado como poderia (e deveria) estar. Parece que muitos cambistas morreram com ingressos na mão...
Se tudo conspirava para uma noite perfeita, o SEPULTURA fez o que dele se esperava e mostrou que a sua escolha para opening act do METALLICA era tão óbvia quanto merecida. Às 20h, a banda brasileira de maior sucesso no exterior subiu ao palco para dividir com o público a festa pelos seus 25 anos de carreira, mostrando desde as novidades do último álbum, "A-Lex", até os grandes clássicos da era Max Cavalera. Ao som de "Roots Bloody Roots", o SEPULTURA fechou o set com muita propriedade e entregou o bastão para os reais donos do espetáculo.
Por volta das 21h45, luzes apagadas ao som de "The Ecstasy of Gold", com o telão de altíssima definição mostrando cenas do filme "The Good, the Bad and the Ugly", um clássico do western spaghetti (e que tem "The Ecstasy..." em sua trilha sonora). Numa atmosfera de arrepiar, James, Kirk, Lars e Robert tomaram o palco de assalto, disparando "Creeping Death" sem qualquer piedade.
Se é que ainda restava algum fã impassível diante do retorno do METALLICA ao solo paulistano, toda e qualquer resistência cedeu com uma dobradinha de clássicos dos dois primeiros discos: "For Whom The Bell Tolls" (maravilhosa) e "The Four Horsemen" (brutal). Falante e bem-humorado, James Hetfield interagia bastante com a platéia, sempre querendo saber se o público estava animado e perguntado se todos ali estavam prontos para mais petardos. É claro que sim...
"Harvester Of Sorrow" e "Fade To Black" fecharam a sessão flashback antes de uma sequência inteiramente dedicada ao álbum mais recente, "Death Magnetic". Embora não tenha agitado tanto quanto os clássicos, "That Was Just Your Life", "The End Of The Line" e a excelente "The Day That Never Comes" fizeram justiça ao peso e à qualidade de "Death Magnetic", confirmando que a banda se reencontrou após um longo período de turbulência, abusos diversos e ataques de vaidades.
A esta altura do show, o setlist já se mostrava diferente dos outros realizados na América Latina recentemente. E para reanimar o público após uma trinca de músicas menos conhecidas, James mandou "Sad But True" e recolocou o Morumbi em estado de agitação total. "Broken, Beat and Scarred", a quarta e última de "Death Magnetic" na primeira noite paulistana, chegou em seguida e caiu muito bem.
O espetáculo entrou em sua parte derradeira com mais um retorno aos trabalhos antigos do METALLICA. Ao som de helicópteros e disparos de metralhadoras, o palco literalmente pegou fogo para anunciar os primeiros acordes de "One". Simplesmente arrebatador. E se você levar em conta que "Master of Puppets" entrou logo depois, sem dar tempo para sequer retomar o fôlego, o impacto foi ainda maior.
Antes do bis, dois sucessos de "Metallica" (o popular "Black Album") se encarregaram de deixar o Morumbi em ponto de bala: "Nothing Else Matters" (cantada em uníssono) e "Enter Sandman", que não deixou pedra sobre pedra na arena são-paulina. Seria este o fim da linha? Não mesmo...
Na volta para o bis, o frontman explicou: "Este é o momento do show em que escolhemos uma banda que nós gostamos para prestar tributo. E a escolhida desta noite é o QUEEN", anunciou James Hetfield, abrindo o retorno com a implacável "Stone Cold Crazy". O frenesi thrasher se completou quando o METALLICA disparou outra surpresa: "Motorbreath". Um simples bis não poderia ser mais rápido e agressivo.
Para provocar a galera, os quarto se despiram de seus instrumentos e ensaiaram uma despedida definitiva. É claro que o estádio não deixou e começou a gritar por "Seek and Destroy". E James não fez por menos: "Vocês querem mais uma? Ok, São Paulo, nós vamos tocar mais uma porque vocês fizeram por merecer...". O frontman mandou acender os refletores para que todos, banda e público, pudessem se entreolhar e interagir com ainda mais energia. Dito e feito: "Seek and Destroy" foi mesmo destruidora e fechou a primeira noite do METALLICA em São Paulo com pompa e circunstância.
Do set list cheio de surpresas à energia visível da banda, o primeiro show do METALLICA em São Paulo foi um grande presente aos fãs. Como é legal poder testemunhar a banda em grande fase, tocando muito bem, feliz e com vitalidade. Conforme já era possível perceber nos CDs e DVDs do lançamento "Orgulho, Paixão e Glória - Três Noites na Cidade do México", os ares latinos estão fazendo muito bem para os thrashers da Bay Area.
Longa vida a James, Lars, Kirk e Robert, porque eles ainda têm muita coisa boa para mostrar.
METALLICA – Estádio do Morumbi (São Paulo) – 30/01/2010
Creeping Death
For Whom The Bell Tolls
The Four Horsemen
Harvester Of Sorrow
Fade To Black
That Was Just Your Life
The End Of The Line
The Day That Never Comes
Sad But True
Broken, Beat and Scarred
One
Master Of Puppets
Blackened
Nothing Else Matters
Enter Sandman
- - - - - - - -
Stone Cold Crazy
Motorbreath
Seek and Destroy





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