A banda que lançou o "Master of Puppets" do novo milênio; "James disse que curtiu, pronto!"
Por Bruce William
Postado em 02 de janeiro de 2026
Em 2007, o Machine Head soltou The Blackening e, de repente, o papo em volta da banda mudou de patamar. A comparação que a Metal Hammer puxa hoje - "um 'Master of Puppets' para o século 21" - é o tipo de provocação que só aparece quando um disco ganha vida própria e atravessa o tempo sem virar peça de museu.
Robb Flynn jura que não havia um "plano mestre" por trás. Ele diz que o processo nasceu de muito ensaio e jam, e que as músicas foram crescendo por conta própria. O detalhe é que cresceram demais: o Machine Head nunca tinha feito uma faixa de 10 minutos e, quando percebeu, já tinha quatro músicas passando dessa marca no mesmo álbum. "A gente tentou encurtar, mas não funcionou; as músicas perdiam energia e empolgação. Então a gente foi assim mesmo."

Esse risco também aparece no depoimento do Colin Richardson, que mixou o disco. Ele conta que a primeira reação foi imaginar que parte do público poderia estranhar aquelas composições longas - "eram músicas bem longas" - mas que o material era interessante o suficiente para compensar o tamanho, e que, no fim, o receio não se confirmou.
O álbum saiu em 27 de março de 2007 e a matéria lembra que as letras estavam carregadas: do "Aesthetics of Hate", escrito como resposta a um texto que atacava Dimebag Darrell, até "Halo" e "A Farewell to Arms", com temas sociais e de guerra. Flynn resume a mentalidade da época: "A gente queria irritar as pessoas... tinha muita coisa chocante ali."
Só que "sair bem de crítica" não significa "tudo fácil na estrada". Flynn diz que o começo do ciclo teve shows menores e suporte para outras bandas; e cita um baque específico: a Disney teria banido o Machine Head de uma House of Blues por causa de letras e do público considerado "indesejável", e depois outro show foi cancelado quando ele falou disso publicamente.
A chave vira quando entra o Metallica na história. Flynn conta que a banda não achava que estava no radar do James Hetfield, até que ele ouviu "The Blackening" e, segundo o próprio Robb, soltou que o disco "me arrebentou". "Quando o James disse que curtiu, pronto!", ele ri - e daí veio o convite para abrir shows do Metallica, num momento que ele descreve como surreal.
O saldo, para o Flynn, foi uma maratona: "três anos e três meses" na estrada, tudo passando rápido demais, e a sensação de que ele devia ter aproveitado mais o momento enquanto estava acontecendo. E é aí que o título encaixa sem esforço: não é que um elogio resolva a vida de ninguém, mas, quando o cara do Metallica te chama para a turnê e você passa a circular nesse tamanho de palco, você entende por que ele trata aquele "curtiu" como carimbo.
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