Neil Peart: o (eterno) melhor baterista e contador de histórias de todos os tempos

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Por Felipe Cipriani Ávila
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Quando tinha quatorze/quase quinze anos de idade, nos idos de 2003, estava passando férias com o meu pai, em Uberaba (Minas Gerais), município localizado no Triângulo Mineiro. Ele tinha residência, trabalhava e morava lá havia muitos anos. Eu, no entanto, no período, residia (e ainda resido) em Belo Horizonte. Em muitos sentidos, foi uma viagem muito emblemática e especial, visto que, infelizmente, nem sempre podíamos nos encontrar com maior regularidade (a distância era uma condição preponderante), tendo, portanto, marcado profundamente a minha vida, o meu ser, a minha alma, bem como tudo que se seguiu posteriormente. Ele, por ser zootecnista, muito dedicado, competente e comprometido com o seu ofício (Artau era um homem sério, alguns poderiam considerá-lo sisudo, era, de fato, perfeccionista e muito, mas muito profissional), viajava bastante, para prestar serviços em diferentes fazendas; atuava, também, como técnico e jurado pela ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebu). Verdade seja dita, foi muito bem-sucedido em tudo o que fez profissionalmente. Como estava instalado no apartamento dele durante esse período, julho de 2003, ele me convidou para participar de algumas dessas aventuras ao seu lado e eu, prontamente, aceitei, afinal de contas, queria passar a maior parte possível do tempo com ele, um homem que eu tanto amava e admirava (embora, abertamente, não falássemos sobre esses sentimentos).

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Na época, eu estava totalmente envolvido com a trilogia "O Senhor dos Anéis", de J.R.R. Tolkien e, por isso, andava com o livro, o volume único, contendo a trilogia completa, para todos os lugares possíveis, por mais "gigantesco" que ele fosse, tratando-o, sim, como um livro sagrado, repleto de sabedoria, de histórias edificantes, e, o mais importante, de magia, de aventuras fantásticas e mirabolantes que eu queria explorar em sua totalidade. Queria ser um dos personagens ou, simplesmente, um ser invisível que acompanhasse tudo de perto, vibrando com as pequenas e grandes vitórias, e buscando se reerguer com as perdas; ora, as perdas fazem parte da vida, não? Mesmo da vida na Terra Média. Isso não varia muito de lá para cá, creio eu. Àquele ponto da vida, já compreendia isso. Como podem observar, estava, realmente, encantado, extasiado com toda a amplitude daquele universo e com aqueles personagens tão cativantes, carismáticos e mágicos. Bem, alguns, pelo menos. Na realidade, eu desejava demais morar, viver permanentemente naquele mundo. Demasiadamente, sonhava com isso.

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Essas poucas viagens que fiz com o meu pai foram espécies de aventuras, já que fui sempre um garoto muito urbano. Eu amava e aproveitava cada segundo. E a companhia dele só melhorava tudo, pois nos sentíamos mais próximos, e, àquela altura, tínhamos mais assuntos em comum para dialogar, e, mesmo no silêncio, nos entendíamos muito bem. Assim como eu, ele adorava música e não se irritava com sons altos e solos de guitarras rápidos e repletos de notas. Ele permitiu que eu levasse alguns (vários) CDs quando fomos viajar… Ah, nós escutamos muito STRATOVARIUS, HELLOWEEN, DREAM THEATER, NIGHTWISH, BLACK SABBATH, DEEP PURPLE, LED ZEPPELIN, PINK FLOYD, YES, ANGRA, SHAMAN, YNGWIE MALMSTEEN, IRON MAIDEN, JUDAS PRIEST, OZZY OSBOURNE, METALLICA, RUSH, entre várias outras bandas. Mesmo os grupos que talvez não fossem os seus preferidos, ele nunca, nunca, pedia para diminuir o volume. E, olha, o volume era realmente alto, ensurdecedor, alguns diriam, e, as viagens, na maioria das vezes, aconteciam de madrugada. Aqueles foram momentos mágicos que tive ao lado dele, a simplicidade dando a tônica e a música dominando tudo, sendo instrumento de amor e de cumplicidade. Dessas várias bandas citadas, eu já era fã de carteirinha de todas, e com o RUSH não era diferente. Foi uma banda que me capturou de pronto (como me esquecer das primeiras vezes que escutei "Fly By Night" (1975), "Caress Of Steel" (1975), "2112" (1976), "A Farewell To Kings" (1977), "Hemispheres" (1978), "Permanent Waves" (1980) e "Moving Pictures" (1981), apenas para citar alguns discos, posto que mergulhei fundo na discografia inteira, desde o princípio da minha descoberta?), pois, além de outros fatores, continha uma magia, uma forte e genuína magia, não somente nas vocalizações e nas suas longas, encantadoras e virtuosas seções instrumentais, mas também nas letras e nas suas composições como um todo, que muito me remetiam às sensações que eu tinha quando "devorava" os livros de J.R.R. Tolkien, o meu autor de cabeceira (no segundo álbum de estúdio do RUSH, o já mencionado "Fly By Night" (1975), o primeiro a contar com Neil Peart como baterista e letrista, há, inclusive, uma letra inspirada no universo de Tolkien, "Rivendell", a morada dos elfos).

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Desde essa época, e até os dias atuais, passei a enxergar o RUSH como "pura magia", aquela banda que sempre me colocava (e sempre me colocará) para cima quando estava triste, sozinho, desamparado, dominado pelos pensamentos ruins. Em 2003, pouco depois dessas breves e inesquecíveis férias, mal sabia ainda o quanto precisaria do grupo e de várias outras lendas do mundo da música… Fato é que a notícia do falecimento do Professor Neil Peart, no dia 7 de janeiro deste ano, fez-me revisitar e resgatar essa história, muito alegre, por um lado, mas por outro, devido a acontecimentos subsequentes, muito triste. Neil Peart não era "apenas" um baterista excepcional, muito (mas muito) acima da média, brilhante, melhor nem ir muito além, uma vez que há predicados de sobra para atribuirmos a ele; era, igualmente, um escritor e um contador de histórias fora do comum. Teve uma narrativa de vida dificílima e cheia de intempéries, tendo perdido a filha e a esposa em um curto espaço de tempo, a primeira, Selena Taylor, em um acidente automobilístico, até então a sua primeira e única filha, com somente 19 anos; a segunda, sua parceira de vida e mãe de Selena, Jacqueline Taylor, 10 meses depois, devido a um câncer terminal. Tudo isso entre agosto de 1997 e junho de 1998. Tal tragédia mudou tudo e culminou em muita coisa. A pretensão dele foi se aposentar do RUSH. E, por um tempo, foi o que aconteceu (ele só retornou à banda, efetivamente, em 2001, para a gravação de "Vapor Trails" (2002), décimo sétimo trabalho de estúdio do power trio canadense, até se aposentar, definitivamente, em 2015). Ele resolveu fazer uma jornada de motocicleta pela América do Norte e Central, para, de certa maneira, fazer uma autorreflexão acerca da sua vida, buscar se descobrir no meio de tantas perdas e tragédias. Tais experiências e aventuras geraram o livro Ghost Rider: A Estrada da Cura. Para os fãs, uma leitura mais do que indispensável. Em setembro de 2000, casou-se com a fotógrafa Carrie Nuttall. Fruto desse amor, nasceu, em 2009, a sua segunda filha, Olivia Louise Peart.

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Mais uma vez, emocionado, sinto-me (mais do que) na obrigação de agradecer, não unicamente ao Professor Neil Peart, todavia, evidentemente, fortemente a ele, por todas as suas histórias, por, sempre, reconectar-me ao meu saudoso pai, por toda a sua excelência suprema em seu instrumento, por todo o comprometimento imenso para com a música, para com a Arte, e para com os os seus fiéis fãs, mas, acima de tudo, por todos os momentos mágicos que ELE me proporcionou, abstratos, fantasiosos, reais, não importa, importa, sim, a tal da Magia, o tal do Poder da Música, que nos propicia tanto contentamento e felicidade. Muitíssimo obrigado por tudo, Mestre! Descanse em paz! Impossível deixar de fora os dois outros gênios que, ao lado de Neil Peart, fazem e sempre farão parte do RUSH: Geddy Lee e Alex Lifeson, seres e almas dotadas de muita luz, sabedoria e espiritualidade, compositores e instrumentistas de outros universos, mentes brilhantes e privilegiadas, também deveras responsáveis por muita da magia presente no Fantástico RUSH! Muito obrigado por tudo, Mestres! Vocês são Mestres, Vocês são LENDAS. A vida é apenas uma transição, um caminho para o aprendizado… Muito ainda desconhecemos… A Farewell To A King! Rest In Power, Neil The Professor Peart! Closer To The Heart!

P.S.: para alguns (mas) leitores (as), sei que esse tipo de relato pessoal pode ser considerado enfadonho, chato e muito autocentrado. Para esses (as), peço sinceras desculpas. Entretanto, creio que alguns (mas) outros (as) poderão, de certa forma, sentir-se conectados (as), em menor ou maior grau, às minhas palavras, encontrando algum tipo de identificação, revisitando as suas próprias histórias que têm como trilha sonora esse maravilhoso power trio chamado RUSH. Para todos (as), muito obrigado, de verdade, pela atenção! Continuemos honrando e propagando a VIDA e a MAGIA existentes, para todo o sempre, nas obras-primas do RUSH.

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Sobre Felipe Cipriani Ávila

Headbanger convicto e fanático, jornalista (graduado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais - PUC Minas), colecionador compulsivo de discos, não vive, de modo algum, sem música. Procura, sempre, se aprofundar no melhor gênero de música do mundo, o Heavy Metal, assim como no Rock'n'Roll, de um modo geral, passando pelo clássico, pelo progressivo, pelo Hard setentista e oitentista, e não se esquecendo do Blues. Play It Loud!

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