A maior linha de baixo do rock, para Geddy Lee; "tocaria com eles? Nem a pau"
Por Bruce William
Postado em 18 de dezembro de 2025
Geddy Lee sempre foi lembrado como um baixista que "segura a casa" e, ao mesmo tempo, faz o instrumento soar grande o suficiente para ocupar espaço de guitarra. Ainda assim, quando o assunto vira influência e referência, ele não fala como quem está se comparando com todo mundo. Ele assume um papel mais humilde e deixa claro que tem gente que ele coloca num patamar acima.
A conversa, nesse caso, passa por uma banda em especial: o Yes. E, dentro do repertório, por uma música que muita gente conhece mesmo sem ser fã da turma: "Roundabout", do álbum "Fragile" (1971). Para Geddy, o que acontece ali é raro porque não é só um baixo "bonito" ou "bem tocado": é uma linha que carrega a música e, ainda assim, virou single grande.

Foi daí que ele soltou uma fala bem franca, escolhendo justamente "Roundabout" como a música que ele gostaria de tocar se pudesse entrar em qualquer canção, relembra a Far Out: "Se eu pudesse tocar em alguma música, seria 'Roundabout', do Yes. Que raro encontrar uma música que é um grande hit e, ao mesmo tempo, tão complicada e conduzida pela parte de baixo. Pra mim, essa é uma das maiores linhas de baixo já escritas para uma música de rock. Eu achava que conseguiria tocar com eles? Nem a pau, mas eu adoraria tentar."
O alvo do elogio tem nome e sobrenome: Chris Squire, dono de um ataque muito particular e de um timbre que virou referência (muito associado ao Rickenbacker e ao jeito de tocar com palheta). A graça é que "Roundabout" não é difícil só por ser rápida ou cheia de nota: ela tem um baixo com presença de "melodia principal" sem perder o papel de motor da música, e isso, no mundo real, é um tipo de dificuldade que não aparece na ficha técnica.
Anos depois, a vida ainda deu ao Geddy uma situação que parece roteiro: ele acabou tocando "Roundabout" ao lado do Yes no Rock and Roll Hall of Fame, na cerimônia de 2017 (Barclays Center, Brooklyn, em 7 de abril). Ou seja: ele mesmo, numa noite oficial, ocupando o espaço do cara que ele tratava como "fora da liga".
E aí o mais divertido é que, quando você assiste ao registro, não parece "um baixista visitando um monumento". Parece só um músico muito preparado fazendo o serviço com respeito - como quem sabe exatamente por que aquela linha é tão especial... e por que ela continua sendo um problema delicioso para qualquer um que tente tocar igual.
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