O álbum do Rush que Neil Peart queria ver transformado em filme
Por Bruce William
Postado em 21 de dezembro de 2025
Alguns discos do Rush não parecem pedir "clipe": parecem pedir roteiro, elenco e duas horas de cinema. E tem um em especial que voltou à conversa mais de uma vez, tanto por causa do tamanho da história quanto pelo quanto ela significava para o próprio Neil Peart.
Em uma entrevista à Rolling Stone lá no ano de 2015, Peart dizia que ainda achava curioso ninguém ter batido à porta com uma proposta de adaptação. Ele lembrava que "Clockwork Angels" (2012) já tinha ganhado versão em quadrinhos, mas queria algo maior do que isso, no espírito de filme mesmo.

Nas palavras dele (e com aquele tom de quem sabe que é uma ideia grande): "Poderia virar um filme fantástico e acreditava que isto aconteceria, um dia alguém bateria na minha porta balançando milhares de dólares dizendo 'vamos fazer isto acontecer', mas até agora nada". Na mesma linha, ele dizia que os três se sentiriam honrados com isso, citando que Geddy adora cinema, Alex gosta de trilhas sonoras e ele era o autor da história. No enredo do álbum, as letras acompanham a jornada de um jovem num mundo com clima "steampunk", cheio de criaturas exóticas - um cenário que, na cabeça do Peart, já vinha praticamente pronto para ser traduzido em imagem.
Mais tarde, a mesma ideia reapareceu pelo lado do Geddy Lee. Em uma entrevista ao Vulture reproduzida pela Louder, perguntaram a ele qual música do Rush "merecia" virar roteiro. Ele disse que existem algumas possibilidades e citou 2112 como escolha óbvia, descrevendo a história como "o indivíduo contra o coletivo" e comentando que isso dá margem para uma adaptação visual, mesmo reconhecendo que o terreno de ficção científica já foi muito explorado.
Só que, quando ele vai para a escolha mais pessoal, ele muda de música para álbum e aponta "Clockwork Angels" como a história que ele gostaria de ver adaptada por inteiro. E ele explica o motivo com calma, descrevendo o arco do personagem: "É baseada numa história clássica de uma pessoa ingênua e inocente saindo para o mundo... ele passa por várias fases da vida, é enganado, se recupera, se apaixona, perde esse amor, e tudo isso vai somando até a vida dele ficar completa... a história no coração de 'Clockwork Angels' é um ciclo completo de vida".
Geddy ainda acrescenta um detalhe importante: Peart realmente queria ver essa história na tela e chegou a trabalhar nisso: "Eu sei que o Neil sempre quis levar a história de 'Clockwork Angels' para a tela de algum jeito... era algo grande para ele, e ele tinha feito algum trabalho na esperança de fazer isso acontecer. Talvez um dia".
E isso conversa com algo que o próprio Geddy já dizia na época do lançamento do álbum: havia muito mais história do que cabia "dentro" das limitações de letras e do formato de um disco de rock. Em outras palavras: a vontade de contar mais empurrou o Peart para pensar em outros meios - e cinema seria o passo mais natural.
Por enquanto, fica como aquele tipo de projeto que os fãs guardam na prateleira do "um dia": o álbum já existe, a narrativa está lá, e as declarações deixam claro que não era só papo de entrevista. Se alguém resolver mesmo bater à porta com "milhares de dólares", como o Peart brincou, o roteiro pelo menos já tem um ponto de partida bem definido.
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