O álbum que, para Geddy Lee, marcou o fim de uma era no Rush; "era esquisito demais"
Por Bruce William
Postado em 16 de dezembro de 2025
Tem disco que, décadas depois, continua gerando uma reação curiosa: a banda lembra do risco, do suor, da dúvida se aquilo tinha público... e os fãs aparecem dizendo que ali está "o álbum definitivo". Foi mais ou menos por esse caminho que Geddy Lee falou quando revisitava, em entrevista à Classic Rock (novembro de 2021), um dos períodos em que o Rush estava mais confortável em apostar alto.
A lembrança dele não vem com pose de "a gente sabia que estava fazendo história". Pelo contrário: Geddy disse que, na época, achava bem possível que o resultado parecesse estranho demais para a audiência geral. E, olhando para a lógica do rádio, ele reconheceu que vender aquelas faixas seria difícil, porque eram longas e pouco "amigáveis" para tocar em programação comum.

O disco em questão é "Hemispheres" (1978), o sexto álbum de estúdio do Rush. No Reino Unido, ele chegou ao 14º lugar na parada, e trouxe músicas que viraram favoritas de público, como "The Trees" e "La Villa Strangiato", além do lado ocupado por "Cygnus X-1 Book II: Hemispheres", com cerca de 18 minutos.
Na entrevista, Geddy resumiu a sensação de risco com franqueza: "Eu achava que as pessoas iam pensar que era esquisito demais. A gente não fazia ideia." E completou que sabia que seria "difícil vender para o rádio", justamente por causa do tamanho das peças. Ele ainda puxou uma ideia que viu num papo do ator Robert Redford citando T. S. Eliot, para explicar a mentalidade do trio: o foco era "tentar", e o que viesse depois não era exatamente da conta deles.
Só que a parte mais interessante da fala dele não é só o medo do estranho. É quando Geddy explica por que "Hemispheres" não soou como um degrau para o próximo passo: "Não parecia um disco de transição. Para mim, parecia o fim de uma era." Ele disse que o formato de músicas ocupando um lado inteiro começava a ficar previsível para ele como compositor, e que queria escapar disso - contar histórias, sim, mas sem ficar preso a temas que precisam se repetir ao longo de 25 minutos.
Nessa leitura, faixas como "The Trees" e "Circumstances" já apontavam para onde ele queria levar a banda: mais ideias musicais concentradas num espaço menor, com mais "movimento" dentro do álbum. E aí entra o choque que ele diz sentir até hoje: "O que me surpreende até hoje é ter tantos fãs que chegam em mim e dizem que acham que esse é o álbum definitivo do Rush."
Geddy também admitiu que não sabe se consegue ter a distância necessária para ouvir "Hemispheres" do jeito que parte do público ouve, mas arriscou um motivo para a devoção: a ambição do esforço. Ele disse que "tem algo realmente 'prog'" naquele disco e que fãs desse tipo de som tendem a valorizar isso, o que combina com um álbum que saiu em 24 de outubro de 1978, gravado entre Rockfield e Advision, e que ainda hoje é lembrado justamente por não soar como "plano seguro".
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



"Nevermind" (Nirvana) ultrapassa "Back in Black" (AC/DC) e "Dark Side..." (Pink Floyd) em vendas
A música do Iron Maiden que influenciou o Big Four do thrash metal, segundo o Ultimate Guitar
"Stairway to Heaven" nem "Comfortably Numb"? O solo que Slash coloca acima de todos
A pior banda gaúcha de rock de todos os tempos, segundo Rogério Skylab
"O After Forever atual é uma banda cover", diz Floor Jansen
Como Herman Li conheceu Andre Matos do Angra: "Kai Hansen, você conhece ele?"
Blaze Bayley traz turnê comemorativa "Iron Maiden 30th Anniversary" ao Bangers Open Air
O roqueiro brasileiro que se queimou com Jô Soares após falar mal de Ayrton Senna
Nicko McBrain revela que indicou Aquiles Priester para seu lugar no Iron Maiden
Como Jason Newsted criou o riff de "Blackened" do Metallica e a reação de James e Lars
O lado mais egoísta da humanidade inspirou a história de um dos maiores clássicos de Dio
Os cinco melhores discos do Megadeth, segundo Mateus Ribeiro
Saúl Blanch, ex-vocalista do Rata Blanca, morre aos 74 anos
O disco do Iron Maiden que fez integrantes do Metallica perderem o controle dentro de um avião
Por que King Crimson é melhor do que Dream Theater, segundo Mikael Åkerfeldt do Opeth


Os três melhores solos do Rush segundo Alex Lifeson, incluindo um que até ele acha difícil
Por que o Rush passou a ensaiar os próprios erros antes de voltar aos palcos
As 10 bandas de hard rock com a melhor trinca de álbuns dos anos 1980, segundo a Loudwire
A curiosa e sincera opinião de Neil Peart sobre Ringo Starr
A banda soft rock americana da qual Geddy Lee (Rush) é um grande fã
O guitarrista apontado como melhor do mundo que Alex Lifeson não curte: "Não me tocava"
O disco ao vivo que mostrou ao mundo o que o Rush realmente era capaz de fazer
A canção dos anos 60 que Geddy Lee diz ser "heavy metal antes de existir heavy metal"
O álbum do Rush que Derrick Green mais gosta (e o que mais odeia)
O show que deixou o Rush abismado; "a gente queria tocar que nem eles, mas eram difíceis"


