O disco do Rush que Geddy Lee diz ter sido o momento mais frustrante da banda
Por Bruce William
Postado em 05 de março de 2026
Existe uma diferença enorme entre "não gostar" de um disco e ficar marcado pelo que aconteceu em volta dele. Quando Geddy Lee fala do ponto mais frustrante da carreira do Rush, ele não trata o álbum como erro artístico nem como vergonha de catálogo. Ele fala da pancada que veio da recepção - gravadora, imprensa, bastidores, pressão - justamente numa fase em que a banda estava tentando esticar o próprio som para além do que se esperava dela em 1975.
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Ele costuma apontar "2112" como um dos momentos mais satisfatórios. Só que, em conversa com a Jam!Music, quando ele puxa a lembrança do álbum anterior, o clima muda na hora: "Acho que o momento mais satisfatório foi a forma como o álbum '2112' foi recebido quando ficou pronto. A gente percebeu, pela primeira vez, que tinha vencido uma batalha dura pela nossa própria independência e criado um som que era totalmente nosso. (…) O mais decepcionante foi, provavelmente, a forma como o álbum anterior, 'Caress of Steel', foi recebido pela nossa gravadora e pelas pessoas da indústria. Foi um período muito difícil pra gente."
O contexto ajuda a entender o tamanho do tranco. A banda vinha de dois discos que ainda dialogavam melhor com o "hard rock de começo de década", e "Caress of Steel" já tentava outro caminho: músicas mais longas, mudanças de clima, ideias que pediam paciência do ouvinte. Só que paciência é exatamente o que não existia quando o assunto era vender o próximo álbum e encher as datas da turnê.
O próprio Geddy, em outra entrevista mais recente para a Louder, descreve como isso bateu na confiança do grupo: eles gostavam do disco, não tinham distância para enxergar o que "não funcionava" e, quando viram que a coisa fracassou, demoraram a entender o motivo. Alex Lifeson também já falou desse período como um momento de pânico, com a banda sentindo que algo importante tinha dado errado do ponto de vista do público - mesmo que, internamente, o disco fosse parte do crescimento deles.
A ironia é que, olhando em retrospecto, "Caress of Steel" acaba aparecendo como aquela ponte estranha que quase ninguém escolhe como "cartão de visita", mas sem a qual o passo seguinte não teria acontecido do mesmo jeito. A Classic Rock lembra que "2112" nasceu desse aperto: o Rush apostou alto, dobrou a ambição, e o resultado veio com cara de "agora vai" - não por milagre, mas porque a banda decidiu bancar o que queria fazer quando parecia mais arriscado fazer isso.
Como bem coloca a Far Out, o que incomoda Geddy não é o disco existir. É lembrar daquele momento em que você está mais vulnerável, achando que está acertando a mão… e descobre que a sala não comprou. E quem já viveu isso em qualquer área entende: dá pra seguir em frente, dá pra aprender, mas o gosto do "período difícil" fica ali, guardado junto com a música.
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