O hit do Pink Floyd que foi última canção escrita por Roger Waters e David Gilmour juntos
Por Gustavo Maiato
Postado em 10 de setembro de 2023
No final da década de 1970, o Pink Floyd estava tão próximo da perfeição quanto qualquer banda de rock poderia esperar. Após a perda de Syd Barrett, David Gilmour trabalhando ao lado de Roger Waters resultou no rock progressivo mais inovador que o mundo já tinha visto, culminando no enorme sucesso de "The Dark Side of the Moon". Embora a banda pudesse ter continuado por anos sob a mesma fórmula, Roger Waters tinha outras ideias sobre o que o grupo deveria ser. O texto tem base em matéria da Far Out Magazine.

Trabalhando fora das convenções das estruturas de canções típicas, os álbuns subsequentes da banda seriam exercícios para Waters tentar se relacionar com o mundo ao seu redor. Ao escrever o álbum "Wish You Were Here" como um pseudo tributo a Barrett, Waters também alertava seu público sobre os perigos que vinham com as grandes empresas.
Esse tipo de mentalidade foi ainda mais explorado no álbum "Animals". Dividido em faixas baseadas nas alegorias animais subsequentes de "A Revolução dos Bichos" de George Orwell, Waters esculpiu uma visão sombria do que a sociedade poderia parecer no futuro, com Gilmour assumindo um papel secundário ao escrever apenas uma faixa no projeto.
Justo quando a banda estava tentando se reorganizar, Waters já havia começado a trabalhar no projeto mais ambicioso que o grupo criaria. Baseado parcialmente em sua própria vida, "The Wall" se tornou a história não contada de 'Pink', enquanto ele percorria a vida de uma estrela do rock antes de se isolar da sociedade.
Mesmo que a banda tenha sido creditada por tocar no álbum, a mentalidade poderia muito bem ter sido a de um primeiro álbum solo de Waters, usando diferentes ferramentas para obter o que ele queria deles. Com Gilmour interpretando os outros personagens no álbum, a dupla eventualmente se reuniu para uma última faixa no álbum.
Descrevendo uma cena em que Pink está fora de si em seu quarto de hotel e precisa fazer um show, Gilmour e Waters ajudaram a dar vida a "Comfortably Numb", adotando diferentes perspectivas dentro de uma única canção. A diferença entre as contribuições e os tons de voz de Gilmour e Waters é como a noite e o dia, com Waters parecendo um médico cínico que vem para ajudar Pink antes de Gilmour pintar uma imagem de euforia em forma de música.
Essa única instância de pura criatividade seria a última vez que Gilmour e Waters colaboraram em uma canção juntos. Comparado com o costumeiro trabalho conjunto que tinham naperfeição de uma canção no estúdio, o álbum seguinte da banda, "The Final Cut", foi praticamente um álbum do Pink Floyd apenas no nome, sendo povoado pelas primeiras músicas da carreira solo de Waters.
Depois de decidir que não precisava mais de seus colegas de banda, Waters partiu rumo a destinos desconhecidos, com Gilmour assumindo as rédeas da banda até o lançamento de "The Division Bell" na metade da década de 1990. Apesar das desavenças que podem ter ocorrido entre Gilmour e Waters após a separação, "Comfortably Numb" permanece como o último momento em que ambas as almas musicais trabalharam em conjunto.
O icônico solo de guitarra de "Comfortably Numb"
David Gilmour, lendário guitarrista do Pink Floyd, abriu o jogo sobre o icônico solo de guitarra de "Comfortably Numb" em uma entrevista à revista Guitar World com tradução de Bruce William. Considerado por muitos como o maior solo de guitarra já gravado em uma guitarra elétrica, Gilmour revelou o processo por trás dessa obra-prima musical.
"Gravei cinco ou seis solos. Daí fiz como costumo fazer, ouvi cada um deles e fiz uma tabela, marcando os pontos que tinham ficado bons. Depois peguei a tabela e montei um solo mixando os melhores pedaços de cada um deles, até que tudo estivesse fluindo. Foi o que fizemos em 'Comfortably Numb'", compartilhou Gilmour.
Essa revelação oferece uma visão fascinante do meticuloso trabalho de Gilmour na criação do solo lendário. Sua abordagem de combinar os momentos mais destacados de diferentes gravações é um testemunho de sua dedicação à perfeição e ao desejo de criar algo verdadeiramente memorável.
Em outras partes da entrevista, o produtor Boz Ezrin também compartilhou informações sobre as complexidades por trás da música. Ele revelou que houve discussões intensas sobre a inclusão de partes orquestradas na música. "Batalhei pela introdução com orquestra. Isto se tornou um grande problema na 'Comfortably Numb', que Dave via como uma canção mais simples. Roger ficou do meu lado. Então ela se tornou uma colaboração entre nós três - a música é de Dave, a letra de Roger e a parte orquestrada é minha", explicou Ezrin.
Essa colaboração revela como "Comfortably Numb" se tornou uma fusão brilhante de talentos criativos, onde as visões de Gilmour, Roger Waters e Boz Ezrin se combinaram para criar uma das músicas mais icônicas da história do rock. O solo de guitarra de Gilmour, agora ainda mais impressionante em sua complexidade e genialidade, continua a ser uma peça central na magia do Pink Floyd.
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