Technical Difficulties: Um papo técnico com Kiko Loureiro

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Por Sylvia Helena D`Antonio
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Não seria uma adaptação equivocada a frase: “Por trás de um grande guitarrista há sempre uma grande marca”. E ninguém melhor que Kiko Loureiro, dono de um invejável acervo de instrumentos, incluindo signatures, e uma extensa lista de marcas das quais é ou já foi endorser, para nos confirmar isso. Por isso batemos um longo e animado papo com o próprio. Este mês você confere os melhores momentos de uma parte de nossa conversa com o anti-gravitacional das 6 cordas.

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Há pouco mais de um ano atrás, Kiko Loureiro lançou seu primeiro álbum solo, o “No Gravity”. Logo após o lançamento, ele nos deu uma entrevista muito interessante não só sobre as partes técnicas do álbum, como também conversamos sobre marcas e endorsements, um assunto bastante polêmico para aqueles que não acreditam muito na indústria musical brasileira.

A primeira parte desta entrevista foi lançada na “falecida” revista Disconnected n° 7. A segunda parte, infelizmente nunca foi lançada. Então, resolvemos colocar na Whiplash ambas as partes.

Não deixem de notar, que algumas coisas, estão um pouco defasadas, com algumas modificações. Por exemplo, a guitarra marrom que ele cita, não existe mais, agora ela é uma das pretas brilhosas, e os captadores Hessels também não estão mais sendo utilizados. O endorsment dele com a Warm Music já se encerrou há um bom tempo, entre outras modificações, que possivelmente corrigiremos em próximos Soundchecks.

Esta entrevista foi feita em Maio de 2005.


Parte I

Você opinou sobre a K1 quando estava sendo feita?

Não no modelo. Eu peguei essa guitarra pronta em 91. A criação é do Tagima, eu gostei e comprei a guitarra.

Mas ela faz um K, no shape, não?

É verdade, mas nem foi proposital. Mas, a grossura do braço, algum desenho de corte, os detalhes, defeitinhos, eu encho o saco.

Como é o processo até a guitarra ser sua?

O Tagima já me conhece, ele pega o braço e já sabe se eu vou gostar. Quando sai uns do meu gosto, ele dá uma afinada e guarda separado. Ele me entrega as guitarras, e eu dou uma tocada, levo pro show e uso, se gostei, fico, se não, não dá. A Prateada, por exemplo, mandei de volta. Não foi uma questão de ruim ou boa. Apenas, não senti muita firmeza, você sente a guitarra, vê a “alma” da guitarra ali. Tem guitarra que já dá pra você sair tocando direto. É o caso da K1 marrom. Foi feita em cima da hora, pra eu tocar direto na feira, e eu já saí tocando, gostei da guitarra.

Rolou o clima” com ela?

Exatamente! Aí eu abandonei as outras (risos). Essa prateada aí, não “rolou”. Deixei lá pra ver, se ele faz “rolar”, muda o braço, ou sei lá. Às vezes eu pego o protótipo, e no protótipo vem sempre um detalhe, errado, mas vai pra loja corrigido. Só que eu fico com o protótipo! (risos)

E a ESP Kiko Loureiro? Conte-nos mais.

Já está lá no site da ESP, mas está faltando as marcações, só tem uma, com o meu nome na 24° casa. Já escolhi as outras e mandei pro cara que vai mandar fazer. Também foi protótipo, fizeram uma pra me mostrar. É baseada na Horizon, com 27 casas, meio uma mistura da K1 e com os mesmos captadores. Eu visitei a fábrica do luthier lá. Foi feita à mão pelos dois caras que fazem as Custom Shops de todos os endorsers da ESP. Ficou perfeita! Vai ser lançado somente no Japão. No Brasil mesmo que quisessem, seria muito difícil. O cara falou que vai pra loja lá, por 5 mil dólares.

E como ficou seu endorsement com o Tagima?

Normal, o Tagima já sabia. A ESP sempre quis me fazer endorser, e eu só topei agora por que fizeram uma guitarra do meu modelo. Mas eu prefiro ficar com a Tagima, até porque eu sou amigo dele, gosto das guitarras, desenvolvo, ajudo, faço uma parceria. Endorser não é só usar a guitarra, senão eu não precisaria ser, porque eu já tenho minhas guitarras, não preciso ganhar guitarra. Endorser é desenvolver o negócio. Por exemplo, a idéia com a Warm Music, é desenvolver um ampli lá, ajudar, fazer um negócio legal. Amplificador em si, também tenho os meus, não preciso que me dêem, a idéia não é essa. Eu tenho um monte de amplis, toco há muito tempo, faço um monte de shows, eles precisam de um cara como eu, pra ser o teste de prova principal, pra dar uma opinião embasada. Precisam de músicos que tocam direto, experientes, de estilos diferentes, pra ficar dando opinião. Assim vão corrigindo, melhorando, e sai bom pra todo mundo. É bom pra mim, é bom pra fábrica é bom pro Brasil, e pra empresa nacional, que está desenvolvendo os instrumentos. Não dá pra fechar o olho à isso. Tem que fazer uma parceria com as empresas, fazer workshop, divulgar a marca, assim todo mundo cresce junto.

Por exemplo, essa K1 marrom, não me deixa na mão, por isso que eu estou com ela direto. Já pegou -5°C, já foi até Belém, e rodou o nordeste inteiro dentro de um caminhão baú e agüentou. E esse é o teste. Você põe um amplificador Warm Music, e uma guitarra Tagima dentro de um caminhão baú, que é um forno, e fala pra ele fazer uma tour dessa, na volta você vê os estragos e fala pra empresa, e eles vão aprimorando.

Concorda com a teoria de que o bom músico toca muito bem até mesmo com o instrumento fora das suas condições?

Sim, mas se for esperto, vai tocar aquilo que sabe que vai sair, naquele instrumento. Se me dão uma strato com uma puta corda alta, eu vou tocar de um jeito, palhetando forte e tal. Não vou fazer Two Hands, que não vai sair bem. Eu sei que tipo de técnica vai funcionar. Se me dão uma guitarra molinha com corda 0.09 e bem baixa, não vou palhetar muito, por que eu palheto forte, e nem vou conseguir controlar direito a palhetada. Vou ficar dando ligados, fazer two hands fácil. Mas a musicalidade se consegue pôr, em qualquer guitarra. O bom músico tem que estar preparado para tocar em outros instrumentos, por que às vezes pode pegar um violão, e tem que tocar bem. Não sou daquele tipo que só toca numa guitarra, e se mexe 1 mm. já quer ir regular de novo. Eu tento tocar sempre do jeito que está. Se mexer um pouco eu nem ligo, to tocando.


Parte II

Em nossa conversa com Kiko Loureiro, falamos bastante sobre seu set-up, tanto nos shows do Angra quanto na gravação de No Gravity, seu álbum solo. Mais detalhes não deixem de conferir seus sites: www.kikoloureiro.com.br e www.kikoloureiro.com.br/nogravity.

Shows do Angra:

Guitarras: Kiko tem usado uma K1, marrom translúcida, madeiras Ash e Maple e captadores Trembucker Original e Hot Rails, da Seymour Duncan. Também tem usado de segunda guitarra uma nova K1 que o Tagima fez para ele, preta bem fosca, uma cor meio “emborrachada”, com captadores Hessel alemães, feitos à mão, instalados lá na Alemanha mesmo. Sua bagagem não pode deixar de incluir a Tagima 635 (formato tipo Stratocaster), sunburst escura, de madeiras Ash e Maple, com captadores Tom Zone e Fast Track, da Di Marzio e a guitarra formato de dragão da Tagima, que ele tem usado pra tocar Carry On nos shows.

O guitarrista do Angra está agora testando uma nova K1 de 7 cordas feita pra ele, mas por enquanto só nas passagens de som, não está usando em shows ainda.

Set: Kiko Loureiro tem dois sets de amplificadores: um set da Warm, cabeçote e caixa e seu set antigo da Laney, CH-100. Nos shows do Angra, vão todos os equipamentos. Às vezes usa os dois cabeçotes com as duas caixas, mas o uso depende do tamanho do local, do palco e etc. Seu roadie, Rodrigo Fantoni, que vê a melhor situação pra cada show e informa ao guitarrista quando chega para a passagem de som. Kiko também nos fala sobre seus efeitos e pedais ao vivo:

“De pedais, estou usando o Power Drive-1 (PD-1) da Zoom, e um rack de efeitos, também da Zoom, o RFX 2000. Quanto a delay, distorção, etc, o roadie que pilota o negócio ali, no rack mesmo, só o wah-wah fica no meu pé. Ele que vai mudando, assim eu não preciso ficar voltando pra onde está o pedal.”

No Gravity

Guitarras: “Como eu estava na Alemanha, não deu pra levar muitas guitarras”, explica o guitarrista o uso de apenas 3 guitarras: a K1 marrom, que usou mais pra solos, a 635 Sunburst bastante usada pra solos e várias bases, e uma Gibson Explorer Gohtic usada para bases pesadas. Os calibres de encordamento são 0.10, 0.10 e 0.11 respectivamente. Para base, utiliza sempre a corda bem alta.

Amplificadores: em No Gravity, Kiko Loureiro foi bem direto e simples na amplificação. Usou um amplificador Mesa Boogie, Dual Rectifire com dois sets de válvulas diferentes, 6L6 e EL34, com caixa Mesa Boogie. Também um Quad Pré Amp, e um SansAmp usado pra algum som um pouco diferente. “No som limpo eu usei o SansAmp e quando era um som com flanger, ou quando era um som limpo, totalmente limpo, ligava direto num pré-ampli Avallon.”, mostra assim com tranqüilidade a falta de complicações na escolha do equipamento.

Pedal: simplicidade e objetividade foi o ponto chave do álbum na escolha dos equipamentos, e isto também vale para os efeitos, ele nos conta: “no disco, usei esse pedal de distorção da Zoom o PD-1, usei também o Tube Screamer, e às vezes pra variar um pouco, tem um MXR da DynaComp. Ponho também um compressor antes da distorção. Tem uma faixa que eu uso o Wammy Pedal da Digitech. Mas 99,9 % das dobras são tocadas mesmo. Os efeitos, delay, chorus são todos plugins de computador, ou racks de estúdio. Eles tem um monte de coisas boas lá.”

Quando falamos de cordas, ele foi bem enfático ao dizer que usa as mesmas no máximo cinco shows, o que significa uma semana, quando se está em turnê. No entanto, imprevistos acontecem, “já aconteceu de arrebentar em workshop, aí eu fico conversando com a galera e peço pra alguém trocar” conta o guitarrista.

Sobre pontes, ele utiliza Floyd Rose original de preferência ou tremolo flutuante (Floyd Rose) da marca Gotoh, se não for ele não confia e prefere nem ter tremolo. Aliás, sobre pontes com tremolos ele dá sua opinião mais radical: “Guitarra que não tem alavanca é ótimo pra improvisar! Tenho uma Tele, que inclusive gravei Nova Era, e umas músicas e solos com ela, que eu gosto, por que não tem alavanca. Essa tele tem um bracinho bom, não muito largo, e tem um som bom também, eu sinto muito conforto ali, tanto pra base quanto, pra solo, é um negócio firme e é diferente de um tremolo de uma fender por exemplo, e é diferente de uma Les Paul.”

Concluímos nossa conversa com um recado para os fans: “Quero agradecer o apoio de todos que tem elogiado muito meu cd e o do Angra. Fico muito feliz em saber que minha música tem agradado bastante. E quero lembrar que já está nas lojas o No Gravity inteiro em versão playback, para a galera estudar e tocar em cima.” É isso aí, mãos à obra.

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Sobre Sylvia Helena D`Antonio

24 anos, carioca. Sylvia é luthier no Rio de Janeiro. Estudou luthieria na B&H Guitar Craft School, em São Paulo. Fez faculdade de Produção Fonográfica, e além de ter sua oficina no rio, atua também fazendo produção executiva e técnica de shows, roadie, guitartech, e stage manager free-lancer. Show é sua vida! Escuta rock desde 12 anos, e é uma “viúva” chorosa dos tempos áureos do Metallica. Curte desde Hard Rock até um bom Thrash Metal, com preferência para o Heavy Tradicional e Prog Metal. Bandas preferidas: Metallica, Megadeth, Dream Theater, Mr. Big, Angra, Dio... entre muitas outras.

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