Technical Difficulties: Novos guitarristas na Expomusic - Parte 3

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Por Sylvia Helena D`Antonio
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Encerramos esta série com chave-de-ouro, em uma entrevista com Ozielzinho, o “guitar-hero” da internet. Ele foi um dos ganhadores do concurso “NIG Realiza seus Sonhos” com a composição “Wolverine”. Nos works da NIG ele tocou com Sydnei Carvalho e Alex Martinho e deu algumas canjas por fora com Déio Tambasco (Oficina G3) e Marcos De Ross. Foi muito interessante notar que em sua primeira feira da música, Ozielzinho andava pelos corredores como um “figurão” da Expomusic. Muitos pediam autógrafos, pediam para tirar fotos, tinha fan-clube presente, e muitas, mas muitas pessoas que conheciam seu trabalho. A internet realmente revolucionou a forma de divulgação! Foi difícil encontrar o requisitado e extremamente simpático Oziel filho para fazer uma entrevista, mas conseguimos, e vocês conferem nossa agradável conversa.

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SH – Como você resolveu se inscrever no concurso da NIG?

Eu uso os encordoamentos NIG desde 2001. Mesmo quando eu não tinha nenhum apoio, nos meus shows, eu distribuía cordas NIG devido ao patrocínio de uma eletrônica na minha cidade. Quando surgiu a promoção, eu resolvi usar uma das músicas que eu usava para participar do Guitar Battle, a “Wolverine”. Demorou muito a sair o resultado e quando eu pensava que já não ia mais rolar nada, acabou acontecendo. Recebi a ligação do Sydnei Carvalho dizendo que minha música tinha sido aprovada, ia entrar no CD da NIG e eu vinha para essas apresentações na Expomusic.


SH – Como foi a composição da música “Wolverine”?

Eu sempre fui fã do “Wolverine”, desde criança. É um super-herói que eu sempre admirei pelo jeito que ele é: agressivo. Da mesma forma, eu quis fazer uma música agressiva, para cima, Rock N’ Roll.

A primeira versão dessa música foi feita em 1998, tempos depois, quando iniciou o Guitar Battle. Eu fiz primeiro a base e depois fui fazendo a melodia. Para o concurso, eu refiz os arranjos dessa música preservando somente o tema principal e algumas variações de harmonia que deram mais vida à composição. Depois fui alterando algumas progressões com o tempo, e hoje ela está finalizada.

É importante ter um conhecimento de harmonia para ajudar no processo da composição. Ter uma boa técnica é importante – me refiro a técnica como um bend bem feito, um arpejo limpo, um vibrato de puro sentimento – pois a técnica na verdade é ter controle sobre o instrumento e colocar pra fora o que você sente através dele.

A composição pode surgir de várias formas: por uma linha de baixo, um groove de bateria, um arpejo, ou mesmo, você está deitado no meio da noite e aquela idéia na cabeça surge, você levanta e grava. Não tem uma regra, mas tem algumas dicas que podem ajudar. Uma delas é você primeiramente “cantar” o tema a ser gravado. Use um microfone do PC mesmo, que é só pra não esquecer. Depois, é só tocar aquilo na guitarra e terminar de montar a harmonia. É uma dica que ajuda muito pois sempre é bom ter em mente o que vai tocar; afinal, as cabeças dos dedos não têm cérebro (risos).

SH – Como foi a gravação?

Eu tenho um estúdio de gravação onde gravo muitos artistas da minha região. A gravação foi toda feita no meu estúdio, no Ozzi Studio, e todos os instrumentos foram gravados por mim. Para programar a bateria, usei os timbres do software “Artist Drums” e toquei em um teclado controlador. A vantagem de fazer a bateria assim é que dá mais realidade na pegada devido à força sobre as teclas. As guitarras, gravei usando o V-Amp PRO ligado em um amplificador LAM 2x12 (fabricação maranhense) e microfonado com um AKG C3000B.

Hoje em dia, dá pra fazer gravações de boa qualidade com pouco equipamento graças aos recursos dos softwares. O lance é fazer cada passo bem feito. Na hora de escolher o timbre é importante deixar praticamente como vai ficar na gravação pois na hora da mixagem o ajuste vai ser pouco. É muito importante também nunca deixar pra resolver problemas na próxima etapa. Se errou ou desafinou, grava de novo, nada de coisas do tipo “deixa assim que na mixagem dá pra resolver” ou “quando masterizar melhora!”.

SH – Como tem sido o apoio da família?

Minha família é de músicos, desde os avós. Tanto da minha mãe como do meu pai. Apoio é o que não falta. Meus pais sempre me incentivaram. Meu pai toca violão, minha mãe canta, meu irmão foi quem me ensinou meus primeiros acordes e eu tenho um tio que é maestro. Então, tive muito apoio da minha família.

SH – Você tem aulas de guitarra, ou já teve? Como começou?

Eu sempre fui auto-didata. Aprendi meus primeiros acordes com meu irmão, que me ensinou ritmos e as primeiras notas. Toquei com ele no conjunto da igreja. (Lá, a gente chamava de conjunto eletrônico, risos). Então, como morava no interior do Maranhão, não tinha quem ensinasse alguma coisa técnica de guitarra, solo, escala, etc. Aos nove anos, aprendi a ler partitura, pois minha mãe me colocou para eu aprender música com o Maestro João Santos, e comecei a tocar na banda da igreja. Toquei clarinete, trompete e saxofone. Quando eu aprendi a ler partitura, ficou mais fácil para ler as dicas que vinham nas revistas Guitar Player e Cover Guitarra. Como tudo é em partitura e eu sabia ler fluentemente, consegui assim transpor para guitarra, e ali aprendi muita coisa.

Eu nunca tive um professor fixo para me dizer o caminho certo onde eu devia andar. Aprendia com dicas de uns e outros. Mas nesse meio tempo, eu tive aula com o professor Valmir Tavares. Foram três aulas, mas que foram muito importantes. Eu tenho vontade de, um dia, ingressar num IG&T , um Souza Lima, fazer um curso, me aperfeiçoar para colocar as idéias em ordem.

SH – Como você faz sua divisão de estudos?

Meu tempo é mais dedicado ao meu estúdio; então, eu pego alguns trabalhos juntos e depois passo uns 2 ou 3 meses só treinando, tirando música, gravando vídeo, colocando no meu site, etc.

Eu passei muito tempo tocando sem aquele estudo sério. Começava de manhã e ficava até de noite só tocando livremente. Como eu nunca tive professor que me indicasse, perdia muito tempo fazendo barulho. Hoje em dia, procuro estudar aquilo que eu realmente sinto falta. Se meu arpejo está ruim, eu treino arpejo. Agora estou procurando estudar mais harmonia. Estou procurando novos horizontes. Estou estudando mais linhas de jazz, fusion, para melhorar mais um pouco meu lado “roqueiro” (risos).

SH – Na questão de improviso, notamos que você é bem versátil, usa todos os recurso possíveis. O que você procura?

Devido às minhas influências - Steve Vai, Yngwie Malmsteen, Matthias Jabs (Scorpions), Andy Timmons, Juninho Afram, Edu Ardanuy, Kiko Loureiro – eu, como qualquer guitarrista, acabo absorvendo algumas técnicas e fraseados, que refletem na hora de improvisar. Seja uma alavancada, uma escala rápida etc. Como eu sou maranhense, também gosto de um forrozinho, uma música sertaneja, e acabo colocando isso em alguns improvisos meus.

Procuro ser coerente também. Se estou improvisando num blues, não vou fritar como um ‘metaleiro’. Não adianta num blues, daqueles bem raiz, aquela coisa bem ‘Texas’, eu querer tocar como um Malmsteen. Fica até uma dica para galera que faz improviso ou músicos que fazem acompanhamentos com artistas: que toquem de acordo com a música. Preste atenção na letra, no que a música tá dizendo. Procure encaixar o seu improviso na música, fazer o que ela pede.

Inclusive, em um workshop do mestre Mozart Mello, ele estava falando sobre tocar de acordo com a música e citou um exemplo de um guitarrista que estava acompanhando uma cantora. Em uma música de ritmo lento, contando a história de uma mulher que tinha perdido o filho, na hora do solo de guitarra, o guitarrista entrou com solo rápido cheio de two-hands, alavacadas e acrobacias!

Todo o improviso, especialmente em ‘canjas’ com outros artistas, dependendo do estilo que o músico toca, vem com uma base simples. Eu, particularmente, costumo tocar muito na parte modal, tocar dentro do campo harmônico, acho interessante. Guitarristas que tocam jazz já têm uma coisa mais tonal. Mas eu gosto de tocar dentro do campo harmônico porque dá algumas intenções legais. Você pensa em como aquela nota vai agir, a sonoridade que aquilo vai dar. Improviso é uma coisa que surge na hora, uma coisa do calor humano, acontece naquele momento e não volta mais. Tocando rápido ou tocando lento, sempre tem como criar intenções. Tocando lento, você tem como fazer coisas mais sentimentais, fazer algumas notas que têm um efeito que a pessoa que ouve pensa “nossa, mas que nota bonita”. Ou então quando é aquela coisa mais rápida, mais agressiva, você escolhe uma escala que vai combinar com aquela agressividade. Dá sempre para conciliar isso.

SH – Qual seu equipamento?

Estou usando pedais Wave Box, amplificadores LAM, Tagima Strato, Ibanez RG e minha guitarra signature ÍCONE que está sendo feita pelo luthier Sidney Paulista. Uso as cordas NIG 0.9 e captadores Malagoli. Estou usando HH777, do Henry Ho, tanto no braço quanto na ponte, HB Hot, Prog Bucker e o Evil Distortion, só que eles estão distribuídos nas minhas guitarras. Gostaria de mencionar o apoio da Lazer Eletrônica e do Studio Sol que desenvolveu meu site.

SH – Quais são seus projetos pro futuro?

Eu nunca tive aquele objetivo de ser um guitar hero de rock ou ser um capa de revista, nunca. Eu sempre toquei na igreja acompanhando e as coisas foram acontecendo aos poucos. Quando fui ver, estava aqui na Expomusic tocando pela NIG. Eu tenho minha banda, Althar, lá em São Luis. Tocamos juntos e queremos lançar nosso CD. Queremos viajar divulgando a palavra de Deus. Nós somos uma banda evangélica, tanto a banda Althar como meu trabalho instrumental. A banda Althar é formada por Wilton Carlos (D), Igor Redson (B), Elienai Soares (K), Joe (V) e eu na guitarra. São os mesmos que me acompanham no meu trabalho instrumental e são todos de São Luis.


SH - O que esta promoção da NIG fez por você, vai fazer ou tem feito?

A NIG fez o que ninguém ainda tinha feito. Deu a oportunidade para toda essa galera mostrar seu trabalho. A vida de músico hoje em dia é muito batalhadora. É muito difícil conseguir espaço. A NIG está dando essa força para revelar os novos talentos. Teve muita gente talentosa como o Felipe Melanio, o Gustavo Guerra, o Bruno, o Lucas Fagundes, essa galera é demais! Merecem o espaço que estão tendo. Uma coisa que nenhuma marca tinha feito até então.

Temos nossa música no CD NIG Evolution III com tiragem inicial de 30 mil copias distribuído pra todo Brasil, só isso já é show! Coisa que ninguém faria por nós! Ainda tivemos a oportunidade de vir tocar no stand da NIG e mostrar nosso trabalho pra toda essa galera. Ainda continuaremos tendo todo apoio da NIG nos próximos 3 anos! Por isso que o nome do concurso se chamava “NIG Realiza seus Sonhos”!

Aqui na feira, já deu para eu conseguir alguns contatos, como a Wave Box, que eu fechei “endorsement”. A Expomusic é uma boa vitrine para divulgar nossos trabalhos e pegar patrocínios. Nunca achei que teria uma recepção tão calorosa como esta aqui em São Paulo.

Gostaria de deixar meus agradecimentos à toda galera da NIG, Sydnei Carvalho, o Joe Moghrabi que muito têm me ajudado e vêm me dando a maior força! Erico (da Malagoli) por acreditar no meu trabalho e me apoiar de tantas maneiras quanto foi possível.

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Sobre Sylvia Helena D`Antonio

24 anos, carioca. Sylvia é luthier no Rio de Janeiro. Estudou luthieria na B&H Guitar Craft School, em São Paulo. Fez faculdade de Produção Fonográfica, e além de ter sua oficina no rio, atua também fazendo produção executiva e técnica de shows, roadie, guitartech, e stage manager free-lancer. Show é sua vida! Escuta rock desde 12 anos, e é uma “viúva” chorosa dos tempos áureos do Metallica. Curte desde Hard Rock até um bom Thrash Metal, com preferência para o Heavy Tradicional e Prog Metal. Bandas preferidas: Metallica, Megadeth, Dream Theater, Mr. Big, Angra, Dio... entre muitas outras.

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