Technical Difficulties: A Escolha da Primeira Guitarra

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Por Sylvia Helena D`Antonio
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Hoje, falaremos do início de tudo. Você, cansado de tirar riffs do Metallica naquele Di Giorgio antigo, consegue uma verba modesta para comprar sua primeira guitarra. Mas a única coisa que você sabe sobre guitarra, é que as notas estão colocadas da mesma forma que no violão. Aí você vai na loja e todas parecem lindas, boas, cheias de opções e variedades. Então, como escolher a primeira guitarra?

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O principal é diferenciar o seu desejo da sua necessidade. Desta forma utilizará bem seus modestos recursos. Qual é a sua necessidade como iniciante nos sólidos? Aprender a palhetar, acostumar com a “pegada” e com as cordas, aprender a diferença das posições de captadores, o timbre que lhe agrada mais, onde usá-los adequadamente, e iniciar o uso da alavanca. Enfim, começar a “pilotar” a guitarra. Nada disso tem regras, você terá que descobrir conforme for se familiarizando com o instrumento.

Talvez na ânsia de ter uma guitarra “igual” a do seu ídolo, a primeira coisa que vem na sua mente é: ponte flutuante (ou, como é conhecida, Floyd Rose). Mas uma guitarra com Floyd Rose, de boa qualidade, é muito cara. Por isso caso encontre uma, dentro da sua faixa de preço modesta, provavelmente não será de boa qualidade, e talvez tenha até mesmo problemas sérios, como braço empenado, trastes desnivelados e a própria qualidade da ponte. No final, você gastará mais ainda num luthier para reparar esses problemas, e em pouco tempo, sua ponte que foi “barata” vai sair cara, pois o desgaste dela não permitirá que se fixe a afinação por muito tempo (se é que algum dia ela fixou). Lembre-se também dos cuidados relacionados a esse tipo de ponte, os quais você provavelmente demorará até se acostumar, ou acabará pagando luthiers pra ficar trocando de corda e regulando. E de início, você nem mesmo usará completamente os recursos dela. A maioria dos iniciantes (e até alguns já um pouco experientes) que compram guitarras com Floyd Rose, não sabem, ou não levam em conta esses aspectos.

O visual é claro que tem a sua importância, mas não se esqueça de que o principal é a tocabilidade do instrumento. E o que ela envolve? Basicamente é a relação entre o seu conforto e o estado do instrumento. Veja se o braço é confortável (nem sempre um braço fino é confortável), se a ação de cordas está baixa (se estiver alta, provavelmente o instrumento está com problemas, porque as lojas “regulam” de acordo com a possibilidade do instrumento), se a altura dos trastes lhe agrada e se o corpo é confortável. Toque com ela ligada, não se apresse. Com a afinação padrão (Lá 440Hz), toque em todas as casas com uma força razoável para localizar possíveis trastejos. Teste potenciômetros, chaves e jack. Se possível, leve um amigo que toque a mais tempo, ou que entenda mais do assunto, para observar mais essa questão de ação de cordas, empenação e desnível de trastes, (é um assunto extenso, e que envolve muita coisa, que veremos futuramente).

Muitos procuram guitarras com 24 trastes. É difícil de encontrá-las sem Floyd Rose, mas encontram-se algumas de qualidade, e por um preço mediano, É só procurar cuidadosamente.

Captadores, embora sejam fundamentais, não precisa se descabelar por causa deles. Se comprar bem sua guitarra no geral, com o tempo, você sentirá a necessidade de trocá-los, mas vai levar algum tempo, até lá você já terá tido tempo de juntar uma graninha para comprá-los.

Portanto, não se preocupe tanto com a marca, nem com o status da guitarra (certamente, uma marca muito ruim não preencherá estes requisitos), e sim com o que é necessário para você entrar bem, neste infinito mundo das guitarras. Se você mais tarde, sentir necessidade ou de uma ponte flutuante, ou tarraxas com travas, captadores melhores, um corpo mais confortável, timbres diferentes, é por que você esgotou os recursos da sua guitarra, e está à procura de novos horizontes. Ela cumpriu seu papel e por usar bem sua modesta verba se poupou de “dores de cabeça” desnecessárias para aquela fase.

A base de tudo que foi dito, que serve para qualquer outro instrumento, embora a ênfase tenha sido a guitarra, é: não compre o mais barato por ter mais recursos, nem pague a marca sem saber se vale a pena. Seu instrumento deve sempre acompanhar sua necessidade, e seu conforto, assim economizará dinheiro e problemas.

É isso aí pessoal, espero que tenha ajudado. Perguntas, sugestões, críticas, correções, dúvidas e reclamações, fiquem à vontade para nos enviar.

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Sobre Sylvia Helena D`Antonio

24 anos, carioca. Sylvia é luthier no Rio de Janeiro. Estudou luthieria na B&H Guitar Craft School, em São Paulo. Fez faculdade de Produção Fonográfica, e além de ter sua oficina no rio, atua também fazendo produção executiva e técnica de shows, roadie, guitartech, e stage manager free-lancer. Show é sua vida! Escuta rock desde 12 anos, e é uma “viúva” chorosa dos tempos áureos do Metallica. Curte desde Hard Rock até um bom Thrash Metal, com preferência para o Heavy Tradicional e Prog Metal. Bandas preferidas: Metallica, Megadeth, Dream Theater, Mr. Big, Angra, Dio... entre muitas outras.

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